SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAO




               BIOLOGIA    ENSINO MDIO




 Este livro  pblico - est autorizada a sua reproduo total ou parcial.
                          Governo do Estado do Paran
                                Roberto Requio

                      Secretaria de Estado da Educao
                        Mauricio Requio de Mello e Silva

                                    Diretoria Geral
                                Ricardo Fernandes Bezerra

                         Superintendncia da Educao
                         Yvelise Freitas de Souza Arco-Verde

                         Departamento de Ensino Mdio
                                Mary Lane Hutner

                  Coordenao do Livro Didtico Pblico
                              Jairo Maral




Depsito legal na Fundao Biblioteca Nacional, conforme Decreto Federal n.1825/1907,
de 20 de Dezembro de 1907.


 permitida a reproduo total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte.
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAO
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80240-900 CURITIBA - PARAN


Catalogao no Centro de Editorao, Documentao e Informao Tcnica da SEED-PR

             Biologia / vrios autores.  Curitiba: SEED-PR, 2006.  p. 296

             ISBN: 85-85380-31-4

             1. Biologia. 2. Ensino mdio. 3. Ensino de biologia. 4. Organizao dos seres vivos. 5.
        Mecanismos biolgicos. 6. Biodiversidade. 7. Avanos biolgicos. I. Folhas. II. Material de
        apoio pedaggico. III. Material de apoio terico. IV. Secretaria de Estado da Educao. Su-
        perintendncia da Educao. V. Ttulo.


                                                                                  CDU 573+373.5




                                       .
                                      2 Edio
                                 IMPRESSO NO BRASIL
                               DISTRIBUIO GRATUITA
                          Autores
           Ceclia Helena Vechiatto dos Santos
                Denise Estorilho Baganha
            Dione Aparecida de Souza Dures
                    Iara Suyama Ferrari
                      Joel Weolovis
            Marilene Mieko Yamamoto Pires

              Equipe tcnico-pedaggica
                    Danislei Bertoni
                Denise Estorilho Baganha
                Marina de Oliveira Santos

     Assessora do Departamento de Ensino Mdio
              Agnes Cordeiro de Carvalho

Coordenadora Administrativa do Livro Didtico Pblico
               Edna Amancio de Souza

                Equipe Administrativa
                    Mariema Ribeiro
                 Sueli Tereza Szymanek

              Tcnicos Administrativos
              Alexandre Oliveira Cristovam
                   Viviane Machado

                        Consultora
     Maria Cristina R. Maranho Schlichting  UnicenP

                   Leitura Crtica
        Lourdes Aparecida Della Justina - Unioeste

                    Colaboradoras
                  Leidimeri dos Santos
                 Luciane Cortiano Liotti

            Consultor de direitos autorais
             Alex Sander Hostyn Branchier

                    Reviso Textual
                    Renata de Oliveira

                Projeto Grfico e Capa
            Eder Lima / cone Audiovisual Ltda

                Editorao Eletrnica
                 cone Audiovisual Ltda

                          2007
  CartadoSecretrio
Este   Livro Didtico Pblico chega s escolas da rede como resultado
do trabalho coletivo de nossos educadores. Foi elaborado para atender
 carncia histrica de material didtico no Ensino Mdio, como uma
iniciativa sem precedentes de valorizao da prtica pedaggica e dos
saberes da professora e do professor, para criar um livro pblico, acessvel,
uma fonte densa e credenciada de acesso ao conhecimento.

A motivao dominante dessa experincia democrtica teve origem na
leitura justa das necessidades e anseios de nossos estudantes. Caminhamos
fortalecidos pelo compromisso com a qualidade da educao pblica e
pelo reconhecimento do direito fundamental de todos os cidados de
acesso  cultura,  informao e ao conhecimento.

Nesta caminhada, aprendemos e ensinamos que o livro didtico no 
mercadoria e o conhecimento produzido pela humanidade no pode ser
apropriado particularmente, mediante exibio de ttulos privados, leis
de papel mal-escritas, feitas para proteger os vendilhes de um mercado
editorial absurdamente concentrado e elitista.

Desafiados a abrir uma trilha prpria para o estudo e a pesquisa,
entregamos a vocs, professores e estudantes do Paran, este material de
ensino-aprendizagem, para suas consultas, reflexes e formao contnua.
Comemoramos com vocs esta feliz e acertada realizao, propondo,
com este Livro Didtico Pblico, a socializao do conhecimento e dos
saberes.

Apropriem-se deste livro pblico, transformem e multipliquem as suas
leituras.


                    Mauricio Requio de Mello e Silva
                     Secretrio de Estado da Educao
  AosEstudantes
                           Agir no sentido mais geral do termo significa tomar ini-
                      ciativa, iniciar, imprimir movimento a alguma coisa. Por
                      constiturem um initium, por serem recm-chegados e ini-
                      ciadores, em virtude do fato de terem nascido, os homens
                      tomam iniciativa, so impelidos a agir. (...) O fato de que o
                      homem  capaz de agir significa que se pode esperar de-
                      le o inesperado, que ele  capaz de realizar o infinitamente
                      improvvel. E isto, por sua vez, s  possvel porque cada
                      homem  singular, de sorte que, a cada nascimento, vem
                      ao mundo algo singularmente novo. Desse algum que 
                      singular pode-se dizer, com certeza, que antes dele no
                      havia ningum. Se a ao, como incio, corresponde ao fa-
                      to do nascimento, se  a efetivao da condio humana
                      da natalidade, o discurso corresponde ao fato da distino
                      e  a efetivao da condio humana da pluralidade, isto
                      , do viver como ser distinto e singular entre iguais.


                                                                   Hannah Arendt
                                                              A condio humana



   Este  o seu livro didtico pblico. Ele participar de sua trajetria pelo
Ensino Mdio e dever ser um importante recurso para a sua formao.

    Se fosse apenas um simples livro j seria valioso, pois, os livros re-
gistram e perpetuam nossas conquistas, conhecimentos, descobertas, so-
nhos. Os livros, documentam as mudanas histricas, so arquivos dos
acertos e dos erros, materializam palavras em textos que exprimem, ques-
tionam e projetam a prpria humanidade.
   Mas este  um livro didtico e isto o caracteriza como um livro de en-
sinar e aprender. Pelo menos esta  a idia mais comum que se tem a res-
peito de um livro didtico. Porm, este livro  diferente. Ele foi escrito a
partir de um conceito inovador de ensinar e de aprender. Com ele, como
apoio didtico, seu professor e voc faro muito mais do que "seguir o li-
vro". Vocs ultrapassaro o livro. Sero convidados a interagir com ele e
desafiados a estudar alm do que ele traz em suas pginas.

    Neste livro h uma preocupao em escrever textos que valorizem o
conhecimento cientfico, filosfico e artstico, bem como a dimenso his-
trica das disciplinas de maneira contextualizada, ou seja, numa lingua-
gem que aproxime esses saberes da sua realidade.  um livro diferente
porque no tem a pretenso de esgotar contedos, mas discutir a realida-
de em diferentes perspectivas de anlise; no quer apresentar dogmas,
mas questionar para compreender. Alm disso, os contedos abordados
so alguns recortes possveis dos contedos mais amplos que estruturam
e identificam as disciplinas escolares. O conjunto desses elementos que
constituem o processo de escrita deste livro denomina cada um dos tex-
tos que o compem de "Folhas".

    Em cada Folhas vocs, estudantes, e seus professores podero cons-
truir, reconstruir e atualizar conhecimentos das disciplinas e, nas veredas
das outras disciplinas, entender melhor os contedos sobre os quais se
debruam em cada momento do aprendizado. Essa relao entre as dis-
ciplinas, que est em aprimoramento, assim como deve ser todo o pro-
cesso de conhecimento, mostra que os saberes especficos de cada uma
delas se aproximam, e navegam por todas, ainda que com concepes e
recortes diferentes.
    Outro aspecto diferenciador deste livro  a presena, ao longo do tex-
to, de atividades que configuram a construo do conhecimento por meio
do dilogo e da pesquisa, rompendo com a tradio de separar o espao
de aprendizado do espao de fixao que, alis, raramente  um espao de
discusso, pois, estando separado do discurso, desarticula o pensamento.

    Este livro tambm  diferente porque seu processo de elaborao e
distribuio foi concretizado integralmente na esfera pblica: os Folhas
que o compem foram escritos por professores da rede estadual de en-
sino, que trabalharam em interao constante com os professores do De-
partamento de Ensino Mdio, que tambm escreveram Folhas para o li-
vro, e com a consultoria dos professores da rede de ensino superior que
acreditaram nesse projeto.

    Agora o livro est pronto. Voc o tem nas mos e ele  prova do valor
e da capacidade de realizao de uma poltica comprometida com o p-
blico. Use-o com intensidade, participe, procure respostas e arrisque-se a
elaborar novas perguntas.

   A qualidade de sua formao comea a, na sua sala de aula, no traba-
lho coletivo que envolve voc, seus colegas e seus professores.
Sumrio
Apresentao................................................................................................10
Contedo Estruturante: OrganizaodosSeresVivos
                    IntroduodoContedoEstruturante
                                              .
                      OrganizaodosSeresVivos .........................................................12
                 1  Bactrias:"umuniversomicroscpico".......................................15
                 2  Vrus:"fludovenenoso".........................................................31
                                           .


Contedo Estruturante: MecanismosBiolgicos
                    IntroduodoContedoEstruturanteMecanismosBiolgicos...............44
                 3  Clula:queunidadeessaqueconstituiemantm
                            todososseresvivos?.............................................................47
                 4  Osmose:oequilbrionaturalenecessrio...................................63
                 5  Embries:afantsticaobraemconstruo!
                            Comoaconteceesteprocesso?...............................................75
Contedo Estruturante: Biodiversidade
             IntroduodoContedoEstruturanteBiodiversidade...........................92
          6  Ascobrasrastejamporquenotmpernasou
                  elasnotmpernasporquerastejam?........................................95
          7  Areproduoumaconseqnciadavidaou
                                                    .
                  avidaumaconseqnciadareproduo? ...............................111
          8  DNA:alongacadeiadavida....................................................129
          9  Sangue:ummarvermelhoquesustentaavida............................145
                                                  .
         10  Queheranaessa?..............................................................161
         11  Biomas:parasosnaturaisourecursosinesgotveis?......................179
         12  MataAtlntica:socorro!!!Cadvoc???.....................................193
         13  Osproblemasambientaissodesencadeadospelaaohumanana
                  naturezaousocastigodivino?................................................209


Contedo Estruturante: ImplicaesdosAvanosBiolgicosno
                       FenmenoVIDA
             IntroduodoContedoEstruturanteImplicaesdos
             AvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA..........................................224
         14  Clulas-tronco:arealidadedemuitossonhosou
                  afrustraodahumanidade?...................................................227
         15  Clonagem:receitaprontaparaplanejarnovasgeraesou
                  paraproduzirseresinimaginveis?:.......................................... 241
         16  Vacinas:comoestariaahumanidadesemesses
                  guerreirosemdefesadenossoorganismo?............255
         17  Oalimentoquevocconsomediariamentetrans-
                  gnico?...........................................269
       EnsinoMdio




           A
           p
           r            Prezado estudante do Ensino Mdio


           e             Voc est recebendo o Livro Didtico de Biologia. Com este mate-
                     rial, voc ter a oportunidade de aprofundar e ampliar seus conheci-
                     mentos nesta disciplina, alm de buscar novos conhecimentos a partir

           s         das relaes interdisciplinares estabelecidas em cada um dos conte-
                     dos especficos desenvolvidos.
                         A Biologia, como Cincia, ao longo da histria da humanidade,


           e
                     vem construindo modelos para tentar explicar e compreender o fen-
                     meno VIDA. Com isto, estuda os seres vivos quanto a: classificao;
                     mecanismos de funcionamento; origem, evoluo e distribuio das
                     espcies; e manipulao do material gentico pelo homem.


           n             A proposta deste Livro  apresentar a Biologia a partir da concep-
                     o de Cincia como construo humana, buscando na Histria e na
                     Filosofia da Cincia a fundamentao necessria para a compreenso
                     da construo do pensamento biolgico.

           t             O Livro est organizado com base nos Contedos Estruturantes da
                     disciplina, ou seja, contedos que se constituram historicamente e es-
                     truturam o Ensino da Biologia. Apresentamos, assim, os seguintes Con-


           a         tedos Estruturantes:
                             Organizao dos seres vivos;
                             Mecanismos biolgicos;


                            Biodiversidade, e
                             Implicaes dos avanos biolgicos no fenmeno VIDA.




           
           o
10   Apresentao
                                                                                Biologia




                                                                            B
    Para cada Contedo Estruturante, foram elaborados textos no for-
mato Folhas. Esta nova forma de apresentao dos contedos prope
o estudo dos conceitos da Biologia e de suas relaes interdisciplina-
res, a partir da leitura textual e da resoluo das atividades, bem como,
                                                                            I
do aprofundamento dos contedos estudados por meio das pesquisas
e dos debates indicados no decorrer dos textos.
    Em cada Folhas, os contedos especficos sero desenvolvidos por
professores e alunos, a partir das discusses sobre a problematizao
                                                                            O
inicial, e, na seqncia, pelo aprofundamento dos contedos da disci-
plina de Biologia e das disciplinas de relao interdisciplinar estabe-
lecidas. Durante o estudo, a busca por outros referenciais da prpria
disciplina e das disciplinas de relaes interdisciplinares envolvidas,
                                                                            L
permitiro o aprofundamento dos contedos e o entendimento de co-
mo estes so elementos importantes para a compreenso do momen-
to histrico em que vivemos.
    Desta forma, o que se pretende com este material de apoio pedag-
                                                                            O
                                                                            G
gico  despertar, no mbito da esfera escolar, as discusses conceituais
da disciplina de Biologia, independente do tempo de aula necessrio
para que ocorra a compreenso dos conceitos envolvidos.
     importante destacar que cada Folhas no apresenta todos os con-
ceitos biolgicos que gostaramos que fossem estudados no Ensino
Mdio, porm, a organizao do tempo e do encaminhamento das dis-
cusses sero determinantes para que, a partir dos recortes feitos, mui-
tos outros conceitos sejam estudados e pesquisados.
                                                                            I
    Bom estudo para todos!
                                                                            A

                                                                                           11
       EnsinoMdio




                       OrganizaodosSeresVivos
            I            Neste Contedo Estruturante, voc encontrar uma proposta de es-
                     tudo que torna possvel a compreenso da organizao dos seres vivos,
                     relacionando a existncia de caractersticas comuns entre os mesmos.


            n
                         Independente do reino a que pertenam, todos os organismos vi-
                     vos mostram certas caractersticas: todos so compostos por clulas;
                     executam determinadas funes, simples ou complexas, que garantem
                     a sua sobrevivncia de acordo com a escala evolutiva da espcie.


            t
                         Para classificar ou distribuir alguma coisa, alguns critrios precisam
                     ser estabelecidos, pois nenhum sistema isolado de classificao  com-
                     pletamente aceito por todos.
                         Em relao a classificao e distribuio dos seres vivos, neste Li-


            r
                     vro utilizaremos o sistema dos cinco reinos de acordo com a proposta
                     de Robert Whittaker (1920  1980), baseada no tipo de clula, no nvel
                     de organizao celular, e no tipo de nutrio:
                             Monera: procariontes unicelulares, auttrofos e hetertrofos;


            o                Protista: eucariontes unicelulares e pluricelulares, auttrofos e
                             hetertrofos;
                             Fungi: eucariontes unicelulares e pluricelulares; hetertrofos;
                             Plantae: eucariontes pluricelulares, auttrofos.


            d                Animalia: eucariontes pluricelulares, hetertrofos.
                         E quanto aos vrus? Voc percebeu que eles no esto includos nesta
                     classificao com a qual nos propusemos trabalhar? Por que ser que eles
                     no fizeram parte dessa classificao? Eles so ou no entidades vivas?

            u            O estudo desses organismos (vrus, bactrias, protozorios, algas,
                     fungos, vegetais e animais), possibilita a compreenso da vida como
                     manifestao de sistemas organizados e integrados, em constante inte-
                     rao com o ambiente fsico-qumico.

                        Estes organismos perpetuam-se por meio da reproduo e modifi-
                     cam-se no tempo em funo de fatores evolutivos, originando a diver-
                     sidade de formas vivas e as complexas relaes de dependncia entre
                     elas e o ambiente em que vivem. Dessa forma, recentes estudos sobre

            
            o
12   Introduo
                                                                                Biologia




a filogenia, a classificao e a organizao dos seres vivos possibilitam
o conhecimento das caractersticas gerais e aspectos bsicos desses se-
res, o que permite ao ser humano reconhecer sua importncia ecolgi-
ca e econmica, interferindo no desenvolvimento de tecnologias para


                                                                            B
modificao do material gentico, importante para a produo de pro-
dutos farmacuticos, hormnios, vacinas, alimentos, medicamentos e
as implicaes ticas, morais, polticas, econmicas e ambientais des-
sas manipulaes.
    O conhecimento sobre a ultra estrutura, metabolismo e proprieda-
des hereditrias dos microrganismos, ao longo das ltimas dcadas,
tem resultado no acmulo de novos conhecimentos que contribuem
para atuais informaes sobre a natureza fundamental de todos os or-
                                                                            I
ganismos vivos.
    Os seres microscpicos, por exemplo, contribuem com solues
para muitos problemas humanos, tais como: melhoramento na pro-
                                                                            O
duo de alimentos, explorao de minrios, e soluo para os der-
ramamentos de leo. Por esta razo, mesmo as pessoas que no so
cientistas, deveriam estar de alguma forma familiarizadas com as pro-
priedades e atividades dos microrganismos no ambiente.
                                                                            L
    Os resultados desses estudos so muito interessantes e iro ajud-lo
a identificar quem so os diferentes seres vivos, desde aqueles micros-
cpicos, como as bactrias, at os maiores, como os mamferos.
    Neste Livro, voc ter a oportunidade de conhecer melhor a estru-
                                                                            O
tura organizacional dos seres vivos. No Folhas: Vrus: "fludo venenoso",
conhecer tambm os vrus, seres cuja especificidade estrutural tem
causado muita controvrsia sobre sua identidade.
    J no Folhas: "Bactrias: um universo microscpico", voc saber um
                                                                            G
                                                                            I
pouco mais sobre as teorias evolucionistas, sobre a origem da vida,
bem como a diversidade, importncia econmica, ecolgica e biotec-
nolgica dos seres microscpicos e macroscpicos e as transformaes
que eles podem realizar no planeta.
    Bom estudo!
                                                                            A

                                                                                           13
       EnsinoMdio




14   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                                                  Biologia




                                                                                                                        1
                                                                      BACTRIAS:
                                                                   "UM UNIVERSO
                                                                  MICROSCPICO"
                                                                                              Dione Aparecida de Souza Dures1



                                                                                sando seu conhecimento so-
                                                                                bre Biologia, responda rpi-
                                                                               do: quais so os seres vivos
                                                                              mais abundantes da biosfera?
                                                                             Sero estes seres microscpicos
                                                                           ou macroscpicos ?




                                                               Elementos que compem a Biosfera. A Biosfera compreende parte do planeta
                                                               ocupada pelos seres vivos. Geralmente, a expresso refere-se ao conjunto de to-
                                                               dos os ecossistemas da Terra.
Colgio Estadual Narciso Mendes - Santa Isabel do Iva - PR
1



                                                                                    Bactrias:"umuniversomicroscpico"                           15
         EnsinoMdio

                                                 Imaginem vocs que no passado, a cincia acreditou que os seres
                                            vivos criados por Deus permaneciam imutveis ao longo de sua vida.
                                            Esta concepo ficou conhecida como Teoria Fixista. Essas idias in-
                                            fluenciaram o pensamento cientfico por um longo perodo. A partir
                                            do final do sculo XVIII, com os avanos da geologia e da paleontolo-
                                            gia, as idias fixistas comearam a ser questionadas. Na Inglaterra, com
                                            a expanso ferroviria e a extrao mineral, a geologia avana e apro-
                                            funda seus conhecimentos com novos achados fsseis que surgem das
                                            escavaes promovidas pela extrao mineral.
                                                 Esses achados fsseis trouxeram evidncias sobre a diversidade e al-
                                            teraes dos grupos de seres vivos, propondo novas explicaes para o
                                            problema da histria geolgica da Terra, contrapondo-se ao fixismo.
                                                 As idias evolucionistas se fortalecem como uma nova explicao
                                            para a origem da vida.
     Voc sabia ...                                                                                                          Mesmo assim, com
     que at o sculo XVIII                                                                                              o achado de fsseis
     as idias criacionistas                                                                                             marinhos nas rochas
     explicavam a existncia                                                                                             das montanhas, os
     dos fsseis (FIGURA 1)                                                                                              defensores do fixis-
     como pedras com for-                                                                                                mo lanaram a hip-
     matos estranhos ou                                                                                                  tese de que os acha-
     ento moldes imper-                                                                                                 dos eram restos de
     feitos descartados no                                                                                               criaturas mortas du-
     momento da criao?                                                                                                 rante o Dilvio Uni-
                                                                                                                         versal, pois segundo a
                                                                                                                         Bblia, nesse perodo,
                                             FIGURA 1  Rplica do Archaeopteryx, dinossauro do Perodo Jurssico, as guas cobriram to-
                                               sendo mais antigo a apresentar penas, mostrando o seu parentesco com as talmente os picos das
                                               aves. Fonte: Foto cedida pelo Professor Dr. Luiz Eduardo Anelli, Museu de montanhas.
                                                Geocincias da Universidade de So Paulo.



                                                                                     No solta um corvo e depois uma pomba. E sol-
                                                                                     tou um corvo, que saiu indo e voltando at que as
                                                                                     guas se secaram de sobre a terra. Depois, soltou
                                                                                     uma pomba, a ver se as guas tinham minguado
                                                                                     de sobre a terra. (...)
                                                                                     E esperou ainda outros sete dias e enviou fora a
                                                                                     pomba, mas no tornou mais a ele. E aconteceu
                                                                                     que, no ano de seiscentos e um, no ms primei-
       O Dilvio foi um episdio obscuro da histria da humanidade e est descrito   ro, no primeiro dia, as guas se secaram de so-
       na Bblia. No construiu uma arca para abrigar um casal de cada espcie       bre a terra. Ento No tirou a cobertura da arca e
       de animal e sua prpria famlia, enquanto Deus inundava toda a Terra          olhou, e eis que a face da terra estava enxuta. E no
       com uma chuva que durara 40 dias e 40 noites. Fonte: "Miguel ngelo",
       MICHELANGELO DI LODOVICO BUONARROTI SIMONI (1475 - 1564), The                 segundo ms, aos vinte e sete dias, a terra esta-
       Deluge, 1508-09, oitava cena da ordem cronolgica da histria bblica do      va seca.
       trabalho feito por Michelangelo no teto da Capela Sistina, Vaticano. 280 x
       570 cm. Tcnica: Afresco ou fresco. Web Gallery of Art.                          Fonte: BBLIA, 1995. (Adaptado do Livro do Gnesis cap. 7 e 8)



16    OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                                                    Biologia



                     ATIVIDADE

     Com as informaes fornecidas at o momento, voc j tem condies de responder:
     Qual a importncia dos achados fsseis para o estudo dos seres vivos?



     A pr-histria do Paran
     Fsseis da era Paleozica so coletados por acadmicos de
     Biologia
     (Faculdade Estadual de Filosofia, Cincias e Letras de Cornlio Procpio - FAFICOP)
     O Paran pode ser delimitado, de acordo com sua topografia, em cin-
 co grupos de paisagens naturais: o litoral, a Serra do
 Mar, o primeiro planalto, ou de Curitiba, o segundo
 planalto, ou de Ponta Grossa, e o terceiro planalto,
 ou de Guarapuava.
     A constituio litolgica do segundo planalto  o
 Planalto de Ponta Grossa   devido a depsitos se-
 dimentares, ocorridos em ambientes marinho e con-
 tinental, formados na era Paleozica, com idades
 oscilando entre 570 e 230 milhes de anos a.C.
                               Fonte: http://faficp.br/noticias/2004/ndxpai.html. Foto de Juliana Gomes.


    A idia criacionista, entretanto, no foi aceita por todos, e pouco a
pouco, a interpretao literal do livro do Gnesis, mesmo tendo uma
forte influncia sobre o pensamento humano, teve que dar lugar a se-
de de conhecimento, buscando uma nova compreenso da histria da
vida na Terra.
    Essa idia est fundamentada no livro do Gnesis, que explica a
criao da Terra e de todos os seres vivos como obra de Deus. Leia no
box abaixo alguns fragmentos da criao, segundo a viso bblica:

     No princpio, criou Deus os cus e a terra.(...)
     E disse Deus: produza a terra alma vivente conforme a sua espcie; gado, e rpteis, e bestas-feras
 da terra conforme a sua espcie. E assim foi.
     E fez Deus as bestas-feras da terra conforme a sua espcie, e o gado conforme a sua espcie, e
 todo o rptil da terra conforme a sua espcie. E viu Deus que era bom.
     E disse Deus: faamos o homem  nossa imagem, conforme a nossa semelhana; e domine so-
 bre os peixes do mar, sobre as aves dos cus, e sobre toda a terra, e sobre todo o rptil que se mo-
 ve sobre a terra.
     E criou Deus o homem  sua imagem;  imagem de Deus o criou; macho e fmea os criou. (...)
                                                                                           BBLIA, 1995. Adaptado do Livro do Gnesis cap.1.



                                                                                           Bactrias:"umuniversomicroscpico"                  17
       EnsinoMdio

                              As teorias que explicam a origem do universo e da vida so, sem
                          dvida, um antigo dilema na histria da filosofia cientfica. De um la-
                          do, o universo e todos os seres vivos teriam sido criados por ato direto
                          e especial de Deus; por outro lado, teriam surgido por acaso e se de-
                          senvolvido pelos mecanismos naturais da evoluo que teria produzi-
                          do a fabulosa variedade dos seres vivos atuais. Enfim, so muitas as te-
                          orias que explicam o processo de criao e evoluo dos seres vivos,
                          mas no contemplaremos todas elas neste Folhas.

                                          No entanto, voc poder pesquisar sobre
                                       a teoria da evoluo, neste Livro Didtico
                                       Pblico, no Folhas: As cobras rastejam
                                       porque no tem pernas ou elas no tm
                                       pernas porque rastejam?


                              Voc pode estar se perguntando por que demoramos tanto tempo
                          para aceitar as evidncias acerca dos fatos que auxiliam no entendi-
                          mento sobre a evoluo dos seres vivos!
                              Hobsbawm, em seu livro "A Era das Revolues", discorre sobre
                          a influncia das presses poltico-sociais sobre a produo cientfica.
                          Questiona ele: "quais seriam as conseqncias das idias evolucionis-
                          tas para a estabilidade poltico-social defendida e apregoada pela Igre-
                          ja em nome da Providncia Divina?" (2001, p. 312).
                              As presses polticas acabavam favorecendo a divulgao, ao pbli-
                          co, dessa nova teoria. Mas havia, por parte de alguns setores da socie-
                          dade, resistncia s idias evolucionistas e preocupao com as conse-
                          qncias desastrosas que poderiam ocasionar um caos social.
                              Sob a influncia da idia criacionista, a hierarquia social e a distri-
                          buio de bens mantinham-se estveis e inquestionveis, pois o servo
                          acreditava que sua posio social era dada por Deus. A maioria da po-
                          pulao passava a vida sem lutar para mudar sua condio social.
                              Esta condio favorecia alguns grupos que mantinham a maioria da
                          populao num regime de servido. Sua riqueza jamais seria questio-
                          nada, pois foi ddiva divina, merecimento.




                                                                       A cena representa um episdio do Livro do
                                                                       Gnesis no qual Deus cria o primeiro homem:
                                                                       Ado. Fonte: "Miguel ngelo", MICHELAN-
                                                                       GELO DI LODOVICO BUONARROTI SIMO-
                                                                       NI (1475 - 1564), The Creation of Adam,
                                                                       1510-11, quarta cena da ordem cronolgica
                                                                       da histria bblica do trabalho feito por Miche-
                                                                       langelo no teto da Capela Sistina, Vaticano.
                                                                       280 x 570 cm. Tcnica: Afresco ou fresco.
                                                                       Web Gallery of Art.


18   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                   Biologia

    As idias evolucionistas trariam inquietao  populao. Se os se-
res marinhos sofrem evoluo ao longo de sua vida, por que o homem
tambm no evoluiria?
    Na perspectiva das Cincias Sociais, especificamente da Antropolo-
gia, a discusso sobre a evoluo humana legitimou a hierarquizao
dos seres humanos. Isso fez com que alguns povos europeus se julgas-
sem superiores aos outros povos que no se enquadravam no modelo
preestabelecido pelas idias evolucionistas, classificando e subjugando
o diferente como inferior.
    Contudo, muitas crticas foram levantadas a partir do final do scu-
lo XIX, desmontando, tanto nas Cincias Sociais quanto nas Naturais,
tais idias e prticas, pois, ao longo da histria, essas idias legitima-
ram a discriminao, preconceitos, desigualdades sociais e muitas pr-
ticas violentas de dominao.



                DEBATE

    Em termos de evoluo, "os fsseis so ento o testemunho concreto da transformao das
 espcies no tempo. Algumas espcies desapareceram e outras, suas descendentes, se desenvol-
 veram em tempos subseqentes". (Questo 11, vestibular 2005, UEPG).
     Voc concorda com tal afirmao? Justifique e discuta em sala.




  Afinal,oqueevoluo?
    Como voc pode perceber, as idias evolucionistas estavam presen-
tes mesmo antes da Teoria Evolucionista se consolidar. J no sculo
VI a.C., a hiptese da evoluo da vida na Terra havia sido apresenta-
da por alguns filsofos gregos, como: Tales, Anaximandro e Empdo-
cles. Passados aproximadamente 25 sculos, no sculo XIX, os novos
conhecimentos sobre a difuso dos organismos no tempo e no espao
geolgico reacenderam o interesse e a discusso sobre evoluo dos
seres vivos na Terra.
    Em 1859, o naturalista ingls Charles Darwin (1809 - 1882), estimu-       Tales de Mileto (data aproxi-
lado pelas idias evolucionistas presentes no contexto histrico e so-        mada 645 a.C. - 547 a.C.),
cial da poca, coleta e estuda seres vivos e fsseis durante sua viagem       filsofo apontado como um
                                                                              dos sete sbios da Grcia
ao redor do mundo, publicando o livro "A origem das espcies", dez            Antiga. Fonte: GNU Free Doc.
anos aps o seu retorno, no qual exps a sua explicao sobre a Te-           Licence, www.wikipedia.org
oria da Evoluo das Espcies. Em poucas palavras, essa teoria afir-
ma que as espcies atuais so descendentes de outras que viveram no
passado e que ambas possuem ancestrais comuns. Quanto aos seres


                                                              Bactrias:"umuniversomicroscpico"              19
           EnsinoMdio

                                           humanos, a teoria afirma, por exemplo, que ns e os chimpanzs per-
                                           tencemos, hoje, a espcies obviamente diferentes, mas nossos antepas-
                                           sados, h milhes de anos, pertenceram  mesma espcie.
                                              Atualmente, estudos sobre a teoria da evoluo baseiam-se na re-
                                           construo da histria evolutiva, agregando as evidncias fsseis aos
                                           estudos da anatomia, embriologia, fisiologia comparada e gentica
                                           dos organismos, buscando relaes filogenticas: quanto maior a afi-
                                           nidade entre duas espcies, maior a probabilidade de terem um an-
                                           cestral comum.


                                             Masondecomeaahistriaevolutivadavida?
                                              Com o advento da evoluo, os cientistas passaram a acreditar
                                           que todos os seres vivos existentes na Terra tiveram origem comum,
                                           a partir de uma nica clula, h aproximadamente, 3,5 bilhes de
                                           anos. Essa clula, segundo a teoria evolutiva, seria simples, porm,
       Seres procariontes so              muito semelhante quelas que conhecemos hoje e que formam os se-
      aqueles que no possuem              res procariontes e eucariontes. Somente 2,5 bilhes de anos aps o
      ncleo celular organizado.           surgimento dos organismos procariontes, o processo evolutivo daria
      Seu material gentico est           origem aos primeiros seres eucariontes mais complexos quanto  or-
      solto no citoplasma.                 ganizao celular.


       Seres eucariontes so
      aqueles que possuem ncleo
      celular organizado, delimitado
                                             Comoumanicaclulapodedarorigema
      por uma membrana. Seu ma-              tamanhadiversidadeentreosseresvivos?
      terial gentico est dentro do
      ncleo.                                  difcil responder a essa pergunta com preciso, mas sabemos
                                           que a diversidade dos seres vivos do nosso planeta se manifesta em
                                           todos os nveis de organizao  da clula aos ecossistemas  e diz
                                           respeito a todas as espcies vegetais, animais e aos microrganismos.
                                                                                        A variedade desses se-
                                                                                        res  fundamental para
      Existem sete espcies de tartaru-                                                 que eles possam enfren-
      gas marinhas, agrupadas em duas
      famlias - a das Dermochelyidae e                                                 tar as modificaes am-
      a das Cheloniidae. Dessas, cinco                                                  bientais. Quanto maior a
      so encontradas no Brasil: 1. Tar-                                                diversidade, maior a op-
      taruga-Cabeuda (Caretta caretta);
      2. Tartaruga-Gigante (Dermochely                                                  o de respostas da na-
      coriacea); 3. Tartaruga-de-Pente                                                  tureza, pois a distribui-
      (Eretmochelys imbricata); 4. Tar-
      taruga-Verde (Chelonia mydas);
                                                                                        o dos seres vivos no
      5. Tartaruga-Oliva (Lepidochelys                                                  planeta no  homog-
      olivacea). Fonte: Projeto Tamar.                                                  nea, nem esttica.




20     OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                   Biologia

     sabido que as formas de vida, inclusive a do homem, no foram             Cada organismo possui es-
sempre assim como conhecemos hoje. Desde que a vida surgiu no                  truturas, funes e compor-
planeta Terra, vem sofrendo modificaes, sejam elas provocadas pe-            tamentos que lhe permitem
lo meio externo ou pelo meio interno (pH do citoplasma, herana ge-            sobreviver, reproduzir e des-
ntica, entre outros fatores).                                                 frutar dos recursos do am-
    Os bilogos avaliam que, desde o surgimento da vida, existiram de          biente no qual vive, ou se-
                                                                               ja, "resolver problemas" que
100 a 250 milhes de espcies, 90% das quais j desapareceram por
                                                                               o ambiente pode apresentar.
completo. Essa diversidade biolgica tem sua origem na variabilidade
                                                                               Chamamos esse processo de
gentica e nos processos de adaptao que permitem aos seres vivos             adaptao.
responder  enorme variedade de estmulos do ambiente.
    Como o ambiente e as situaes que ele impe aos seres vivos,
mudam continuamente, novas adaptaes aconteceram e continuam
acontecendo. As espcies que no so bem sucedidas entram em ex-
tino (seleo natural). Entretanto, o carter evolutivo no est res-
trito aos seres vivos, mas ao prprio meio, que tambm est sujeito 
ao destes seres.
    Atualmente, so conhecidos entre o total de organismos, como ani-
mais, plantas, fungos e microrganismos, aproximadamente 1.700.000
espcies, mas os cientistas estimam que exista mais de 10 milhes de
organismos ainda por descobrir e que, infelizmente, muitos deles de-
saparecero antes que o homem possa conhec-las.




                DEBATE

    Voc j parou para pensar!
     Por que existem tantos tipos diferentes de seres vivos? Por que alguns seres se assemelham mais
 do que outros? Por que existem tantos tipos de rvores? Por que uma laranjeira e um limoeiro so pa-
 recidos, enquanto uma macieira e um jatob so to diferentes?




   Foi a partir de indagaes como essas que os pesquisadores pro-
curaram elaborar um sistema de classificao, numa tentativa de orga-
nizar a incrvel abundncia do mundo natural. E foi por meio da ob-
servao e da reflexo, que a humanidade foi conhecendo aspectos
importantes a respeito dos seres vivos, os quais serviram como critrio
para identificao, a base para a sua classificao.




                                                                Bactrias:"umuniversomicroscpico"             21
       EnsinoMdio

                                        Analise as figuras a seguir:




                     ATIVIDADE

        Separe as figuras acima em 2 grupos:
           Tendo os 2 grupos formados, separe novamente as figuras em 4 grupos.
           Agora, tente separar as figurar formando mais de 4 grupos.
        Discuta com seus colegas:
           Para separar os grupos, voc usou algum critrio? Qual? Por qu?
           Foi fcil separ-los em 2 grupos? E em 4 grupos? E em mais de 4 grupos?
           O que  classificar?
           Qual a importncia de um sistema de classificao?



                                 Com atividades como esta voc pode verificar que, ao longo da his-
                            tria, o homem aprendeu que a prtica de classificar seres e objetos fa-
                            cilita a manipulao, alm de permitir que seu estudo seja compartilha-
                            do entre pessoas, constituindo um eficiente mtodo de comunicao.
                                  importante que voc saiba que nenhum sistema de classificao 
                            completamente aceito por todos os bilogos. Um dos mais aceitos na
                            comunidade cientfica, atualmente,  o Sistema de Classificao em Trs
                            Domnios, por possurem um ancestral comum na evoluo: Archaea e
                            Bactria (seres procariontes), e Eukarya (seres eucariontes).
                                 Mas, para facilitar a compreenso da distribuio dos seres vivos,
                            utilizaremos o Sistema de Classificao em Cinco Reinos (FIGURA 1),
                            proposto em 1969 pelo zologo Robert H. Whittaker (1920-1980), tendo

22   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                                                 Biologia

como base para este sistema, a maneira pela qual os organismos obtm
nutrientes de sua alimentao e como principal vantagem a clareza com
que lida com os microrganismos. Fizemos tal escolha por ser o sistema
de classificao que voc j utiliza para identificar os seres vivos.




  FIGURA 1  Esquema dos Reinos dos seres vivos proposto pelo zologo Robert H. Whittaker, em 1969.

   As caractersticas e os membros de cada um dos cinco reinos esto
resumidos no quadro abaixo:

     Reinos                 Monera                   Protista                   Fungi                    Plantae          Animalia
                                                                           cogumelos,                    musgos,        estrela-do-mar,
                          bactrias e            protozorios e           orelha-de-pau,              samambaias,          minhoca,
   Membros
                        cianobactrias               algas                   bolores e                   pinheiro,           sapo,
                                                                             leveduras                laranjeira, etc    homem, etc
 Organizao                                     unicelulares e             unicelulares
                          unicelulares                                                                 pluricelulares    pluricelulares
   celular                                       pluricelulares           e pluricelulares
 Tipo celular             procariontes             eucariontes             eucariontes                 eucariontes       eucariontes
                           absoro
                         (hetertrofos),          ingesto ou
                                                                                                                           ingesto,
                             alguns                 absoro
                                                                                                        absorvente,    ocasionalmente
                        fotossintetizan-         (hetertrofos),             absoro
    Nutrio                                                                                          fotossintetizan- alguns parasitas
                           tes outros                alguns                (hetertrofos)
                                                                                                      tes (auttrofos) por absoro
                          quimissinteti-        fotossintetizan-
                                                                                                                         (hetertrofos)
                        zantes (auttro-        tes (auttrofos)
                               fos)
                         assexuada ou            assexuada ou             assexuada ou                assexuada ou      assexuada ou
 Reproduo
                           sexuada*                sexuada                  sexuada                     sexuada           sexuada
  * Considera-se a troca de material gentico no processo de conjugao de bactrias como um tipo de
reproduo sexuada.



                                                                                            Bactrias:"umuniversomicroscpico"              23
       EnsinoMdio



                     PESQUISA

        Caso voc no lembre dos termos usados no quadro anterior, faa uma pesquisa e construa seu
     prprio glossrio de Biologia.
         A partir da classificao dos trs domnios e a classificao dos cinco reinos, faa um relato das di-
     ferenas entre os dois sistemas de classificao.



                                  Vocjparouparapensar:comaexistncia
                                  detantadiversidade,quaissoosseresmais
                                  abundantesdabiosfera?
                                  No esquema de classificao apresentado, os procariontes consti-
                               tuem o reino Monera, considerado o reino mais primitivo e normal-
                               mente obtendo alimento por absoro, no caso das bactrias, e por
                               fotossntese ou quimiossntese, no caso das cianobactrias. O reino
                               Protista inclui os microrganismos eucariontes e j apresentam trs ti-
                               pos de nutrio: por ingesto ou absoro, no caso dos protozorios e
                               pela fotossntese, no caso das algas unicelulares.




                                                   Esquema da classificao dos seres vivos em cinco reinos.

24   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                                             Biologia

     Os organismos eucariontes superiores so colocados nos reinos:
Fungi (absorvem os nutrientes, por no apresentarem pigmento fotos-
sintetizante, a clorofila), Plantae (plantas verdes e algas superiores fo-
tossintetizantes) e Animalia (que ingerem os alimentos e em alguns ca-
sos, como dos parasitas, que obtm seus nutrientes por absoro).
     Neste universo to diversificado de seres vivos, cada qual com ca-
ractersticas prprias, a reproduo vem como diferencial para resol-
vermos o problema inicial sobre os seres mais abundantes que existem.
Em condies adequadas de alimento e temperatura, uma bactria po-
de reproduzir-se a cada 20 minutos, dando origem, 11 horas depois, a
seis bilhes de clulas (nmero prximo da populao humana mun-
dial em 1999, segundo dados da ONU).
     Os Protistas no se desenvolvem a partir de um embrio,
como ocorre em plantas e animais, no se desenvolvem a
partir de esporos caractersticos como nos fungos, e nem
com a rapidez das bactrias. Como exemplo, temos a ame-
ba (figura 2), que em condies ideais de laboratrio (24
C), necessita de alguns dias para se reproduzir.
     No caso dos fungos, eles tm em comum com as plan-
tas a formao de esporos, por esta razo, foram por mui-
to tempo classificados no reino das plantas. Porm hoje for-
mam um grupo  parte. Sabe-se que no formam sementes,
                                                                                                                   ameba (Entamoe-
                                                                               FIGURA 2 -
so desprovidos de pigmentos fotossintetizantes e respon-  ba histolytica).Esquema de uma organismos unice-
                                                                                                As amebas so
sveis pelos processos decompositores. Quanto  reprodu-                       lulares e pertencem ao grupo de protozorios de-
o vamos usar um exemplo muito conhecido, o fermento                          nominados de Rizpodes, filo Sarcodina e reino
                                                                               Protista. Nutrem-se por fagocitose e por pinocitose. Al-
biolgico comprado no supermercado, conhecido como l-                         gumas amebas causam doenas como a Entamoeba
                                              vedo, cujo nome cientfico      histolytica (amebase), enquanto outras, como a
                                              Saccharomyces cerevisiae. Ao     Entamoeba coli que habita o intestino humano e con-
                                                                               tribui com o equilbrio do mesmo. A digesto nas ame-
                                              longo de sua vida, uma clu-     bas  intracelular ocorrendo no interior dos vacolos
                                              la, por gemao, pode produ-     digestivos. Podem ter at meio milmetro de dimetro
                                                                               e viver livremente ou parasitando um outro ser vivo.
                                              zir cerca de 20 clulas-filhas.
                                              Temos tambm nesse gru-
                                              po o champignon Agaricus
 Fungo da espcie Agaricus bisporus.  ori- bisporus que leva em mdia
   ginrio da Frana e pertence  Diviso Ba- 20 dias para se reproduzir.
   sidiomycota, do Reino Fungi. Fonte: GNU
   Free Doc. License, www.wikipedia.org           Mas existem seres que
                                              necessitam muito mais tempo
para a reproduo, como a Pitangueira, uma Angiosperma
que leva de sete a oito anos, em condies favorveis de
solo, clima e luminosidade, para gerar seus descendentes.
                                                                               Araucaria angustifolia (pinheiro-do-paran). Iniciada a
Entretanto, dentro das Gimnospermas, existem outras                             produo de sementes, a rvore produz em mdia 40
espcies que levam muito mais tempo para alcanar a                             pinhas por ano. Fonte: www.diaadiaeducacao.pr.gov.br
maturidade de reproduo, como  o caso da Araucaria
angustifolia (Pinheiro do Paran), com tempo estimado entre 18 a 20
anos.


                                                                                     Bactrias:"umuniversomicroscpico"                   25
           EnsinoMdio

                                             No reino Animalia incluem-se os animais derivados de zigotos (uma
                                          clula formada pela unio de dois gametas, tais como vulo e esper-
                                          matozide). O tempo aproximado de incubao  caracterstico para
                                          cada espcie. No caso de um anfbio muito comum, o sapo, por exem-
                                          plo, do momento da fecundao at a metamorfose completa de cada
                                          indivduo, leva em mdia 3 meses. J nos grandes mamferos, 9 meses
                                          na espcie humana, e 20 meses no elefante.

                             ATIVIDADE

          Tendo como base a reproduo comparativa entre os cinco reinos, voc j tem condies de res-
       ponder quais so os seres mais abundantes, micro ou macroscpicos? Justifique.


                                                                             O mundo microbiano  composto por se-
           No interior da bactria, alm do citoplasma
                                                                         res que no podem ser vistos a olho nu. So
       encontramos o nucleide, regio onde se lo-
                                                                         seres muito abundantes no planeta, por se-
       caliza o cromossomo bacteriano. Alm desse
                                                                         rem encontradas nos mais variados ambien-
       cromossomo, a bactria pode apresentar pe-
                                                                         tes. Seu pequeno tamanho permite um meta-
       quenos cromossomos, tambm circulares, lo-
                                                                         bolismo elevado, crescimento incrivelmente
       calizados fora do nucleide, denominados plas-
                                                                         rpido e velocidade na converso de nutrien-
       mdeos. Fonte: JUNQUEIRA e CARNEIRO (2005, p. 268).
                                                                         tes em energia, como  o caso das bactrias.
                                                                             Dentre todos estes fatores envolvendo as
                                                                         bactrias, est a a razo pela qual so am-
                                                                         plamente utilizadas em pesquisas cientficas e
                                                                         atualmente em grande escala, na engenharia
                                                                         gentica.
                                                                             A engenharia gentica desenvolveu tcni-
                                                                         cas capazes de transferir genes de um ser vi-
                                                                         vo para outro. Por exemplo, quando o gene
                                                                         responsvel pela produo do hormnio in-
                                                                         sulina, em seres humanos,  transplantado pa-
                                                                         ra o interior de certas bactrias, elas passam a
                                                                         produzir o mesmo hormnio, seguindo a in-
                                                                         formao determinada pelo gene humano (FI-
                                                                         GURA 3).
                                                                             Esse  um exemplo de como os cientistas
                                                                         podem dirigir o "comportamento" de bactrias
                                                                         geneticamente modificadas para fins previa-
                                                                         mente definidos. As bactrias portadoras de ge-
                                                                         nes transplantados atuam como "fbricas" a ser-
      FIGURA 3  Esquema da produo de insulina resultante de tcnica   vio dos interesses humanos.
      de engenharia gentica.




26     OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                   Biologia

    Sem dvida, estamos diante de um dos acontecimentos mais impor-
tantes da histria da humanidade, com repercusses incalculveis em
todos os setores da nossa vida. De tal forma, e em tamanha profundi-
dade, podemos dividir a nossa histria em pr e ps-engenharia gen-
tica, pelos impactos e modificaes dessa biotecnologia na medicina,
na pecuria, na agricultura e na vida em sociedade.
    De fato, temos que concordar: as bactrias esto por toda parte,
com uma funo ecolgica de fundamental importncia para a manu-
teno de vida no planeta. Portanto, vrios so os motivos que justifi-
cam a importncia do mundo bacteriano para a humanidade.


    Bombas de chocolate?
     Os doces esto geralmente a salvo da contaminao microbiana, pelo
 fato de que, sua elevada concentrao de acar cria uma presso osm-
 tica elevada demais para que a maioria dos organismos possa sobreviver.
 No entanto, os amantes do chocolate podem ficar surpresos ao descobri-
 rem que as famosas "bombas de chocolate" podem realmente explodir!
 Voc sabe por qu?
    O creme que recheia esses doces pode estar contaminado com
 Clostridium, um tipo de bactria que produz um gs, o qual faz com que
 seus chocolates favoritos explodam! (Adaptado de BLACK, J.G. 2002, p.696).




                                                  Fotomicrografia em colorao por
                                                  violeta de genciana de Clostridium
                                                  botulinum. Os Clostridium botulinum
                                                  so grandes bacilos gram-positivos,
                                                  com cerca de 8 micrmetros. Produ-
                                                  zem toxinas que podem provocar o
                                                  botulismo, uma forma de intoxicao
                                                  alimentar rara, mas potencialmente fa-
                                                  tal, presente em alimentos contamina-
                                                  dos e mal conservados. Agem como
                                                  neurotoxinas paralisando os msculos,
                                                  e, em grande quantidade, podem pa-
                                                  ralisar o diafragma e impedir a respira-
                                                  o normal, levando  morte por asfi-
                                                  xia. Fonte: CDC - Centro de Controle
                                                  e Preveno de Doenas, Departa-
                                                  mento de Sade e Servios Humanos,
                                                  Governo dos Estados Unidos.




                                                                       Bactrias:"umuniversomicroscpico"     27
       EnsinoMdio

                             RefernciasBibliogrficas
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                                BLACK, J. G. Microbiologia: fundamentos e perspectivas. Rio de Janeiro:
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                                HOBSBAWM, E. J. A era das revolues: Europa 1789  1848. Rio de
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                                JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia Celular e Molecular. Rio de
                                Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.


                             ObrasConsultadas
                                CURTIS, H. Biologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997.
                                DARWIN, C. A origem das espcies. So Paulo: Hemus, 1990.
                                FARACO, C. E. et al. Impactos da cincia e da tecnologia na sociedade
                                atual. In: Ofcio do professor: Aprender mais para ensinar melhor. So
                                Paulo: Abril, 2004.
                                JOLY, A. B. Botnica: introduo  taxonomia vegetal. So Paulo: Editora
                                Nacional, 2002.
                                MACHADO, S. Biologia: de olho no mundo do trabalho. So Paulo:
                                Scipione, 2003.
                                OLIVEIRA, F. Biotica: uma face da cidadania. So Paulo: Moderna, 1997.
                                PELCZAR Jr. , M. et al. Microbiologia: conceitos e aplicaes. So Paulo:
                                Makron Books do Brasil, 1996.
                                PEREIRA, M. S. O curioso mundo das bactrias. Revista Cincia Hoje
                                das Crianas, Rio de Janeiro, n. 09, 2. ed. ano 13, dez. 2000.
                                RAW, I.; SANT'ANNA, O. A. Aventuras da microbiologia. So Paulo:
                                Hacker Editores, 2002.
                                STORER, T. I. et al. Zoologia geral. So Paulo: Editora Nacional, 2003.
                                TRABULSI, L. R. et al. Microbiologia. 4 ed. So Paulo: Atheneu, 2004.


                             DocumentosConsultadosOnlInE
                                FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CINCIAS E LETRAS DE CORN-
                                LIO PROCPIO. A pr-histria do Paran. Jornal Notcias da FAFICP, n.
                                5, 01 jul. 2004. Disponvel em: <http://faficp.br/noticias/2004/ndxpai.html>
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                                MANFIO, G. P. (coord.) Bactrias de interesse ambiental e agroindustrial. Ba-
                                se de Dados Tropical, Fundao Andr Tosello. Disponvel em: <www.
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28   OrganizaodosSeresVivos
                                        Biologia



ANOTAES




            Bactrias:"umuniversomicroscpico"     29
       EnsinoMdio




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                                                                                                     Biologia




                                                                                              2
                                                                 VRUS: "FLUDO
                                                                    VENENOSO"
                                                                             Dione Aparecida de Souza Dures1



                                                               final, vocs so seres vivos ou no vi-
                                                              vos?



                                                                            Puxa!
                                                                          Que gripe!




Colgio Estadual Narciso Mendes - Santa Isabel do Iva - PR
1




                                                                                   Vrus:"fludovenenoso"       31
           EnsinoMdio

                                                Voc sabia que na antiga Grcia acreditava-se que doenas da hu-
                                            manidade haviam sido trazidas por Pandora, a Eva grega, guardi de
                                            uma certa caixa cujo contedo ela desconhecia?
                                                Conta a histria que certa vez, por curiosidade, Pandora resolveu
                                            abrir a caixa e, ao levantar a tampa, deixou escapar todos os males do
                                            mundo. Por sorte, o deus Asclpio (tambm chamado Esculpio, pe-
                                            los romanos) possua um basto com uma cobra enroscada, cujo po-
                                            der espantava as doenas.
                                                No sculo XVII, por volta de 1630, aconteceram muitos flagelos de
                                            doenas infecciosas, como a peste bubnica que voltou a atingir a Eu-
                                            ropa, causando 86 mil mortes. Esse fato fez com que as pessoas dei-
                                            xassem de acreditar no mito de Pandora e passassem a aceitar a expli-
                                            cao que essas epidemias eram causadas por influncia dos astros.
      Na mitologia grega, Pandora
      ("bem-dotada") foi a primeira mu-         Como a astronomia estava em expanso, o
      lher, criada por Zeus como puni-      fsico alemo Johannes Kepler (1571  1630),
      o aos homens pela ousadia do
      tit Prometeu em roubar aos cus
                                            descreveu as leis planetrias e anunciou que
      o segredo do fogo. Em sua cria-       a peste era influenciada pelos planetas. Surge
      o os vrios deuses colabora-        ento essa nova explicao para a origem das
      ram com partes: Hefestos moldou
      sua forma a partir de argila, Afro-   doenas, o movimento dos planetas.  tam-
      dite deu-lhe beleza, Apolo deu-lhe    bm a partir dessa explicao que surge o ter-
      talento musical, Demter ensinou-
      lhe a colheita, Atena deu-lhe ha-
                                            mo "Influenza", a influncia dos astros.
      bilidade manual, Poseidon deu-lhe
      um colar de prolas e a certeza
      de no se afogar, e Zeus deu-lhe
      uma srie de caractersticas pes-      Modelo contnuo do sistema solar de                                          Johannes Kepler (1571  1630).
      soais, alm de uma caixa, a cai-       Kepler, o Mysterium Cosmographi-                                             Kepler formulou as trs leis funda-
      xa de Pandora. Fonte: JULES JO-        cum (1596). Fonte: NEGUS, Kenneth                                            mentais da mecnica celeste, co-
      SEPH LEFEBVRE (1836 - 1911),           G. The astrology of Kepler. Princeton,                                       nhecidas como leis de Kepler. De-
      Pandora II, 1882, Frana. 96,5 x       Nueva Jersey: Eucopia Publications,                                          dicou-se tambm ao estudo da
      79,9 cm. Tcnica: leo sobre tela      1987.                                                                        ptica. Fonte: GNU Free Doc. Li-
      de tecido. The Art Renewal Center                                                                                   cense, www.wikipedia.org
      - Lefebvre Gallery, Port Reading,
      New Jersey, EUA.
                                                Por muitos sculos, as doenas foram associadas s crenas e su-
                                            persties. Porm, com os estudos sobre as clulas e os microrganis-
                                            mos, diretamente ligados ao aperfeioamento do microscpio, esses
                                            fatos foram sendo esclarecidos.



                                                                                      Por volta de 1665, Robert Hooke (1635-1703),
                                                                                  na Inglaterra, e Jan Swammerdam (1637-1680), na
                                                                                  Holanda, construram microscpios de pequena
                                                                                  resoluo que permitiram descobertas importantes
      Microscpio de Robert Hooke. Af-                                            sobre microrganismos.
      beelding uit Hooke's Micrographia,
      Londen, 1664. Fonte: Deutsches                                               Robert Hooke (1635-1703) foi um dos maiores cientistas experimentais
      Museum (www.deutsches-museum.                                                ingleses do sculo XVII e, portanto, uma das figuras chave da Revoluo
      de) - Museu alemo dedicado s                                               Cientfica. Fonte: GNU Free Doc. Licence, www.wikipedia.org
      Cincias, situado em Munique, na
      Alemanha.



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                                                                                                                                            Biologia

    Antony van Leeuwenhoek (FIGURA 1), tambm holan-
ds, por volta de 1668, aprendeu a polir lentes com mui-
ta preciso, com as quais observou fios de cabelo, pulgas e
pequenos insetos, alm de realizar a primeira descrio de-
talhada dos glbulos vermelhos. Leeuwenhoek descreveu
diferentes seres vivos, seus tamanhos, como se moviam e
quanto tempo viviam as bactrias, algas e protozorios pre-
sentes nas guas de riachos e lagoas. Estes pequenos seres
vivos foram descritos como "animlculos". Inicia-se a partir
desses fatos, a histria da microbiologia.
       Microscpio construdo por
       Leeuwenhoek. Fonte: Este
       instrumento tem um fator de
       ampliao de aproximadamen-                                                               FIGURA 1 - Antony van Leeuwenhoek (1632-1723).
       te 275 vezes. Pertence a coleo de                                                       Cientista conhecido pelas suas contribuies para o
       microscpios do Museu Universitrio de Utre-                                              melhoramento do microscpio, alm de ter contribu-
       cht, Holanda.                                                                             do com as suas observaes para a biologia celular.
                                                                                                 Fonte: GNU Free Doc. Licence, www.wikipedia.org



                    ATIVIDADE

     "O aperfeioamento dos sistemas pticos melhorou cada vez mais a qualidade e a riqueza de de-
 talhes das imagens microscpicas, portanto, os microscpios so considerados uma tecnologia a ser-
 vio da cincia."
 a) Voc concorda com essa afirmao? Justifique.
 b) Qual a importncia do estudo da microbiologia para a humanidade?



                                               A AVENTURA DA VIROLOGIA!
                                             Em 1898, Friedrich August Lffler, foi encarregado de investigar a fe-
                                         bre aftosa, molstia que infectava o gado, produzindo ulceraes na bo-
                                         ca e nos cascos. Lffler e Paul Frosch testaram dezenas de meios para
                                         cultivar o agente desta doena, em meios aerbios na presena de oxi-
                                         gnio e usando hidrognio, cido sulfdrico e dixido de carbono, para
                                         fazer crescer bactrias anaerbias. No conseguiram detectar qualquer
                                         bactria. Mesmo assim, coletaram lquido das vesculas infectadas, que
                                         quando inoculado na mucosa de vitelas transmitia a doena.
                                              Decidiram ento diluir o lquido num tipo de filtro que retinha todas as
                                         bactrias. Testaram para detectar se havia alguma substncia capaz de
                                         imunizar os animais. Para surpresa, quando inocularam o filtrado em vi-
                                         telas, em vez de imuniz-las, os animais ficaram doentes e a infeco se
                                         alastrou. (Adaptado de: RAW e SANT'ANA, 2002, p.120)

                                           Friedrich August Johannes Lffler (1852 - 1915) era um bacteriologista alemo na Universidade Ernst Moritz
                                           Arndt, Greifswald, Alemanha. Entre suas descobertas est o organismo que causa a difteria (Corynebacterium
                                           diphtheriae). Fonte: History of Medicine Library & Museum, http://clendening.kumc.edu


                                                                                                                  Vrus:"fludovenenoso"                33
       EnsinoMdio



                     ATIVIDADE

        Pensando no experimento de Lffler e Frosch, o que so bactrias aerbias e bactrias
     anaerbias?
        Os dois pesquisadores testaram dezenas de meios para cultivar o agente da doena que afetava o
     gado, porm no encontravam as bactrias. O que poderia estar acontecendo? Justifique.
          Quando tentaram imunizar os animais inoculando um filtrado, perceberam ainda que a doena per-
     sistia e a infeco se alastrou. Por qu?
        Para explicar tais resultados, eles pensaram em duas possibilidades:
            o filtrado livre de bactrias continha uma toxina extremamente potente.
            o agente causador da doena, que at ento no fora descoberto, seria to pequeno que os
     poros do filtro no o reteriam.
        Em qual das duas possibilidades voc v uma explicao para o fato descrito no texto do quadro?
     Justifique.
        A febre aftosa, doena que os pesquisadores tentavam encontrar seu agente patolgico, tem algu-
     ma relao com a doena atual?




        Relatrio que Friedrich A. Lffler fez s autoridades locais, Alemanha,1898:
          "Graas ao uso do telgrafo para informar sobre os novos surtos de febre aftosa que sua Exceln-
     cia colocou a nossa disposio, atravs de contatos com funcionrios de muitas localidades, foi poss-
     vel obter extensas quantidades de material fresco para estes estudos. Como descobrimos que bact-
     ria penetra nas vesculas depois de alguns dias, decidimos usar sempre vesculas frescas para nossos
     estudos. Vesculas frescas so relativamente raras..." (RAW e SANT'ANA, 2002, p. 120).




                     DEBATE

        Qual a importncia dos meios de comunicao para poca, final do sculo XIX ?
        Qual a influncia dos avanos tecnolgicos nos meios de comunicao?
        Faa uma relao entre as pesquisas cientficas feitas naquela poca e das pesquisas feitas
     nos dias atuais.




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                                                                                                                                               Biologia

    A primeira referncia aos vrus foi feita por Louis Pasteur (1822 
1895) no final do sculo XIX. Em 1880, na tentativa sem sucesso, de
cultivar o agente causador da raiva (hidrofobia), Pasteur utilizou o ter-
mo vrus, que em latim significa "veneno". Poucos anos depois, desen-
volveu-se a tcnica de esterilizar solues por filtrao. Os filtros eram
capazes de reter as bactrias, mas deixavam passar alguns agentes pa-
tognicos - microrganismos menores que as bactrias.
    Em 1892, o botnico Dmitry Ivanovski (1864  1920) caracterizou
o vrus do mosaico do tabaco (doena comum nas folhas do tabaco).
Mas somente em 1899, o botnico Mariunus Willen Beijerinck (1851                                                     Louis Pasteur em seu laborat-
1931), investigando a mesma doena, descobriu que injetando extra-                                                    rio. Pasteur foi um cientista francs
                                                                                                                      cujas descobertas tiveram enorme
tos das folhas de tabaco doente, transmitia para plantas sadias a mes-                                                importncia na histria da cincia.
ma doena. Acreditavam, ento, tratar-se de "germe vivo solvel", que                                                 A ele se deve a tcnica conhecida
se proliferava em clulas vivas das plantas.                                                                          como pasteurizao. Fonte: AL-
                                                                                                                      BERT GUSTAF ARISTIDES EDEL-
    Alguns anos mais tarde, entre 1915 e 1917, dois bacteriologistas                                                  FELT (1854 - 1905), Portrait of
descobrem a existncia de seres que "comem bactrias", denominando-os                                                 Louis Pasteur, 1885, Fotografia
                                                                                                                      exposta atualmente no Museu de
de bacterifago (vrus que atacam bactrias).                                                                         Orsay, Paris, Frana.



   Entoat1917noseconheciaaexistncia
   dosvrus?
                                Os registros de doenas provocadas por vrus
                            so milenares. Hierglifos datados de 1400 a.C. des-
                            crevem a sintomatologia da poliomielite. A perna
                            atrofiada da figura masculina neste baixo relevo do
                            Egito Antigo, indica a existncia da poliomielite na
                            Antigidade.

 Hierglifo que representa um homem e sua famlia entregando oferendas  deusa Astarte (deusa do amor e fertilida-
 de). O homem tem a perna fina, debilitada e muitos a consideram como sendo a primeira imagem de um enfermo de
 poliomielite. Fonte: Museu Egpcio de Copenhagen, Dinamarca. 10cm x 15cm. Tcnica egpcia: `estela de pedra' em
 baixo relevo.



      O baixo relevo, em geral,  o gnero de escultura que abrange qualquer relevo aderente a um fundo.
  Para melhor especificao, classificam-no de: alto, mdio, baixo, encavado e misto, segundo respecti-
  vamente, ele seja todo destacado, medianamente, apenas perceptvel, cavado no fundo, ou a reunio
  de todos os gneros. Alm de servir na ornamentao de inmeros objetos de uso, tais como: jias,
  anis, moedas, medalhas, etc.,  o gnero de escultura preferido na decorao das grandes superf-
  cies arquitetnicas, devido  sua superioridade sobre a estaturia no tocante ao melhor encadeamento
  de cenas e grupos por ele tratados. Constitui, s vezes, autntica linguagem ornamental figurada com a
  qual diversos povos gravaram para a posteridade nos muros de seus templos, palcios, tmulos, etc.,
  os fatos e pormenores de sua civilizao.
                                                                                            (Adaptado de www.studio41.com.br/arte/medalha.htm).




                                                                                                                     Vrus:"fludovenenoso"                   35
          EnsinoMdio

                                              As pinturas e os hierglifos nas paredes eram formas de inventariar
                                          a vida e as atividades dirias dos soberanos falecidos, nos mnimos de-
                                          talhes. A pintura e a escultura obedeciam a padres rgidos de repre-
                                          sentao da figura humana. Em muitos quilmetros de desenhos e en-
                                          talhe em pedra, a forma humana  representada em viso frontal do
                                          olho e dos ombros, e em perfil de cabea, braos e pernas. Um fato
                                          interessante  que o tamanho da figura indica a posio social que a
                                          pessoa ocupa, ou seja, os faras so representados como gigantes, so-
                                          bressaindo-se entre criados do tamanho de pigmeus.
                                              No sculo V a.C., o mdico Hipcrates (460-377 a.C.), registrou a
                                          ocorrncia da caxumba e, possivelmente, da gripe (ou influenza) na
                                          ilha de Thasos. Descreveu a caxumba, com referncias  inflamao
                                          dos testculos (orquite) que, segundo os estudos atuais, pode ocorrer
                                          em 25% dos casos, principalmente em jovens. Atribui-se a Hipcrates
                                          tambm, o primeiro relato de hepatite benigna.
                                              O fara Ramss V que morreu por volta de 1500 a.C., sobreviveu
                                           varola, o que  testemunhado claramente pelas marcas das leses
      Hipcrates de Cs. Hipcrates      (pstulas) deixadas em sua pele e preservadas pela mumificao.
      considerado o pai da medicina.
      Ele deixou um legado tico e mo-
                                              O vrus da varola foi pela primeira vez assim designado no ano 570
      ral vlido at hoje. Precursor do   d.C., por Bishop Marius de Avenches, na Sua. A palavra deriva do la-
      pensamento cientfico procura-      tim, varius ou varus, que significa bexigas. Esta doena afetou em mui-
      va detalhes nas doenas de seus
      pacientes para chegar a um diag-    to o desenvolvimento de civilizaes ocidentais e foi uma das grandes
      nstico, prescindindo de explica-   pragas ultrapassando a peste negra, a clera e a febre amarela no seu
      es sobrenaturais apesar da li-
      mitao do conhecimento da
                                          impacto. Foi tambm a causadora da queda de alguns imprios.
      poca. Hipcrates era um ascle-         Com o crescimento da agricultura no nordeste africano - Egito e
      pade, isto , membro de uma fa-
      mlia que durante vrias geraes
                                          Mesopotmia, por volta do ano 9000 a.C., houve uma aglomerao das
      praticara os cuidados em sade.     populaes humanas, o que permitiu a transmisso da doena de pes-
      Fonte: GNU Free Doc. License,       soa para pessoa, sendo mais tarde levada por mercadores para a ndia,
      www.wikipedia.org
                                          sia e Europa. Em 1350 a.C., a primeira epidemia de varola ocorreu
                                          durante a guerra entre os Egpcios e os Hititas, causando o declnio da
                                          civilizao Hitita.
                                              Tambm na China, por volta do ano 1122 a.C., foi descrita uma do-
                                          ena aparentada com a varola. Em documentos chineses datados do
                                          perodo entre 37 e 653 d.C., h relatos sobre a varola e tambm o sa-
                                          rampo e a raiva (hidrofobia). Em algumas culturas antigas, a letalida-
                                          de da doena era to elevada entre as crianas que estas s recebiam
                                          o nome se sobrevivessem  doena.
                                              A doena at ento era desconhecida no Novo Mundo e foi intro-
                                          duzida pelos Espanhis e Portugueses, tornando-se uma espcie de ar-
                                          ma biolgica que ajudou a provocar a queda dos imprios Asteca e In-
                                          ca. Estima-se que cerca de 3,5 milhes de Astecas morreram vitimados
                                          pela doena num espao de dois anos. Este enorme declnio popula-
                                          cional foi devido ao fato de as populaes indgenas nunca antes te-
                                          rem estado em contato com este agente infeccioso, sendo particular-
                                          mente suscetveis a este.

36     OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                               Biologia

  Assim,acinciacontinuaaseperguntar:
  Comovocsso?Qualasuaestrutura?
    Por conta do aperfeioamento do microscpio e
com as contribuies da microbiologia e da medicina
foi possvel identificar os microorganismos como cau-
sadores de grande parte das doenas.
    Com o desenvolvimento da pesquisa sobre os v-                                     Vrus HIV
rus, foi possvel identificar a existncia de uma per-
feita relao bioqumica entre a natureza molecular
de cada tipo de vrus e certos receptores especficos
da superfcie das clulas, justificando o tropismo dos                                                  Linfcito T4
vrus por determinados tipos de tecidos. Assim, o v-
rus da gripe ataca as clulas das vias respiratrias; o
da hidrofobia (raiva) ataca as clulas do sistema ner-
voso; o da caxumba acomete as glndulas salivares
partidas; o da Aids destri os linfcitos T4 do siste-
ma imunolgico. Por isso, os vrus so comumente
classificados como pneumotrpicos, neurotrpicos,
adenotrpicos, dermotrpicos, ou seja, de acordo
com o tipo de clula com a qual se estabelece a re-
lao bioqumica.                                              Microfotografia do vrus HIV e do linfcito T4. O HIV reco-
                                                               nhece a protena de membrana CD4, presente nos linfcitos
                                                               T4 e macrfagos, ligando-se a esta protena. Fonte: GNU
                                                               Free Doc. License, www.wikipedia.org


  Qualacontribuiodomicroscpioeletrnico
  paraoestudodessesseres?
   Como voc j percebeu, eles so seres extremamente pequenos.
Suas dimenses esto entre 10 a 300 nanmetro (nm), visveis apenas
ao microscpio eletrnico.
   O incrvel  que ao fotograf-lo no microscpio eletrnico, reco-
nheceu-se que a estrutura bsica de todos os vrus (FIGURA 2)  a
mesma, ou seja, no apresentavam estrutura celular. So dotados de
um cerne (miolo) de cido nuclico (DNA ou RNA),
envolto por uma cpsula de protena denominada
capsdeo que, por sua vez,  formada por unidades
chamadas capsmeros.
   Eles podem ter o material gentico formado
por DNA de fita dupla (DNAfd), DNA de fita nica
(DNAfu) ou RNA de fita nica (RNAfu), mas em ne-
nhum caso, ocorre a presena dos dois cidos em
um mesmo vrus. A reunio do cido nuclico com
                                                              Figura 2  Representao de um vrus.
o capsdeo forma o nucleocapsdeo do vrion, que

                                                                                       Vrus:"fludovenenoso"                37
       EnsinoMdio

                           o vrus completo. Pesquisas recentes indicam a existncia de um v-
                          rus hbrido (com DNA e RNA), o citomegalovrus, que est entre os oi-
                          to tipos de herpesvrus patognicos para o homem.
                              Onde est a clula? Em alguns casos, os vrus realmente so forma-
                          dos apenas pelo nucleocapsdeo, mas em outros existe um envelope
                          (envoltrio), que  a parte mais externa do vrus. Esse envelope  forma-
                          do por protenas do vrus mergulhadas em lipdios derivados da mem-
                          brana plasmtica da clula que ele est parasitando (os vrus podem
                          parasitar apenas determinados tipos de clulas, e isso depende das pro-
                          tenas que eles possuem).




                                                     Representao de alguns vrus.




38   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                            Biologia

   De acordo com os seres vivos que parasitam, podemos considerar
quatro grupos de vrus:
   bacterifagos: parasitam bactrias;
   micfagos: parasitam fungos;
   vrus de animais: parasitam animais;
   vrus de plantas: parasitam plantas.
    importante lembrar que o fato de um vrus pertencer a um deter-
minado grupo no significa que ele possa parasitar qualquer indivduo
desse grupo. Por exemplo, um vrus que parasite um determinado ani-
mal pode ou no parasitar animais de outras espcies.



                 PESQUISA

    Ento vamos l ...
    Faa uma pesquisa no folhas DNA: a longa cadeia da vida, deste livro e responda as seguintes
 perguntas:
     O que  um cido nuclico? Onde so encontrados? Onde ficam estes cidos nos seres procarion-
 tes? E nos seres eucariontes? E nos vrus, onde ficam os cidos nuclicos?


    Mas, agora  preciso tentar situar os vrus na histria da evoluo
da vida no planeta Terra. Uma das explicaes da cincia  que eles se
originaram dos fragmentos de cidos nuclicos liberados pelas clulas
primitivas nos oceanos, onde foram envolvidos por protenas e adqui-
riram a capacidade de autoduplicar-se dentro de uma clula e serem
transmitidos para outras.


  Vocdeveterpercebidoquenofalamosde
  vrusmasculinosefemininos.Eento,como
  elessereproduzem?
   Para se reproduzir os vrus precisam invadir clulas e "seqestrar"
o mecanismo celular da sua hospedeira. Razo pela qual os vrus so
tambm chamados "parasitas obrigatrios". Ao invadir a clula hospe-
deira ele interfere no mecanismo de reproduo para "for-la" a pro-
duzir novos vrus. A este processo chamamos de replicao, pois os v-
rus fazem cpias idnticas de si mesmo.
   Para voc entender o processo de reproduo, usaremos o vrus
`bacterifagos' ou `fago' (FIGURA 3), que  um dos vrus mais estuda-
dos, pois ataca as bactrias reproduzindo-se em seu interior. Estes v-
rus so inofensivos ao homem e a outros animais.

                                                                            Vrus:"fludovenenoso"     39
       EnsinoMdio




                              FIGURA 3  Esquema de vrus bacterifago e seu ciclo de reproduo.




                                Masafinal,elessoseresvivosouno?
                                 So muitos os requisitos necessrios para um organismo ser classi-
                             ficado como ser vivo. Destacaremos apenas alguns: presena de cido
                             nuclico, capacidade de deixar descendentes, suscetibilidade s muta-
                             es, absoro de nutrientes, digesto, excreo, respirao, armaze-
                             namento e utilizao de energia.




                     ATIVIDADE

        Os vrus possuem alguns dos requisitos acima citados? Quais?
        Existe uma caracterstica que faz parte de todas as formas vivas e somente delas?




40   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                                    Biologia

    Embora o estudo dos vrus tenha comeado h pouco tempo, a
ocorrncia de viroses  to antiga quanto a prpria humanidade. E
apenas saber que existiam seres menores que as bactrias, pouco aju-
dou no combate de doenas por eles causadas. Seria preciso conhec-
los melhor, descrever seus mecanismos de reproduo, formas de con-
tgio, para assim, evitar novas vtimas.
    Uma das mais eficientes solues para as
doenas virais , at agora, a vacinao. A va-
cina  o mais importante mecanismo utilizado
pela medicina preventiva. Existem tambm,
drogas que tratam os sintomas das infeces
virais. A vacinao consiste basicamente em
estimular o organismo a produzir anticorpos,
protenas especiais capazes de impedir a ma-
nifestao de determinadas doenas, ou ainda
fazer com que estas apaream de forma mais
branda e menos perigosa para o paciente. Os
anticorpos so altamente especficos, ou seja,
cada anticorpo reage somente contra determi-
                                                 A primeira vacinao contra o vrus da varola foi realizada por Edward Jen-
nada doena. Por exemplo, o anticorpo que        ner, mdico rural ingls, em sua residncia, em 14 de maio de 1796. Fon-
combate o vrus da gripe no combate o vrus     te: ROBERT ALAN THOM, Coleo "Grandes Momentos na Medicina" publi-
                                                 cada por Parke Davis & Companhia, em 1966. aproximadamente 65 x 90
do sarampo, e vice-versa.                        cm. Tcnica: leo sobre tela.



 Para aumentar seus conhecimentos sobre VACINAS, procure no Livro Didtico
 de Biologia, o Folhas Vacinas: como estaria a humanidade sem esses
 guerreiros em defesa de nosso organismo?




                    PESQUISA

      Quais as doenas virais que podem ser prevenidas por meio da vacinao?
      Quais as doenas virais que ainda no so prevenidas com a vacina? Quais os motivos?
      Quais as outras formas de preveno contra as viroses?
     Quais os fatores que justificam a importncia de todos ns participarmos das diferentes campanhas
  de vacinao?




                                                                                               Vrus:"fludovenenoso"           41
       EnsinoMdio

                                Porfalaremvirose,vocjouviufalardagripe
                                aviriaougripedofrango?
                                Os meios de comunicao informam a todo o momento a preocu-
                             pao dos agricultores, dos consumidores e das autoridades sanitrias
                             com a nova epidemia dessa gripe.

                                           A doena foi identificada pela primeira vez na Itlia, h cerca de
                                       100 anos. Acreditava-se que a gripe s infectava aves at que os pri-
                                       meiros casos humanos foram detectados em Hong Kong, em 1997.
                                       Na poca, todas as aves - em torno de 1,5 milho - foram mortas em
                                       trs dias. Esta medida foi decisiva para conter a epidemia.
                                            A gripe do frango tem apontado uma taxa de mortalidade eleva-
                                         da em humanos. Em 97, seis das 18 pessoas infectadas morreram.
      Fonte: http://www.sxc.hu           Nesta nova crise, sete mortes foram comprovadamente causadas
     pelo vrus. Para efeito de comparao, a Sndrome Respiratria Aguda Grave (Sars) j matou 800 pes-
     soas em todo o mundo e infectou 8.400 desde que surgiu, em novembro de 2002. Um outro problema
     identificado: o vrus pode sofrer mutaes rpidas e infectar outros animais.
          Todas as aves so suscetveis  gripe, mas algumas espcies como patos, so mais resistentes.
     Os frangos e os perus so particularmente vulnerveis. Eventualmente, porcos tambm podem ser in-
     fectados. Quanto s pessoas, elas pegam a doena por meio de contato direto com aves vivas infec-
     tadas. O vrus est presente nas fezes das aves, que secam e so pulverizadas, e depois podem ser
     inaladas. O vrus consegue sobreviver por um longo perodo nos tecidos e nas fezes das aves mortas,
     particularmente sob baixas temperaturas.
        Os sintomas dessa doena so similares aos de outros tipos de gripe: febre, mal-estar, tosse e dor
     de garganta. Tambm j foram registrados casos de conjuntivite. Nos pacientes que morreram, a doen-
     a caminhou para uma pneumonia viral. Existem 15 diferentes variaes do vrus, mas  o vrus H5N1
     que infecta os humanos e pode causar a morte. Dentre os vrus deste tipo, foram encontradas varia-
     es. Os vrus analisados, hoje, tambm so diferentes dos tipos vistos no passado.
                                                                               (Adaptado de: Veja on-line, 27/01/04).




                     PESQUISA

        Deu para voc perceber que esse vrus no  nada fcil!?!?... Agora  o seu momento de buscar
     mais informaes sobre a gripe aviria:
        Essa doena pode ser tratada?
        Essa gripe pode ser transmitida de pessoa para pessoa?
        Podemos continuar comendo carne de aves?
        Quais as principais medidas adotadas para evitar a propagao desse vrus?




42   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                              Biologia



              DEBATE

   Diante de tantas informaes sobre os vrus, voc pode ter chegado a uma concluso: "Afinal,
os vrus so ou no so seres vivos?"




 RefernciasBibliogrficas
 RAW, I.; SANT'ANNA, O. A. Aventuras da microbiologia. So Paulo:
 Hacker Editores, 2002.



 ObrasConsultadas
 CURTIS, H. Biologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997.
 PELCZAR Jr., M. et al. Microbiologia: conceitos e aplicaes. So Paulo:
 Makron Books do Brasil, 1996.
 STRICKLAND, C. Arte comentada: da pr-histria ao ps-moderno. Rio
 de Janeiro: Ediouro, 1999.
 TRABULSI, L. R. et al. Microbiologia. So Paulo: Atheneu, 2004.



 DocumentosConsultadosOnlInE
 Biotecnologia. Revista Biotecnologia Cincia & Desenvolvimento.
 Disponvel em: <www.biotecnologia.com.br> Acesso em: 11 set. 2005.
 CAMPOS, L. A. Medalha. Disponvel em: <www.studio41.com.br/arte/
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 FERREIRA, P. Varola. Agncia Fiocruz de notcias. Disponvel em: <www.
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 Gripe aviria. Revista Veja on-line, 24 jan. 2004. Disponvel em: <http://
 veja.abril.com.br/idade/exclusivo/280104/gripe_do_frango.html> Acesso
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 SILVA, M. L. da. A Varola, uma doena catastrfica! Artigos mdicos,
 doenas da imunidade, 23 dez. 2002. Disponvel em: <www.apol.net/
 dightonrock/small_pox_portuguese.htm> Acesso em: 10 set. 2005.
 SOWERS, H. Smallpox. Utah Departament of Health Bureau of
 Epidemiology. December, 2002. Disponvel em: <http://hlunix.hl.state.
 ut.us/els/epidemiology/epifacts/smallpox.pdf> Acesso em: 10 set. 2005.




                                                                              Vrus:"fludovenenoso"     43
       EnsinoMdio

                       MecanismosBiolgicos
                         O ser humano sempre foi movido pela curiosidade e pela nsia do saber.


            I        Por vrios sculos, realizou estudos e experimentos para tentar dar respostas
                     a muitos problemas ao longo da sua caminhada pela Terra. Com isso, muitas
                     teorias surgiram visando explicar seus anseios e suas necessidades, buscan-
                     do respostas s seguintes indagaes:


            n
                                Como a vida surgiu no Universo?
                                Que mecanismos garantem a manuteno da vida?
                         Para responder a estas e tantas outras indagaes, valemo-nos atualmen-
                     te, do estudo dos mecanismos que explicam como funcionam os sistemas


            t
                     que compem os seres vivos.
                         Procuraremos lev-los a uma viagem inigualvel, rumo ao conhecimento e
                      busca de algumas respostas que tentam explicar alguns dos mecanismos pe-
                     los quais os seres vivos garantem a sua sobrevivncia.



            r
                         Neste Livro, voc encontrar muito material para reflexo e que o ajuda-
                     r a construir novos conhecimentos, como por exemplo:
                                "Clula: que unidade  essa que constitui e mantm todos os seres
                     vivos?";



            o
                                "Osmose: o equilbrio natural e necessrio...";
                                "Embries: a fantstica obra em construo!".
                        A prpria natureza dessas reflexes j indicam a importncia e a amplitu-
                     de dos assuntos abordados.



            d
                         Para compreender o funcionamento das estruturas que compem os seres
                     vivos  necessrio pensarmos o organismo de forma fragmentada, separada,
                     permitindo anlises especializadas de cada funo biolgica.
                        Para compreendermos como interagem os diversos sistemas dos organis-
                     mos, esta fragmentao ser tratada de forma articulada, adentrando-se na

            u        compreenso dos mecanismos biofsicos e bioqumicos.
                         Neste Livro, os estudos dos mecanismos biolgicos tendem a concentrar-
                     se no entendimento de como as funes fisiolgicas mudaram ao longo da
                     histria evolutiva dos seres vivos. Portanto, sero tratados de forma compara-


                    tiva, procurando mostrar,  voc, parte da complexidade dos sistemas.
                        Para melhor compreender essa complexidade, outras cincias contri-
                     buem com seus conhecimentos. Por exemplo, a Fsica, tem papel funda-
                     mental em explicar como ocorrem essas funes vitais. O mdico britnico


            
                     William Harvey (15781657), usando conhecimentos fsicos sobre a bom-




            o
44   Introduo
                                                                                     Biologia



ba hidrulica, descreveu detalhadamente o sistema circulatrio humano ao
conceber o corao como uma bomba que impulsiona o sangue por to-
do o corpo. Efetivamente, os conceitos da Biologia tambm so indissoci-
veis dos conceitos da Qumica, como, por exemplo, na determinao do
tipo sangneo.
   A Cincia tem se mostrado uma poderosa ferramenta para solucionar


                                                                                 B
muitos problemas que surgem, principalmente, da relao entre os seres hu-
manos e o mundo em que eles vivem.
    Com os avanos da microscopia eletrnica, a partir da dcada de
1940, passou a se conhecer muito mais a estrutura celular, do que


                                                                                 I
foi possvel com o microscpio ptico. Esse conhecimento, particular-
mente importante em termos de taxonomia, foi responsvel pela clas-
sificao celular em duas categorias, de acordo com a disposio do
material gentico dentro da clula: clulas eucariticas e clulas pro-


                                                                                 O
cariticas.
    Essas unidades estruturais e funcionais bsicas de todos os seres vi-
vos, so constitudas por uma infinidade de molculas e tomos que se
agrupam para proporcionar a elas uma individualidade, tornando-as di-
ferentes em sua estrutura, mas com semelhana em suas funes.
    Tais funes celulares, desempenhadas pelas organelas citoplasm-
ticas, controlam cada organismo por meio da sntese de protenas, do
armazenamento e liberao de energia, da produo de substncias
                                                                                 L
que atuam no meio extracelular, entre outras funes.
    Um estudo muito importante que veio auxiliar na cura, na preveno de
algumas doenas e no entendimento de como acontece o desenvolvimen-
to dos organismos  a embriologia. A embriologia explica a anatomia e as
                                                                                 O
anormalidades que se formam nos indivduos durante seu desenvolvimen-
to. Esses conhecimentos ajudam os mdicos a dar aos embries as melho-
res possibilidades de desenvolver-se normalmente. Quem no quer ter um
filho saudvel?
                                                                                 G
    Com estes estudos pretendemos ajud-lo a compreender as relaes que
se estabelecem entre o conhecimento cientfico e o contexto de vida social de
cada um, para que voc possa participar, de forma crtica, do debate sobre as
aplicaes dos avanos cientficos e tecnolgicos utilizando organismos vivos.
                                                                                 I
                                                                                 A
   Bom estudo!




                                                                                                45
       EnsinoMdio




46   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                                   Biologia




                                                                                                          3
                                                 CLULA: QUE UNIDADE
                                                 ESSA QUE CONSTITUI
                                                  E MANTM TODOS OS
                                                         SERES VIVOS?
                                                                    Ceclia Vechiatto1, Dione Dures2, Iara Suyama Ferrari3,
                                                                       Joel Weolovis4 e Marilene Mieko Yamamoto Pires5




1
  Colgio Estadual Marqus de Caravelas - Arapongas - PR
2
  Colgio Estadual Narciso Mendes - Santa Isabel do Iva - PR
3
  Colgio Estadual Getlio Vargas - Iracema do Oeste - PR
4
  Colgio Estadual Eron Domingues - Marechal Cndido Rondon - PR
5
  Colgio Estadual Silvio Vidal - Paranava - PR

                                                                    Clula:aunidadedeconstruodosseresvivos                   47
       EnsinoMdio

                           Observe as figuras abaixo:




                                                                                                     MONERA: bactria
                                                                                                     (Escherichia coli). Fonte: Instituto
                                                                  PROTISTA: protozorio ciliado
                                                                                                     Nacional de Sade, EUA.
                                                                  (Paramecium aurelia).
                                                                  Fonte: GNU Free Doc. License,
                                                                  www.wikipedia.org

                            VEGETAL: pau-brasil (Caesalpi-
                            nia echinata). Fonte: IBAMA (Inst.
                            Bras. do Meio Amb. e dos Recur-
                            sos Naturais Renovveis), MMA
                            (Ministrio do Meio Ambiente.
                            Fonte: GNU Free Doc. License,
                            www.wikipedia.org
                                                                                                     ANIMAL: peixe-boi ( Trichechus
                                                                                                     inunguis). Fonte: Centro Mamfe-
                                                                                                     ros Aquticos/IBAMA/MMA.




                                                                  FUNGO: cogumelo amarelo. Fon-
                                                                  te: GNU Free Doc. License, EUA.


                           Obs.: As ilustraes acima no seguem a proporcionalidade quanto ao tamanho dos seres vivos representados.


                     ATIVIDADES

        Voc consegue observar alguma semelhana entre os seres vivos representados acima? Liste o
     que eles tm em comum.



                               Externamente, talvez seja difcil identificar caractersticas comuns a
                           esses seres, mas se voc pudesse fazer uma anlise interna, seria pos-
                           svel observar unidades que esto presentes na formao e no funcio-
                           namento desses seres vivos  a clula.
                               Em se tratando de clulas, eis aqui algumas indagaes comuns en-
                           tre as pessoas:
                               do que a clula  formada? Todas as clulas possuem o mesmo
                               tamanho e formato? Todas desempenham a mesma funo?




48   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                      Biologia

    Conhecendo a clula de fora para dentro, voc descobrir que elas             Molculas
so formadas por pequenas unidades: as molculas.                                 Unio estvel de dois ou mais
    Dos 92 elementos naturais existentes no Universo, 21 so essenciais           tomos.
para o funcionamento da vida na Terra, sendo assim, importantes para              tomo
as clulas. Entre eles, os principais elementos qumicos so: o carbono            a menor partcula de um
(C), o hidrognio (H), o oxignio (O), o nitrognio (N), o enxofre (S)            elemento capaz de formar
e o fsforo (P).                                                                  uma combinao qumica.
    Voc deve estar pensando que esses elementos so os mais comuns
no Universo e os mais abundantes na crosta terrestre, certo? Se voc
pensou dessa forma, infelizmente, pensou errado.
    Pesquisas espaciais mostram que a ordem decrescente de abundncia
dos elementos qumicos no Universo  diferente. Estas indicam que os
mais comuns so: hidrognio (H), hlio (He), oxignio (O), carbono (C),
nitrognio (N), nenio (Ne), silcio (Si), magnsio (Mg), ferro (Fe), enxo-
fre (S), argnio (Ar), alumnio (Al), clcio (Ca), nquel (Ni) e sdio (Na).
Os elementos qumicos mais abundantes na crosta terrestre so: oxig-
nio (O), silcio (Si), alumnio (Al), ferro (Fe), clcio (Ca), sdio (Na) e po-
tssio (K).
    Na clula, encontram-se presentes, aproximadamente, 30 elemen-
tos qumicos, sendo o carbono (C), o hidrognio (H), o oxignio (O)
e o nitrognio (N), os principais.
    Mas, por que ser que o carbono  o principal elemento formador
dos seres vivos?
    O carbono  encontrado nas anlises de amostras de todos os or-
ganismos vivos. Ele tem a possibilidade de formar quatro ligaes sim-
ples, ou ainda, ligaes duplas e triplas, sempre procurando adquirir a
estabilidade qumica, isto , a ltima camada com a configurao ele-
trnica semelhante a dos gases nobres.


                 C                  C    C               C     C

          Ligao simples        Ligao dupla         Ligao tripla

      A ligao covalente ocorre quando dois tomos se aproximam um do
  outro e compartilham um ou mais eltrons.


    Nas clulas, o carbono  o nico tomo com capacidade de formar
longas cadeias com ligaes covalentes entre si, constituindo estrutu-
ras complexas com forte estabilidade qumica, como as protenas.
    Alm das protenas, o tomo de carbono (C) tambm participa na
composio qumica das molculas dos carboidratos, lipdios e cidos
nuclicos.



                                                          Clula:aunidadedeconstruodosseresvivos                49
       EnsinoMdio

                                     Os cidos nuclicos (DNA e RNA), conhecidos como molculas da
                                  "vida", so formados basicamente pelo elemento qumico carbono (C),
                                  sendo assim, do ponto de vista biolgico, o carbono passa a ter impor-
                                  tncia fundamental.



                       PESQUISA

         Muitos compostos qumicos que tem o elemento carbono (C) na sua constituio, so dissolvidos
     pela gua. Para aprofundar seus conhecimentos, faa uma pesquisa, em grupo, nos livros de Biolo-
     gia e/ou Citologia, sobre a importncia da gua para os seres vivos e em que proporo ela se encon-
     tra nos organismos de alguns seres, como, por exemplo: na "gua viva", no homem, no cacto, na me-
     lancia, no tomate, dentre outros.
         Expresse o resultado de sua pesquisa atravs de um grfico comparativo e, em seguida, apresen-
     te-o aos demais grupos da sala.




                                                                                      O CACTO  uma planta com modifi-
     A ALFACE (Lactuca sativa)  uma es-                                              caes de suas folhas em espinhos,
     pcie vegetal composta por apro-                                                 como forma de adaptao a ambien-
     ximadamente 95% de gua. Origi-        Garrafa azul (Physalia physalis), co-     tes mais quentes e com restrio de
     nria da sia, desde a Antiguidade     nhecida no Brasil como Caravela. Tem      gua. O caule realiza uma importan-
      utilizada na alimentao humana.     cor azul e tentculos cheios de clu-     te funo, a fotossntese, que natural-
     Fonte: http://www2.petrobras.com.      las urticantes. Aparece nas praias de     mente  realizada pelas folhas. A pal-
     br/meio_ambiente/portugues/pos-        todas as regies tropicais dos ocea-      ma forrageira (Opuntia fcus-indica) 
     ters/posters/verduras/alface.htm       nos. A Physalia flutua  superfcie das   uma espcie da famlia Cactaceae uti-
                                            guas, empurrada pelo vento, com          lizada no nordeste brasileiro como al-
                                            os seus tentculos por baixo, sempre      ternativa de alimentao aos animais,
                                            prontos a envolverem um peixe para a      principalmente ruminantes. Fonte:
                                            sua alimentao. Fonte: NOAA (Natio-      INSA - Instituto Nacional do Semi-
                                            nal Oceanic & Atmospheric Adminis-        rido, Ministrio da Cincia e Tecno-
                                            tration - Departamento de Comrcio        logia, www.insa.gov.br
                                            dos Estados Unidos da Amrica).


                                      Tanto os tomos quanto a maioria das clulas so invisveis a olho
                                  nu. Para visualizar as clulas, h necessidade de utilizarmos instrumen-
                                  to adequado: o microscpio.


50   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                               Biologia


    Quem j teve a oportunidade de observar algum material ao micros-
cpio ptico percebeu que ele  formado por um conjunto de lentes, o
qual aumenta a imagem do objeto a ser visualizado. No microscpio p-
tico, uma lente convergente que fica prxima ao objeto a ser observado,
a objetiva,  associada a uma outra lente tambm convergente, mas com
funo semelhante a da lupa  a ocular. Utilizam-se as lentes convergen-
tes porque quando h a incidncia de raios em sua superfcie, estes so
refratados e convergem para o ponto focal (TIPLER, 1995).
    A refrao se manifesta, por exemplo, com a passagem de um fei-
xe luminoso atravs de uma lente, tendo a sua direo de propagao
modificada, como mostra a figura abaixo:
                                       Na associao de lentes num microsc-
                                   pio ptico, a lente da objetiva faz a resolu-
                                   o e o aumento da imagem, enquanto a Resoluo
                                   lente da ocular, alm de aumentar, projeta a  a separao de de-
                                   imagem para a visualizao. Assim, "a ima- talhes que geram ima-
                                   gem final fornecida ao seu olho pela lente gens distintas. Ex.: ima-
                                   ocular ser maior ainda e invertida em rela- gine uma pessoa a uma
                                                                                                distncia qualquer mos-
                                   o ao objeto" (GREF, 2000, p. 276), Isto pode ser
                                                                                                trando os dedos indica-
                                   observado no esquema ao lado pelas pelas
 Esquema de uma lente convergente.                                                              dor e mdio, em sinal
                                   linhas que representam os feixes de luz in- de "V". O poder de re-
                                   cidentes nas lentes.                                         soluo  a capacidade
    Observe a representao esquemti-                                                          de perceber os dois de-
ca do trajeto da luz para a formao de                                                         dos mostrados.
imagem em um microscpio ptico:
    Os microscpios, sejam eles quais
forem, com seu conjunto de lentes,
permitem visualizar medidas especiais
como:
 Micrmetro (m): equivale a um mi-
    lsimo do milmetro ou 10-6 m;
 Nanmetro (nm): equivale a um mil-
    simo do micrmetro (m) ou 10-9 m;
 Angstrm (): equivale a um dci-
    mo do nanmetro (nm) ou 10-10 m.
    Para calcularmos qual o aumento
do objeto observado, multiplica-se a
medida da ocular pela da objetiva; des-
sa forma, uma ocular 4X com uma ob-
jetiva 100X proporcionaro um aumen-                                       Representao do trajeto da luz
to do objeto de 400 vezes.                                                   para formao de imagens em mi-
                                                                             croscopia ptica.
    Por falar em microscpio, vamos co-
nhecer um pouco da histria deste incrvel instrumento que possibilitou
o conhecimento da constituio e funcionamento dos seres vivos.

                                                                 Clula:aunidadedeconstruodosseresvivos                 51
       EnsinoMdio

                                      No sculo XVII, o jovem holands Antony van Leeuwenhoek (1632 - 1723)
                                 aprendeu a polir lentes com seu pai, que depois armava em placas de prata e co-
                                 bre. Essas lentes so precursoras do que conhecemos hoje como lupa. Com es-
                                 te instrumento, ele observava fios de cabelo e pequenos insetos. Para dar continui-
                                 dade s suas observaes, Leeuwenhoek aperfeioou o microscpio e visualizou
                                 incrveis imagens, como: "diminutos glbulos de muco" e "animlculos", alguns
                                 bem pequenos, outros maiores, lentos ou ziguezagueando em alta velocidade e
                                 mudando continuamente de direo, descrevendo-os de maneira magnfica.
      Microscpio de Robert Hooke. Af-
      beelding uit Hooke's Micrographia, Antes de Leeuwenhoek, sbios j haviam construdo um microscpio. Al-
      Londen, 1664. Fonte: Deutsches guns livros trazem o fsico e astrnomo Robert Hooke (1635 - 1703) como o
      Museum.
                                    primeiro a construir um microscpio para observar material biolgico. Para exa-
     minar a cortia ou outras partes das plantas, ele fazia cortes finos para a luz poder atravessar e colocava-
     os entre vidros. Foi assim que Robert Hooke se tornou conhecido como o primeiro cientista a usar o termo
     clula para descrever os pequenos espaos vazios da cortia. Com o aperfeioamento do microscpio, foi
     possvel observar que os espaos que Hooke descreveu como vazios so preenchidos por importantes es-
     truturas que mantm os seres vivos em funcionamento. O conceito de clula, tal como conhecemos ho-
     je, surgiria mais tarde, no incio do sculo XIX, a partir das pesquisas desenvolvidas por Mathias Schleiden
     (1838), que observou clulas animais, e Theodor Schwann (1839), que observou clulas vegetais. Suas ob-
     servaes permitiram concluir que todos os seres vivos so formados por clulas.
          Em 1946, a histria da citologia registra uma revoluo. Os materiais at ento visualizados em micros-
     cpios pticos passam a ser observados em microscpios eletrnicos. Neles, os materiais observados so
     atravessados por feixes de eltrons e no por feixes de luz - como ocorre nos microscpios pticos. Desta
     forma, os materiais observados so aumentados ainda mais.




                     ATIVIDADE

         Assim como os pesquisadores acima citados, faremos observaes usando o microscpio. Com a
     orientao do seu professor proceda da seguinte forma:
         De posse de um palito de sorvete, descartvel, raspe a mucosa bucal.
         Coloque em uma lmina para microscopia e observe no microscpio ptico com uma ocular de 10 X
     e uma objetiva de 20 X.
         O que voc visualiza?
         Quantas vezes o objeto visualizado aumentou de tamanho?
         Pegue novamente sua lmina e pingue uma gota de lugol ou iodo, cubra com uma lamnula.
         E agora, o que aconteceu?
         Repita o mesmo procedimento com uma pelcula de cebola.
         Aps as observaes realizadas, desenhe o que voc viu. No se esquea de fazer a identificao
     das partes de sua ilustrao.
         Voc ficou satisfeito com a observao das clulas?
         Compare o que voc viu com a representao de clula de um livro de Biologia. As clulas que vo-
     c observou e a ilustrada so parecidas?


52   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                         Biologia

    Percebe como  difcil observar uma clula mesmo com o micros-
cpio ptico?
    Da mesma forma que seu corpo  formado por vrios rgos e ca-
da rgo possui uma funo especfica, as clulas tambm tm suas
organelas com suas respectivas funes. A maioria dessas organelas s
pode ser visualizada ao microscpio eletrnico, devido ao seu tama-
nho muito reduzido, como mostra o esquema abaixo.
    Ao olhar a clula de fora para dentro, podemos fazer algumas com-
paraes:
    Sabemos que nosso corpo tem uma ca-
pa protetora que  a epiderme. A clula tam-
bm tem a sua proteo que  a membra-
na plasmtica. Alm da funo proteo, a
membrana plasmtica controla a entrada ou
sada de substncias na clula.
    Uma grande frao da energia produzida
pelo organismo humano inicia por meio dos
processos respiratrios, cujos principais r-
gos so os pulmes. Na clula, a produo
de energia  tarefa realizada pelas mitocn-
drias. Mas para realizar sua tarefa, as mitocn-
                                                   Esquema da membrana plasmtica - modelo mosaico - fludo.
drias dependem do nariz. Sabe por qu?
                                   Porque grande parte da energia produ-                  Para saber mais sobre a
                               zida no organismo humano est relacio- entrada e sada de substn-
                               nada ao oxignio inspirado nos proces- cias na clula, leia neste li-
                               sos respiratrios. Ao chegar aos pulmes, vro o Folhas 4 - Osmose:
                               o oxignio  absorvido atravs da circula- o equilbrio natural e
                               o e chega s clulas, onde participa dos necessrio.
                               processos metablicos de combusto.


 Esquema representativo da mitocndria.


    Agora, vamos lembrar de sua ltima refeio...
    O que aconteceu com o alimento que voc ingeriu?
    Num rpido pensar, voc deve ter respondido que eles foram dige-
ridos no estmago. No interior celular, um processo semelhante  rea-
lizado pelos lisossomos. Assim como o estmago, eles tambm contm
enzimas digestivas.
    A desintoxicao de seu organismo  realizada pelo fgado, os pero-
xissomos desempenham papel semelhante no interior das clulas.
    Como  realizado o transporte de substncias em seu organismo?




                                                              Clula:aunidadedeconstruodosseresvivos              53
          EnsinoMdio

                                                  Se voc respondeu que  por meio dos vasos sangneos, para-
                                             bns. Voc acertou!
                                                  Na clula, essa funo  executada por meio de redes de canais
                                                                                   membranosos semelhantes a labirintos,
                                                                                   denominados retculo endoplasmti-
                                                                                   co granuloso. Em determinadas regies
                                                                                   desses canais, encontram-se pequenos
                                                                                   grnulos responsveis pela fabricao
                                                                                   das protenas  os ribossomos. Esses
                                                                                   grnulos tambm podem ser encontra-
                                                                                   dos espalhados no citoplasma celular.
                                                                                       Entre o retculo endoplasmtico e a
                                                                                   membrana plasmtica, encontra-se ou-
                                                                                   tra organela, o complexo golgiense. Es-
                                                                                   sa organela participa do processo de
                                                                                   transporte e armazenamento de subs-
        Esquema representativo do retculo endoplasmtico e do complexo golgiense.
                                                                                   tncias produzidas pela clula.


                                       Por que um organismo cresce?
                                       Uma pessoa  maior que a outra por que possui clulas maiores?


                                       Voc respondeu as perguntas do debate acima? Achou difcil?
                                       A resposta  simples. As clulas se multiplicam, aumentam em n-
                                   mero. Para realizar a multiplicao elas contam com o auxlio dos cen-
                                   trolos, organelas que se encontram prximas ao ncleo celular.




                                                                  Esquema do ncleo celular.




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                                                                                                                      Biologia



                ATIVIDADE

    Reunidos em grupos, faa uma pesquisa em livros de Biologia e/ou Citologia.
    Observe o "modelo" das formas de apresentao das organelas celulares.
   A seguir, com massa de modelagem e/ou outros materiais, faa a maquete da clula. Compare a
 maquete de seu grupo com a dos demais grupos e discutam sobre as funes destas organelas.


    O ncleo celular  uma parte da clula que contm, em seu interior,                          Para aprofundar seus
um material especial  os cromossomos. Esses cromossomos so for-                               conhecimentos sobre o
mados por molculas chamadas cidos desoxirribonuclicos (DNA).                                 DNA leia, neste livro, o
    A clula, integrando as aes de todas as suas organelas, realiza                           Folhas "DNA: a lon-
em microescala todas as funes essenciais  vida, e assim como os                              ga cadeia da vida" e
organismos vivos, ela se inter-relaciona funcionalmente com as ou-                              o Folhas "Que herana
tras. Caso essas inter-relaes no sejam estabelecidas de forma har-                            essa?
moniosa, pode ocorrer um desequilbrio, principalmente no processo
de diviso celular, o que favorece a formao de tumores, geralmen-
te malignos  o cncer.

    O que  o Cncer?
     Cncer  o nome dado a um conjunto de
 mais de 100 doenas que tm em comum o
 crescimento desordenado (maligno) de clu-
 las que invadem os tecidos e rgos, poden-
 do espalhar-se (metstase) para outras regies
 do corpo.
      Dividindo-se rapidamente, estas clulas
 tendem a ser muito agressivas e incontrolveis,
 determinando a formao de tumores (acmu-
 lo de clulas cancerosas) ou neoplasias ma-
 lignas. Por outro lado, um tumor benigno sig-
 nifica simplesmente uma massa localizada de
 clulas que se multiplicam vagarosamente e
 se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida.
     Os diferentes tipos de cncer correspondem aos vrios tipos de clulas do corpo. Por exemplo,
 existem diversos tipos de cncer de pele, porque ela  formada por mais de um tipo de clula. Se o
 cncer tem incio em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, ele  denominado carcinoma. Se co-
 mea em tecidos conjuntivos, como osso, msculo ou cartilagem,  chamado de sarcoma.
      Outras caractersticas que diferenciam os diversos tipos de cncer entre si so a velocidade de mul-
 tiplicao das clulas e a capacidade de invadir tecidos e rgos vizinhos ou distantes (metstases).
                                            Fonte: INCA (Instituto Nacional do Cncer) - Ministrio da Sade - www.inca.gov.br




                                                               Clula:aunidadedeconstruodosseresvivos                          55
         EnsinoMdio

     Cncer                            O cncer pode surgir de uma nica clula que, pela ao de fa-
     Doena causada pela multi-     tores diversos, sofre mutao, multiplica-se por mitose e suas des-
     plicao descontrolada das     cendentes mantm essa mutao, desencadeando um processo que
     clulas.                       pode dar origem a clulas cancerosas. Estas clulas passam a di-
                                    vidir-se rapidamente, modificando seu mecanismo funcional. Elas
     Metstases                     tendem a ser agressivas, incontrolveis, o que determina o cresci-
      a capacidade que determi-    mento rpido de um tecido com caractersticas diferentes das quais
     nadas clulas cancerosos tm   lhe deram origem. Estas clulas podem invadir outros tecidos e r-
     de invadir tecidos e rgos.   gos espalhando-se pelo corpo.

                                                                                    Fotomicrografia do adenocarcino-
                                                                                    ma do reto: clulas com vrios ta-
                                                                                    manhos, cores e ncleos com for-
                                                                                    mas e condensaes atpicas.
                                                                                    Fonte: Histopatologia realizada no
                                                                                    Departamento Clnico de Morfopa-
                                                                                    tologia e Citologia, Universidade
                                                                                    Mdica de Lodz, Polnia.




                                        Estudos sobre o crescimento desordenado das clulas tm indicado
                                    que, na maioria das vezes, trata-se de um processo lento, o que pode-
                                    ria explicar a maior incidncia de cncer em pessoas idosas.
                                        A biologia, para compreender melhor o ciclo mittico das clulas
                                    cancerosas, desenvolveu as seguintes tcnicas de cultivo:
                                     Estimulao do processo de transformao de clulas normais em
                                        clulas cancerosas pela exposio a agentes cancergenos, tais co-
                                        mo: vrus, substncias qumicas, radiaes, o que origina uma po-
                                        pulao mais homognea, facilitando o estudo de sua biologia mo-
                                        lecular;
                                     Estimulao do crescimento de uma populao celular a partir de
                                        clulas de tumores cancerosos. A desvantagem  que, em geral, ob-
                                        tm-se uma populao heterognea, o que dificulta o seu estudo.
                                        Atualmente, alguns tipos de cncer podem ser diagnosticados pre-
                                    cocemente, ou seja, no seu estgio pr-sintomtico, atravs da moder-
                                    na tecnologia nuclear aplicada  medicina, como a tomografia de emis-
                                    so de psitrons (PET). Esta tecnologia oferece nova alternativa para
                                    produzir imagens do corpo humano, utilizadas para diagnstico e tra-
                                    tamento, alm de constituir um modelo de cooperao entre os diver-
                                    sos ramos tecnolgicos e teraputicos.



56    OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                                      Biologia

    As aplicaes da PET para diagnstico j so utilizadas entre 40 e                             PET
50 mil vezes ao dia em todo o mundo, especialmente para detectar                                   um exame no invasi-
metstases ou doenas cardacas. Esta tcnica tem mais preciso que                               vo cujo princpio fundamen-
os mtodos de diagnstico conhecidos como raios-X ou tomografia                                   tal  a utilizao de compos-
computadorizada, uma vez que  capaz de mostrar os rgos do cor-                                 tos biolgicos marcados com
po humano em funcionamento.                                                                       elementos de elevada insta-
    Com o avano biotecnolgico, surge nas clnicas uma nova moda-                                bilidade atmica que sejam
lidade de tratamento, a chamada cirurgia guiada por substncias ra-                               emissores de psitrons - par-
dioativas  "radioguided surgery" (RIGS), promissora no tratamento                                tculas com a mesma massa
                                                                                                  de eltrons, porm com car-
de cncer ao permitir a aplicao de uma dose controlada de radia-
                                                                                                  ga oposta, como o carbono -
o a um tumor.
                                                                                                  11, nitrognio - 13, oxignio
    O uso desses mtodos permite obter diagnsticos na fase inicial de                            - 15, flor - 18.
muitas doenas, o que melhora as perspectivas de tratamento e tam-
bm representa economia financeira para o sistema de sade.
    O cncer  uma patologia que atinge grande parte da humanida-
de, seja ela do sexo feminino ou masculino. Observe a figura abaixo e
compare a incidncia de cncer entre os sexos:




        Representao da incidncia de cncer nas faixas etrias mdias de ambos os sexos.




                    PESQUISA

     Visite o site da CEONC www.ceonc.com.br/tipos.htm e faa uma pesquisa sobre os tipos de cn-
 cer e em que consistem os tratamentos utilizados.




                                                                              Clula:aunidadedeconstruodosseresvivos            57
           EnsinoMdio

                                       Todos os seres vivos so formados por clulas com as mesmas ca-
                                    ractersticas?
                                       Observe as ilustraes dos modelos das clulas animal e vegetal, per-
                                    ceba que elas apresentam algumas organelas em comum e outras no.




                                                                           Agora que voc identificou as
                                                                       organelas encontradas somente nas
                                                                       clulas vegetais, veja que elas tm
                                                                       funes especiais.
                                                                           Os plastos so organelas res-
                                                                       ponsveis pela sntese de glicdios
                                                Representao
                                                da clula animal.
                                                                       (acares), sendo os cloroplastos
                                                                       os plastos mais abundantes nos ve-
                                                                       getais. Eles possuem molculas de
                                                                       clorofila que capturam a energia so-
                                                                       lar e, atravs de reaes qumicas,
                                                                       produzem molculas, como glico-
                                                                       se, que sero utilizadas pelas mi-
                                                                       tocndrias para a gerao de ener-
                                                                       gia e armazenadas na forma de ATP
                                                                       (adenosina trifosfato).

                                              Representao
                                              da clula vegetal.

      Fonte: Vanderley Calizotti.
                                       Os cloroplastos esto concentrados nas regies da planta mais
                                    expostas  luz e nas estruturas mais jovens, como folhas e caules.


                              ATIVIDADE

           Com a ajuda de seu professor, observe os cloroplastos em clulas de Elodea sp, uma planta aqu-
       tica facilmente encontrada em lojas que comercializam peixes ornamentais. De posse de um ramo de
       Elodea sp, faa o seguinte procedimento:
          Destaque um pedao do fololo; coloque numa lmina de vidro; em seguida, coloque uma gota de
       gua; sobreponha a lamnula e observe ao microscpio ptico.
          Aps a observao, faa um desenho esquemtico das estruturas observadas e compare com as
       FIGURAS 1 e 2 da pgina 27.




58     OrganizaodosSeresVivos
                                                                                                                                              Biologia




 FIGURA 1  Clulas de Elodea sp (aumento de 400 vezes em micros-            FIGURA 2  Cloroplastos em clulas de Elodea sp (aumento de 1000
 cpico ptico). Fonte: foto cedida pelo Professor Yedo Alquini, Departa-    vezes em microscpio ptico). Fonte: foto cedida pelo Professor Yedo
 mento de Botnica da UFPR.                                                  Alquini, Departamento de Botnica da UFPR.



    Voc se lembra que as clulas animais possuem um envoltrio
protetor: a membrana plasmtica? As clulas vegetais, alm desse en-
voltrio, possuem mais uma estrutura para a sua proteo:  a pare-
de celular, um tipo especializado de revestimento, mais espesso, mais
forte e, o mais importante, mais rgido. Ela tem como funo prote-
ger a clula de danos mecnicos e tambm evitar a perda excessiva
de gua pela clula.
    A clula vegetal possui, ainda, o vacolo de suco celular, uma or-
ganela derivada do retculo endoplasmtico que pode conter lquidos
e pigmentos, alm de diversas outras substncias. Ele est relacionado
com o armazenamento de substncias e o equilbrio osmtico, sendo
que a sua membrana  denominada tonoplasto.
    Alguns vacolos acumulam grande quantidade de pigmentos colo-
ridos. Estes pigmentos so denominados antocianinas. A presena des-
tes vacolos contendo pigmentos  que determina cor avermelhada ou
arroxeada em certos rgos vegetais, por exemplo: frutos, como os fi-
gos e as uvas; flores, como as violetas e as rosas.
    Neste estudo, vimos que todos os organismos, desde o mais sim-
ples at os complexos, so formados por estruturas semelhantes: as c-
lulas. Embora apresentem diferenas em suas formas, funes e tama-
nhos, so elas as unidades formadoras de toda a matria viva.
    E agora, voc j tem informaes suficientes para saber a resposta
da indagao: "Que unidade  essa que nos constitui e nos mantm vivos?"




                                                                                    Clula:aunidadedeconstruodosseresvivos                             59
       EnsinoMdio

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                                YOUNG, M. ptica e lasers. So Paulo: Editora da Universidade de So
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60   OrganizaodosSeresVivos
                                                                                          Biologia

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              ANOTAES




                                                        Clula:aunidadedeconstruodosseresvivos     61
       EnsinoMdio




62   MecanismosBiolgicos
                                                                                                                      Biologia




                                                                                                              4
                                       OSMOSE: O EQUILBRIO
                                     NATURAL E NECESSRIO...
                                                                                                Denise Estorilho Baganha1



                                                                        oc j observou que se tem-
                                                                        perarmos uma salada fo-
                                                                       lhosa (alface, por exemplo)
                                                                    muito antes da refeio, quan-
                                                                  do formos almoar ou jantar, esta
                                                              salada estar murcha? Por que os ali-
                                                            mentos folhosos murcham algum tem-
                                                           po depois de temperados?




                                                            FIGURA 1 - Alface. Fonte: www.diaadiaeducacao.pr.gov.br




Colgio Estadual Professor Elias Abraho - Curitiba - PR
1




                                                                      Osmose:oequilbrionaturalenecessrio...                    63
       EnsinoMdio

                                Se voc no observou tal fenmeno, experimente faz-lo em sua
                            casa. Se voc j o observou, como voc explica este fenmeno?
                                Quando pensamos que um organismo murcha, imaginamos ime-
                            diatamente que ele "perdeu" gua, no  mesmo? Com certeza. Mas
                            como ocorre a "perda" de gua em um organismo?
                                Os seres vivos, de modo geral, possuem cerca de 70% de gua dis-
                            tribuda no interior das clulas e entre os tecidos, sendo portanto, o
                            componente qumico mais abundante da matria viva. Esta substncia
                            tem papis importantes para o funcionamento dos sistemas que com-
                            pem um organismo.
                                Voc pode dizer que a gua "mata" a sede,  utilizada para fazer-
                            mos higiene do corpo, para refrescar e para lavar roupas e caladas.
                            Todas estas afirmaes so verdadeiras, mas ainda podemos abordar
                            de forma bioqumica a importncia deste recurso natural.
                                Como componente inorgnico da clula em maior proporo e co-
                            mo solvente universal, a gua atua:
                            a) como dispersante de compostos orgnicos e inorgnicos;
                            b) como responsvel pelo transporte de substncias intra e extracelular;
                            c) na manuteno do equilbrio trmico;
                            d) na eliminao de resduos e substncias indesejveis aos organis-
                                mos, e
                            e) como responsvel pelas reaes qumicas que ocorrem no interior
                                das clulas.
                                Percebeu o quanto a gua  importante para os seres vivos? Confira
                            com o levantamento feito anteriormente por voc!




                     DEBATE

        Discuta com seus colegas e proponha uma explicao para a seguinte questo:
        Qual a relao entre a alface temperada, a no temperada, e a perda de gua?




64   MecanismosBiolgicos
                                                                                                   Biologia




                ATIVIDADE

    Experimente em sua casa:
 1 - Coloque em um prato uma folha de alface sem tempero e em outro uma folha de alface temperada.
 2 - Marque o horrio que voc iniciou o experimento.
 3 - A cada 1 hora observe e registre o que ocorre com as folhas.
 4 - Estabelea pelo menos quatro horas para fazer as observaes.
 5 - Descreva o que voc observou.



    Quanto maior o tempo de observao, mais detalhes voc poder
verificar.
    Lembre-se que para se fazer uma boa observao  necessrio ser
sistemtico e anotar todos os fatos que ocorrem durante o processo
que voc estiver observando.



                ATIVIDADE

    Elabore um quadro para registrar a hora e as ocorrncias que voc observar sobre o experimento
 acima.



   Exemplo de um quadro para voc fazer suas anotaes:
         HORA                              OCORRNCIA




    Quais foram os resultados das observaes que voc fez? Discuta-as
com seus colegas.
                                                                               SOLUES SALINAS
    Agora leia com ateno o texto a seguir. Compare com suas obser-
vaes e elabore uma concluso.                                                So solues compostas por
    Quando a gua (solvente) est associada a partculas slidas (solu-        um sal (soluto) dissolvido em
                                                                               um solvente, normalmente a
to) forma as solues salinas hipertnicas, isotnicas ou hipotnicas,
                                                                               gua.
conforme a maior ou menor concentrao de soluto por soluo.




                                                             Osmose:oequilbrionaturalenecessrio...           65
       EnsinoMdio

                                         Observe o quadro abaixo:
                                           HIPERTNICA                          ISOTNICA                        HIPOTNICA
                                            MAIOR                               IGUAL                            MENOR
                                       CONCENTRAO DE                     CONCENTRAO DE                   CONCENTRAO DE
                                           SOLUTO                              SOLUTO                            SOLUTO
                                           MENOR                                IGUAL                             MAIOR
                                       CONCENTRAO DE                     CONCENTRAO DE                   CONCENTRAO DE
                                          SOLVENTE                            SOLVENTE                          SOLVENTE




                                                           EM RELAO A UMA OUTRA SOLUO


                        PESQUISA

        Realize uma pesquisa bibliogrfica em livros didticos de biologia ou qumica, ou ainda na internet
     em sites sobre gua e responda a seguinte pergunta:
        A gua que consumimos  classificada como gua pura ou soluo salina?
        Justifique a sua resposta explicando a diferena entre elas.

                                       As substncias tendem a distribuir-se de forma homognea entre
                                    as clulas, fazendo com que as concentraes de solvente e de solu-
                                    to mantenham-se equilibradas garantindo, assim, o bom funcionamen-
                                    to das clulas.
                                       O equilbrio entre as diferentes concentraes interna e externa da
                                    clula ocorrer devido  presena da membrana plasmtica, tambm
                                    chamada de membrana celular.
                                       A membrana plasmtica  constituda por uma bicamada de lip-
                                    dios com protenas "encaixadas" entre esta camada e sobre ela.  jus-
                                    tamente esta bicamada lipdica que confere a estabilidade e flexibili-
                                    dade  membrana.
                                                                                1. bicamada de fosfolipdios
                                                                                2. lado externo da membrana
                                                                                3. lado interno da membrana
                                                                                4. protena intrnseca da membrana
                                                                                5. protena canal inico da membrana
                                                                                6. glicoprotena
                                                                                7. molculas de fosfolipdeos organizadas em bicamada
                                                                                8. molculas de colesterol
                                                                                9. cadeias de carboidratos
                                                                                10. glicolipdeos
                                                                                11. regio polar hidroflica da molcula de fosfolipdeo
         Representao do modelo mosaico-fluido da membrana plasmtica pro-     12. regio hidrofbica da molcula de fosfolipdeo
         posto, em 1972, por Singer e Nicolson, e aceito at os dias de hoje.


66   MecanismosBiolgicos
                                                                                                   Biologia

    A molcula de lipdeo possui uma caracterstica bioqumica essencial
para formar uma bicamada estvel, ainda que fluida. Ela possui uma re-
gio hidroflica e outra hidrofbica. Enquanto a regio hidroflica intera-
ge bem com a gua, altamente abundante nos meios intra e extracelular,
a regio hidrofbica busca "esconder-se" da gua (DUTRA, 2004).
    Estas molculas desempenham funes importantes para a clula, pois
                                                                              Transporte inico:  o
estabelecem a comunicao entre os meios intra e extracelulares, servindo
                                                                              transporte de ons atravs da
como poros e canais. Alm de controlar o transporte inico, servem como       membrana plasmtica po-
transportadoras de outros nutrientes e realizam atividade enzimtica.         dendo ocorrer de forma pas-
    A membrana plasmtica possui propriedade seletiva, o que permi-           siva, ou seja, por difuso, ou
te a entrada e sada de determinadas substncias da clula. Algumas           de forma ativa como ocorre
substncias qumicas  soluto  no conseguem atravessar a membra-            na bomba sdio-potssio.
na devido ao tamanho da molcula. J a gua  solvente  movimenta-
se livremente entre os meios intra e extracelular, conforme a concen-
trao dos referidos meios.
    Ao movimentar-se atravs da membrana plasmtica, o solvente re-
aliza um processo conhecido por OSMOSE (do grego osms = impul-
so). Este  um processo de difuso que ocorre atravs de membranas
semipermeveis.
    As solues devem estar com concentraes diferentes. Por conta
disso, elas tm certa diferena de presso. Esta diferena favorece o des-
locamento do solvente. Voc sabe por qu?
    Visualize o processo de estourar pipoca! O que aconteceria se a pa-
nela no estivesse fechada? Evidentemente voc no estoura pipoca com
a panela aberta!! A menos que esteja interessado em sair catando pipo-
cas pela cozinha...
    Normalmente, estouramos pipoca com a panela fechada, e ouvi-
mos os estampidos dos gros batendo nas paredes da panela.  como
se os gros forassem as paredes para tentar escapar. Ao colidir com a
parede da panela, cada gro est exercendo uma fora sobre esta. Se
voc somar as foras exercidas por todos os gros sobre as paredes,
ter uma medida da presso dos gros de pipoca. J pensou se a pa-
nela tivesse furos do tamanho das pipocas?
    Em geral, quando falamos em presso (P), associamos uma fora
(F) a uma certa rea (A), podendo representar a presso pela equa-
o abaixo:

                                       F
                                  P=
                                       A

    Outra situao semelhante, acontece no interior de um avio, o am-
biente  pressurizado, ou seja, a presso no interior  maior que no
exterior. Se uma janela quebrar, os passageiros sero empurrados pa-
ra fora devido  diferena de presso. Isso, se esses passageiros passa-
rem pelo buraco da janela.

                                                           Osmose:oequilbrionaturalenecessrio...             67
       EnsinoMdio

                                O trnsito do solvente atravs da membrana  devido justamente 
                            diferena de presso entre os dois lados. Mas por que s o solvente pas-
                            sa? Apenas o solvente se difunde da regio hipotnica para a hipertni-
                            ca, com tendncia ao equilbrio de concentrao. Os solutos no con-
                            seguem atravessar a membrana devido ao tamanho e  caracterstica da
                            prpria membrana celular (porosidade).




                                       Esquema da passagem do solvente pela membrana plasmtica.

                               Retomando o caso das folhas de alface:

                     DEBATE

         Discuta com seus colegas e proponha uma explicao para a seguinte questo: Qual a relao
     existente entre os meios hipertnico, hipotnico, e o fato da folha murchar?


                               Agora, observe no esquema abaixo, o que acontece com uma
                            hemcia, ou glbulo vermelho do sangue, quando colocado em
                            meios com diferentes concentraes em relao a uma soluo de
                            cloreto de sdio a 0,9% (soluo fisiolgica):
                                          Osmose em hemcia




                                                 Representao de uma hemcia em diferentes solues.

                               No 1. caso, soluo isotnica, a clula permanece no seu tamanho
                            normal; no 2. caso, soluo hipertnica, sofre perda de gua, murchan-
                            do; no 3. caso, soluo hipotnica, sofre aumento de volume devido a
                            entrada de gua na clula. Este fenmeno  conhecido como hemlise.

68   MecanismosBiolgicos
                                                                                                          Biologia



                ATIVIDADE

    Voc pode verificar o que acontece com as hemcias, porm com outros componentes. Corte algu-
 mas rodelas de pepino e de berinjela, Prepare uma soluo utilizando gua e sal de cozinha e coloque
 em recipiente fundo, por exemplo, um copo. Em outro recipiente coloque somente gua.
    Adicione uma rodela de pepino em cada recipiente. Aguarde alguns minutos e observe o que
 aconteceu.
    Repita o mesmo procedimento com a berinjela e compare-os. Discuta com seus colegas o que ocorre
 nos dois experimentos e estabelea as relaes existentes entre eles e o mecanismo da osmose.
    Aps verificar e discutir o que aconteceu com o pepino e a berinjela, voc  capaz de
 explicar o que ocorre com as folhas de alface? Ento, exponha suas concluses aos seus co-
 legas e compare com as concluses deles.


     Na figura osmose em hemcia voc aprendeu sobre a osmose em c-
lula animal. Na clula vegetal, este mecanismo tambm ocorre. Em meio
hipertnico h sada de gua do interior da clula atravs do vacolo,
provocando diminuio do volume celular. Com isto a membrana celular
afasta-se da parede celular.
    Este mecanismo  conhecido por plasmlise. A clula vegetal geral-
mente no morre e, se colocada em um meio hipotnico, a gua atra-
vessar sua membrana fazendo com que ela volte ao seu tamanho na-
tural. O fenmeno inverso  plasmlise  a deplasmlise.




                  Esquema dos mecanismos de plasmlise e deplasmlise.




                                                                         Osmose:oequilbrionaturalenecessrio...     69
        EnsinoMdio



                      ATIVIDADE

         As questes abaixo se referem a fatos do nosso cotidiano, alguns bem conhecidos por ns. Com
         certeza voc j os observou. Com base em seus conhecimentos responda:
         a) Por que sentimos sede quando comemos carne salgada?
         b) O milho verde cozido em gua com sal fica, no aspecto fsico, diferente do milho verde cozido
             na gua sem sal. Por qu?
         c) O transporte de seiva pela raiz das plantas s  possvel se houver diferena de concentraes
             entre os meios onde esto dissolvidas as substncias necessrias para a nutrio do vegetal. O
             que explica este fenmeno?
         d) Na clula animal a filtrao do sangue que ocorre nos rins  por osmose?
         e) Um peixe de gua doce pode ser colocado em gua salgada?
         f) O que faz a gua do solo subir pelas razes das plantas?
         g) Por que ficamos com as pontas dos dedos enrugadas depois de um bom tempo na gua do
             mar, numa piscina ou em um banho?




                      DEBATE

         A carne quando exposta ao sol e ao vento, coberta por sal, desidrata, e assim pode ser con-
      servada. Faa uma pesquisa bibliogrfica sobre a "carne seca" explicando esse processo de con-
      servao caracterstico do nordeste brasileiro.

         Voc deve ter ouvido falar de uma "brincadeira de criana" que consiste em jogar sal sobre
     lesmas para v-las "derreter". O que significa, ento, este "derreter"? Justamente o mecanismo
     da osmose. Este mecanismo acontece e podemos v-lo perfeitamente se fizermos esta brinca-
     deira. Mas voc acha correto verificar este mecanismo desta maneira? Pense um pouquinho!
     Hoje a legislao ambiental est mais elaborada, ento, tome cuidado.
         Se fosse assim to simples, este mtodo de lanar sal sobre animais para elimin-los, pode-
     ria ser utilizado como forma de controle de desequilbrio ambiental numa invaso de lesmas ou
     de caramujos, animais invertebrados pertencentes ao Filo Mollusca, Classe Gastrpoda.


                      DEBATE

           A invaso de caramujos em cidades brasileiras tm sido um problema muito srio desde a d-
      cada de 1980, pois estes invertebrados podem transmitir doenas e causar desequilbrio ambien-
      tal, alm de outros transtornos. Procure em jornais e revistas reportagens que relatem estas inva-
      ses para discutir sobre este assunto.
         Discuta com seus colegas e com seu professor sobre as causas e conseqncias da prolifera-
      o deste caramujo, e os mtodos de controle nestes casos.

70    MecanismosBiolgicos
                                                                                                   Biologia

    Voc perguntaria agora: qual a
importncia de estudarmos este fe-
nmeno? Pense mais um pouco...
    Partindo-se dos princpios uti-
lizados no mecanismo da osmose,
existe outro processo muito utiliza-
do por empresas de engenharia para
a extrao de sal da gua do mar.
    Pois . Este processo tem sido
usado no Nordeste brasileiro pa-
ra captao de gua uma vez que
esta regio no possui quantida-
de suficiente de gua doce pr-
pria para o consumo daquela po-
pulao. Desta forma, utiliza-se a
o processo de dessalinizao atra-
vs da osmose reversa, tambm
                                       Representao do processo de osmose reversa.
conhecida por osmose inversa.
    O processo de osmose reversa consiste em aplicar uma presso
em uma soluo salina hipertnica, que, separada por uma membra-
na semipermevel, permitir que a gua atravesse para a soluo hi-
potnica. O sal da soluo hipertnica permanecer no recipiente ou
ser deslocado para outro, sendo separado da gua.
    As empresas que realizam este processo utilizam membranas semi-
permeveis sintticas especficas para processos industriais, produzi-
das com tecnologia de ponta.
    Tal sistema  utilizado em alguns pases, como Arbia Saudita, Is-
rael e Kuwait, alm de ser usado em navios que ficam meses no mar,
ou ainda em regies desprovidas de gua doce. Na Ilha de Chipre, por
exemplo, a gua do mar abastece a populao porque os lenis fre-
ticos foram reduzidos pela explorao exagerada.
    Diversos governos e instituies investem em pesquisas para o de-
senvolvimento de processos de dessalinizao que sejam eficientes, ade-
quados s caractersticas regionais, e que tenham um custo reduzido,
pois esse tipo de tratamento  muito mais caro que o convencional.



                  PESQUISA

     Depois de analisar todas as questes apresentadas anteriormente, pesquise os processos pas-
 sivo e ativo de transporte atravs da membrana, para aprofundar os conhecimentos sobre o trans-
 porte de substncias atravs da membrana celular.



                                                                  Osmose:oequilbrionaturalenecessrio...     71
       EnsinoMdio

                             ObrasConsultadas
                             CARNEIRO, A.; JUNQUEIRA, L. C. U. Biologia celular e molecular. Rio
                             de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1987.
                             HALL, N. (org). Neoqumica. Porto Alegre: Bookman, 2004.
                             SOUZA, M. Biofsica: teoria e prtica. Curitiba: Beija-flor, 1979.
                             STORER, T. I. et al. Zoologia geral. So Paulo: Companhia Editora Nacional,
                             1979.


                             DocumentosConsultadosOnlInE
                             Dicionrio biolgico. Disponvel em: <www.consulteme.com.br/biologia/
                             biologia.htm> Acesso em: 02 mai. 2006.
                             DUTRA, W. O. Membrana plasmtica. Instituto de Cincias Biolgicas,
                             Universidade Federal de Minas Gerais. Disponvel em: <www.icb.ufmg.br/
                             ~biocelch/membrana/membrana.html> Acesso em 23 set. 2004.
                             MOURA, C. V. R. Tratamento de gua. Departamento de Qumica,
                             Universidade Federal do Piau. Disponvel em: <www.ufpi.br/quimica/carla/>
                             Acesso em: 27 set. 2004.
                             SABESP - Companhia de Saneamento Bsico de So Paulo. Dessalinizao.
                             Disponvel em: <www.sabesp.com.br/sabesp_ensina/intermediario/
                             default.htm> Acesso em: 27 set. 2004.
                             UNIVERSIDADE DA GUA - Organizao no governamental. Dessalinizao
                             da gua. Disponvel em: <www.uniagua.org.br/website/default.asp>
                             Acesso em: 24 abr. 2006.
                             UNIVERSIDADE DE SO PAULO, Centro de Divulgao Cientfica e Cultural.
                             Osmose. Disponvel em: <www.cdcc.sc.usp.br/quimica/experimentos/
                             ensinomedio.html> Acesso em: 27 set. 2004.




72   MecanismosBiolgicos
                                             Biologia



ANOTAES




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       EnsinoMdio




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                                                                                                  5
                                    EMBRIES: A FANTSTICA
                                     OBRA EM CONSTRUO!
                                      COMO ACONTECE ESTE
                                                PROCESSO?
                                                                              Cecllia Helena Vechiatto dos Santos1




                                                                               oc j parou para pensar
                                                                              que voc foi ovo, embrio,
                                                                            feto, criana com dentinhos
                                                                          de leite, e agora  adulto cami-
                                                                       nhando rumo  velhice? Se voc
                                                                    observar uma pessoa idosa, ver
                                                                que ela no tem a mesma habilidade de
                                                               quando era jovem ou criana e que di-
                                                               ficilmente conseguir jogar amarelinha
                                                               como nos tempos atrs. Isso demonstra
                                                               que os seres vivos esto em constante
                                                               desenvolvimento. Mas o que  desen-
                                                               volvimento? Como os seres se desenvol-
                                                               vem? Existe alguma etapa na vida dos se-
                                                               res vivos que eles se desenvolvem mais?


Colgio Estadual Marqus de Caravelas - Arapongas - PR
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                                            Embries:afantsticaobraemconstruo!Comoaconteceesseprocesso?            75
         EnsinoMdio

     Ovcito                             O auge do desenvolvimento pode ser o momento em que o ovcito
     Clula que ir formar o vulo.
                                      ou o espermatcito seja capaz de questionar, tempos depois, sobre si
                                      mesmo, sobre sua origem, ou seja, o auto-reconhecimento: "Como
                                      estou aqui neste momento? Como fui originado?"
     Espermatcito                       Todo organismo humano  originado a partir da fecundao do
                                      vulo (ovcito) pelo espermatozide. Quais as diferenas e semelhan-
     Clula que ir formar o esper-
      matozide.                      as existentes entre essas clulas? Como elas se formam?
                                         Muitas das transformaes do desenvolvimento no organismo acon-
                                      tecem antes do nascimento, ou seja, na fase embrionria.  nesta fase
                                      da vida que todos os rgos e tecidos so formados.
                                         O estudo do desenvolvimento do organismo animal, desde ovo at
                                      o nascimento,  realizado pela embriologia.




                                                     Embriologia comparada.


76    MecanismosBiolgicos
                                                                                                                Biologia

  Vamoscontarumpoucodahistria
  daembriologia?
   A embriologia comea a ter seus primeiros registros a partir do
sculo V a.C.. A escola do filsofo Hipcrates, por volta de 460-377
a.C., desenvolveu um imenso corpo de conhecimentos e teorias ana-
tmico-fisiolgicas, constituindo a base para o ressurgimento da ana-
tomia e da fisiologia durante a Renascena. Hipcrates aconselhava
os gregos a colocar 20 ou mais ovos de galinhas para serem incuba-
dos e a cada dia, a partir do segundo, quebrar e analisar um ovo at
o da ecloso (GARCIA, 1991).

                                        Esttua de Hipcrates de Cs na Faculdade de Medicina da Bahia,
                                        em Salvador, Bahia. Hipcrates de Cs (aproximadamente 468 a.C. -
                                        377 a.C.) nasceu na Antiga Grcia, considerado por muitos como uma
                                        das figuras mais importantes da histria da sade   freqentemente
                                        considerado o "Pai da Medicina" ou o "Pai das Profisses da Sade".
                                        Hipcrates era um asclepade, isto , membro de uma famlia que
                                        durante vrias geraes praticara os cuidados em sade. Seus escritos
                                        sobre anatomia contm descries claras tanto sobre instrumentos de
                                        dissecao quanto sobre procedimentos prticos. Fonte: Faculdade de
                                        Medicina da Bahia, www.medicina.ufba.br




    Aristteles (384-322 a.C.) foi o primeiro a explicar histrias de vida
de grande nmero de espcies animais. Ele procurava pelas causas, o
"porqu" e no se satisfazia com um simples "o que ". Seu interesse
pelos estudos da natureza se justifica pela busca de explicaes racio-
nais para a existncia das "coisas". Era, portanto, uma motivao filo-
sfica, saber o como e por que as coisas so e como so. Em suas pes-
quisas com pintos e outras aves concluiu que o embrio  o resultado
da mistura do smen e do sangue menstrual. Atualmente, Aristteles 
considerado o fundador da embriologia (GARCIA, 1991).


   Pintura Plato (esq.) eAristteles (dir.).Aristteles (em grego           )
   nasceu em Estagira, na Calcdica, territrio Macednico. O grego, no
   entanto, era o idioma falado. Era filho de Nicmaco, amigo e mdico
   pessoal do rei macednio Amintas II, pai de Filipe e av de Alexandre, o
   Grande.  provvel que o interesse de Aristteles por Biologia e Fisiologia
   decorra da atividade mdica exercida por seu pai. Fonte: Disponvel na
   Universitt Wrzburg, na cidade de Wrzburg, da regio de Francnia, do
   Estado da Baviera, na Alemanha.




                                             Embries:afantsticaobraemconstruo!Comoaconteceesseprocesso?                77
       EnsinoMdio

                                Na Idade Mdia (1000-1400 d.C) a cincia passou por um longo pe-
                            rodo de desenvolvimento, mas o crescimento das pesquisas embrio-
                            lgicas nessa poca foi muito lento, talvez pelo no conhecimento do
                            microscpio.
                                Algumas citaes no livro sagrado dos mulumanos  Coro - de-
                            monstram que muitos pesquisadores na Idade Mdia se preocupavam
                            com o desenvolvimento do organismo. Nesse livro, h relatos de que os
                            seres humanos so resultado de uma mistura de secrees do homem e
                            da mulher. Destacam, tambm, a importncia do esperma para a forma-
                            o de um novo ser, o qual seria fixado na mulher como uma semente
                            (GARCIA, 1991).
                                A idia considera-
                            da por muitas pessoas
                            que o embrio s se
                            torna humano a partir
                            do 40 ao 42 dia aps
                            a fecundao, pode ter
                            sido trazido do Coro,
                            pois at este tempo,
                            o embrio humano 
                            muito parecido com
                            embries de outros  Foto do Coro, o livro sagrado do Islam. Fonte: Centro Cultural Beneficente
                            animais (GARCIA, 1991).   Islmico de Foz do Iguau, www.islam.com.br/default.htm




                     PESQUISA

        Faa uma pesquisa sobre a reproduo humana e o processo de fecundao com a finalidade de
     responder ao seguinte questionamento:
        Como e em que parte do aparelho reprodutor feminino ocorre a fecundao do vulo pelo esper-
     matozide?


                                 No Renascimento, perodo compreendido entre os sculos XIV e
                            XVI, na Europa, comeando pela Itlia, houve uma mudana na con-
                            cepo dos padres culturais. Valorizou-se o homem e suas potencia-
                            lidades (teoria antropocntrica) em detrimento  supervalorizao do
                            divino, do sagrado (teocentrismo), como ocorria na Idade Mdia.
                                 Neste perodo renascentista, algumas cidades italianas, como por
                            exemplo, Gnova, Veneza e Florena, comearam a acumular muitas
                            riquezas vindas do comrcio. Os ricos comerciantes passaram a in-
                            vestir nas artes, isso conduziu a um aumento no desenvolvimento ar-
                            tstico e cultural. Por esse motivo a Itlia  conhecida como o bero
                            do Renascimento.


78   MecanismosBiolgicos
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    Entre vrios artistas italianos, destacamos Leonardo Da Vinci. Os
interesses e conhecimentos de Da Vinci abrangiam engenharia, as-
tronomia, matemtica, histria natural, msica, escultura, arquitetu-
ra, pintura e anatomia. Da Vinci desenvolveu seu lado artstico muito
cedo. Nos seus desenhos havia preciso cientfica e um grande po-
der imaginativo.
    Como anatomista, Da Vinci deu ateno aos sistemas internos do
corpo humano, e como artista preocupou-se com os detalhes externos
                                                                                             Auto-retrato de Leonardo da Vin-
da forma humana. Quando mulheres grvidas morriam, Da Vinci ob-                              ci. (1452-1519) Fonte: Famous
servava os bebs que ainda se encontravam no tero dessas mulheres,                          Painters' Paintings, galeria de pin-
e a partir dessas observaes fazia ilustraes to precisas e autnticas                    turas e de desenhos, http://www.
                                                                                             elrelojdesol.com/famous-painters-
que estaria apto a ensinar embriologia aos estudantes de hoje. Dese-                         paintings-list.htm
nhou com muita preciso uma srie de teros grvidos dissecados, e
membranas fetais, como demonstra a FIGURA 1:




                                                       FIGURA 1 - Estudo sobre fe-
                                                       tos, de Leonardo da Vinci. Ori-
                                                       ginal: The Foetus in the Womb
                                                       (1510-1512). Tcnica: Pen and
                                                       ink with wash over black chalk
                                                       and red chalk on paper. Fon-
                                                       te: Pertence ao Palcio de Win-
                                                       dsor Castle, Windsor, Inglaterra.
                                                       Famous Painters' Paintings, ga-
                                                       leria de pinturas e de desenhos,
                                                       http://www.elrelojdesol.com/
                                                       famous-painters-paintings-list.htm




                PESQUISA

    Faa uma pesquisa em revistas, livros, jornais e/ou internet recortando fotos ou ilustraes de bebs
 com aproximadamente 4 meses de gestao no tero da me. Observe atentamente cada figura. Em
 seguida, compare as figuras pesquisadas com a FIGURA 2 da pgina 80, relatando as diferenas e
 semelhanas existentes entre elas.




                               Embries:afantsticaobraemconstruo!Comoaconteceesseprocesso?                                       79
           EnsinoMdio

                                               Com o surgimento do microsc-
                                           pio, um novo mundo se abre para
                                           a Cincia. Com o auxlio das len-
                                           tes microscpicas, Graaf, em 1672,
                                           observou pequenas cmaras (ho-
                                           je conhecidas como blastocistos)
                                           no tero de coelhas e concluiu que
                                           deveriam ser provenientes de ou-
                                           tro rgo  o ovrio. Foi ele quem
                                           descreveu os folculos ovarianos,  FIGURA 2 - Representao do desenho de Leonardo
                                                                                   da Vinci, feito no sculo XV, mostrando um feto den-
                                           conhecidos hoje como folculos de       tro do tero cortado e aberto. Fonte: Ilustrao de
                                           Graaf, em sua homenagem.                Poliana Garbelini.

                                               Usando um microscpio aperfeioado, Hamm e Leeuwenhoek, em
                                           1677 observaram pela primeira vez espermatozides humanos, mas eles
                                           no compreenderam a funo do espermatozide na fertilizao. Eles
                                           acreditavam que dentro do espermatozide havia um ser humano pr-
                                           formado em miniatura (homnculo). Esse conhecimento gerou tantas
                                           preocupaes aos cientistas que se estabeleceram duas correntes de
                                           pensamento: as dos ovistas, ou seja, no organismo feminino havia indi-
                                           vduos pr-formados; e os animanculistas, o homnculo estava dentro
                                           do espermatozide (MOORE, 2000).
                                               Influenciados pelas idias pr-formistas, matemticos da poca
      Homnculo de Nicolas Hartso-
                                           fizeram clculos do tamanho dos ovrios de Eva, considerada, pela
      eker, 1694. O desenho dele re-       Bblia, a primeira mulher do mundo, para saberem quantas crianas
      presenta um espermatozide com       pr-formadas estavam contidas neles, quando nasceria a ltima criana,
      uma miniatura do ser humano no
      seu interior. Acreditava-se que os   e quando seria o fim do mundo (GARCIA, 1991).
      seres humanos eram miniaturas            A embriologia avanou muito com o conhecimento da teoria celular,
      e cresciam depois da penetra-
      o do espermatozide no vulo.      em 1838 - 1839, por Schleiden e Schwann. A concluso de que o organis-
      Fonte: GNU Free Doc. Licence,        mo  composto de clulas e produtos celulares conduziu  compreenso
      www.wikipedia.org
                                           de que o embrio  originado de uma nica clula, denominada zigoto.


                                PESQUISA

              Olhe para voc e pense: Como de uma nica clula forma-se um ser to complexo? Vamos estu-
          dar para saber como seu corpo foi formado com o auxlio de livros e websites.


                                               Voc sabia que o zigoto (tambm chamado ovo)  o ponto de par-
                                           tida para a formao de um novo organismo por reproduo sexuada?
                                           E que aps a fecundao do vulo pelo espermatozide, muitas trans-
                                           formaes comeam a ocorrer no ovo?
                                               Essas transformaes so o produto de sucessivas divises mitticas
                                           que resultam em numerosas clulas as quais se diferenciam para a for-
                                           mao dos tecidos e rgos do ser em desenvolvimento  embrio.

80     MecanismosBiolgicos
                                                                                                                                               Biologia

    O perodo embrionrio humano vai at o final da oitava semana
de gestao.  nesse perodo que as principais estruturas iniciam seu
desenvolvimento. Somente a circulao e o corao  que funcionam
nesse momento. Aps esse perodo (8 semanas), o ser humano  de-
nominado feto (MOORE, 2000).
    Durante o perodo fetal, ocorre um processo de diferenciao celu-
lar para especializao de tecidos e rgos, possibilitando reconhecer
olhos, nariz, braos e pernas.
                                                                                                                         Diviso mittica
  Vejacomoozigotosedesenvolve!                                                                                          Diviso que ocorre com clu-
                                                                                                                        las somticas, as quais origi-
    O desenvolvimento de um novo ser se inicia com a fertilizao, ou                                                   nam duas clulas-filhas idn-
seja, aps o contato de um espermatozide com um ovcito, que acon-                                                     ticas s de origem.
tece, usualmente, na ampola da tuba uterina, formando o zigoto.
    Ao caminhar pela tuba uterina em direo ao tero, o zigoto sofre
a clivagem (vrias divises celulares mitticas), ficando constitudo por
clulas menores, os blastmeros. Por volta do 3 dia aps a fertilizao
uma bola contendo 12 ou mais blastmeros, a mrula, entra no tero.
Aps a mrula ter atingido o tero, comea a receber fludos uterinos,
                                                                                                                         Endomtrio
surgindo pequenos espaos cheios de lquido. Algumas clulas perma-
necem num dos plos, formando um agrupamento em forma de bo-                                                            Membrana que reveste a ca-
to. Esta fase  denominada blastocisto. Ao final da primeira semana, o                                                 vidade uterina.
blastocisto  introduzido no endomtrio.




             Representao dos perodos de clivagem do zigoto e formao do blastocisto. A: perodo de 1 clula; B: perodo de 2 c-
             lulas; C: perodo de 4 clulas; D: perodo de 8 clulas; E: incio do blastocisto; F: blastocisto. Fonte: Vanderley Calizotti .




                                       Embries:afantsticaobraemconstruo!Comoaconteceesseprocesso?                                                     81
           EnsinoMdio

                                                                                      Durante a segunda semana do
                                                                                  desenvolvimento embrionrio, as
                                                                                  clulas se organizam formando os
                                                                                  folhetos germinativos: o ectoder-
                                                                                  ma e o endoderma. O ectoderma
                                                                                  forma o "cho" da cavidade am-
                                                                                  nitica, o endoderma constitui o
                                                                                  teto do saco vitelino. Por volta do
                                                                                  13 dia de desenvolvimento ini-
      Representao da ligao do blas-                                           cia-se a etapa da gastrulao, le-
      tocisto ao epitlio do endomtrio.                                          vando  formao do terceiro fo-
      Fonte: Vanderley Calizotti
                                                                                  lheto germinativo, o mesoderma.
      Folhetos germinativos                    As clulas dos folhetos germinativos se dividem, migram e se agru-
      Camadas laminares de clu-           pam para formar os diversos sistemas de rgos.  entre a quarta e a
      las que originam os mais di-         oitava semana que os sistemas de rgos iniciam seu desenvolvimento.
      versos tecidos do corpo do           Conforme os tecidos e rgos vo se formando, a forma do embrio
       embrio.                            vai se modificando, e, a partir da oitava semana, o embrio passa a ter
                                           formato distintamente humano.


                                             Queinteressante!
                                              Vamosveroquecadafolhetogerminativoforma?
                                               O ectoderma forma o sistema nervoso perifrico; o sistema nervo-
                                           so central (encfalo e medula espinhal); a epiderme e anexos (plos e
                                           unhas); o epitlio do olho, do nariz e das orelhas; as glndulas mam-
                                           rias e as subcutneas; a hipfise e o esmalte dos dentes.
                                               O mesoderma forma o tecido conjuntivo, ossos, msculos estriados
                                           e lisos, cartilagens, corao, vasos linfticos e sangneos, rins, testcu-
                                           los e ovrios, ductos genitais, bao, crtex das supra-renais e as mem-
                                           branas serosas que revestem as cavidades do corpo.
                                               O endoderma forma o revestimento epitelial da bexiga urinria e a
                                           maior parte da uretra, o timo, o fgado e pncreas; o revestimento epi-
                                           telial da cavidade do tmpano, do antro tmpano e da tuba auditiva; o
                                           parnquima das tonsilas, as glndulas tireide e paratireide; o reves-
                                           timento epitelial dos tratos gastrintestinais e respiratrio.




                                                      Representao dos folhetos embrionrios durante a gstrula. Fonte: Leidimeri dos Santos.


82     MecanismosBiolgicos
                                                                                                                              Biologia

   Ao final do perodo embrionrio, todos os principais sistemas de                                        Somito
rgos j foram iniciados, o embrio nesse perodo passa a apresentar
                                                                                                           Blocos de clulas mesodr-
caractersticas humanas, como o corao, o fgado, os membros, ouvi-
                                                                                                           micas das quais migram c-
dos, nariz, olhos, encfalo e somitos.                                                                     lulas que originaro as vr-
   Pelo fato das estruturas externas e internas do embrio comea-                                         tebras, costelas e msculos
rem a ser estabelecidas entre a quarta e a oitava semana, esse perodo                                      axiais.
 considerado o mais crtico do desenvolvimento do indivduo, pois a
ocorrncia das anomalias congnitas acontece nessa fase.




   Representao do desenvolvimento do embrio humano. A- ovcito sendo fecundado. B- embrio com 24
   dias. C- embrio com 28 dias. D- embrio com 42 dias. E- embrio com 48 dias. F- embrio com 52 dias.
   Fonte: Vanderley Calizotti.



                      PESQUISA

     Faa uma pesquisa em livros e/ou internet e responda: de todos os sistemas do organismo huma-
 no, por que o sistema circulatrio  o primeiro a entrar em funcionamento?



  Vocjouviufalaremanexosembrionrios?
  Vamosfalarumpoucosobreeles?
     medida que o embrio se desenvolve, a partir do zigoto, algu-
mas estruturas denominadas anexos embrionrios vo sendo formadas
para proteger e nutrir o embrio. Essas estruturas pouco ou nada con-
tribuem para a formao do corpo do embrio, sendo eliminadas por
ocasio do parto.
    Os anexos embrionrios geralmente compreendem o saco vitelino,
mnio, alantide e crion.

                                         Embries:afantsticaobraemconstruo!Comoaconteceesseprocesso?                                   83
        EnsinoMdio

                                          O saco vitelino  uma espcie de bolsa que se desenvolve a partir do
                                     endoderma, est presente em todos os vertebrados com funo de ar-
                                     mazenar alimentos para o embrio. Na espcie humana, o saco viteli-
                                     no tem pouco significado, aos poucos ele vai se atrofiando e se incor-
                                     porando ao cordo umbilical.
                                                                         O mnio aparece por volta do s-
                                                                     timo dia de desenvolvimento forman-
                                                                     do uma bolsa fechada em torno do em-
                                                                     brio, a qual contm o lquido amnitico
                                                                     que protege o embrio contra choques
                                                                     mecnicos, desidratao e traumatismos.
                                                                     Um fato curioso  que o feto engole por
                                                                     volta de 500 ml de lquido amnitico ca-
                                                                     da 24 horas. Aps ser absorvido pelo tra-
                                                                     to digestrio esse lquido  devolvido 
                                                                     cavidade amnitica pela urina excretada
                                                                     pelo feto.
                                                                         O alantide  uma bolsa de origem en-
                                                                     dodrmica que contm vasos sanguneos
                                                                     com funes respiratria e excretora. Na
               Representao dos anexos embrionrios de mamferos    espcie humana o alantide  rudimen-
                                                                     tar, fixando a sua poro extra-embrion-
                                     ria juntamente com a poro inicial do cordo umbilical. Acredita-se
                                     que o alantide organiza a formao dos vasos do cordo umbilical.
                                          O crion participa da formao de uma membrana, ou pele, que se
     Decdua: membrana que           apresenta por fora do mnio e por dentro da decdua capsular. Origi-
     envolve o feto.                 na-se a partir do trofoblasto, formando o crion liso e o crion frondo-
                                     so. Este ltimo forma a placenta.




                                   Representao do tero humano com um feto de aproximadamente 12 semanas. Fonte: Poliana Garbelini.


84   MecanismosBiolgicos
                                                                                             Biologia



                PESQUISA

    A placenta e o cordo umbilical tambm so anexos embrionrios. Faa uma pesquisa, em livros
 de Biologia ou em websites, identificando as funes e em quais animais so encontrados esses dois
 anexos.


  Quelegal:apartirdanonasemanasomos
  consideradosfetos!
    O perodo fetal se inicia 9 semanas aps a fertilizao e termina
com o parto. A data esperada do parto de um feto humano  de 266
dias, ou 38 semanas.
     O perodo fetal se caracteriza pela diferenciao dos tecidos, siste-
mas de rgos, e pelo rpido crescimento do corpo do indivduo. H
uma diminuio relativa do ritmo de crescimento da cabea, em com-
parao com o resto do corpo. Nesta poca, o feto j  capaz de man-
ter uma vida extra-uterina, principalmente por causa da maturidade do
sistema respiratrio.



                PESQUISA

     O que  parto? Quais os tipos? Como acontece? Faa uma pesquisa e encontre as respostas pa-
 ra essas questes.


    Nem sempre o embrio se desenvolve normalmente. Considera-se
desenvolvimento embrionrio normal quando se observam vrios pro-
cessos que se sucedem ordenadamente, de modo que o organismo,
ao nascer, seja semelhante aos demais da sua espcie, apenas com ex-
ceo dos gmeos monozigticos (idnticos). Durante o desenvolvi-
mento embrionrio podem ocorrer alteraes de maior ou menor in-
tensidade, e o recm-nascido apresentar diferenas significativas em
comparao com os demais seres de sua espcie.
    So muitas as causas que provocam as anomalias no desenvolvi-
mento embrionrio. Verificam-se alteraes em nveis moleculares e
celulares at a formao anormal, ou mesmo quando no acontece a
formao de um ou mais rgos. Os fatores responsveis pelo apareci-
mento de anomalias embrionrias so de origem gentica, que podem
ser gnico e cromossmico; e de origem ambiental, podendo ser agen-
tes infecciosos, qumicos, radiativos e de nutrio.

                             Embries:afantsticaobraemconstruo!Comoaconteceesseprocesso?             85
       EnsinoMdio



                     PESQUISA

         Faa uma pesquisa em revistas, livros, jornais e/ou internet sobre duas anomalias provocadas por
     fatores genticos, e duas provocadas por fatores ambientais.



                                 Algumas vezes, pode acontecer da gravidez ser interrompida antes
                             do seu trmino. Neste caso, tem-se o aborto. Ao todo so quatro as es-
                             pcies de aborto: natural, acidental, legal ou permitido e criminoso.
                                 O aborto natural acontece espontaneamente. Estudos realizados
                             demonstram que 50% de todos os abortos espontneos conhecidos
                             so resultado de anormalidades cromossmicas. Isso demonstra que a
                             prpria natureza se encarrega de elimin-las. Por isso, o Cdigo Penal
                             no prev punio para essa espcie de aborto.
                                 Quando a gravidez  interrompida em conseqncia de algum trau-
                             matismo, como por exemplo, uma queda, tem-se o aborto acidental.
                             Neste caso, tambm de acordo com as leis penais no h punio.
                                 Existem vrias espcies de aborto legal ou consentido: o terapu-
                             tico, para salvar a vida da gestante ou quando a gravidez  anormal;
                             o eugensico ou eugnico, quando h a possibilidade do beb nascer
                             com defeitos hereditrios; o social ou econmico, em casos de famlia
                             numerosa para no agravar a situao social.
                                 O cdigo penal brasileiro s permite duas formas de aborto legal: o
                             necessrio ou teraputico que est previsto no art. 128, I, quando pra-
                             ticado por mdico, desde que no haja outra forma de salvar a vida da
                             gestante, e o chamado aborto sentimental ou humanitrio, previsto no
                             art.128, II, quando a gravidez  resultado de estupro.

                               O atual cdigo penal brasileiro entrou em vigor em 1 de janeiro de 1942.
                                                                                             (CASTRO, 2005)

                                 O teor do Decreto-lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940, classifi-
                             cado no Ttulo "Dos Crimes Contra a Pessoa" e no captulo "Dos Cri-
                             mes Contra a Vida", deixa claro que a defesa gira em torno da vida do
                             feto, no considerando a vida independente e sim o fruto da concep-
                             o, o que  suficiente para ser protegido.
                                 Dos direitos naturais do homem, o primeiro deles  o direito de
                             viver. O primeiro dos deveres  proteger e defender o seu primeiro
                             direito, que  a vida. Mas o que  ter direito  vida? O que o zigoto
                             tem em comum com um beb recm-nascido e com um ser humano
                             adulto, que seria suficiente para atribuirmos a ele, igualmente, o
                             direito  vida?


86   MecanismosBiolgicos
                                                                                                 Biologia


 Veja algumas punies dispostas do Cdigo Penal Brasileiro em relao ao aborto. (JESUS, 2000)
     a) Aborto provocado pela gestante ou com o seu consentimento:
     Na primeira parte do art. 124 a pena de deteno prevista para o auto-aborto ou aborto consenti-
 do  de 1 (um) a 3 (trs) anos. O sujeito ativo  to-somente a mulher grvida que provoca a ao por
 qualquer que seja o meio utilizado. Na segunda parte, a gestante  incriminada pela ao praticada, ou
 seja, em consentir o aborto praticado por pessoa diversa.
     b) Aborto provocado por terceiro:
     Quando o aborto acontece sem o consentimento da gestante, a pena prevista de recluso de acor-
 do com o art. 125  de 3 (trs) a 10 (dez) anos. Pode haver violncia fsica, grave ameaa, simulao
 ou fraude (drogas abortivas alegando serem remdios, anestsicos, etc.). A ameaa de abandono, ca-
 so a mulher no faa o aborto, ou promessa de casamento imediato, caso ela faa, tambm so hip-
 teses de no consentimento.
    No caso da pessoa que provoca o aborto com o consentimento da gestante, de acordo com o art.
 126, a pena prevista de recluso  de 1 (um) a 4 (quatro) anos. Nesse caso vale o consentimento, ex-
 presso ou tcito, do incio ao fim da conduta. Ainda o art. 126, contempla a violncia presumida quan-
 do a mulher vitima do aborto  menor de 14 anos, alienada ou dbil mental, nesse caso aplica-se a pe-
 na do artigo 125.
     c) Forma qualificada:
     Trata-se de um crime qualificado pelo resultado em que o agente responde pela conseqncia mais
 grave obtida, sem importar se houve consentimento ou no da vtima. Para esse caso so previstas as
 penas cominadas nos arts. 125 e 126 com aumento de um tero se a gestante sofrer leso corporal
 de natureza grave; se a gestante morrer, as penas so duplicadas.

    Diante dessas indagaes  possvel distinguir trs posicionamentos
relativos ao aborto: liberais, conservadoras e moderadas (SPEBER, 2003).
a) Posies liberais ou permissivas:
    os que se enquadram nesta posio, consideram que  no momen-
    to ou aps o nascimento que o ser humano adquire seus direitos
    plenos que devem proteg-lo do homicdio. Nesta concepo, o
    aborto no  um "assassinato" de uma pessoa viva, e sim de um in-
    truso do corpo da me. O embrio ou feto pode ser comparado a
    um tumor que deve ser extrado quando achar-se necessrio.
    Quem tem uma atitude liberal em relao ao aborto considera o
    corpo como propriedade, possuindo controle e autonomia sobre
    ele e seus atos. Portanto, a gestante pode realizar o aborto em qual-
    quer momento da sua gravidez, independente do motivo, pois ne-
    nhum ser humano tem o direito de forar o outro a pensar e agir
    da mesma forma que ele.
b) Posies conservadoras:
    quem tem uma atitude conservadora defende a idia de que a partir
    da fecundao j existe uma identidade biolgica de um novo ser hu-
    mano, pois  no momento da concepo que a vida se inicia. Aqui
    so analisadas a personalidade e a individualidade biolgica do indi-

                              Embries:afantsticaobraemconstruo!Comoaconteceesseprocesso?                87
       EnsinoMdio

                                vduo; a pessoa  vista e valorizada como um ser vivo, cuja nature-
                                za  humana. Nada, nem ningum, pode dispor ou destruir uma vida
                                humana inocente. Em qualquer circunstncia o aborto no pode ser
                                praticado. Todavia, o feto humano deve ser respeitado e protegido.
                            c) Posies moderadas:
                                alguns adeptos desta teoria consideram que o feto, a qualquer mo-
                                mento, desde a concepo at o nascimento, pode se beneficiar da
                                proteo do homicdio. Outros, defendem que  no momento da
                                implantao do blastocisto (nidao).
                                Desde seu incio a vida humana deve ser respeitada, devendo as
                            atitudes serem assumidas em favor da vida. Aceita-se que sejam prati-
                            cadas algumas espcies de abortos como, por exemplo, para salvar a
                            vida da gestante.

                                 O aborto  um assunto muito polmico e delicado, pois so muitas as
                             contradies de pensamento entre as pessoas. Se por um lado deve-se
                             proteger a vida, como fazer para que essa proteo no seja a destruio
                             de outra vida? Mesmo que a prtica do aborto seja liberada, como ficam os
                             sentimentos da mulher aps essa experincia traumtica?



                                                                              Quem tem
                                    O aborto  um                           direito  vida?
                                    problema ou 
                                    uma soluo?
                                                                                             Voc  proprietrio
                                                                                               do seu corpo?

                                    Quem pode
                                   matar algum
                                     indefeso?                                                        Voc  dono
                                                                                                     dos seus atos?




                              Estudo sobre fetos, de Leonardo da Vinci. Original: The Foetus in the Womb (1510-1512). Tcni-
                              ca: Pen and ink with wash over black chalk and red chalk on paper. Fonte: Pertence ao Palcio de
                              Windsor Castle, Windsor, Inglaterra. Famous Painters' Paintings, galeria de pinturas e de desenhos.
                              http://www.elrelojdesol.com/famous-painters-paintings-list.htm




88   MecanismosBiolgicos
                                                                                             Biologia



               DEBATE

     No h dvidas de que de todos os bens valorados pelo direito, a Vida  o mais importante, se-
ja intra ou extra-uterina.
   Portanto, a maior indagao discutida em relao ao aborto :
   EM QUE MOMENTO A VIDA HUMANA SE INICIA?
  Na fecundao, na nidao ou no nascimento? Considerar que na fecundao existe uma ser hu-
mano no seria sacralizar um simples processo biolgico?
    Alguns consideram que a vida tem incio no momento da concepo, ou seja, com a penetra-
o do espermatozide no vulo; outros defendem que  a partir da nidao, ou seja, no momen-
to em que o ovo aninha-se na parede uterina; h aqueles que acreditam que a vida comea aps
o nascimento.
   Uma outra questo :
   O feto humano tem o mesmo direito que os membros integrantes da comunidade, de serem
protegidos pelas interdies relativas ao homicdio?
   E os direitos da mulher grvida, do progenitor e dos membros da famlia?
    AT QUE PONTO VAI O CONTROLE E A AUTONOMIA DA PESSOA SOBRE SI MES-
MA? Quem pode dizer a voc o que fazer com seu prprio corpo a no ser voc? Quais so os di-
reitos da pessoa sobre si mesma?
   Para responder os questionamentos propostos organize a classe em trs grupos. Cada grupo
deve escolher um dos trs posicionamentos destacados relativos s discusses sobre a liberao
do aborto: liberais, conservadores e moderados e construir argumentos, tendo como pressuposto
os conhecimentos sobre embriologia.




                            Embries:afantsticaobraemconstruo!Comoaconteceesseprocesso?              89
       EnsinoMdio

                             RefernciasBibliogrficas
                             GARCIA, S. M. L. et al. Embriologia. Porto Alegre: Artes Mdicas, 1991.
                             JESUS, D.E. de. Direito penal: parte especial. So Paulo: Saraiva, 2000.
                             MOORE, K. L.; PERSAUD, T. V. N. Embriologia bsica. Rio de Janeiro:
                             Guanabara Koogan, 2000.
                             SPERBER, M. C. Dicionrio de tica e filosofia moral. So Leopoldo:
                             Unisinos, 2003.


                             ObrasConsultadas
                             CASTRO, J. E. O de. O aborto em fetos anencfalos  algumas
                             consideraes em face da dignidade da pessoa humana, da legalidade e da
                             autonomia de vontade. Apucarana, 2005. Trabalho de concluso do curso
                             de Direito, Faculdade de Apucarana.
                             JUNQUEIRA, L. C. U.; ZAGO, D. Embriologia mdica e comparada. Rio
                             de Janeiro: Guanabara Koogan, 1982.
                             STORER, T. I. et al. Zoologia geral. So Paulo: Companhia Editora Nacional,
                             1979.
                             STRICKLAND, C.; BOSWELL, J. Arte comentada. Rio de Janeiro: Ediouro,
                             1999.


                             DocumentosConsultadosOnlInE
                             Leonardo da Vinci. Disponvel em: <http://www.educ.fc.ul.pt/icm/
                             icm2000/icm33/Leonardo2.htm> Acesso em: 16 out. 2005.
                             Renascimento cultural. Disponvel           em:   www.suapesquisa.com/
                             renascimento/ Acesso em: 16 out. 2005.




90   MecanismosBiolgicos
                                                               Biologia



ANOTAES




      Embries:afantsticaobraemconstruo!Comoaconteceesseprocesso?      91
       EnsinoMdio

                       Biodiversidade
                         Desde os primrdios de nossa existncia, buscamos respostas s

            I        mais variadas indagaes:
                         Como explicar a origem e evoluo da vida?
                         Que processos aconteceram para nos tornarmos o que somos hoje?


            n
                         Os seres vivos continuam evoluindo? At onde ir essa evoluo?
                         Neste Contedo Estruturante, voc encontrar uma proposta que
                     torna possvel a reflexo e induo  busca de novos conhecimentos
                     cientficos que tentam responder a estas e muitas outras inquietaes.


            t
                     Com estes conhecimentos, voc poder compreender um pouco mais
                     a respeito dos processos pelos quais os seres vivos sofrem modifica-
                     es, perpetuam variabilidade gentica e estabelecem relaes ecol-
                     gicas, garantindo a diversidade de seres vivos.


            r
                         A biodiversidade pode ser entendida como resultado de um con-
                     junto de processos organizados e integrados quer no nvel de uma c-
                     lula, de um indivduo ou ainda de organismos no seu meio.
                         Neste Contedo Estruturante, alguns Folhas retrataro as idias do


            o
                     naturalista francs Jean-Baptiste Lamarck (1744 - 1829), do naturalis-
                     ta britnico Charles R. Darwin (1809 - 1882) e do naturalista ingls Al-
                     fred R. Wallace (1823 - 1913), identificando como estas impulsionaram
                     as explicaes a respeito das diversas transformaes ocorridas com os
                     seres vivos ao longo do tempo. Wallace e Darwin propuseram uma

            d        teoria vivel a partir do momento que apresentam a seleo natural
                     como mecanismo responsvel pela dinmica de toda a diversidade
                     de espcies. Este mecanismo, analisado como caracterstica presente
                     na complexidade da natureza, no propicia para as espcies um ca-

            u        minho  perfeio, mas para o acmulo de caractersticas heredit-
                     rias que foram relativamente vantajosas. Neste contexto, voc verifi-
                     car que cada espcie apresenta uma histria evolutiva.
                         Neste contexto, voc verificar que cada espcie apresenta uma

                    histria evolutiva, incluindo as possveis espcies das quais cada uma
                     descende, as caractersticas, e as relaes com outras espcies.
                         Com os conhecimentos no campo da Gentica, novos caminhos fo-
                     ram abertos possibilitando uma melhor compreenso acerca dos pro-

                    cessos de modificao dos seres vivos ao longo da histria da hu-
                     manidade. Pesquisas sobre o cido desoxirribonuclico (DNA) vem
                     contribuindo para este entendimento, uma vez que ele  considerado
                     a molcula da vida.


            o            Em razo dos resultados das pesquisas efetuadas, as informaes
                     genticas representam um ponto notvel no desenvolvimento do sa-
                     ber, promovendo avanos cientficos, reabrindo debates s implica-




92   Introduo
                                                                                Biologia

es sociais, ticas e legais que existem, e que ainda devero surgir,
em conseqncia dessas pesquisas.
    Os seres vivos vm sofrendo modificaes e estas no existem sem
um processo reprodutivo que garanta transmisso de caractersticas
hereditrias. Durante a reproduo, tanto sexuada quanto assexuada,
 que acontecem as combinaes entre os genes que compem o ma-
terial gentico e que formaro um novo ser.
    Ainda neste Contedo Estruturante, voc poder aprender sobre os
aspectos que envolvem as relaes ecolgicas estabelecidas entre os
seres vivos e deles com a natureza. Estas relaes no podem ser pen-
sadas de forma dissociada dos processos evolutivos, uma vez que o
                                                                            B
ambiente  o agente dinamizador que possivelmente favorece a trans-
misso dos caracteres hereditrios.
    O homem, como um ser integrado na natureza, no deve buscar
nela apenas o valor econmico, extraindo os recursos do meio am-
                                                                            I
biente, mas tambm, o seu valor social, privilegiando sua preservao
e conservao.
    Neste livro, optamos por tratar a Biodiversidade e suas relaes am-
bientais, nos ecossistemas mais prximos da realidade do Paran e do
                                                                            O
                                                                            L
Brasil, para que voc reflita sobre as condies de vida em ambien-
tes prximos a voc, e as implicaes desse ambiente para as espcies
que nele habitam, incluindo o homem.
    Para estudar os aspectos relacionados acima, voc ter a oportuni-
dade de ler os Folhas:
    "As cobras rastejam por que no tem pernas ou elas no tm per-
    nas por que rastejam?";
                                                                            O
    "A reproduo  uma conseqncia da vida ou a vida  uma con-
    seqncia da reproduo?";
    "DNA: a longa cadeia da vida";
    "Sangue: um mar vermelho que sustenta a vida."
                                                                            G
    "Que herana  essa?"
    "Biomas: parasos naturais ou recursos inesgotveis";
    "Mata Atlntica: socorro!!! Cad voc???";
                                                                            I
    "Os problemas ambientais so desencadeados pela ao humana
    na natureza ou  castigo divino?"
    Os assuntos abordados favorecem as discusses e aprofundamentos
sobre a histria evolutiva das espcies e suas relaes ambientais. Dian-
                                                                            A
te destas reflexes, voc poder ampliar seus conhecimentos buscando
aprofundar cada um dos conceitos e contedos aqui apresentados.
    Bom estudo!




                                                                                           93
       EnsinoMdio




94   Biodiversidade
                                                                                                               Biologia




                                                                                                       6
                                                  AS COBRAS RASTEjAM
                                                      POR QUE NO TM
                                                   PERNAS OU ELAS NO
                                                  TM PERNAS POR QUE
                                                           RASTEjAM?
                                                                                    Ceclia Helena Vechiatto dos Santos1

                                                               e voc observar o mundo vivo a sua volta, verifica-
                                                               r uma enorme variedade de seres vivos. Muitas
                                                            curiosidades podem ser notadas quando olhamos ao
                                                             nosso redor e percebemos que os animais e vegetais
                                                             so pouco parecidos entre si.
                                                            Olhando para cada cachorro, ou passarinho, ou gato,
                                                          por exemplo, voc perceber que eles diferem uns dos
                                                outros. Isso nos conduz a pensar que no existem graus de paren-
                                                tesco entre as espcies e que, cada ser vivo pode ter surgido in-
                                                dependentemente. Alm disso, as espcies possuem hbitos ade-
                                                quados aos seus habitats. As cobras, por exemplo, no possuem
                                                pernas, mas nem por isso elas deixam de se locomover.


                                                    Ser que um dia as cobras tiveram pernas e o ambiente
                                                       influenciou para que elas perdessem essa parte do
                                                           corpo por no utilizarem? Algum rgo atrofia
                                                              por no ser usado?
1
 Colgio Estadual Marqus de Caravelas - Arapongas - PR

                              Ascobrasrastejamporquenotmpernasouelasnotmpernasporquerastejam?                          95
           EnsinoMdio
                                                  O problema da adaptao e evoluo das
                                             espcies em seu habitat foi tema de muita dis-
                                             cusso at o sculo XIX. Naquela poca, os
                                             estudos sobre a classificao dos seres vivos,
                                             realizados por Lamarck, procuravam explicar
                                             que os seres vivos se "transformavam", por es-
                                             foro prprio, frente s modificaes do am-
                                             biente. Analisemos o exemplo clssico das gi-  Girafas do Zoolgico de Curitiba.
                                                                                               Girafa  o nome comum dado 
                                             rafas utilizado didaticamente, por muitos anos,   espcie Giraffa camelopardalis,
                                             na tentativa de representar a evoluo das es-    ou camelo leopardo, co-
                                                                                               mo eram chamadas pelos ro-
                                             pcies com base nas idias de Lamarck.
                                                                                               manos quando elas existiam
                                                  As girafas atuais alimentam-se de folhas     no norte da frica. So un-
                                                                                               gulados com nmero par de
                                             das copas de rvores. Seu longo pescoo fa-       dedos. Fonte: Foto cedida por
                                             cilita na coleta desse alimento, na estao das   Danislei Bertoni.
                                             chuvas. Se as girafas no fossem "pescou-
                                             das", elas hoje estariam vivas? Ser que elas
                                             sempre tiveram o pescoo comprido?
      Cobra-de-cip (Leptophis ahaetulla).
                                                  Tomemos por base os estudos apresentados pelo naturalista Lamar-
      Esta serpente muito conhecida na       ck, no sculo XIX, em sua obra Philosophie Zoologique. Sobre a con-
      Mata Atlntica, possui hbito arbo-    tinuidade das caractersticas fundamentais entre os diversos tipos de
      rcola e alimenta-se de pequenos
      insetos e lagartos. Seu comporta-      animais, Lamarck afirmou que o uso freqente de qualquer rgo o
      mento  aparentemente agressi-         desenvolve e aumenta, ao passo que seu desuso permanente o enfra-
      vo, abrindo amplamente a sua bo-
      ca quando intimidada, porm no
                                             quece at no aparecer mais em geraes futuras. Dessa forma, pe-
       peonhenta. Fonte: Foto cedida       lo uso ou desuso, uma caracterstica pode ser transmitida, ou no, aos
      pelo Prof. FRANCISCO DE ASSIS          descendentes pela reproduo.
      DA SILVA ROBERTO, Prof. de Zoo-
      logia Geral da Universidade Estadu-
                                               Lamarck exemplifica o surgimento da pele na base dos dedos das aves, originalmente terrestres, pelo uso con-
      al do Rio Grande do Norte e Coor-
                                               tnuo ao nadarem em busca de alimento. A pele entre os dedos cresceria em funo do aumento do fluxo de san-
      denador do Centro de Pesquisas do
                                               gue pelos movimentos musculares realizados (STORER, 1979).
      Parque Estadual Dunas do Natal.




                               PESQUISA

           Em textos, livros, revistas fornecidos pelo professor, pesquise sobre os hbitos alimentares da gira-
       fa e analise se o pescoo tem influncia nesse processo.
             Texto sugerido:
           ROQUE, I.R. Girafas, mariposas e anacronismos didticos. Cincia Hoje, v. 34, n. 200, p. 64-
       67, dez. 2003.




                               DEBATE

           Ser que todos os rgos dos seres vivos se desenvolvem quando usados continuamente e
       atrofiam ou desaparecem quando no so utilizados?


96     Biodiversidade
                                                                                                              Biologia

    Voltando ao exemplo do pescoo da girafa, e estudando as idias
de Lamarck, uma possvel explicao seria que vrias girafas com pes-
coo curto teriam se fixado num ambiente em que os melhores bro-
tos e folhas estavam no alto das rvores. Com a necessidade de pegar
as folhas mais altas, essas girafas esticavam constantemente seus pes-
coos. Assim, com o passar do tempo, seus descendentes nasceriam
com pescoos mais compridos e isso se sucedia a cada gerao, at
atingir uma estabilidade, ou seja, o resultado seria a girafa que conhe-
cemos hoje.


                DEBATE

     Ser que Lamarck estava correto nas suas concluses? Existe possibilidade de alguma carac-
 terstica adquirida ser transmitida aos descendentes? Justifique.

    A idia do transformismo proposta por Lamarck, ainda ho-
                                                                                            Jean-Baptiste Pierre Antoi-
je indica que os seres vivos podem estar em constante evo-                                  ne de Monet, Chevalier de
luo. Lamarck em seus estudos, foi alm, concluindo que as                                 Lamarck (Bazentin, 1744
                                                                                            - Paris, 1829). Naturalista
modificaes ocorridas nas espcies em resposta a uma im-                                   francs do sculo XIX, foi
posio do meio, seriam transmitidas  sua prole. Convm                                    ele quem introduziu o ter-
lembrar que at ento, na poca de Lamarck, o conhecimen-                                   mo Biologia e que desen-
                                                                                            volveu a teoria dos carac-
to produzido referente ao papel da herana gentica na trans-                               teres adquiridos, uma teoria
misso de caractersticas de gerao a gerao era insuficiente                             da evoluo j superada.
                                                                        Lamark personificou as idias pr-darwinistas so-
para qualquer pesquisador prosseguir e avanar nos seus es-             bre a evoluo. Fonte: GNU Free Doc License,
tudos, pois, as bases da gentica s viriam a nascer em 1822,           www.wikipedia.org
com Gregor Mendel. Portanto, Lamarck no dispunha de co-
nhecimento que permitisse desenvolver suas pesquisas.


                DEBATE

    E quanto s cobras, ser que esse animal poder desenvolver pernas em seu corpo em gera-
 es futuras, ou elas tinham as pernas e acabaram perdendo-as?


 Voc sabia que ...
      As cobras constantemente estiram seu corpo para poderem passar por espaos estreitos em seus
 habitats. Ao passar por esses espaos apertados, as pernas no seriam utilizadas. Se elas tivessem per-
 nas longas, essas atrapalhariam sua locomoo na grama e se elas tivessem quatro pernas, no conse-
 guiria se movimentar. Embora os rpteis tenham pernas, as cobras no as tem, entretanto, segundo as
 leis de Lamarck, elas em alguma poca as tiveram, porm as perderam. Ento ao que tudo indica, de
 acordo com Lamarck uma das causas da mudana evolutiva era a capacidade de reagir a condies es-
 peciais do meio ambiente (STORER, 1979).


                   Ascobrasrastejamporquenotmpernasouelasnotmpernasporquerastejam?                                      97
          EnsinoMdio



                             DEBATE

            Existem provas evolutivas de que as cobras j tiveram pernas e pelo no uso, elas atrofiaram?


                                              A idia de que um rgo enfraquece ou
                                          desaparece com o desuso, ou fortalece pelo          Em 1809 foi o ano que
                                          uso,  muito antiga. Lamarck apenas utilizou        Darwin nasceu ...
                                          essa idia para formular a primeira teoria da
                                          evoluo, em 1809.
                                              No podemos discutir evoluo, sem mencionar Charles Darwin. A
                                          teoria que explica a evoluo dos seres vivos pela seleo natural foi
                                          proposta 50 anos aps a teoria de Lamarck. Voc saberia citar algumas
                                          diferenas entre as teorias de Lamarck e Darwin? No? Ento vamos
                                          ajud-lo nessa diferenciao. Os trs aspectos abaixo sero considera-
                                          dos para estabelecer a comparao para as duas teorias.
                                              O fato da evoluo: o mundo  evolutivo ou esttico? Tanto Lamar-
                                          ck quanto Darwin acreditavam no mundo evolutivo, entretanto, foi La-
                                          marck o primeiro pesquisador que props uma teoria slida sobre a
                                          mudana evolutiva.
                                              O mecanismo da evoluo: o efeito do uso e desuso era aceito pelos
      Charles Darwin (1809-1882) -
                                          dois cientistas, embora com menos intensidade nas idias de Darwin.
      Aquarela de Charles Darwin pinta-       Um interesse primrio pela diversidade ou pela adaptao: aqui existe
      da por Georgr Richmond no fim da
      dcada de 1830.Fonte: GNU Free      uma diferena fundamental entre Lamarck e Darwin. Para Darwin, a
      Doc. License, www.wikipedia.org     adaptao dos seres vivos  o produto da seleo natural. Para La-
                                          marck, a adaptao era o produto final dos processos fisiolgicos,
                                          exigidos pelas carncias dos organismos de se transformarem no seu
                                          meio ambiente (MAYR, 1998).


                             ATIVIDADE

          E agora, diante dessas diferenas apresentadas entre Lamarck e Darwin, ser que voc consegue
       responder a questo do porqu das cobras rastejarem? Se ainda no, ento vamos voltar ao exemplo
       do pescoo da girafa para explicarmos as idias de Darwin.



                                               Em seu livro "A Origem das Espcies", Darwin expressa idias gerais so-
                                           bre a Teoria da Evoluo das Espcies. Darwin prope que somente os mais
                                           aptos e as mais fortes conseguem sobreviver, e a prpria natureza  respon-
                                           svel pela Seleo Natural.



98     Biodiversidade
                                                                                                                       Biologia

    Os pescoos das girafas primitivas, provavelmente eram de vrios
comprimentos e essas variaes eram de origem gentica. As girafas
com pescoo mais longo conseguiam colher as folhas com maior faci-
lidade do que aquelas de pescoo curto. Assim, h uma seleo natural
entre esses seres favorecendo a sobrevivncia das girafas de pescoo
longo. Esse exemplo clssico da girafa, tambm utilizado didaticamen-
te por muitos anos, procura representar a teoria da evoluo das esp-
cies pela Seleo Natural.



                         ATIVIDADE

     De posse das informaes fornecidas pelo texto responda: Que fatores so necessrios para que
 haja o equilbrio das espcies nos ecossistemas? O ambiente influi na evoluo das espcies? O que
  espcie?


    Darwin fez uma viagem, em 1831,  Amrica do Sul, s Ilhas Ga-
lpagos, dentre outras regies. Durante essa viagem, ele fez muitas ob-
servaes, anotaes e coletas de alguns fsseis das diferentes varieda-
des de espcies de seres vivos. Aps seu retorno, em 1837, analisou o
imenso material coletado o que o deixou muito feliz, pois ele acredi-
tava que talvez pudesse estar muito prximo para esclarecer o mist-
rio da origem das espcies.
                                       Os jabutis-gigantes das Galpagos (Goechelone nigra ou Geochelone
                                       elephantopus) so rpteis da famlia Testudinidae, endmicos do arquiplago
                                       das Galpagos. So tambm quelnios que apresentam grandes dimenses
                                       e por isso referidos por vezes como tartarugas gigantes. Estes animais podem
                                       medir mais de 1,80 m de comprimento e pesar mais de 225 kg. Os jabutis-
                                       gigantes das Galpagos so herbvoros e alimentam-se de erva rasteira, fruta,
                                       folhas e cactos. So animais extremamente lentos que se movimentam a uma
                                       velocidade de 0,25 km/h. Fonte: GNU Free Doc. License, www.wikipedia.org




                          PESQUISA

     Faa uma pesquisa nos livros de Biologia sobre as observaes de Darwin na viagem a bordo do
  navio Beagle.


   HMS Beagle na Austrlia (centro), aquarela pintada por Owen Stan-
   ley em 1841. O trabalho de Charles Darwin durante a expedio
   do Beagle possibilitou estudar a geologia, os fsseis, a magnitude
   de organismos vivos, os povos nativos dos locais onde o Beagle
   passou. Coletou metodicamente um nmero enorme dos espci-
   mes, muitos novos  Cincia, que estabeleceu sua reputao co-
   mo um naturalista e lhe fez um dos precursores da ecologia. Fon-
   te: Foto dos Arquivos da Fundao Literria Projeto Gutenberg.



                              Ascobrasrastejamporquenotmpernasouelasnotmpernasporquerastejam?                                 99
          EnsinoMdio

                                                  Em outubro de 1838, Darwin leu o livro de Thomas Malthus, publi-
                                              cado em 1798, referente ao crescimento populacional. Nesse livro Mal-
                                              thus explica que havia uma forte irregularidade entre o crescimento de
                                              uma populao e a produo de alimentos. Sua concluso foi que as
                                              populaes aumentam em ritmo mais acelerado que o ritmo de cresci-
                                              mento da produo de alimentos (PG X PA). Com isso seria impossvel
                                              alimentar todos os seres das futuras geraes.
                                                  No sentido de entender o raciocnio de Malthus vamos trabalhar
    Thomas Robert Malthus (1766 -             com duas situaes problemas. Uma que envolve PG (progresso geo-
    1834) foi um demgrafo e econo-           mtrica) e outra que envolve PA (progresso aritmtica). Aps, vamos
    mista ingls, famoso sobretudo pe-
    las suas perspectivas pessimistas
                                              fazer um exerccio de entendimento, procurando analisar at que pon-
    mas muito influentes. Apesar de ser       to se revelou verdadeira a teoria de Malthus.
    assumido popularmente que as su-
    as teses pessimistas deram  Eco-
    nomia a alcunha da cincia lgubre
    (dismal science), a frase foi na verda-     ProcurandoentenderoconceitodePG
    de cunhada pelo historiador racista
    Thomas Carlyle em referncia a um            J  de nosso conhecimento que a formao do embrio se inicia
    ensaio contra a escravatura escrito
    por John Stuart Mill. Para Malthus, a     por uma clula chamada ovo ou zigoto. O nosso organismo vai toman-
    diferena entre as classes sociais era    do forma a partir da diviso celular, onde a primeira clula gera duas,
    uma conseqncia inevitvel. A po-
                                              as duas geram quatro, e assim por diante.
    breza e o sofrimento eram o desti-
    no para a grande maioria das pesso-          Para entender melhor esta diviso que ocorre segundo o conceito
    as. A teoria Malthusiana foi usada no
    Clube de Roma para a elaborao
                                              matemtico de PG, vamos completar a tabela a seguir? Suponha que
    do documento "Os limites do cres-         no primeiro momento ocorreu a concepo da vida e, no segundo mo-
    cimento". Fonte: GNU Free Doc Li-         mento, aconteceu a primeira diviso da clula.
    cense, www.wikipedia.org




                               ATIVIDADE

            Tabela 1
                         Momentos de diviso celular                                  Total de clulas
                                              1                                             1
                                              2                                             2
                                              3                                            ....
                                              4                                             8
                                              5                                            ....
                                              6                                            ....
                                              7                                            64
                                              8                                            ....
                                              9                                            ....
            Observe a coluna "Total de clulas". Que regularidade matemtica existe?
            No vigsimo quinto momento, quantas clulas teremos?
            Qual ser o total de clulas do qinquagsimo momento?
            Expresse sua idia sobre PG.


100 Biodiversidade
                                                                                                Biologia

  ProcurandoentenderoconceitodePA
   Situaes problemas contribuem para entendermos conceitos. Para
entendermos o conceito de PA, do qual falou Malthus, vamos recorrer
a uma situao problema da geometria  contedo da matemtica.
   Observe as figuras geomtricas abaixo. Considere que cada seg-
mento seja formado por um palito.




   Sendo assim, complete o quadro a seguir, com o nmero de palitos
necessrios para formar os tringulos.



                ATIVIDADE

    Tabela 2
                Nmero de tringulos                                Nmero de palitos
                          1                                                  3
                          2                                                  5
                          3                                                 ....
                          4                                                 ....
                          5                                                 ....
                          ....                                              ....




                ATIVIDADE

     Observe as colunas "Nmero de tringulos" e" Nmero de palitos". Que relao se estabelece
 entre ambas?
    Est difcil de entender? Sim ( ) No ( ). Se estiver difcil, desenhe os tringulos representados
 acima no seu caderno e, observando atentamente, procure estabelecer a relao matemtica entre
 nmero de tringulos e nmeros de palitos.
    Expresse sua idia sobre PA.



                   Ascobrasrastejamporquenotmpernasouelasnotmpernasporquerastejam? 101
       EnsinoMdio



                     DEBATE

        Depois de termos visto os conceitos de PG e PA, faa uma anlise crtica sobre o que Malthus
     escreveu: "enquanto a populao humana cresce em progresso geomtrica, a produo de ali-
     mentos cresce em progresso aritmtica", procurando abordar:
        At que ponto a teoria de Malthus se revela vlida?




                     ATIVIDADE

        Investigue sobre a populao brasileira no perodo delimitado na tabela abaixo:
        Tabela 3
                             Ano                                             Populao
                            1970
                            1975
                            1980
                            1985
                            1990
                            1995
                            2000
                            2005
        Pesquise sobre a produo de alimentos, em toneladas, do pas brasileiro, no mesmo perodo da
     tabela acima, anotando em seu caderno, conforme a tabela a seguir.




                     ATIVIDADE

        Tabela 4
                             Ano                               Produo de alimentos em toneladas
                            1970
                            1975
                            1980
                            1985
                            1990
                            1995
                            2000
                            2005



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                                                                                                        Biologia



                ATIVIDADE

 a) Verifique se a populao brasileira cresceu em PG.
 b) Procure descobrir se a produo de alimentos no Brasil, no perodo em questo, se deu em PA.
 c) Que concluses podem ser deduzidas analisando os dados das tabelas 3 e 4?
 d) Partindo do pressuposto que a populao brasileira se alimenta mal e que milhares de pessoas nem
    tem o alimento bsico para comer no dia-a-dia,  possvel fazer uma anlise consistente a partir do
    que escreve Malthus?



    A partir das idias de Malthus, Darwin concluiu que alguns indiv-
duos morreriam pela falta de alimento antes mesmo de se reproduzi-
rem, havendo assim uma luta pela sua sobrevivncia. Os que fossem
mais avantajados teriam maiores chances de sobreviver. Como  o ca-
so do pescoo longo da girafa.
    Com essas anlises, Darwin concluiu que as mudanas poderiam
ocorrer nas espcies e que as populaes poderiam crescer muito ra-
pidamente. No entanto esse crescimento no  notado porque as po-
pulaes geralmente se mantm em constante equilbrio. Ento deve-
ria existir alguma forma que mantivesse esse equilbrio. Darwin assim
concluiu que seria pela seleo natural dos mais aptos.



                DEBATE

     O grande mrito de Darwin foi descrever como as mudanas pode-
 riam acontecer nas espcies. Voc concorda com Darwin? Justifique.



   s vezes ficamos nos questionando o porqu de determinadas es-
pcies serem da forma como so. Quem nunca ouviu a histria do por
que da jabuticaba ser um fruto to pequeno de uma rvore to alta e
a abbora um fruto to grande de uma planta to baixa? Voc j ima-
ginou, por exemplo, como seria se o avestruz voasse? Ora, se assim o
fosse, seria necessrio muito alimento para dar a ele energia para mo-           Mimetismo  uma adaptao evo-
                                                                                 lutiva em que a espcie desenvol-
ver seu enorme corpo no ar. Ao que se observa, parece que para tu-               ve caractersticas que o confun-
do existe uma razo, principalmenteno que diz respeito aos seres vi-             dem com outros seres vivos. Na
                                                                                 figura, mariposas do gnero Kalima
vos estarem adaptados ao seu ambiente.                                           que se parecem com folhas secas.
                                                                                 Fonte: Departamento de gentica,
                                                                                 Universidad Complutense Madrid,
                                                                                 Espanha, www.ucm.es



                   Ascobrasrastejamporquenotmpernasouelasnotmpernasporquerastejam? 103
       EnsinoMdio




                             Melanismo industrial envolvendo a mariposa do gnero Biston,  o caso mais conhecido deste tipo de seleo obser-
                             vado a partir de 1850, em regies industrializadas dos EUA, Inglaterra e Europa. Antes da Revoluo Industrial observa-
                             vam-se grandes quantidades de mariposas com asas de cor mais clara (fentipo dominante), aptas para camuflarem-se
                             entre os liquens que cobriam os troncos das rvores, sendo rarssimas as mariposas de cor mais escura (fentipo reces-
                             sivo). Por causa da Revoluo Industrial, os liquens dos troncos escureceram e as mariposas de asas escuras se multipli-
                             caram na forma que melhor se camuflava, tornando-se muito freqentes, ao mesmo tempo em que as mariposas claras
                             eram cada vez mais raras. Essa freqncia dos tipos claros e escuros de Biston betularia era devido  predao por ps-
                             saros, que agiram como agentes de seleo natural Fonte: Departamento de gentica, Universidad Complutense Madrid,
                             Espanha, www.ucm.es


                     PESQUISA

        Faa uma pesquisa de campo identificando cinco espcies de seres vivos e suas possveis adap-
     taes ao meio onde vivem.


       Voc j ouviu falar em especiao? Esse termo  usado para designar o processo de formao
   de novas espcies a partir de outras j existentes. A especiao, de acordo com contribuies re-
   centes,  resultante da mutao gnica e recombinao gentica associada a outros fatores como
   seleo natural, isolamento reprodutivo/sexual e/ou geogrfico, dentre outros.
       Em se tratando de especiao e isolamento geogrfico eis algumas questes importantes
   que no podem ser deixadas de lado, como  o caso da formao dos continentes.
       Nosso Planeta no  esttico, ele sempre esteve e continua em intensa atividade. Em 1912, o
   alemo Alfred Wegener publicou a Teoria da Deriva dos Continentes, propondo que h 200 mi-
   lhes de anos os continentes que hoje encontram-se separados j estiveram unidos em um nico,
   denominado Pangia, envolto por um mar universal, a Panthalassa.




                                                                                                       Teoria da Deriva Continental.


104 Biodiversidade
                                                                                                                     Biologia

   A teoria de Wegener no foi aceita pela comunidade cientfica. Ape-
nas na segunda metade do sculo XX ela foi retomada, e  tida como
precursora da Teoria da Tectnica de Placas (dcada de 60).




                   Mapa digitalizado da Terra mostrando as Placas Tectnicas. Fonte: NASA, EUA.

    Essa teoria explica que a superfcie terrestre  composta de placas
rochosas que esto constantemente se movimentando. Entre os limites
dessas placas existem rachaduras, pelas quais os materiais incandes-
centes vindos do interior da Terra sobem para a superfcie, agregando-
se a ela. Nas proximidades dos limites entre as placas  comum ocorrer
terremotos e atividades vulcnicas. Com a coliso dessas placas, surgi-
ram as grandes cadeias montanhosas de Terra, como por exemplo, a
cordilheira do Himalaia e a dos Andes.
    Com o conhecimento da Teoria Tectnica de Placas  possvel ex-
plicar a maioria das distribuies dos organismos no planeta, assim
como, as diferenas entre os seres vivos.  importante ressaltar que a
separao dos continentes no  o nico fator que promove a espe-
ciao.                                                                                            Habitat: lugar fsico onde
    Imagine uma regio em que a populao de pardais (grupo A) seja                               vivem os seres de determina-
abundante. Alguns desses pardais comeam a espalhar-se para outras regi-                          da espcie.
es em busca de alimento, os quais sero denominados de grupo B e C.                               Nicho ecolgico: posi-
    Cada grupo passa a viver isoladamente, pelo surgimento de uma                                 o exercida por um orga-
barreira, como por exemplo, uma montanha. Desta forma estes grupos                                nismo, uma espcie ou uma
estaro submetidos a mudanas em seus habitats e nichos ecolgicos,                               populao dentro de um
o que pode conduzir a alteraes como: peso, tamanho das asas, pro-                               ecossistema.



                   Ascobrasrastejamporquenotmpernasouelasnotmpernasporquerastejam? 105
       EnsinoMdio

                             pores dos esqueletos e cor da pelagem. Essas alteraes proporcio-
                             nam uma melhor adaptao do indivduo ao novo ambiente.
                                 Com o tempo, a barreira que os separam poder desaparecer e os
                             grupos A, B e C novamente se comunicaro. O grupo A volta a cruzar-
                             se com o grupo B, no acontecendo o mesmo com o grupo C, que so-
                             freu acentuadas modificaes. Com isso o grupo C passa a constituir
                             um grupo diferente dos demais.




                              Fonte: Ceclia Helena Vechiatto dos Santos.
                                  Obs:      as setas            indicam a possibilidade de cruzamento.
                                            as setas            indicam a possibilidade de no cruzamento.
                                A formao dos diferentes grupos de pardais  baseada em trs
                             Leis, segundo proposta de TROPPMAIR (1987):
                                Lei do tamanho ou Bergmann: em regies com temperaturas de inver-
                             no muito baixas, os pardais mostraram-se maiores.
                                Lei das propores ou de Allen: nas regies mais frias, os pardais apre-
                             sentaram apndices (bicos, asas e pernas) menores.
                                Lei de Gloger: em regies mais quentes e midas, como no distrito
                             de Vancouver, Canad, e nas redondezas da Cidade do Mxico, Mxi-
                             co, os pardais mostraram-se uma colorao mais escura.

                     PESQUISA

        Voc percebeu que de uma nica espcie de pardais surgiram outras em diferentes reas geogrfi-
     cas? Encontre no texto argumentos que identifiquem condies para estas mudanas.

                                 Como vimos, Darwin explica que na luta pela sobrevivncia, os se-
                             res vivos com variaes favorveis, possuem maior sucesso na supera-
                             o de obstculos oferecidos pela vida. Os seres que no apresentas-
                             sem tais variaes, no estariam adaptados s determinadas condies
                             ambientais e, conseqentemente, seriam eliminados. Ser que isso 
                             vantagem para todas as espcies? At que ponto ser selecionado  van-
                             tajoso para algum?

106 Biodiversidade
                                                                                                Biologia



                DEBATE

    Faa uma discusso, em grupo, referente a alguns fatores que podem ser considerados seleti-
 vos na sociedade em que vivemos como, por exemplo, o alimento.



     Voc sabia que ...
     A seleo natural pode levar  separao dos caracteres e ou eliminao completa das formas inter-
 medirias e imperfeitas no ambiente. Este  o argumento utilizado por Darwin para a explicao da evo-
 luo das espcies, ou seja, a seleo natural. Esta teoria no explicou de forma convincente as mu-
 danas sofridas pelos seres vivos, pois se desconheciam os fatores genticos que desencadeavam tais
 mudanas, como  o caso do exemplo dos grupos de pardais e das pernas das cobras.

    Para completar a teoria de Darwin, foi proposta uma nova teoria
que resultou na chamada Teoria Sinttica da Evoluo ou Neodarwi-
nismo. Essa teoria procura explicar porque existem alguns seres que
nascem diferentes dentro de uma espcie.
    O Neodarwinismo baseia-se nos seguintes pontos:
 1. Seleo natural: permanece a explicao de Darwin, isto , na natu-
    reza os seres vivos portadores das melhores caractersticas se man-
    tm vivos na incessante luta pela sobrevivncia.
2. Mutaes:  um dos principais fatores para o surgimento de novas
    espcies. As mutaes no ocorrem devido as alteraes do meio,
    ou seja, o meio no altera o cdigo gentico do organismo de for-
    ma a torn-lo mais apto para a sobrevivncia, e sim, pelo acaso, ou
    quando provocado como por exemplo, pelo raio X, radiao, den-
    tre outros.
3. Isolamento: acontece a formao de novas espcies quando as va-
    riedades mutantes forem isoladas.


                DEBATE

    Se as cobras algum dia tiveram pernas, ento, pode ter sido um gene mutante que fez com que
 essas pernas desaparecessem?


   E agora? Voc j consegue responder a pergunta: as cobras rastejam
por que no tem pernas ou elas no tm pernas por que rastejam?
   E os pardais? Teriam a possibilidade do surgimento de um novo grupo?
   E o homem? Como ser que ele evoluiu? Poder surgir uma nova
espcie humana?

                   Ascobrasrastejamporquenotmpernasouelasnotmpernasporquerastejam? 107
       EnsinoMdio

                      RefernciasBibliogrficas
                      MAYR, E. O desenvolvimento do pensamento biolgico. Braslia:
                      Universidade de Braslia, 1998.
                      STORER, T. I. et al. Zoologia geral. So Paulo: Companhia Editora Nacional,
                      1979.
                      TROPPMAIR, H. Biogeografia e meio ambiente. Rio Claro, SP: IGCE/
                      UNESP, 1987.


                      ObrasConsultadas
                      DARWIN, C. R. A origem das espcies. So Paulo: Hemus, 1981.
                      JACOB, F. O jogo dos possveis. Ensaio sobre a diversidade do mundo
                      vivo: A bricolagem da evoluo. Lisboa: Gradiva, 1981.
                      ROSE, M. O espectro de Darwin. Rio de Janeiro: Cromosete, 2000.


                      DocumentosConsultadosOnlInE
                      A Origem das idias de Darwin. Disponvel em: http://www.icb.ufmg.br/
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108 Biodiversidade
                                                              Biologia



ANOTAES




 Ascobrasrastejamporquenotmpernasouelasnotmpernasporquerastejam? 109
       EnsinoMdio




110 Biodiversidade
                                                                                                                    Biologia




                                                                                                            7
                                                   A REPRODUO  UMA
                                                      CONSEQNCIA DA
                                                   VIDA OU A VIDA  UMA
                                                      CONSEQNCIA DA
                                                         REPRODUO?
                                                                                         Ceclia Helena Vechiatto dos Santos1


                                                                    e voc passar por uma avenida, por mais movimen-
                                                                     tada que seja, ou um deserto, ou a uma das regies
                                                                    mais frias da Terra e observar, sempre haver um
                                                                 ser vivo presente crescendo e se multiplicando no
                                                                  ambiente. Em todos os lugares do nosso planeta exis-
                                                                  te alguma forma de vida e esta vida se perpetua prin-
                                                                 cipalmente por meio da reproduo. Quem nunca
                                                              fez uma pergunta como: De onde vim? Para onde vou?
                                                          Como surgiu o homem? O pssaro? O peixe? As estrelas? O
                                                          planeta? Enfim, o que  a vida? Como ela se mantm? Essas
                                                          questes nos conduzem a refletir um pouco sobre como os
                                                          primeiros seres vivos surgiram e a influncia que a reprodu-
                                                          o tm para existncia desses seres, pois  provvel que
                                                          a vida nem sempre tenha habitado o Universo. Para enten-
                                                          dermos como a vida teria surgido, vale a pena conhecer um
                                                          pouco sobre a origem do Universo.




1
 Colgio Estadual Marqus de Caravelas - Arapongas - PR

                         Areproduoumaconseqnciadavidaouavidaumaconseqnciadareproduo? 111
       EnsinoMdio

                                Para comeo de conversa, atualmente existe uma teoria que expli-
                             ca que o Universo surgiu provavelmente por uma grande exploso da
                             matria que estava comprimida, ou seja, ocupando pouco volume, em
                             comparao ao que se tem hoje, causando uma expanso no Universo.
                             Essa exploso  conhecida como Big Bang. Acredita-se que esse fato
                             tenha ocorrido h mais ou menos 15 bilhes de anos. O resultado des-
                             sa exploso foi o surgimento de aglomeraes de corpos celestes, de-
                             nominados de galxias e, posteriormente, h mais ou menos 10,5 bi-
                             lhes de anos, o planeta Terra foi sendo formado.


                     ATIVIDADES

        Ser que a matria explodida poderia se transformar em qualquer coisa? Em todas as coisas? Sem
     um projeto ou maquete?


                                  O mais interessante  que, durante a formao da Terra, alguns se-
                             res foram surgindo e se instalando nos mais diversos ambientes, con-
                             forme suas necessidades e adaptaes. Hoje sabemos que  muito di-
                             fcil encontrar um ambiente terrestre que no seja ocupado por uma
                             espcie de ser vivo.


                     ATIVIDADES

        Como  possvel que num determinado continente vazio fossem surgindo seres, e nele se instalando?
     Que seres? De que tipo, tamanho, cor, peso, etc.? Em que ordem?




                                O homem, desde sua origem, tenta explicar o aparecimento da vi-
                             da no planeta. Muitos estudos foram, e esto sendo realizados, para se
                             chegar a um consenso de como a vida surgiu. Teria a vida surgido es-
                             pontaneamente? Ou teria vindo de um outro planeta? Ainda no se sa-
                             be ao certo como a vida se originou. Mas existem muitas explicaes
                             para essa questo. Vamos aqui tentar conhecer algumas das hipteses
                             de como a vida teria surgido.


                     DEBATE

        Como teria surgido o primeiro ser vivo?




112 Biodiversidade
                                                                                               Biologia

    At o incio do sculo XIX, muitos cientistas, filsofos e at mesmo
as pessoas mais cultas, acreditavam que a vida surgia por meio de du-
as formas: pelos seus semelhantes (pais) e pela gerao espontnea.


     "Essas idias sobre abiognese eram aceitas comumente at cerca de
 dois sculos atrs. Ainda no sculo XIII, havia a crena popular de que cer-
 tas rvores costeiras originavam gansos; relatava-se que, algumas rvores
 que davam frutos similares a meles, no entanto contendo carneiros com-
 pletamente formados em seu interior. No sculo XVI, Paracelso (Phillipus
 Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim [1493 - 1541], foi um
 famoso mdico, alquimista, fsico e astrlogo), descreveu diversas observa-
 es acerca da gerao espontnea de diversos animais, como sapos, ra-
 tos, enguias e tartarugas, a partir de fontes como gua, ar, madeira podre,
 palha, entre outras. Cientistas de todos os campos do saber acreditavam,
 por exemplo, que as moscas eram originadas da matria bruta do lixo. J no
 sculo XVII, em resposta s dvidas de Sir Thomas Browne [1605 - 1682],
 (autor ingls dos trabalhos variados que divulgam sua aprendizagem larga
 em campos diversos incluindo a medicina, a religio, a cincia e o esote-
 rismo), sobre "se camundongos podem nascer da putrefao", Alexander
 Ross [1590-1654 ], escritor, respondeu:
     Ento pode ele (Sir Thomas Browne) duvidar se do queijo ou da madei-
 ra se originam vermes; ou se besouros e vespas das fezes das vacas; ou se
 borboletas, lagostas, gafanhotos, ostras, lesmas, enguias, e etc, so pro-
 criadas da matria putrefeita, que est apta a receber a forma de criatura pa-
 ra a qual ela  por poder formativo, transformada. Questionar isso  questio-
 nar a razo, senso e experincia. Se ele duvida que v ao Egito, e l ele ir
 encontrar campos cheios de camundongos, prole da lama do Nilo, para a
 grande calamidade dos habitantes".
                                   Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/abiogenese, 10/04/06.




    Sendo a gerao espontnea a hiptese de que um ser vivo nascia da
matria inanimada, alguns cientistas ensinavam a receita de como produ-
zir alguns seres, como por exemplo, os ratos. Era uma receita muito sim-
ples, pegar as roupas de baixo suadas e coloc-las num jarro, cobrindo-as
com trigo e aguardar 21 dias, que  o tempo de gestao dos ratos. Esta-
va pronta a produo, e com o maior sucesso.
    Essa idia da vida surgir espontaneamente parece absurda para ns,
mas imagine voc, vivendo na poca da gerao espontnea, e obser-
vando um bicho dentro da goiaba. Provavelmente, voc nem se questio-
naria como ele teria surgido l dentro e sim, acreditaria que teria nascido
ou produzido da prpria goiaba. Como se percebe, vida e reproduo
esto relacionadas entre si.



                 Areproduoumaconseqnciadavidaouavidaumaconseqnciadareproduo? 113
       EnsinoMdio

                                A hiptese da gerao espontnea comeou a perder suas foras
                            em meados do sculo XVII, quando o pesquisador italiano Francesco
                            Redi demonstrou em uma experincia que as larvas de moscas surgiam
                            somente nas carnes em decomposio, quando estas estavam em con-
                            tato com as moscas adultas, as quais depositavam seus ovos.


                                                Francesco Redi (1626  1697) foi um fsico italiano.  conhecido pela sua experin-
                                                cia realizada em 1668 que se considera um dos primeiros passos para a refutao
                                                da abiognese. O saber do seu tempo considerava que as larvas se formavam natu-
                                                ralmente a partir de carne putrefata. Na sua experincia, Redi utilizou 3 frascos, nos
                                                quais colocou carne em estado de putrefao. Selou fortemente um deles, deixou
                                                outro aberto e cobriu o terceiro com gaze. Desenvolveram-se larvas no frasco aberto
                                                e sobre a gaze do frasco correspondente. No se desenvolveram larvas em nenhuma
                                                parte do frasco selado. Fonte: GNU Free Doc. License, www.wikipedia.org



                                Voc deve estar achando esse fato uma quimera, mas convm lem-
                            brar que no sculo XVII no se tinha conhecimento da existncia dos
                            microorganismos e que estes seres se reproduzem com muita rapidez
                            nos mais variados ambientes. As pesquisas do cientista francs Louis
                            Pasteur sobre os micrbios, em meados do sculo XIX, "esclareceu" a
                            gerao espontnea. Com seus experimentos, Pasteur demonstrou que
                            para nascer um ser vivo, h a necessidade da existncia de um outro
                            ser vivo preexistente.


                                                                  Louis Pasteur (1822  1895) em seu labora-
                                                                  trio. Pasteur foi um cientista francs cujas des-
                                                                  cobertas tiveram enorme importncia na hist-
                                                                  ria da cincia. A ele se deve a tcnica conhecida
                                                                  como pasteurizao. Fonte: ALBERT GUSTAF
                                                                  ARISTIDES EDELFELT (1854 - 1905), Portrait
                                                                  of Louis Pasteur, 1885, Fotografia exposta atu-
                                                                  almente no Museu de Orsay, Paris, Frana.



                               Como a cincia nunca  pronta, nem acabada, 60 anos aps os ex-
                            perimentos de Pasteur, a comunidade cientfica voltou a questionar o
                            problema da origem da vida.



                     DEBATE

        Por que ser que demorou tanto tempo para os cientistas voltarem a discutir esse assunto?




114 Biodiversidade
                                                                                                                                       Biologia

    Com o passar do tempo, o desenvolvimento cientfico e o avano
da tecnologia permitiram muitas informaes a respeito do metabolis-
mo celular e isso revelou que as reaes que ocorrem dentro das clu-
las so muito complexas, mesmo numa simples bactria.
    Com o progresso da astronomia e da geologia, pelo uso do es-                                                     Espectroscpio
pectroscpio, foi possvel estudar mais a composio qumica das es-
                                                                                                                    instrumento utilizado para
trelas provocando discusses na comunidade cientfica, em relao 
                                                                                                                    analisar a decomposio da
idade da Terra e do Sistema Solar. Ao que tudo indica, o enigma da                                                  luz em Qumica, Fsica e As-
questo para conhecer a origem da vida pode estar nas condies re-                                                 tronomia.
ais da Terra primitiva (ZAIA, 2003).



  Representao do Espectroscpio criado por Robert Wi-
  lhelm Eberhard BUNSEN (1811-1899) e Gustav Robert
  KIRCHHOFF (1824-1887), profesores de Qumica e de
  Fsica na Universidade de Heidelberg, Alemanha. Fonte
  daimagem: Museu da Faculdade de Medicina, Universi-
  dade de Valenia, Espanha. Em 1860, Bunsen e Kirchhoff
  demonstraram para um grupo de gelogos como identifi-
  car elementos como ferro, cobre, chumbo, sdio e pots-
  sio em minrios, atravs da colorao da chama em um
  queimador especialmente designado e, atualmente, de-
  nominado bico de Bunsen. A amostra slida era dissolvi-
  da em gua e a soluo resultante, introduzida em uma
  chama. Pode-se estimar as concentraes dos elemen-
  tos pela comparao da intensidade das cores de solues de concentraes conhecidas com a intensidade das solues de amos-
  tra slida de minrios. Fontedotexto: OKUMURA, Fabiano, CAVALHEIRO, der T. G. e NOBREGA, Joaquim A. Experimentos simples
  usando fotometria de chama para ensino de princpios de espectrometria atmica em cursos de qumica analtica. Revista Qumica
  Nova, Set/Out 2004, vol.27, no.5, p.832-836. ISSN 0100-4042.



   Os seres vivos so constitudos, principalmente, pelos elementos
qumicos hidrognio (H), carbono (C), nitrognio (N) e oxignio (O).
E estes, segundo o bioqumico russo Alexander Ivanovich Oparin, es-
tavam presentes nas molculas dos gases da atmosfera primitiva.
   Teria a vida surgido pelas reaes entre os gases metano (CH4),
amnia (NH3), hidrognio (H2) e vapor d'gua (H2O), conforme expli-
cou Oparin, em 1922, e que, posteriormente, foi evidenciada pela ex-
perincia dos cientistas norte americanos Stanley L. Miller e Harold C.
Urey da Universidade de Chicago, em 1953? Ser que algum conse-
guiu fabricar um ser vivo no laboratrio a partir da matria inerte?



                       DEBATE

    A combinao do metano, amnia, hidrognio e vapor d'gua poderia produzir qualquer coisa,
 todas as coisas, ou s o que fosse possvel?




                       Areproduoumaconseqnciadavidaouavidaumaconseqnciadareproduo? 115
        EnsinoMdio

     Reaes qumicas                 Se a teoria de origem da vida proposta por Oparin estiver corre-
                                  ta, fica evidente que muitas reaes qumicas poderiam ter colabora-
    transformaes pelas quais
                                  do para o surgimento da vida em nosso planeta. Alguns cientistas es-
    so formadas substncias
    com propriedades diferentes   to interessados em estudar aquilo que possa levar a constituio de
    das substncias que intera-   alguma molcula que seja vital para os seres vivos, como  o caso dos
    giram.                        glicdios, lipdios, aminocidos ou estruturas mais complexas como as
                                  protenas e o DNA. O interesse que est em jogo  encontrar pistas pa-
                                  ra esclarecer a atmosfera primitiva do nosso Planeta.


                                    Masafinal,oquesoaminocidos,protenas,
                                    glicdioselipdios?
                                      Os aminocidos so considerados "blocos" construtores das prote-
                                  nas, sendo formado por uma amina e um cido carboxlico. As ami-
                                  nas so compostos derivados da amnia ou gs amonaco (NH3), pos-
                                  suem carter bsico. O cido carboxlico  todo composto formado
                                  pela combinao de um grupo carbonila (C=O) e um grupo hidroxila
                                  (OH), como resultado dessa combinao, possuem carter cido. Es-
                                  tas molculas so chamadas de aminocidos por serem formadas pela
                                  unio de uma base amina com um cido carboxlico.


                                       Funo qumica  um conjunto de compostos que apresentam o mes-
                                   mo grupo funcional. Grupo funcional  uma estrutura sub-molecular (tomo
                                   ou agrupamento atmico) que confere s molculas comportamentos qumi-
                                   cos semelhantes.




                       PESQUISA

         Pesquise o que so substncias orgnicas e quais destas substncias esto presentes nos seres
     vivos.



                                      Se os aminocidos formam as protenas, resta-nos saber como es-
                                  tas so constitudas. Ao que se sabe, as protenas formam-se a partir do
                                  encadeamento de muitos aminocidos por meio de uma ligao pep-
                                  tdica. Nessa ligao, a carboxila de um aminocido reage com a ami-
                                  na de outro aminocido, liberando uma molcula de gua, como po-
                                  demos ver no exemplo a seguir:




116 Biodiversidade
                                                                                                                  Biologia




 Esquema da formao de uma ligao peptca entre dois aminocidos.




                        PESQUISA

       Pesquise e responda: qual a utilidade das protenas para os seres vivos?



    Como j comentamos anteriormente, o experimento realizado por
Miller e Urey, em 1953, evidenciou a hiptese da origem da vida pro-
posta por Oparin e Haldane. Miller e Urey misturaram os gases meta-
no, amnia e hidrognio. Com descargas eltricas, Miller simulou raios
que seriam fonte de energia para as possveis reaes que acontece-
riam. Os frascos com gua seriam para simular
o mar. Algumas semanas aps as reaes terem
acontecido, a gua do frasco apresentava uma
colorao vermelha, e os compostos uma co-
lorao amarelada. A anlise qumica dessa so-
luo mostrou a presena de aminocidos que
podem ser considerados como blocos forma-
dores das protenas.
    Atualmente, h muitos questionamentos
ao experimento de Miller. Os gelogos expli-
cam que a atmosfera terrestre nunca foi forma-
da por gases em suas formas mais reduzidas
(CH4, NH3), mas sim, mais ou menos reduzi-
das, como o monxido de carbono (CO), o
gs hidrognio (H2), e o gs nitrognio (N2) e
isso implica num rendimento muito baixo da
produo de aminocidos. Porm, com maior
energia, algumas molculas importantes po-
dem ser produzidas a partir das protenas que  Esquema do equipamento de Miller e Urey, utilizado para testar a hiptese de
formam o DNA (ZAIA, 2003).                        Oparin e Haldane sobre a origem da vida.




                        Areproduoumaconseqnciadavidaouavidaumaconseqnciadareproduo? 117
         EnsinoMdio



                           DEBATE

        Ser que Oparin se enganou quanto aos gases da atmosfera primitiva? Se houve esse engano,
     como Miller conseguiu produzir substncias orgnicas em seu experimento?


                                            Ao que tudo indica, o "quebra-cabea" para conhecer como a vi-
                                        da surgiu, est na constituio da Terra primitiva. Se compararmos as
                                        condies da Terra com a histria evolutiva do sistema solar, a cin-
                                        cia passa a buscar respostas para algumas das maiores indagaes da
                                        humanidade: como a vida surgiu?


                           DEBATE

         Estamos ss no universo? Que condies a Terra apresentou para desencadear o processo de
     origem da vida? Seria por meio da reproduo?



                                           Se a resposta para o problema da origem da vida ainda est sendo
                                        discutida, vamos ento voltar os olhos para a questo da existncia e
                                        a estabilidade dos seres vivos no Planeta. Voc j deve ter percebido
                                        que os seres vivos habitam os mais diferentes tipos de ambientes, seja
                                        no ar, na gua, e no solo. Essa camada do planeta que abriga os seres
                                        vivos  denominada de biosfera.


                                          Solfontedeenergia!
                                           Quem nunca parou para admirar uma floresta, um jardim ou um
                                        lago? Quanta beleza! Quanta vida! Pois , esses lugares so alguns
                                        exemplos de ecossistemas que compem a biosfera. Ento podemos
                                        concluir que um ecossistema  resultante da interao entre os seres
                                        vivos (biticos) e os fatores no vivos (abiticos) num processo
                                        contnuo de busca pelo equilbrio e estabilidade da vida na Terra. Essa
    Sol, nosso Astro Rei, domina nos-   estabilidade e equilbrio no se estabelecem somente com os elementos
    sa sobrevivncia na Terra. Fonte:
    www.diaadiaeducacao.pr.gov.br
                                        do ecossistema, mas na interao com os elementos externos a ele,
                                        como  o caso da luz solar, que  fonte de energia primria para muitas
                                        das reaes que ocorrem na biosfera.




118 Biodiversidade
                                                                                              Biologia



                PESQUISA

     Mas como a energia externa do prprio ecossistema pode intervir no equilbrio da vida?
     Como esta energia  captada e repassada aos diferentes seres vivos de um ecossistema?


   Voc deve estar pensando que a luz solar no  o nico elemento
externo que ajuda no equilbrio e na estabilidade da vida nos ecossis-
temas. Pois bem, voc acertou! Existem outros elementos como a tem-
peratura, a gua, a presso, o pH, entre outros.


  Vamosfalarumpoucosobretemperatura?
    Ao que tudo indica, no universo h diferenas de temperatura de
milhares de graus, mas quase todos os seres vivos s sobrevivem den-
tro da escala de zero a 50 oC, ou menos. A temperatura pode influir na
frutificao, no crescimento e na sobrevivncia de plantas que alimen-
tam grande parte dos animais. O crescimento de capins e folhas que
servem de alimento a muitos roedores, insetos e animais herbvoros
so interferidos pelo frio prolongado na primavera, afetando assim a
sobrevivncia desses animais. Portanto, cada espcie tem seus limites
de temperatura, no suportando as exposies prolongadas ao conge-
lamento ou ao calor excessivo. (STORER, 1979)




                ATIVIDADE

     Em se tratando de influncia da temperatura na reproduo dos seres vivos, responda:
     Por que alguns animais hibernam?



    Se a reproduo  o processo que d condies para a espcie se
perpetuar, fica claro que a vida est relacionada com ela, certo? Dian-
te disso, algum pode questionar: por que alguns seres necessitam de
parceiros para se reproduzirem e outros no? Para que serve o sexo?
    Ora, poucas pessoas discordam que sexo  bom, mas quando essa
pergunta  feita pelos cientistas, a questo gera muitas controvrsias,




                 Areproduoumaconseqnciadavidaouavidaumaconseqnciadareproduo? 119
       EnsinoMdio

                            pois, para eles, a pergunta : sexo  bom para qu? O bilogo alemo
                            August Weismann, em 1889, observou que a funo do sexo talvez no
                            fosse a de permitir a multiplicao dos seres, porque muitas espcies
                            se reproduziam sem a utilizao de parceiros. Podemos comprovar is-
                            so enterrando um pedao de ramo de roseira no cho para obter uma
                            nova planta (FONSECA, 2005).

                                                      Friedrich Leopold August Weismann (1834 - 1914), bilogo ale-
                                                      mo. Ele props a existncia da barreira de Weismann. Esta bar-
                                                      reira impede, ainda que no completamente, que as clulas so-
                                                      mticas passem informaes para as clulas germinativas. Assim
                                                      sendo, ela  importante, em termos conceituais, para reforar
                                                      a teoria da seleo natural de Charles Darwin. Fonte: Edwin G.
                                                      Conklin, "August Weismann" Proceedings of the American Philoso-
                                                      phical Society, Vol. 54, No. 220. (Oct. - Dec., 1915), pp. iii-xii.




                                Na reproduo assexuada, os filhos so praticamente cpias gen-
                            ticas dos pais. Esse tipo de reproduo parece ser uma excelente for-
                            ma de um ser vivo passar seus genes aos descendentes. Muitos orga-
                            nismos, como as planrias (vermes terrestres e aquticos), conseguem
                            gerar novos seres pela fisso (separao) do corpo. Os microrganismos
                            unicelulares simplesmente se separam em dois. Alguns insetos como
                            os pulges e at mesmo alguns animais mais complexos como alguns
                            lagartos, peixes e anfbios, em determinados perodos do ano, produ-
                            zem ovos, os quais originam cpias fiis dos pais (FONSECA, 2005).


                               Entotodososseressereproduzem!
                                Alguns animais como peixes, rpteis, anfbios, insetos, entre ou-
                            tros, necessitam do ambiente como fonte de energia para manter a
                            temperatura corprea (pecilotermos ou ectotrmicos). Uma mudana
                            brusca na temperatura pode intervir na reproduo desses seres.
                                A maioria das plantas e dos animais se reproduz sexuadamente jun-
                            tando os genes da me com os do pai (reproduo cruzada). Para que
                            ocorra esse tipo de reproduo h necessidade dos gametas (clulas
                            reprodutivas), que em geral, possuem a metade do nmero de cromos-
                            somos da espcie. Assim, a fuso de um gameta feminino com um ga-
                            meta masculino, denomina-se fertilizao.


                     PESQUISA

        Voc sabe por que os testculos humanos se localizam na parte externa do corpo?




120 Biodiversidade
                                                                                                    Biologia


                                       Fotomicrografia do Trypanosoma cruzi.
                                        um importante protozorio parasi-
                                       ta, causador da Doena de Chagas
                                       transmitida por insetos, conhecidos
                                       no Brasil como barbeiros. Fonte: CDC
                                       - Centro de Controle e Preveno de
                                       Doenas, Departamento de Sade e
                    PROTOZORIO        Servios Humanos, Governo dos Es-
                                       tados Unidos.
                  Trypanosoma cruzi


    Um fato curioso  que existem seres, como os protozorios, que
contam com as duas alternativas de reproduo (sexuada e assexua-
da), mas eles optam pela forma sexuada. Ser que existe alguma van-
tagem nessa forma de reproduo? Ao que tudo indica a resposta po-
de ser sim. Vejamos por qu.
    O geneticista norte-americano Hermann Joseph Muller, em seus
estudos, julgou que as mutaes que ocorrem nos seres vivos, cau-
sam mais mal do que bem e estas se aglomeram mais rapidamen-
te em espcies que se reproduzem assexuadamente, num "caminho
sem volta". A reproduo sexuada, por consentir a mistura do mate-
rial gentico, conseguiria reverter o problema evitando conseqn-
cias prejudiciais que as mutaes podem causar. Atualmente, as mu-
taes so vistas como origem da diversidade dos seres vivos, e que,
se no forem repreendidas pela natureza, ao menos em parte, pe
em perigo a sobrevivncia, por diminurem constantemente a adapta-
o dos animais e plantas ao ambiente em que vivem (FIORAVANTI, 2005).
    Parece estar claro que a reproduo  uma caracterstica comum a            Para aumentar seus conhe-
todos os seres vivos. Independentemente da espcie, todos os seres vi-         cimentos sobre VRUS, procu-
vos se reproduzem. Ao que se sabe, os nicos seres em que h contro-           re neste Livro Didtico Pblico
vrsia se so seres vivos ou inertes, so os vrus. Sendo vivos ou no,        de Biologia, o Folhas Vrus:
os vrus so considerados parasitas obrigatrios, pois no possuem for-        "fludo venenoso"
ma de reproduo independente de seus hospedeiros. Quando esto
fora do organismo do seu hospedeiro, cristalizam-se e comportam-se
como matria inanimada.
    Para os cientistas uma coisa  certa - em todas as formas de repro-
duo dos seres vivos, o material gentico (DNA)  transmitido aos
descendentes. Estudos realizados em 2002 pelo fsico Jos Fernando
Fontanari, do Instituto de Fsica de So Carlos, explicam que as mo-
lculas de DNA podem ser as nicas molculas que na Terra primiti-
va resistiram no processo para formao dos seres vivos, e que o DNA
talvez tenha emergido de uma forte competio, com outras estruturas
qumicas capazes de reproduzirem a si mesmas (FIORAVANTI, 2005).




               Areproduoumaconseqnciadavidaouavidaumaconseqnciadareproduo? 121
       EnsinoMdio


                                 O professor Jos Fernando Fontanari  Bacharel em Fsica pela Univer-
                             sidade Federal do Rio Grande do Sul (1985), Doutor em Fsica pelo IFQSC/
                             USP (1988). Atualmente  professor titular no Instituto de Fsica de So Car-
                             los, Universidade de So Paulo. Participa do Grupo de Pesquisa em Fsica
                             Terica, onde desenvolvem projetos sobre: "Modelos tericos de evoluo
                             pr-bitica (origem da vida)"; "Modelos tericos de ecossistemas microbiais",
                             e "rvores genealgicas e inferncia ancestral em gentica de populaes".
                                                                                   Fonte: www.ifsc.usp.br


                               O sucesso da resistncia do DNA foi porque houve cooperao en-
                           tre essas molculas quando se replicaram, o que no aconteceu com as
                           outras molculas, que por algum motivo eram incapazes de prestar aju-
                           da entre elas, assim, acabaram desaparecendo. Esse processo pode ser
                           classificado como seleo natural. Aps o processo de seleo entre as
                           molculas mais aptas,  que comearam a se formar os primeiros seres
                           vivos na Terra, provavelmente, h 4,5 bilhes de anos (FIORAVANtTI, 2005).


                     DEBATE

        Ser que a vida pode ter surgido da reproduo de molculas?



                              VamosfalarumpoucosobreBiotica?
                               H menos de duas dcadas, a biotica est fazendo parte da tra-
                           jetria da sociedade e vem crescendo muito nos ltimos anos. Ela
                           surgiu da necessidade de se discutir moralmente os efeitos resultan-
                           tes dos avanos tecnolgicos das cincias, principalmente, na rea
                           da sade, assim como os pacientes e os aspectos tradicionais da re-
                           lao de profissionais desta rea. A biotica pode ser considerada a
                           tica profissional dos mdicos e dos cientistas das cincias que tm
                           por objeto os seres vivos.
                               A partir do sculo XX, os avanos cientficos e tecnolgicos cresce-
                           ram rapidamente. Atualmente, o homem est manipulando condies
                           para que a vida se mantenha. Algumas formas de reproduo humana
                           esto sendo desenvolvidas em laboratrio, principalmente, para aten-
                           der casais que por alguma razo no podem ter filhos, como  o caso
                           da reproduo assistida.
                               A reproduo assistida  uma tcnica utilizada, atualmente, para
                           produzir embries humanos em laboratrio. Esse assunto gera muitos
                           debates, principalmente referindo-se a questes ticas.



122 Biodiversidade
                                                                                                                    Biologia


      Dentre as tcnicas de reproduo assistida, a inseminao artificial po-
 de ser considerada a mais simples e a mais prxima do processo natu-
 ral. Todavia, para o casal receber esta forma de tratamento, a mulher deve
 apresentar tubas uterinas ntegras e o homem, no mnimo 5 x 106 esperma-
 tozides mveis.
      Uma vez devidamente estudado o casal, e indicada a inseminao artifi-
 cial, o tratamento comea com a estimulao controlada dos ovrios.
                                      Fonte: http://www.unifesp.br/grupos/rhumana/iiu.htm


     comum numa unio de um homem com uma mulher a seguinte
pergunta: Quando chega o beb? De certa forma, existe uma presso
da sociedade no casal, principalmente sobre a mulher, em relao 
procriao. A infertilidade conduz  discriminao, que refora o sen-
timento de inferioridade e de culpa na mulher, alm da estrutura fami-
liar que  abalada quando o casal no pode ter filhos.
    A reproduo assistida possibilita aos casais com problemas de in-
fertilidade a realizar um dos mais desejados sonhos da humanidade  a
procriao. Porm algumas questes so fortemente discutidas quando
um casal opta pela inseminao artificial, como por exemplo, o alto in-
vestimento financeiro e os riscos de vida aos quais a mulher e o futuro
beb estaro sujeitos. Neste caso, ao invs do casal fazer a inseminao
artificial, por que eles no adotam uma criana?




                DEBATE

     Existem muitas crianas necessitando um lar para viver. A adoo no seria mais til? Existem
 leis para a adoo?




    A busca incansvel por novos conhecimentos cientficos sempre
preocupou a humanidade. Isso gerou necessidade de impor alguns li-
mites ticos e morais, no para impedir o desenvolvimento e o pro-
gresso dessa nova tecnologia reprodutiva, mas para controlar sua uti-
lizao.

     Todo cuidado deve ser tomado para no cair na tcnica pela tcnica, ou
 seja, na desumanizao e artificializao do processo da reproduo humana.

                                                                                             Experincia laboratorial. Fonte:
                                                                                             www.diaadiaeducacao.pr.gov.br




                 Areproduoumaconseqnciadavidaouavidaumaconseqnciadareproduo? 123
       EnsinoMdio

                                O Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou algumas leis
                            de utilizao das tcnicas de reproduo assistida em 1992, atravs da
                            Resoluo CFM n 1.358/92. Essa Resoluo determina alguns critrios
                            ticos e tcnicos que devem ser seguidos por todos os mdicos brasi-
                            leiros que utilizam esse meio de reproduo.
                                Ao todo so seis critrios para a realizao da tcnica de reprodu-
                            o assistida, segundo NETO (1998):
                            1- Necessidade de vnculo matrimonial: deve-se considerar a estabili-
                               dade e a efetividade do casal;
                            2- Doao de gametas:  indicada nos casos em que no h gametas
                               em ambos ou em um dos componentes do casal;
                            3- Nmero de embries transferidos: no Brasil limitou-se a transfern-
                               cia de at quatro embries por cada procedimento;
                            4- Criopreservao de gametas e embries: no Brasil, a Resoluo re-
                               gulamenta que os embries que no so utilizados, aps a transfe-
                               rncia a fresco, no devem ser descartados;
                            5- Diagnstico gentico in vitro: as tcnicas de reproduo assistida
                               podem ser utilizadas no diagnstico e tratamento de doenas gen-
                               ticas, quando indicadas, e com garantias de sucesso;
                            6- A gravidez de substituio: no Brasil, a Resoluo permite a utiliza-
                               o desde que exista impedimento fsico ou clnico para que a mu-
                               lher, doadora gentica, possa levar a termo uma gravidez.



                     DEBATE

         Diante desses critrios algumas indagaes podem ocorrer: o homem  um objeto da Cincia?
     Se a Cincia lida com fatos observveis, ou seja, com acontecimentos e seres em laboratrio, en-
     to, nesse caso, o homem passa a ser objeto de experimentao?



                                 O homem  livre, dotado de razo e de vontade,  capaz de criar
                            valores e fins, fazer suas prprias escolhas diante de vrias opes. Co-
                            mo explicar cientificamente um ser que  livre e que age por liberda-
                            de? Como transform-lo em objeto, sem destruir sua principal caracte-
                            rstica  a subjetividade?




124 Biodiversidade
                                                                                                 Biologia

     A interveno da cincia e da tecnologia na reproduo humana constitui um problema tico a me-
 dida que interfere nos valores da famlia e no respeito aos direitos humanos. Os problemas ticos, de-
 correntes da interferncia da cincia na reproduo humana, podem ser assim enunciados: " utilizao
 do consentimento informado; a seleo de sexo; a doao de espermatozides, vulos, pr-embries
 e embries; a seleo de embries com base na evidncia de doenas ou problemas associados; a
 maternidade substitutiva; a reduo embrionria; a clonagem; pesquisa e criopreservao (congela-
 mento) de embries" (GOLDIN, 2005, p. 01).


    Um exemplo de problema tico muito discutido, atualmente,  a
utilizao das tcnicas de reproduo medicamente assistida em ca-
sais com problemas de infertilidade. Uma demanda com o objetivo de
proteger parceiros de mulheres portadoras do vrus HIV, j foi encami-
nhada a vrios servios que utilizam essa tcnica de reproduo. Nes-
se caso o uso da reproduo assistida seria utilizado a fim de proteger
o parceiro de uma possvel contaminao, o que permitiria ao casal a
possibilidade de ter filhos.
    Ao que se sabe, antes desta demanda, no existiam mtodos adequa-
dos de tratamento dessa doena nem a preveno para o beb, portan-
to, era invivel ter filhos, o casal em que a mulher era portadora do vrus
HIV, pois seria colocar em grande risco de contaminao uma terceira
pessoa  o beb. O resultado dessa demanda foi uma diminuio no ris-
co de transmisso dessa doena, permitindo aos profissionais, portado-
res, parceiros e Comits de Biotica, uma nova discusso deste tema.


     Esses problemas ticos instigam a necessidade de pensar, a partir da tica, o significado da vida.
 Uma questo que parece ser importante para reflexo: "quando a vida comea?". Existem aqueles que
 defendem que a vida tem incio na reproduo, ou seja, na unio dos gametas, feminino e masculino.
 Outros afirmam que o incio da vida comea no momento em que o zigoto se fixa na parede intra-uteri-
 na (nidao). O importante  perceber que a posio adotada pelo cientista tem implicaes ticas, ou
 seja, sua atividade cientfica no  neutra quando interfere na forma de concepo da vida humana.




                DEBATE

     Faa uma reflexo sobre os problemas ticos citados acima e a seguir responda: que benef-
 cios a interferncia da Cincia, na reproduo humana, trar para a humanidade? Esses benefcios
 superaro os malefcios?




                Areproduoumaconseqnciadavidaouavidaumaconseqnciadareproduo? 125
       EnsinoMdio

                      RefernciasBibliogrficas
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                      ObrasConsultadas
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                      Interessante, n. 187, 2003.


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126 Biodiversidade
                                                               Biologia



ANOTAES




Areproduoumaconseqnciadavidaouavidaumaconseqnciadareproduo? 127
       EnsinoMdio




128 Biodiversidade
                                                                                                  Biologia




                                                                                           8
                                                                 DNA: A LONgA
                                                                CADEIA DA VIDA
                                                                                       Iara Suyama Ferrari1


                                                                      oc j parou para pensar como a
                                                                     gentica faz parte do nosso coti-
                                                                   diano? Todos ns, de certa forma,
                                                                 somos ao mesmo tempo muito seme-
                                                              lhantes e diferentes uns dos outros. Mas,
                                                           quando se trata da questo aparncia por
                                                          descendncia a "histria" muda, pois os or-
                                                          ganismos vivos pertencentes  mesma esp-
                                                          cie no so geneticamente iguais.
                                                             Quem nunca se olhou e ficou procuran-
                                                          do alguma semelhana que lembrasse seus
                                                          pais ou parentes?
                                                             Quem nunca parou para pensar qual a
                                                          chave que d acesso  natureza das coisas
                                                          vivas?




Colgio Estadual Getlio Vargas - Iracema do Oeste - PR
1




                                                                               DnA:alongacadeiadavida 129
        EnsinoMdio

     Os genes so responsveis            Pois , essas semelhanas esto contidas nos "fatores" (genes) que
    por tudo que somos: influen-      se encontram na "chave" que acessa a natureza viva, ou seja, nas clu-
    ciam o funcionamento e o          las de todos os organismos vivos.
    desenvolvimento dos nossos
                                          Com certeza voc j viu, ou ouviu, em algum lugar, que todos os se-
    rgos, determinam a pro-
                                      res vivos tm como sua menor parte, uma estrutura chamada clula.
    duo de protenas do nosso
    corpo, nos conferem caracte-
    rsticas como cor da pele, cor
    dos cabelos, tamanho dos                                                           O ser humano possui
    dentes, tipo sangneo...                                                          cerca de 100 trilhes
                                                                                       de clulas...
                                                                                       Dentro das clulas, es-
                                                                                       t o ncleo...
                                                                                       No interior do ncleo,
                                                                                       os cromossomos...
                                                                                       Nos cromossomos en-
                                                                                       contramos os genes...
                                                                                       Os genes so forma-
                                                                                       dos pelo DNA.
                                            Representao do mate-
                                            rial gentico de uma c-
                                            lula eucaritica.

     Organismos multicelu-                Para compreender melhor, vamos fazer uma comparao. Imagine
    lares: so organismos cons-       uma casa! Para constru-la o pedreiro organiza os tijolos, que em conjun-
    titudos por mais de uma c-      to formam as paredes. Estas paredes formam os diversos cmodos, que
    lula.                             agrupados, em ltima instncia formam a casa. Com os organismos vi-
                                      vos multicelulares acontece algo semelhante: as clulas se agrupam para
     O ncleo celular  for-          formar os diferentes tecidos, estes por sua vez formam os rgos e siste-
    mado por membrana nucle-          mas, que finalmente, em conjunto, formam o organismo.
    ar, cariolinfa, cromatina e nu-       As clulas possuem "partes menores". So as organelas e os com-
    clolo.                           postos celulares que juntos desempenham vrias funes em seu me-
                                      tabolismo, permitindo desta forma a continuidade da vida.
     Para aprofundar seus co-             Mas quem tange, com maestria, este fascinante e complexo mun-
    nhecimentos sobre CLU-           do celular?
    LA, leia neste Livro Didtico         Como voc deve ter notado na parte central da clula fica o seu n-
    Pblico o Folhas "Clula:         cleo. Nele esto contidas vrias informaes inerentes  vida numa rede
    que unidade  essa que
                                      filamentosa chamada cromatina. A cromatina  formada pela molcula
    constitui e mantm to-
                                      de cido desoxirribonuclico (DNA) que durante a diviso celular se en-
    dos os seres vivos?".
                                      rola e se condensa, tornando-se identificvel. As estruturas formadas so
                                      os cromossomos que tem por finalidade carregar os genes.
                                          A palavra cromossomo foi proposta pelo bilogo Wilhelm Waldeyer-
                                      Hartz em 1888, cujo significado em grego  "corpo colorido". Isso por-
                                      que ao se observar uma clula corada ao microscpio, percebe-se um
                                      emaranhado de fios coloridos localizados no interior do ncleo.


130 Biodiversidade
                                                                                                              Biologia


                ATIVIDADE

     Com seu professor, realize o seguinte experimento:
     Raspe com um "palitinho" um pouquinho de sua mucosa bucal e coloque sobre uma lmina de vi-
 dro, pingue uma gota de azul-de-metileno ou iodo (lugol). Observe ao Microscpio ptico. A mancha
 escura que voc v no centro das clulas  o ncleo, e dentro dele esto os cromossomos.




    interessante saber que um
cromossomo  formado por uma
nica molcula de DNA, associada
s molculas de protenas. Essas
longas cadeias de DNA possuem
os cdigos para a "fabricao" de
todas as protenas do organismo.
Portanto, gene  cada parte do
DNA que possui essa informao,
nos cdigos, para a formao da
protena. Observe ao lado:




                                            Esquema do mecanismo de produo de protena.


                DEBATE

     Qual o segredo para que toda a vida do Planeta seja mantida?


  Desvendandoosegredodavida:amolculadoDnA
     A procura de respostas para decifrar o segredo da vida  muito anti-
ga. Desde 400 a.C., Hipcrates, filsofo grego, explicou que as caracte-
rsticas adquiridas pelos pais eram transmitidas aos filhos. No ano 340
a.C. Aristteles observou que as caractersticas hereditrias eram mais
semelhantes s dos avs do que s dos pais.
     Em meados do sculo XIX, os cientistas identificaram a existncia
do DNA, mas no se conheceu sua estrutura nem o seu funcionamen-
to. Friedrich Miescher, bioqumico, em 1869, pesquisando bandagens
                                                                                        Aristteles de Estagira, 384 a.C.
cheias de pus, isolou uma substncia que denominou "nuclena". Mais                      322 a.C. filsofo grego, um dos
tarde descobriu que essa substncia s era encontrada no cromossomo.                    maiores pensadores de todos os
                                                                                        tempos. Fonte: GNU Free License,
Quando percebeu a importncia de sua faanha, em 1893, escreveu:                        www.wikipedia.org


                                                                                  DnA:alongacadeiadavida 131
         EnsinoMdio


                                               "A hereditariedade garante, de gerao a gerao, uma continuidade de
                                           forma num nvel ainda mais profundo que o da molcula qumica. Faz parte
                                           dos grupos atmicos estruturais. Nesse sentido, sou partidrio da teoria da
                                           hereditariedade qumica" (WATSON, 2005, p. 49).


                                              Por vrias dcadas, esse mistrio no foi revelado at que, em 1930,
                                          foi possvel mostrar que o DNA  uma molcula muito longa contendo
                                          quatro bases: adenina (A), guanina (G), timina (T) e citosina (C).
                                              Em 1935, Alan Turing desenvolveu um trabalho que fornecia a ba-
                                          se da moderna teoria do computador: a linguagem binria. Porm, na
                                          poca, sua proposio no foi considerada pela academia, a no ser
                                          por uns poucos matemticos. Paralelamente aos estudos de Turing,
                                          Watson e Crick preparavam-se para decifrar a estrutura do DNA, no
                                          havendo troca de idias entre eles para saber em que pesquisa cada
    James Watson e Francis Crick          qual estava imerso (HOBSBAWN, 1995).
    com um modelo da molcula do
    DNA, a dupla-hlice. Fonte: Ima-          Dezoito anos mais tarde, Watson e Crick relacionaram a decifrao
    gem disponvel na Academy of
                                          do cdigo gentico  teoria matemtica proposta por Turing, ou seja, uti-
    Achievement, Museum of living
    history, Washington, EUA.             lizaram a teoria binria para explicar a estrutura da molcula de DNA.
                                              No ano de 1944  publicado o livro "O que  a vida?", escrito por
                                          Erwin Schrdinger, relatando que a vida era escrita num cdigo secre-
                                          to. Esta obra inspira James Watson e Francis Crick a entender o "fen-
                                          meno vida".
                                              Linus Pauling (qumico), em 1953, publica um artigo onde esboa
                                          a estrutura de DNA com trs hlices. Watson discorda deste modelo,
                                          para ele a molcula era formada por duas cadeias, onde as bases es-
                                          tariam ligadas por hidrognio (H). Fica ento a indagao: "Mas como
                                          poderiam se juntar em pares?"
                                              Numa manh de sbado, 28 de fevereiro de 1953, no laborat-
                                          rio Cavendishi, da Universidade de Cambridge, James Watson con-
    Modelo original da demonstrao
                                          segue finalmente desvendar o fascinante segredo da vida. Brincando
    de Watson e de Crick da dupla-h-     com seu quebra-cabea tridimensional, percebe que os nucleotdeos
    lice. Fonte: Imagem disponvel na     se emparelham sempre da mesma forma, isto , adenina com timina
    Academy of Achievement, Museum
    of living history, Washington, EUA.   e citosina com guanina. Crick, imediatamente, consente num modelo
                                          de bases emparelhadas. A proposio deste modelo abre um imen-
                                          so e novo horizonte de pesquisas. E no h exageros, a Biologia Mo-
                                          lecular dominou por completo o campo da Biologia no sculo XX e
                                          continua dominando.




132 Biodiversidade
                                                                                               Biologia

    Desta forma, a linguagem que escreve a vida  semelhante ao c-        Biologia Molecular  a
digo binrio ou ao cdigo Morse. Porm, em vez de termos pontos e         parte da Biologia que estuda
traos, como no cdigo Morse, temos uma srie de adeninas, timinas,       os fenmenos vitais molecula-
citosinas e guaninas.                                                     res (os cidos nuclicos, pro-
    Quando copiamos algo  comum cometermos erros. Na escrita da          tenas, etc.) e o modo como
vida, estes equvocos tambm podem acontecer, quando transcritos. O       os genes so manipulados, se
                                                                          regulam e se expressam.
modelo da dupla-hlice leva ao entendimento que a vida  uma sim-
ples questo de fsica e qumica, sendo o DNA responsvel pela he-
rana gentica.




               PESQUISA

   Faa uma pesquisa sobre os temas DNA ou Evoluo em livros de Biologia Geral ou Gentica Hu-
 mana e responda:
    Qual o segredo das mutaes ocorridas com as espcies ao longo de todo o caminhar rumo 
 Evoluo?



    Watson e Crick pesquisaram muito at que, finalmente, propuseram
um modelo para to inusitada molcula, o DNA, que se tornou o pro-
tagonista da VIDA.
    Hoje, graas aos estudos de Watson e Crick, sabemos que esta incr-
vel molcula  uma dupla-hlice formada por uma desoxirribose, um
radical fosfato (PO4-3) e pelas bases nitrogenadas: adenina e guanina
(bases pricas), timina e citosina (bases pirimdicas).
    Na molcula de cido fosfrico (H3PO4), de onde deriva o on fos-
fato (PO4-3), ocorre ligaes covalentes. Nelas ocorre o compartilha-
mento de um par eletrnico por dois tomos. Estas ligaes ocorrem
porque h interaes entre as eletrosferas dos tomos participantes na
busca por sua estabilidade.
    Mas o que significa estabilidade do ponto de vista da Qumica?
     um conceito que surge em funo da natureza dos elementos
qumicos. Os elementos mais estveis da natureza so os gases nobres
que tm oito eltrons na ltima camada eletrnica, com exceo do
hlio (He) que tem dois. So to estveis que dificilmente se combi-
nam com outro elemento.




                                                                      DnA:alongacadeiadavida 133
       EnsinoMdio


                            Fique por dentro ...
                          O hidrognio  um elemento qumico pertencente  famlia 1 (I A), por-
                      tanto possui um eltron na sua ltima camada.
                         O fsforo (P) pertence  famlia 15 (V A), possui cinco eltrons na ltima
                      camada eletrnica.
                         O elemento oxignio (O) possui seis eltrons na sua ltima camada, per-
                      tencendo  famlia 16 (VI A).


                         Com a ligao covalente o elemento hidrognio (H) fica com dois
                     eltrons na ltima camada, como o hlio (He), um gs nobre. Os ele-
                     mentos fsforo (P) e oxignio (O) adquirem a distribuio eletrni-
                     ca dos demais gases nobres com configurao mais prxima (oito el-
                     trons na ltima camada).
                         Da mesma forma, para a formao da desoxirribose, os tomos car-
                     bono (C), oxignio (O) e hidrognio (H), se unem atravs de ligaes
                     covalentes. Veja:
                                                                           OH
                                                                   H       C    H
                                                   HO          O
                                                       C               C
                                                   H       H       H        H
                                                           C       C
                                                       H               OH


                         Finalmente temos as bases nitrogenadas. As bases pricas so es-
                     truturas qumicas formadas por duas cadeias fechadas, tambm deno-
                     minadas, anis. So elas: adenina (A) e guanina (G).


                                   NH2                                               O
                                   C               N                                 C             N
                              N           C                                H    N         C
                                                       C H                                             C H
                        H     C           C                                     C         C
                                   N               N                           NH2   N             N
                                                   H                                               H
                                     adenina (A)                                     guanina (G)


                        Formando as bases pirimdicas, temos quatro tomos de carbono
                     e dois de nitrognio em uma cadeia fechada. No DNA temos a citosi-
                     na (C) e a timina (T).



134 Biodiversidade
                                                                                                 Biologia


                       NH2                          O            H
                        C                           C         C H
                N                  C   H     HN             C H

                C                  C   H       C            C    H
            O           N                  O        N
                       H                            H
                    citosina (C)                    timina (T)



    De posse de todos os "ingredientes" vamos montar a molcula
de DNA?
    Para a formao de um nucleotdeo, que chamaremos carinhosa-
mente de "menor poro do DNA", o acar desoxirribose une-se a
uma base nitrogenada liberando uma molcula de gua (H2O), assim
como, h a liberao de uma molcula de gua na unio do cido fos-
frico com a pentose.




                ATIVIDADE

     Transcreva as frmulas das molculas de cido fosfrico, pentose, desoxirribose, e de uma base ni-
 trogenada. A seguir, seguindo as pistas dadas, tente montar um nucleotdeo.



   Voc pensa que est tudo pronto? Ainda no! Resta-nos unir v-
rios nucleotdeos atravs da polimerizao, ou seja, da ligao de
vrias molculas pequenas (nucleotdeos) formando uma molcula
grande, isto , uma cadeia nucleotdica de DNA.
   Mas, se o DNA  formado por duas cadeias... Onde est a outra?
   Bem, a segunda cadeia de DNA  formada a partir da primeira, com
os pareamentos entre a adenina e a timina e, a citosina com a guanina.
Esta cadeia, assim como a anterior,  composta pelo fosfato (derivado
do cido fosfrico), desoxirribose e bases nitrogenadas. O pareamen-
to A T e C  G, se d pelas de pontes de hidrognio.




                                                                            DnA:alongacadeiadavida 135
        EnsinoMdio

     Pontes de hidrognio  a interao            Estas ligaes, onde a A sempre pareia com a T e a C com
    entre molculas que apresentam o to-       a G, acontecem porque as duas bases pricas no conseguem
    mo de hidrognio (H) com molculas que      se ajustar, assim como as duas pirimdicas tambm no; ha-
    apresentam tomos de flor (F), oxignio    vendo ainda a incompatibilidade da existncia das pontes de
    (O) ou nitrognio (N), elementos que so    hidrognio entre as bases, onde a adenina e a timina pos-
    altamente eletronegativos, dando origem a   suem trs pontes, e a citosina e a guanina, duas. Isto nos leva
     dipolos muito acentuados.                  a constatar que se conhecendo uma das cadeias, conseqen-
                                                temente, conhece-se a outra.

                        ATIVIDADE

        Voc j percebeu que o DNA  a essncia da vida. Como voc justifica o fato de que ao se
     conhecer a quantidade de uma das bases nitrogenadas, por conseguinte conhecemos a quantidade
     das outras? Exemplifique.

                                        Pense em uma enorme escada de cordas em caracol. Pois bem, a mo-
                                    lcula de DNA assemelha-se a ela, onde os corrimos (cordas) seriam for-
                                    mados por molculas alternadas de fosfato e desoxirribose e os degraus
                                    seriam as bases nitrogenadas ligadas entre si por pontes de hidrognio.




                                                         Representao da molcula de DNA em diferentes propores.

                                        Agora sim, temos uma molcula de DNA... Porm, a histria continua...

         Mas, antes de continuarmos, conhea algumas curiosidades:
         1. Agora que voc j descobriu que "gene  uma poro de DNA cromossmico capaz de determi-
     nar a sntese de protena", que tal fazer um experimento e ver o tal de DNA?
          Colocar um morango em um saco plstico e amass-lo. Adicionar 20 ml de detergente incolor e
     uma colher (ch) de cloreto de sdio (sal de cozinha), coar com um pedao de gase.  mistura coada,
     adicionar 40 ml de lcool e mexer. Deixar por alguns minutos. As estruturas esbranquiadas que sobem
     e ficam sobre a mistura so filamentos de DNA.



136 Biodiversidade
                                                                                               Biologia


     2. Voc sabia que ...
     O nmero de cromossomos, em geral,  constante em cada espcie? No  porque um ser vivo 
 grande que ele possui mais cromossomos. A Drosophila melanogaster (mosca-das-frutas) foi o primei-
 ro organismo vivo a ter o seu nmero de cromossomos determinado - oito. Isto levou a crer que quan-
 to menor o organismo vivo menos cromossomos, quanto maior, mais cromossomos. Com o estudo do
 genoma esta idia foi sendo desconsiderada, porque se percebeu que essa relao no era verifica-
 da nas observaes feitas no diferentes organismos. Dentro da mesma espcie os organismos se as-
 semelham em 99,9% de seu genoma. Apenas 0,1% varia nos diferentes indivduos em funo da com-
 binao dos genomas dos pais.

     3. Voc sabia que ...
     H cerca de trs bilhes de letras qumicas no genoma? Se este texto fosse lido ao ritmo de uma
 palavra por segundo, durante oito horas por dia e em todos os dias da semana, seria preciso um s-
 culo para que a leitura fosse concluda. O genoma humano tem o tamanho de 800 Bblias. Digitalizado,
 caberia num simples DVD.

     4. Voc sabia que ...
     Se todo o DNA de uma pessoa fosse esticado, seria possvel fazer uma viagem de ida e volta ao
 Sol 600 vezes.


   A engenhosa molcula de DNA  capaz de duplicar. Esta ao ocor-
re quando a clula encontra-se na fase S da intrfase, ou seja, no mo-
mento de sntese que antecede a diviso celular. A duplicao do DNA
 chamada de semiconservativa, isto porque cada filamento da mol-
cula de DNA (original) serve de molde para a formao de duas novas.
Sendo assim, metade da molcula nova formada,  na verdade metade
da original e metade da nova.
   Este processo  fundamental para a vida, explicando a grande se-
melhana existente entre as vrias geraes de uma espcie, j que o
conjunto de DNA que um indivduo possui mantm-se quase inaltera-
do ao se transferir de pais para filhos.
   Para a duplicao, o DNA conta com ajuda da enzima catalisado-
ra DNA-polimerase que, aps o rompimento das pontes de hidrognio
com conseqente separao das duas cadeias de DNA, entra em ao.
Ela age como um guia, pareando as bases nitrogenadas.


  Ahistrianoterminou...entraemcenaoRnA...
    O cido ribonuclico (RNA)  encontrado tanto no ncleo como no ci-
toplasma da clula. Possui em sua formao o cido fosfrico, a pentose
ribose e as bases nitrogenadas: adenina e guanina (bases pricas), citosi-
na e uracila (bases pirimdicas). Assim como no DNA, a pentose ribose se
une a uma base nitrogenada liberando uma molcula de gua, e o cido
fosfrico com o acar ribose, tambm com a liberao de uma molcula
de gua, temos ento, o nucleotdeo de RNA ou ribonucleotdeo.

                                                                          DnA:alongacadeiadavida 137
       EnsinoMdio

                        Ao contrrio do DNA, o RNA  composto por uma nica cadeia. Esta
                     cadeia  transcrita a partir de uma das cadeias do DNA com o auxlio da
                     enzima RNA-polimerase. Para a transcrio da molcula de RNA, a cadeia
                     de DNA se abre e em uma de suas "fitas" vo se encaixando os nucleot-
                     deos de RNA com a seguinte afinidade: G  C e A  U, pois no RNA no
                     temos a timina. Terminada a transcrio, o RNA, agora chamado de men-
                     sageiro (RNA-m)  liberado e o DNA retorna  sua estrutura inicial.


                       QualaparticipaodoRnAnahistriadavida?
                         As informaes para a produo de protenas encontram-se no n-
                     cleo, mais precisamente no DNA. Mas, a produo das protenas ocor-
                     re principalmente no citoplasma. Ento, aps a formao da molcula
                     de RNA-m, ele  liberado para levar a mensagem ao citoplasma que se-
                     r traduzida nos ribossomos. Estes ribossomos so formados por mui-
                     tas protenas associadas com um tipo especial de RNA, o RNA-riboss-
                     mico (RNA-r). Temos, ainda, um terceiro tipo de RNA, o transportador
                     (RNA-t) que fornecer a ligao molecular entre a seqncia de bases
                     do RNA-m e a seqncia de bases da protena, assim, as mensagens
                     contidas no RNA-m vo sendo traduzidas para outra linguagem.




                                         Esquema do mecanismo de transcrio do DNA.


138 Biodiversidade
                                                                                               Biologia

   Juntos, DNA e RNA realizam as mais inusitadas faanhas no orga-
nismo. Mas o RNA tem suas especificidades, podendo ser de trs tipos:
ribossmico, mensageiro e transportador.



                PESQUISA

     Aprofunde seus conhecimentos realizando uma pesquisa sobre os trs tipos de RNA, em livros de
 Biologia.
    Qual a diferena estrutural, a localizao e a funo de cada um dos RNAs?
    Que relao o RNA mantm com o DNA na sntese de protenas?


    O conhecimento sobre o DNA continua estimulando pesquisas.
Neste sentido, o Projeto Genoma vem proporcionando  humanidade
grandes benefcios, na busca pela elucidao dos segredos do DNA.
    O Projeto Genoma trata de levantamentos completos de todos os
genes de um organismo. A idia teve incio nos anos 50, quando cien-
tistas americanos tentavam entender os efeitos da radioatividade entre
as vtimas da bomba atmica, pois, quando as clulas so submetidas
a quantidades elevadas de radiao, o efeito muitas vezes provoca al-
teraes nas molculas de DNA, o que torna o dano irreversvel.
    A exploso da bomba atmica em 1945  um exemplo visvel dos
efeitos causados pela radiao nas clulas. Uma alta porcentagem de
filhos de mulheres que estavam grvidas, e que porventura se encon-
travam nas proximidades de 2 km de distncia da exploso, morreram
antes do nascimento. Dos que nasceram vivos, 25% morreram entre o
primeiro ano de vida, e dos sobreviventes, 25% apresentaram anorma-
lidades do sistema nervoso central (GARCIA, 1991).
    Este projeto s se tornou vivel depois que a Cincia aprendeu as
tcnicas da pesquisa gentica e desenvolveu tecnologias para o se-
qenciamento das bases qumicas de um DNA cuja combinao vai
constituir um gene.

    Em 1990, teve incio um grande esforo internacional com o objetivo de
 mapear e seqenciar todos os genes que constituem os seres humanos, o
 que s foi possvel graas  ajuda de especialistas em Fsica, Engenharia e
 Computao.
    O registro da posio de cada gene nos 23 pares de cromossomos e a
 determinao da ordem de ocorrncia dos nucleotdeos que compem ca-
 da um deles foi uma conquista que certamente causar grande impacto na
 preveno e tratamento de muitas molstias que afligem os homens desde
 os primrdios da humanidade (PEREIRA, 2005).



                                                                               DnA:alongacadeiadavida 139
        EnsinoMdio

                                        O armazenamento dessas informaes em bancos de dados e o de-
                                    senvolvimento de ferramentas eficientes para analis-lo com certeza
                                    abrir novos caminhos para as pesquisas biolgicas.
                                         Como parte deste empreendimento, esto sendo desenvolvidos es-
                                    tudos com outros organismos, principalmente microorganismos, para
                                    desenvolver tecnologia e auxiliar na interpretao da gentica humana
                                    e de todos os seres vivos.
                                        O Projeto Genoma Humano tem como objetivo principal construir
                                    uma srie de diagramas de cada cromossomo humano, com resolues
                                    cada vez mais apuradas.
                                        As experincias genticas decorrentes do Projeto Genoma Humano
                                    trazem grandes implicaes no campo da tica  nossa sociedade.
                                        A tica  a teoria, a investigao e a explicao do conjunto compor-
                                    tamental das normas conquistadas pelo homem em sociedade. Ela pro-
                                    cura dar explicaes da natureza, dos fundamentos e da condio moral,
         Legal! Vdeo...
                                    relacionando-as com as necessidades sociais do homem (VAZQUEZ, 2004).
         Junto com seu                  Com a descoberta do DNA e do processo de produo de prote-
     professor organize a           nas, a resposta para a questo do funcionamento do gene parece sim-
     turma para assistir o          ples, desta forma os genes determinam os traos biolgicos e o com-
     filme GATTACA: A               portamento, e cada gene corresponde a uma enzima especfica. Esta
     experincia Gen-              idia leva a oposio entre a estrutura terica e a realidade biolgica.
     tica (EUA, 1997, Columbia          Esse olhar "exagerado" sobre o DNA tem praticamente impedido
     Pictures - direo de Andrew   que os bilogos olhem para o organismo como um todo, vendo-o sim-
     Niccols).                      plesmente como um conjunto de genes, os agentes causais de todos os
                                    fenmenos biolgicos (CAPRA, 2002).
                                        O filme "GATTACA: A experincia Gentica" aborda a questo de
                                    "ver" o ser humano como um simples conjunto de genes, ele discute
                                    sobre uma sociedade obcecada com a perfeio gentica, onde exis-
                                    tem dois tipos de seres humanos: uma classe dominante, os genetica-
                                    mente perfeitos (concebidos em laboratrios) e, uma subclasse os ge-
                                    neticamente imperfeitos (seres humanos concebidos de forma natural).
                                     elite gentica estariam reservados os melhores e mais lucrativos em-
                                    pregos, aos inferiores, empregos subalternos. Essas informaes gen-
                                    ticas eram obtidas atravs de anlises aprimoradas do DNA.

                         DEBATE

        Depois de terem assistido ao filme sugerido, construam argumentos sobre as questes abaixo
     para debat-los em sala com os seus colegas.
        Que problemas ticos a formao de classes genticas artificiais podero suscitar, numa socie-
     dade como a nossa? Justifique.
         As chamadas "filosofias da natureza" investigam se existe uma natureza cujas caractersticas se
     mantenham para alm das intervenes humanas. Como voc analisa os efeitos do aprimoramen-
     to gentico humano (eugenia) na sociedade?
       O conhecimento acerca do DNA pode intervir no processo de constituio de uma sociedade?
     Como?

140 Biodiversidade
                                                                                                     Biologia

    Hoje, desvendando os cdigos secretos do DNA,  possvel inocen-
tar um indivduo condenado injustamente, bem como reconhecer, com
preciso, uma paternidade duvidosa. Para atingir estes objetivos usa-se a
tcnica do "DNA fingerprinting" ou "identificao genmica", descober-
ta pelo geneticista britnico Alec Jeffreys. Essa impresso
digital permite, ainda, determinar se dois gmeos so real-
mente idnticos. Esta informao  imprescindvel nos ca-
sos de transplantes, alm de fornecer dados em questes
relacionadas aos enxertos de medula ssea, pois muitas
vezes ocorrem mutaes to pequenas e imperceptveis, o
que no vem a acarretar uma anomalia.
    A impresso digital do DNA imputa criminalmente um
indivduo, dando o veredicto cientfico. No entanto, na
maioria dos julgamentos levam-se em considerao ou-
tros fatores, alm da comparao das amostras de DNA.  Representao da tcnica de DNA fingerprinting.
                                                                     Fonte: http://gallery.hd.org



                  ATIVIDADE

    Para pensar... Qual seu posicionamento quanto  relevncia das evidncias genticas num julga-
  mento? Justifique.



    Em 1994, foi promulgada na Carolina do Norte (EUA), uma lei que per-
mite s autoridades obter amostras de sangue de criminosos encarcerados.
Outros pases americanos ampliaram essa lei para abranger todas as pes-
soas que fossem presas, no importando se inocentes ou culpadas (WATSON,
2005).
    Mas, a tcnica do DNA fingerprinting alm dos fins de identificao po-
de revelar inmeros outros segredos genticos, tais como: genes para fibro-
se cstica, anemia falciforme, entre outras.



                  DEBATE

     Como sero manuseados esses dados?
     Perderemos o direito  nossa privacidade individual?
     Que normas sero adotadas para o sigilo da nossa identidade gentica, ou seja, para regular o
  acesso  base de dados?
     Qual ser a implicao social do controle do conhecimento sobre o DNA para os cidados e ci-
  dads das classes trabalhadoras?




                                                                                    DnA:alongacadeiadavida 141
       EnsinoMdio

                                  Em casos de grandes tragdias, como a queda de um avio ou um
                              bombardeio, fica praticamente impossvel identificar os corpos das vti-
                              mas. Porm as famlias ficam emocionalmente ansiosas para receber os
                              restos mortais de seus entes queridos e a eles dedicar uma cerimnia
                              fnebre. Novamente a identificao genmica vem solucionar a ques-
                              to. Alm disto, esta tcnica tem auxiliado na recuperao de crianas
                              desaparecidas, ou ilegalmente adotadas.

                                20/07/2007 - 03h35 - Folha Online
                                Bombeiros buscam vtimas de acidente e dizem que trabalho est na fase final
                                Equipes do Corpo de Bombeiros mantm na madrugada desta sexta-feira as
                                buscas s vtimas do acidente com o vo 3054 da TAM, ocorrido na noite da
                                ltima tera em Congonhas (zona sul de So Paulo).
                                At o comeo da noite de quinta, o IML (Instituto Mdico Legal) havia identifi-
                                cado 25 corpos.
                                A primeira tentativa  identificar o corpo por meio das digitais. Depois,  feito
                                um estudo de cada uma das vtimas, com base em informaes obtidas com
                                familiares e amigos delas. A terceira possibilidade  o reconhecimento pela
                                arcada dentria e, por ltimo, por exame de DNA.




                     ATIVIDADE

        Embora as tcnicas que envolvam o DNA tragam inmeros benefcios  humanidade, em pases co-
     mo o Brasil apenas uma parcela da populao tem acesso a ela. O que justifica este fato?
         Para termos o privilgio de viver em uma sociedade livre  preciso abdicar de algumas coisas, tal-
     vez sacrificar o nosso anonimato gentico. Qual sua posio sobre "dar" uma amostra do seu patrim-
     nio gentico s bases de dados? Por qu? Justifique sua resposta.



                                  A procura do segredo da vida possui uma longa histria, que inicia
                              com a curiosidade de nossos ancestrais sobre como as caractersticas
                              eram transmitidas de gerao em gerao.
                                  O grande avano biotecnolgico conquistado e acumulado histo-
                              ricamente tem possibilitado encontrar os "erros" da molcula da vida
                              que vem acarretando grandes malefcios  humanidade. Alm das do-
                              enas relacionadas ao sexo, j se tm avanos na identificao e com-
                              preenso das doenas genticas autossmicas, usando o mtodo do
                              DNA recombinante, que consiste em restringir e assim localizar o gene
                              defeituoso. Resta  cincia corrigir esses erros gnicos e proporcionar
                              uma vida com qualidade s populaes, indistintamente.



142 Biodiversidade
                                                                                                  Biologia

    Muitas outras patologias so relacionadas
                                                        Sugesto de vdeo
aos genes, entre elas podemos citar: a hiper-
tenso arterial, a diabetes, as doenas cardacas "A Ilha do Doutor Moreau" (EUA, 1996, New Li-
congnitas, a depresso, o cncer, entre outras. ne Cinema  direo John Frankenheimer. O fil-
Essas enfermidades se tornam evidentes quan-            me relata a histria de um homem que sofre um
do interadas com o meio. No caso do cncer, acidente areo,  regatado por um cientista que
em especial, os genes podem, ainda, ser dani-           o leva a uma ilha. Nesta ilha vive um geneticista
ficados por fatores mutagnicos, cabendo a ca-          que faz experincias com o DNA. Ele tenta criar
da um de ns minimizarmos esses agravos me-             uma raa perfeita, mas coisas estranhas acon-
diante opes pessoais e sociais conscientes.           tecem...
    Nos primrdios desta nova era, resta  ci-
ncia continuar galgando os degraus no entendimento da hereditariedade... O primeiro passo
foi dado ao conseguir "entender" a vida e a "manipul-la"... Ento: qual o segredo da vida? Que
alfabeto escreve sua histria de forma to fascinante? Como esta histria  contada?



  RefernciasBibliogrficas
   CAPRA, F. As conexes ocultas. So Paulo: Cultrix, 2002.
   GARCIA, S. M. L. et al. Embriologia. Porto Alegre: Artes Mdicas, 1991.
   HOBSBAWN, E. Era dos extremos: o breve sculo XX: 1914  1991. So Paulo: Companhia das
   Letras, 1995.
   VZQUEZ, A. S. tica. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 2004.
   WATSON, J.; BERRY, A. DNA: O segredo da vida. So Paulo: Companhia das Letras, 2005.


  ObrasConsultadas
   ATKINS, P. W.; JONES, L. I. Princpios de qumica. Porto Alegre: Bookman, 2001.
   JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
   2005.
   LIMA, C. P. de. Gentica humana. So Paulo: Harbra, 1996.
   RUSSEL, J. B. Qumica geral. So Paulo: Makron Books, 1994.
   STORER, T. I. et al. Zoologia geral. So Paulo: Companhia Editora Nacional, 1989.


  DocumentosConsultadosOnlInE
   PEREIRA, L. de V. Genoma humano. Site oficial Dr. Drauzio Varella. Disponvel em: <www.drauziovarella.
   com.br/entrevistas/ghumano.asp> Acesso em: 18 out. 2005.
   SILVA, M. G. de M. Projeto genoma. Departamento de Biologia Geral, Universidade Federal de Viosa.
   Disponvel em: <www.ufv.br/dbg/BIO240/G07.htm> Acesso em: 24 set. 2005.
   ZATZ, M. Projeto genoma. Site oficial Dr. Drauzio Varella. Disponvel em: <www.drauziovarella.com.br/
   entrevistas/projetogenoma.asp> Acesso em: 18 out. 2005.



                                                                             DnA:alongacadeiadavida 143
       EnsinoMdio




144 MecanismosBiolgicos
                                                                                                  Biologia




                                                                                           9
                                                          SANgUE: UM MAR
                                                            VERMELhO QUE
                                                          SUSTENTA A VIDA
                                                                                       Iara Suyama Ferrari1



                                                             ransfuso sangnea: caminho para a vida
                                                          ou destino para a morte?




Colgio Estadual Getlio Vargas - Iracema do Oeste - PR
1



                                                                Sangue:ummarvermelhoquesustentaavida 145
        EnsinoMdio

     Clulas-tronco: clulas           Freqentemente, ouvimos ou falamos em questes relacionadas ao
    capazes de formar diferen-     sangue ou  tipagem sangnea. Voc j parou para pensar sobre este
    tes tipos de tecidos num or-   fato? Isto acontece quando queremos saber qual  o nosso tipo sang-
    ganismo.                       neo; quando participamos de campanhas de doao de sangue; quan-
                                   do algum diz o "sangue no combina", ou ainda, quando pensamos
     Para aumentar seus co-        em tragdias...
    nhecimentos sobre as CLU-         Tambm,  bom lembrar, que quando nos referimos s chamadas
    LAS-TRONCO, leia o Folhas      clulas-tronco,  da medula ssea ou do cordo umbilical que as ob-
    Clulas-tronco: a reali-       temos, embora elas sejam encontradas em diversos locais, tais como:
    dade de muitos sonhos          embries, sangue, sistema nervoso, fgado, intestino, etc. Portanto, fa-
    ou a frustrao da hu-         lar de sangue  realmente falar de "vida", uma vez que  por meio de-
    manidade?, neste Livro Di-
                                   le que os nutrientes e gases so transportados a todos os rgos. No
    dtico Pblico de Biologia.
                                   sculo V a.C., Hipcrates j defendia a idia de que o corpo humano
                                   possua quatro humores: sangue, flegma (muco), bile amarela e bile
                                   negra. Sendo que a sade dependia da harmonia entre os quatro hu-
                                   mores. O seu desequilbrio, com o isolamento de um deles num stio
                                   orgnico, caracterizaria a doena.
                                       Entre os sculos XV e XVIII, o sangue foi o res-
                                   ponsvel pela morte de muita gente. H relatos que
                                   na Grcia Antiga, os nobres bebiam o sangue dos
                                   gladiadores mortos para se curarem de seus ma-
                                   les. Em 1492, para que o Papa Inocncio VIII se
                                   curasse de uma doena, convenceram-no a ingerir
                                   o sangue de trs jovens, que acabaram morrendo
                                   anmicos. O pontfice no foi curado de sua enfer-
                                   midade (Pr-sangue, 2005, p. 1).                      Busto de Hipcrates, "pai
                                       A primeira transfuso sangnea entre ani-         da medicina", confeccio-
                                                                                          nado em bronze, feito na
                                   mais foi realizada em Oxford (Inglaterra) e data de    Grcia, na Ilha de Cs, terra
                                   1665.                                                  natal de Hipcrates e doa-
                                                                                          do  Faculdade de Medici-
                                       Estudos e experimentos com o sangue vm            na de Ribeiro Preto/USP/
                                   ocorrendo h longas datas. Mas, foi somente no         So Paulo/Brasil. Fonte:
                                                                                          FMRP  Faculdade de Me-
                                   sculo XVII que aconteceu a primeira experincia       dicina de Ribeiro Preto/
                                   com um ser humano. Nele foi injetado sangue de         USP, www.fmrp.usp.br
                                   carneiro (transfuso heterloga, ou, entre espcies
                                   diferentes).



                        ATIVIDADE

         Com referncia ao fato mencionado acima, o que voc acha que pode ter acontecido? Por qu?




146 MecanismosBiolgicos
                                                                                                      Biologia

    Em 1818, James Blundell (obstetra ingls), realizou a primeira trans-
fuso sangnea homloga, entre espcies iguais, em pacientes mulhe-
res com hemorragia ps-parto.




                                               Blundell's Gravitator, Instrumento utilizado por Ja-
                                               mes Blundell para transfuso de sangue entre se-
                                               res humanos. Ilustrao reproduzida num dos jor-
                                               nais mais velhos e respeitados do mundo, o The
                                               Lancet, nos anos de 1828-1829. Fonte: Atual-
                                               mente est nos arquivos da Biblioteca da Univer-
                                               sidade do Estado da Pensilvnia, EUA.




                 DEBATE

    As chances dessas transfuses, sem exame de compatibilidade, terem sucesso, eram atribudas
 ao acaso. Voc saberia explicar o motivo?


    No incio do sculo XX, um imunologista austraco chamado Karl
Landsteiner (1868-1943), em meio s grandes agitaes mundiais, que
tinham como resultado um alto ndice de mortalidade, em conseqn-
cia das crises sociais e econmicas que favoreciam o surgimento de v-
rias pestes, comeou sua pesquisa sobre o sangue. Ele constatou que,
misturando diferentes amostras de sangue, formavam-se cogulos.



                 ATIVIDADE

     Voc saberia dizer o que o sangue tem de to especial para que isso ocorra? Do que ele  constitudo?



    Raquel Carson, escritora norte-americana, na dcada de 1950, comparou esse lquido vermelho
 que circula em nosso interior com a gua do mar:
     "Quando passaram a viver em terra, os animais que assumiram a vida terrestre levaram consigo uma
 parte do mar em seus corpos, herana que transmitiram a seus filhos e que, ainda agora, vincula cada
 animal terrestre a suas origens marinhas. Peixes, anfbios e rpteis, pssaros e mamferos de sangue
 quente  cada um de ns transporta nas veias um fluxo salgado, em que os elementos sdio, potssio
 e clcio esto combinados quase que nas mesmas propores que na gua do mar. Esta  nossa he-
 rana do dia em que, h incontveis milhes de anos, um remoto ancestral, que havia progredido do
 estgio unicelular ao multicelular, desenvolveu, pela primeira vez, um sistema circulatrio, cujo fluido era
 apenas a gua do mar" (CARSON, apud SILVA, 1995).



                                                                    Sangue:ummarvermelhoquesustentaavida 147
        EnsinoMdio

                                         Nesta perspectiva, podemos dizer que este imenso "mar" verme-
                                     lho que carregamos dentro de ns  formado por uma parte lquida 
                                     o plasma, e uma slida representada por trs elementos: os glbulos
                                     vermelhos, os glbulos brancos e as plaquetas. Este "mar" quando jor-
                                     rado fora de nosso organismo forma cogulos. O resduo lquido des-
                                     tes cogulos  o soro.


                         PESQUISA

         Que tal realizar uma pesquisa e conhecer um pouco mais sobre a composio sangunea? Em li-
     vros de Biologia ou site como www.prosangue.sp.gov.br procure informaes sobre a parte lquida e a
     parte slida do sangue.
          Qual a importncia de cada uma dessas "partes" para ns?
          Que influncias elas tm numa transfuso sangunea? Por qu?
         Aproveite e visite o site www2.uerj.br/~micron/atlas/menu.htm para conhecer o Atlas Digital de His-
     tologia.



     Aglutinognios: polissa-           Landsteiner, em suas pesquisas observou que no sangue humano
    cardeos A e/ou B que reves-     poderiam, ou no, existir protenas especficas: os aglutinognios 
    tem a superfcie das hemcias,   presentes nos glbulos vermelhos ou hemcias e, as aglutininas  en-
    so herdados geneticamen-        contradas no plasma. Ento, de acordo com a presena ou no dessas
    te dos pais e determinam os      protenas, o sangue humano foi distribudo em quatro grupos:
    diversos grupos sangneos.
    So os antgenos encontrados              Tipo              Aglutinognio nas             Aglutininas
    nas hemcias.                          sangneo                hemcias                  no plasma
    Aglutininas: so os anticor-               AB                       AeB                        ---
    pos presentes no plasma san-                A                         A                       anti-B
    gneo: anti-A e/ou anti-B.                 B                         B                       anti-A
                                                O                        ---                 anti-A e anti-B

                                         Essas duas protenas agem como verdadeiros guerreiros, ou seja, h
                                     a relao antgeno  anticorpo.

                                         Anticorpos so protenas especiais produzidas pelos linfcitos (um tipo
                                      de glbulo branco). Agem como "soldados" em defesa do organismo.


                                          Antgenos so substncias estranhas ao organismo.

                                        Imagine uma colmia de abelhas sendo atacadas por um animal
                                     qualquer. As abelhas guerreiras, responsveis pela defesa, imediata-
                                     mente iriam atacar o invasor, que iria fugir ou morrer. No caso dos gru-
                                     pos sanguneos ocorre algo semelhante.

148 MecanismosBiolgicos
                                                                                                  Biologia

    A aglutinina presente no plasma sanguneo (abelha), caso no reco-
nhea o aglutinognio das hemcias recebidas (animal qualquer), iria
destru-las, ou melhor, agiria como uma cola, grudando nas hemcias,
formando grumos e impedindo a ao dos invasores.
     claro, que no caso das abelhas, elas agem levadas pelo instinto, em
defesa da coletividade; enquanto que os anticorpos do sangue (aglutini-
nas) so conjuntos qumicos acionados por reaes bioqumicas.
    Isto nos mostra que o sangue do receptor e do doador deve ser
compatvel, uma vez que uma transfuso errnea ocasiona morte, haja
vista que o sangue recebido, em funo da reao aglutinognio-aglu-
tinina formaria placas de hemcias no receptor, causando, desta forma,
a sua destruio ou a obstruo dos vasos sanguneos.

    "Os macacos antropides possuem os mesmos grupos sanguneos do homem. Outros macacos,
 bem como outros mamferos apresentam grupos sanguneos, mas diferentes dos humanos". (STORER,
 1989. p. 96)
      "Landsteiner classificou os grupos sangneos em A, B e O. O grupo sangneo AB foi descoberto por
 Alfred Von Decastello e Adriano Sturli, em 1902". (MOREIRA, 2002, p. 1).




                  ATIVIDADE

    De posse das informaes fornecidas pelo texto sobre o sistema ABO, complete o esquema de do-
 ao de sangue da figura abaixo.




                 FIGURA 1  Esquema de doa-
                 o de sangue no sistema ABO.
                 Fonte: Iara Suyama Ferrari.




                                                          Sangue:ummarvermelhoquesustentaavida 149
        EnsinoMdio



                             PESQUISA

         O conhecimento da tipagem sangnea traz evidentes vantagens a um indivduo no caso de um aci-
      dente em que haja necessidade de uma transfuso de sangue. Alm desta, h outros fins a que se
      presta esse conhecimento. Realize uma pesquisa sobre Sistema Sangneo nos livros de Biologia e
      enumere estes outros fins, justificando-os.


                                                Mesmo diante de todas essas evidncias, foi somente em 1907 que
                                           Reuben Ottenberg (1882-1959) realizou a primeira transfuso sang-
                                           nea antecedida de exame de compatibilidade ABO. Mas esse proce-
                                           dimento s passou a ser empregado amplamente a partir da Primeira
                                           Guerra Mundial (1914  1918) (Pr-sangue, 2005, p. 3).
                                                Entre 1871 e 1914, a sociedade europia passou por uma das fa-
                                           ses de maior prosperidade, a chamada belle poque. Para uma boa
                                           parte da populao, o desenvolvimento industrial (sculo XVIII) trou-
                                           xe conforto e possibilidades de comunicao e transportes. Por outro
                                           lado, havia um clima de instabilidade em decorrncia da m distri-
                                           buio dos benefcios do progresso entre a populao e das disputas
                                           territoriais entre as potncias. Esse clima deixava no ar um risco imi-
                                           nente de confronto.
                                                Ao longo do sculo XIX, o nacionalismo mobiliza o povo a lutar
                                           pelo territrio e pela afirmao dos valores e tradies nacionais. Es-
                                           se clima nacionalista e de disputas imperialistas favorece a formao
                                           de dois grupos antagnicos: a Trplice Aliana (Alemanha, ustria 
                                           Hungria e Itlia) e a Trplice Entente (Inglaterra, Rssia e Frana). Es-
                                           tes pases estavam prontos para a guerra, a espera de um motivo.
                                           Este motivo foi o assassinato do herdeiro do trono austraco.
                                                  Em 1914, inicia-se a Primeira Guerra Mundial modificando, desta
                                           forma, todo o panorama poltico-econmico mundial. O que se
                                                       objetivava era vencer a competio hegemnica na Europa
                                                       e no mundo, o que gerou a misria social, desencadeando a
                                                       mortandade de inmeras pessoas, vtimas das armas blicas
                                                       ou das pestes que se instalaram em decorrncia da pobreza
                                                       das camadas baixas da populao.
                                                          Os Estados Unidos, que no tinham sido atingidos pelo
                                                       conflito, expandiram sua economia durante a guerra, abas-
                                                       tecendo os pases da Trplice Entente (Inglaterra, Rssia e
                                                       Frana) com armamentos, alimentos e matrias-primas, au-
      Foto do front de batalha na Primeira Guerra Mun-
                                                       mentando desta forma sua produo. Ao final da guerra, as
      dial. Fonte: Ncleo de Estudos Contemporneos, indstrias americanas eram responsveis por cerca de 50%
      Departamento de Histria da Universidade Federal de toda produo mundial.
      Fluminense, www.historia.uff.br



150 MecanismosBiolgicos
                                                                                                                   Biologia

    Com o trmino da guerra, o sistema capitalis-
ta ficou  beira de um colapso, uma vez que os
pases europeus comearam a se recuperar. Eles
se organizaram e desenvolveram sua estrutura pro-
dutiva, conseqentemente reduzindo a importao
de produtos americanos. Em virtude deste desen-
volvimento industrial, houve um desequilbrio en-
tre mercadoria produzida e poder aquisitivo. Insta-
lou-se a crise econmica do sistema capitalista em  Fotos dos alemes e franceses, que foram os protagonistas da maior
1929, com o crash da Bolsa de Nova York. Inme-          batalha do nosso Planeta, ocorrida nas cercanias da cidade de Verdun
                                                         - Frana, por ocasio da Primeira Grande Guerra. De 21 de fevereiro
ras indstrias so fechadas, havendo ento a de-         a 19 de dezembro de 1916, mais de 700 mil combatentes foram
misso em massa de milhes de operrios. Esta cri-       mortos ou feridos. Segundo as estatsticas, 2.380 soldados, em
se econmica rapidamente atingiu o mundo.                mdia, foram atingidos por algum tipo de arma, diariamente; dentre
                                                         eles, 880 morriam. Fonte: Ncleo de Estudos Contemporneos,
    Mais tarde, aconteceu um conflito ainda maior        Departamento de Histria da Universidade Federal Fluminense,
e mais devastador. Em 1939, foi deflagrada pela          www.historia.uff.br

Alemanha nazista e Japo, a Segunda Guerra Mundial, e os pases briga-
ram fervorosamente pelas conquistas territoriais e de poder.
    Alm das armas blicas, os Estados Unidos fizeram uso da bomba
atmica, que foi lanada sobre a cidade de Hiroshima, no dia 06 de
agosto de 1945, tendo como saldo oitenta mil mortos em segundos.
Trs dias mais tarde, foi lanada a segunda bomba atmica sobre a
cidade de Nagasaki, vitimando mais de quarenta mil pessoas.
    No perodo das duas guerras mundiais, as cincias naturais tornaram-
se presentes e fundamentais. O desenvolvimento da Fsica e da Qumica
foi extraordinrio, tendo como conseqncia a construo de armas nu-
cleares e a evoluo na agricultura, na construo civil e na medicina.
    Em plena guerra, em 1939, a gentica foi utilizada pela Alemanha
nazista com o intuito de se obter uma raa superior (eugenia), geran-
do assim o horror do holocausto, onde milhes de judeus foram sacri-
ficados nos campos de concentrao.
    No Brasil, o movimento eugenista esteve fortemente articulado 
idia do embranquecimento. A Constituio de 1934 estimulava a edu-
cao eugnica e restringia a entrada de imigrantes segundo sua nacio-
nalidade (LIMONCIC, 2005, p. 2).
    Ainda, no mbito do desenvolvimento da gentica bsica, o estudo
dos grupos sangneos foi extremamente importante, pois eles so mo-
delos de algumas formas de transmisso hereditria. A existncia de ale-
                                                                                         Nuvem em formato de cogume-
los mltiplos, no homem, foi evidenciada inicialmente para os genes do                      lo que subiu 18 km, resultado da
sistema ABO; o estudo dos efeitos de uma srie de processos evoluti-                        exploso nuclear da bomba "Fat
                                                                                            Man" lanada pelo B-29 "Bock's
vos, na gentica das populaes, usa amplamente os grupos sangne-                         Car" sobre Nagasaki, em 9 de
os; a herana do sistema Rh  bastante clara para se decidir entre alelis-                  agosto de 1945. A imagem  um
mos simples ou mltiplo; utiliza-se a freqncia dos genes responsveis                     trabalho das foras armadas dos
                                                                                            Estados Unidos. Fonte: GNU Free
pelos grupos sangneos para esclarecer as relaes histricas entre v-                    Doc. License, www.wikipedia.org
rios grupos tnicos (LIMA, 1996, p. 414).


                                                                     Sangue:ummarvermelhoquesustentaavida 151
        EnsinoMdio

     Gregor Mendel                                                         Entretanto, como voc ver, a gentica es-
    (1822-1884): monge do                                              tudada em 1866, por Gregor Mendel, no guar-
    mosteiro agostiniano de                                            da relaes necessrias com as polticas racis-
    Brnn  ustria.                                                   tas. Em suas observaes, ele concluiu que
                                                                       as caractersticas hereditrias dependiam da
                                                                       ao de fatores ou unidades hereditrias, ho-
                                                                       je conhecidas como gene (parte do DNA que
                                                                       possui a informao para a "fabricao" de
                                                                       protenas no organismo). Todavia estas des-
                                                                       cobertas no tiveram grandes repercusses.
                                                                       Nesta mesma poca, foram realizados vrios
                                   Gregor Johann Mendel botni-
                                    co austraco (1822 - 1884), de- estudos procurando desvendar o mistrio da
                                    dicou-se ao estudo do cruzamen- vida. O DNA  conhecido, mas no sua estru-
                                    to de ervilhas cultivadas na horta
                                    do mosteiro onde vivia. Fonte:
                                                                       tura e funcionamento. Em 1900, trs geneticis-
                                    Imagem cedida pelo Mendel Mu- tas botnicos, Hugo Marie de Vries (Holanda),
                                    seum, Museum of Gentics, Distri- Carl Correns (Alemanha) e Erich von Tscher-
                                    to de Brno, Repblica Checa.
                                                                       mak Seysenegg (ustria), em suas pesquisas,
                                  independentemente, chegaram a concluses semelhantes s de Men-
                                  del. A partir de ento, esta cincia ganha mpeto e vrios estudos so
                                  cuidadosamente realizados por muitos geneticistas.

                                        Aprofunde seus conhecimentos sobre a estrutura e funcionamento do
                                    DNA lendo o Folhas DNA: a longa cadeia da vida, no Livro Didtico P-
                                    blico de Biologia.



                                                                         Questes relativas  eugenia (de boa ori-
     Francis Galton                                                   gem) datam de 1865, pretenso desenvolvida
    (1822-1911): Mdico in-                                           por Francis Galton. Esse discurso ganhou "cor-
    gls fundador da Socieda-                                         po" e logo foi incorporado por diferentes cor-
    de de Eugenia, dedicou-se                                         rentes de pensamento e movimentos sociais
    aos estudos sobre heredita-                                       que ansiavam por solucionar seus problemas
    riedade.
                                                                      advindos das misrias dos cortios operrios.
                                                                      Em 1869, Galton publicou o que seria o esteio
                                                                      das idias eugenistas, a obra "Hereditary ge-
                                                                      nius: an inquirity into its laws and consequen-
                                                                      ces". A eugenia se dividiu em duas correntes:
                                   Francis Galton, que inicialmente
                                    desenvolveu as idias sobre a eu- a negativa, que visava impedir as pessoas ge-
                                    genia. Fonte: GNU Free License, neticamente inferiores de procriar, e a positiva,
                                    www.wikipedia.org
                                                                      que incentivava as pessoas com genes superio-
                                  res a terem filhos. No sculo XX, esse pensamento atinge o pice com
                                  o regime nazista, que chega ao absurdo de recrutar candidatas consi-
                                  deradas "vlidas" para cruz-las e assim obter uma raa superior.
                                      Neste contexto, percebe-se que questes relacionadas  herana
                                  gentica acompanham a raa humana desde a metade do sculo XIX.

152 MecanismosBiolgicos
                                                                                                   Biologia

    Em meio a todo esse cenrio, Lands-
teiner, juntamente com Levine, por volta
de 1927, continuou sua pesquisa em he-
matologia, ou seja, sobre o sangue.
    Alm do sistema ABO, os cientistas re-
alizaram outra experincia importante, em
que injetaram sangue humano em coelhos
descobrindo, assim, duas outras protenas,
s quais denominaram antgeno M e ant-
geno N. Porm, esses antgenos reagiam
de trs formas diferentes, mantendo uma
relao de co-dominncia entre si, ou se-
ja, o indivduo heterozigoto expressava ao
mesmo tempo os dois fentipos, veja:


                      PRODUO DE
   FENTIPO
                     AGLUTINOGNIOS
     Grupo M                  M
     Grupo N                   N
                                                                             Esquema do processo de de-
    Grupo MN                  MN                                             terminao do sistema MN.



    Perceberam ainda, que a quantidade de aglutininas presente no
chegava a causar problemas em transfuses sangneas no recorren-
te, e que os anticorpos anti-M e anti-N s eram produzidos quando es-
timulados, ou seja, se um indivduo do grupo M recebesse sangue do
grupo N, haveria a produo de anticorpos anti-N, no receptor.


                PESQUISA

      Porque a transfuso precedida por exame de compatibilidade ABO s passou a ser efetivamente uti-
 lizado a partir da Primeira Guerra Mundial?
     Voc sabia que o primeiro banco de sangue foi criado em 1936, na Espanha?
   Para saber mais sobre isso vamos pesquisar sobre exame de compatibilidade, coleta e armazena-
 mento de sangue em livros de histria e no site: www.prosangue.sp.gov.br.
     Em que regio da Espanha surgiu esse banco de sangue?
     Que fatores favoreceram o surgimento desse banco?
      Porque a transfuso precedida por exame de compatibilidade ABO s passou a ser efetivamente uti-
 lizada a partir da Primeira Guerra Mundial?
     Que fatores dificultaram a armazenagem de sangue nesse perodo?
     Como  feita nos dias atuais a armazenagem de sangue? Explique.


                                                         Sangue:ummarvermelhoquesustentaavida 153
         EnsinoMdio

     Hoje a espcie                        Em meio  Segunda Guerra Mundial, Karl Landsteiner (1868-1943),
    Macacus rhesus                     acompanhado de Alexander Solomon Wiener (1907-1976), realizou
    conhecida como Macaca               pesquisas sobre o grupo sangneo dos animais.
    mulatta.                               Inicialmente, eles injetaram sangue de primatas da espcie
                                        Macacus rhesus em cobaias e constataram que elas foram desenvol-
                                        vendo anticorpos (defesa) contra o sangue recebido que agia como
                                        um veneno (antgeno) para o seu organismo. Mais tarde, quando es-
                                        ses anticorpos produzidos pela cobaia (anticorpo Rh) foram injetados
                                        novamente no macaco, acabaram por destruir as hemcias do animal.
                                        Esse outro antgeno recebeu o nome de fator Rh, em virtude do nome
                                        cientfico do macaco.
                                             A partir desse resultado, os dois pesquisadores logo procuraram
                                        realizar experimentos em seres humanos. Para tanto, eles misturaram,
                                        em tubos de ensaio diferentes, o anticorpo Rh das cobaias com o san-
                                        gue de pessoas distintas. Desta forma, perceberam que combinando
                                        sangue humano com o soro da cobaia (contendo anticorpos anti-Rh),
                                        a grande maioria (cerca de 85%) das amostras de sangue apresenta-
                                        va aglutinao de hemcias, e foram denominadas Rh+ (positivo). Em
                                        contrapartida, as que no aglutinaram (aproximadamente 15%), foram
                                        chamadas de Rh- (negativo). Isto nos leva a concluir que as pessoas
                                                                        Rh+ possuem antgeno Rh em suas he-
                                                                        mcias. Ao contrrio, as pessoas Rh-,
                                                                        no possuem.
                                                                            Esta constatao trouxe grandes con-
                                                                        tribuies para os problemas de transfu-
                                                                        so sangnea, antes incompreendidos,
                                                                        pois mesmo com os exames de incom-
                                                                        patibilidade pelo sistema ABO, algumas
                                                                        pessoas sofriam complicaes em decor-
                                                                        rncia do sangue recebido, mais especi-
                                                                        ficamente, em transfuses repetidas.
                                                                            A importncia do Fator Rh numa
                                                                        transfuso sangnea tornou-se conhe-
                                                                        cida e, desta forma, pessoas identifica-
                                                                        das como Rh+ podiam receber sangue
                                                                        de doadores positivos ou negativos, sem
                                                                        maiores problemas. Entretanto, nos in-
                                                                        divduos Rh-, caso recebessem sangue
                                                                        de pessoas Rh+, passariam a desenca-
                                                                        dear srios problemas, pois produzi-
                                                                        riam anticorpos contra os fatores positi-
      Esquema do processo de determinao                               vos recebidos.
      do Fator Rh.




154 MecanismosBiolgicos
                                                                                                     Biologia

   Embora esse processo de defesa seja lento, numa transfuso recor-
rente, a produo de anticorpos aumentaria tanto, at que em dado
momento, o organismo passaria a sofrer reaes violentas em decor-
rncia da destruio das hemcias do sangue recebido (hemlise) que,
aos poucos, se desintegrariam. Caso esse processo seja intenso, o in-
divduo comea a eliminar a hemoglobina (pigmento que d a colora-
o vermelha ao sangue) pela urina, podendo causar o entupimento
dos tbulos renais, acarretando deficincias graves.



                DEBATE

     Diante das pesquisas realizadas, discuta com seus colegas qual o verdadeiro doador univer-
 sal? Por qu?


    A partir das constataes sobre a incompatibilidade sangunea en-
tre os sangues com fator Rh- e Rh+, encontrou-se a resposta para a in-
compatibilidade do sangue materno-fetal, conhecida como Eritroblas-
tose Fetal (EF) ou Doena Hemoltica do Recm-nascido (DHRN). Esta
incompatibilidade foi observada por Levine e Stetson, em 1939, ao en-
contrar anticorpos anti-Rh no sangue de uma mulher que havia dado
 luz um natimorto.
    Para evitar a morte de um beb, em decorrncia da DHRN,  ne-                Teste de Coombs Indireto
cessrio que ele seja submetido a uma transfuso de aproximadamente             Exame realizado mensalmen-
85% de seu sangue, recebendo sangue Rh-, logo aps o nascimento.                te para verificar a presena ou
    Atualmente essa troca tambm pode ser feita em centros especiali-           ausncia de anticorpos irregu-
zados, ainda na vida intra-uterina, caso se descubra o problema atra-           lares no sangue de mes Rh-.
vs do Teste de Coombs Indireto, que tem por objetivo detectar anti-
corpos especficos ligados ao seu antgeno.
    Desde 1964, tem sido aplicada uma "vacina" ps-parto em mulhe-               "vacinas" ps-parto
res Rh-, diminuindo ainda mais os problemas de incompatibilidade                processo de imunizao feito
materno-fetal. Esta "vacina" tem por objetivo destruir as hemcias fe-          com imunoglobulina Ig G anti
tais Rh+ do organismo materno.                                                  D, em mulheres Rh- (D+).




                PESQUISA

     A doena hemoltica do recm-nascido, com uma ocorrncia aproximada de 1/100 bebs Rh+, 
 extremamente prejudicial ao feto. Faa uma pesquisa em Fator Rh ou Eritroblastose Fetal nos livros de
 Biologia ou em sites como www.ufv.br/dbg/bioano02/a2001a08.htm e diga em que circunstncias ela
 ocorre e quais suas conseqncias.




                                                         Sangue:ummarvermelhoquesustentaavida 155
       EnsinoMdio


        Voc sabia que ...
          Em decorrncia da existncia de diferentes tipos de sangue, adotou-se, alm da tipagem ABO,
     a tipagem chamada "Prova cruzada". Esta consiste na mistura do soro do receptor com o sangue do
     doador, em uma lmina ou tubo de ensaio. Se houver aglutinao, indica que h incompatibilidade, no
     podendo ocorrer transfuso (GRANDES TEMAS DA MEDICINA,  O SANGUE, 1986).
        Atualmente, o conjunto dos trs sistemas sangneos (ABO, MN, Rh) so utilizados na Medicina
     Legal para excluir a possibilidade de paternidade. Porm, os mesmos no so precisos para a sua
     confirmao, recomendando-se, neste caso, o exame de DNA.


                                 Mediante tudo o que foi explicitado, podemos afirmar:


                                      "O sangue  um mar vermelho
                                       que sustenta a nossa vida".

                                 O ser humano, em cujo interior, circula este magnfico mar que susten-
                             ta e promove a vida,  um ser social, que interage na sociedade, influen-
                             ciando ou sendo influenciado pelos diferentes grupos a que pertence.
                                 Observamos que o ser humano, ao longo de sua existncia, apren-
                             deu a caar, plantar, se comunicar, viver em grupos sociais, em dife-
                             rentes sociedades e a ter o domnio sobre as demais criaturas. Cada
                             um de ns aprendeu a assimilar as normas e os valores de determina-
                             do grupo social.
                                 Assim, a humanidade ao longo da histria, procura garantir sua so-
                             brevivncia suprindo suas necessidades por meio do trabalho.
                                 Viver em grupo requer que as normas e valores sejam respeitados,
                             nele cada indivduo tem deveres e direitos. Estes direitos e deveres so
                             amparados pela Lei, mas o grande impasse est em faz-la ser cumpri-
                             da, pois a Lei no garante a efetivao do cumprimento dos direitos e
                             deveres pelos cidados ou pelo estado.
                                 Esta omisso se d quando no se exerce a cidadania, ou seja,
                             quando o indivduo deixa de conquistar os seus direitos, sejam eles
                             quais forem, ou se furta no cumprimento de seus deveres, no parti-
                             cipando das decises da sociedade para melhorar sua vida e a de ou-
                             tras pessoas.
                                 No campo da sade,  preciso que o indivduo conquiste o seu di-
                             reito ao atendimento gratuito e de qualidade nos Centros Pblicos.
                             Atendimento este, que as pessoas com boas condies financeiras usu-
                             fruem com toda a tecnologia e desenvolvimento da medicina acumu-
                             lados historicamente, seja ele privado ou pblico. Ter um atendimento
                              sade, gratuito e de qualidade  direito de todos, independentemen-
                             te da classe social a qual pertence.


156 MecanismosBiolgicos
                                                                                                                     Biologia

   O acesso  sade pblica de qualidade  uma responsabilidade do
Estado, sendo assegurada na Constituio da Repblica Federativa do
Brasil, de 5 de outubro de 1988:

    "A sade  direito de todos e dever do Estado, garantido mediante polti-
 cas sociais e econmicas que visem  reduo de doena e de outros agra-
 vos e ao acesso universal e igualitrio s aes e servios para sua promo-
 o, proteo e recuperao".


   Ela garante, ainda, o direito de transplante de rgos e tecidos a
qualquer pessoa, e probe a venda de rgos e tecidos, protegendo
desta forma o direito e a integridade da vida de todos:

    "A lei dispor sobre as condies e os requisitos que facilitem a remoo
 de rgos, tecidos e substncias humanas para fins de transplante, pesqui-
 sa e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfuso de san-
 gue e seus derivados, sendo vedado todo tipo de comercializao".
   (Constituio da Repblica Federativa do Brasil de 5 de outubro de 1988. Ttulo VIII  Captulo II  Seo II).




                       PESQUISA

    Com a ajuda de seu professor organize-se, dirija-se ao Centro de Sade mais prximo e realize uma
 pesquisa de campo. Entreviste o responsvel com os seguintes questionamentos:
     Como voc avalia o acesso  sade no seu municpio?
     Como a populao pode contribuir para melhor-lo?
     Que normas devem ser seguidas para a realizao de uma transfuso sangunea?
     Como  feita a reposio do sangue ou hemoderivados utilizados?
     Quais os critrios para a fila de transplantes? Estes critrios so obedecidos?




                       DEBATE

    De posse das informaes, discuta com seus colegas: "que papel exercemos dentro das polticas
 pblicas vigentes".




                                                                                       Sangue:ummarvermelhoquesustentaavida 157
         EnsinoMdio

                                       No limiar do sculo XXI, o homem ainda no  capaz de substituir
                                    o sangue, por uma outra substncia que exera as mesmas funes no
                                    organismo. Mesmo diante deste fato, grande parcela da populao se
                                    exclui da doao, embora consciente que esse simples gesto salvaria
                                    inmeras vidas.



                                      Oquelevaumapessoaaseomitirperante
                                      esteatodedoao?
                                       Ainda que a transfuso sangunea possa salvar inmeras vidas, exis-
                                    tem religies que no a permite pois acreditam estar violando leis divi-
                                    nas. Eles crem que ao utilizar-se do sangue de outra pessoa (doao alo-
                                    gnica ou homloga) para salvar sua vida, estar indo contra os desgnios
                                    de Deus. No entanto, admitem a transfuso de alguns componentes san-
                                    gneos, como a albumina, as imunoglobulinas e os preparados para he-
                                    moflicos. Aceitam ainda a circulao extracorprea e a hemodilise, des-
                                    de que se utilize solues isentas de sangue (SOUZA, 2005, p. 4).


                          DEBATE

         A vida  o bem maior que possumos. Em que circunstncias a transfuso sangnea  o cami-
      nho para a vida? Em contrapartida, em que situao ela  o destino para a morte?



                                        Voc acha a doao de sangue um ato importante? Em caso afirma-
                                    tivo e se voc estiver em boas condies fsicas, ter entre 18 e 60 anos
                                    e pesar acima de 50 kg, no perca tempo, corra ao HEMOCENTRO
                                    mais prximo, faa a triagem e se torne um doador. Salve uma vida,
                                    onde quer que ela esteja!!!


                                         Visite o site da HEMEPAR www.saude.pr.gov.br/hemepar/index.shtml e
  Campanha para doao de sangue.    veja os centros que compe a REDE HEMEPAR. O HEMEPAR  o Centro de
                                     Hematologia e Hemoterapia do Paran.




158 MecanismosBiolgicos
                                                                                                    Biologia

 RefernciasBibliogrficas
 BRASIL. Constituio da Repblica Federativa do Brasil. So Paulo: Atlas, 1988.
 GRANDES TEMAS DA MEDICINA. O sangue. So Paulo: Nova Cultural, 1986.
 LIMA, C. P. de. Gentica humana. So Paulo: Harbra, 1996.
 SILVA, I. et al. Noes sobre o organismo humano e utilizao de plantas medicinais.
 Cascavel: Assoeste, 1995.
 STORER, T. I. et al. Zoologia geral. So Paulo: Companhia Editora Nacional, 1989.


 ObrasConsultadas
 FONTANA, J. Introduo ao estudo da histria geral. Bauru: EDUSC, 2000.
 HOBSBAWN, E. Era dos extremos: o breve sculo XX: 1914  1991. So Paulo: Companhia das
 Letras, 1995.
 WATSON, J.; BERRY, A. DNA: O segredo da vida. So Paulo: Companhia das Letras, 2005.


 DocumentosConsultadosOnlInE
 BRASIL. Ministrio da Sade. Normas tcnicas em hemoterapia: Portaria n. 1376, de 19 de
 novembro de 1993. Disponvel em: <www.hemonline.com.br/msdoacao.htm> Acesso em: 26 ago.
 2005.
 GOLDIM, J. R. Transfuso de sangue em testemunhas de Jeov. Universidade Federal do Rio
 Grande do Sul. Disponvel em: <www.bioetica.ufrgs.br/transfus.htm> Acesso em: 26 ago. 2005.
 HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Hemoterapia Einstein  Doao de Sangue. Disponvel
 em: <www.einstein.br/bancodesangue/doacao_sangue/intro.htm> Acesso em: 27 jul. 2005.
 PARAN. Secretaria de Estado da Sade. HEMEPAR - Centro de Hematologia e Hemoterapia
 do Paran. Disponvel em: <www.saude.pr.gov.br/hemepar/index.shtml> Acesso em:
 26 ago. 2005.
 LEAL, L. H. M. Atlas digital de histologia. Laboratrio de Microscopia e Processamento de Imagens,
 Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Disponvel em: <www2.ufrj.br/~micron/atlas.htm> Acesso
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 LIMONCIC, F. Eugenia. Instituto de Filosofia e Cincias Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
 Disponvel em: <www.ifcs.ufrj.br/tempo/dcpd15.html> Acesso em: 03 out. 2005.
 MOREIRA, C. C. Outros sistemas de antgenos (aglutingenos). Departamento de Biologia
 Geral, Universidade Federal de Viosa. Disponvel em: <www.ufv.br/dbg/trab2002/GS/SIS005.htm>
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 SO PAULO. Fundao Pr-sangue. Disponvel em: <www.prosangue.sp.gov.br> Acesso em: 16
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 SILVA Jr., A. Sistema Rh  eritroblastose fetal. Departamento de Biologia Geral, Universidade
 Federal de Viosa. Disponvel em: <www.ufv.br/dbg/bioano02/a2001a08.htm> Acesso em: 01 set.
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 SOUZA, Z. da S.; MORAES, M. I. D. M. de. A tica mdica e o respeito s crenas religiosas. Revista
 Biotica, v. 6, n. 1, 1998, Universidade Federal de Santa Catarina. Disponvel em: <www.portalmedico.
 org.br/revista/bio1v6/eticmedica.htm> Acesso em: 26 ago. 2005.



                                                           Sangue:ummarvermelhoquesustentaavida 159
       EnsinoMdio




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                                                                                      Biologia




                                                                            10
                                                          QUE hERANA
                                                                ESSA?
                                                                           Iara Suyama Ferrari1


                                                              m nossas vidas acontecem
                                                              coisas que parecem ser
                                                           estranhas... e, por mais que a
                                                              gente no perceba, algum,
                                                              em algum lugar, est se per-
                                                             guntando: por que, comigo?




Colgio Estadual Getlio Vargas - Iracema do Oeste - PR
1




                                                                        Queheranaessa? 161
       EnsinoMdio

                               Bem, para tentar compreender alguns fatos que podem acontecer
                           conosco ou com algum bem prximo a ns,  preciso conhecer qual
                           o papel dos cromossomos X e Y em nossas vidas.
                               Mas o que so cromossomos?
                               No interior do ncleo celular encontram-se redes filamentosas cons-
                           titudas de DNA, a cromatina.
                               A cromatina modifica sua forma no momento da diviso celular,
                           constituindo os cromossomos que carregam as informaes genticas
                           de cada indivduo.
                               Agora que voc j sabe o que so cromossomos, procure responder:


                              CromossomoXouY:quemdecideoqu?
                              Todos ns, homens ou mulheres, viemos ao mundo a partir do nas-
                           cimento. Porm, vrias perguntas nos inquietaram por muito tempo:


                     DEBATE

        Vamos ver o que a sua turma pensa sobre a determinao do sexo. Organize-a em grupos e le-
     vante argumentos.
        Que fatores foram determinantes na definio de nosso sexo?
        Em que momento nosso sexo foi definido?


                               Durante sculos procurou-se respostas a estas perguntas.
                               No incio, como havia total desconhecimento dos mecanismos que
                           determinavam o sexo de um indivduo, supunha-se que o sexo j fosse
                           pr-determinado no gameta, independente da fecundao, havendo no
                           interior do espermatozide uma "miniatura de homem" (homnculo).



                                                                             Para saber mais sobre este
                                                                         assunto, voc pode ler o Folhas
                                                                         Embries: a fantstica obra
                                                                         em construo! Como acon-
                                      Homnculo no interior de um es- tece esse processo?, neste
                                      permatozide. Fonte: Ilustrao de Livro Didtico Pblico.
                                       Ctia Suyama.




162 MecanismosBiolgicos
                                                                                                            Biologia

     Durante o sculo IV a.C., vrios filsofos acreditavam que o sexo
do beb era determinado pela origem da produo do lquido seminal
do pai. Se fosse produzido pelo testculo direito, seria um menino; se,
pelo esquerdo, uma menina.
                                             Posteriormente, pensou-se que o sexo
                                         fosse definido aps a fecundao, levando
                                         em considerao fatores ambientais. H re-
                                         latos que no sculo XVI, o Rei da Inglater-
                                         ra, Henrique VIII, abandonou vrias esposas
                                         porque elas no foram capazes de lhe dar
                                         um herdeiro. Dos seis casamentos, apenas a     Dvidas nas termino-
                                         terceira esposa, Joana Seymour, deu-lhe um    logias...
                                         filho, o ento prncipe Edward VI, que mor-   V ao endereo eletrnico
                                         reu aos 16 anos. O rei ignorava que seus      www.cib.org.br/glossario.php
                                         prprios espermatozides  que definiam o     e faa uma consulta.
                                         sexo do futuro beb.
                                             Foi somente com o reconhecimento dos
 Henrique VIII Tudor (1491 - 1547) foi gametas masculino e feminino, mais preci-
  Rei de Inglaterra desde 22 de Abril
  (coroado a 24 de Junho) de 1509, samente com o conhecimento dos cromos-
  at  sua morte. Foi-lhe concedido somos, no sculo XIX, quelas respostas so-
  o ttulo de Rei da Irlanda pelo Parla-
  mento Irlands em 1541, tendo ob-
                                         bre a determinao do sexo.
  tido anteriormente o ttulo de Lord        Homens e mulheres, o que nos torna to
  da Irlanda. Fonte: HANS HOLBEIN
  (1497-1543), 1536, pertence ao
                                         diferentes?
  Museu Thyssen-Bornemisza, de Ma-           A to fabulosa mquina humana  for-
  drid.28 x 20 cm. Tcnica de pintura                                                   Cromossomos Homlo-
  a leo sobre tecido.                   mada por 46 cromossomos dispostos em 23       gos: so cromossomos que,
                                         pares; destes, 44 cromossomos, ou 22 pa-      aos pares, nas clulas dipli-
res, so chamados autossomos e so responsveis pela formao do                       des, apresentam o mesmo
organismo como um todo. Dois cromossomos, ou um par, so chama-                        nmero e seqncia de ge-
dos de cromossomos sexuais, sendo responsveis pela determinao                       nes para determinadas ca-
do sexo. Estes cromossomos sexuais tm formas diferentes no homem,                     ractersticas hereditrias.
sendo um bem maior do que o outro (cromossomos sexuais no ho-
mlogos). Na mulher os dois cromossomos tm formatos iguais (cro-                       Cromossomos Heterlo-
mossomos sexuais homlogos). Observe:                                                  gos: so cromossomos que,
                                                                                       aos pares, nas clulas dipli-
                                                                                       des, NO apresentam o mes-
                                                                                       mo nmero e seqncia de
                                                                                       genes para determinadas ca-
                                                                                       ractersticas hereditrias, po-
                                                                                       dendo ser considerados par-
                                                                                       cialmente homlogos.




                     Representao dos pares cromossmicos XX e XY.




                                                                                         Queheranaessa? 163
       EnsinoMdio

                                Com isso podemos concluir que o caritipo humano, ou seja, o
                             conjunto de cromossomos do homem e da mulher se diferencia no
                             par sexual.




                              Caritipo humano masculino, normal.                       Caritipo humano feminino, normal.
                              Fotografia do material gentico de clulas humanas, masculina e feminina, em fase de metfase. Fonte: Cromossomos
                              montados na forma de caritipo por Cssia Lima Silva Gusmo, Doutoranda e Pesquisadora do Laboratrio de Citoge-
                              ntica e Mutagnese, Departamento de Gentica, Faculdade de Medicina de Ribeiro Preto, Universidade de So Paulo.
                              Foto autorizada por: Catarina Satie Takahashi, Ph.D. em Gentica, Professora Titular do Departamento de Biologia, Fa-
                              culdade de Filosofia Cincias e Letras de Ribeiro Preto, Universidade de So Paulo.

                                Entretanto, nem todas as espcies tm a distribuio de seus cro-
                             mossomos sexuais como na espcie humana, existindo, desta forma,
                             padres diferentes.


                     PESQUISA

        Saiba mais sobre esses padres "diferentes". Procure livros de Biologia Geral sobre Determinao
     do Sexo, e aprofunde seus conhecimentos no assunto.


                                Agora d uma olhadinha mais caprichada! Perceba que os cromos-
                             somos X e Y, sendo distintos, possuem pores homlogas (iguais) e
                             no-homlogas (diferentes).




                                                Representao dos tipos de herana ligadas ao cromossomo sexual humano.

164 MecanismosBiolgicos
                                                                                                                      Biologia

    Inacreditvel, mas a poro no-homloga do cromossomo X e Y
causa um monto de coisas...
    Os genes que se acham localizados exclusivamente no cromosso-                                 Homozigose
mo X, na sua poro no-homloga, determinam a herana ligada ao
                                                                                                  Genes alelos idnticos ou pu-
sexo. Como esse legado  evidente, ele foi o primeiro "modelo" de he-                             ros.
rana reconhecido nos seres humanos, apresentando inicialmente o
maior nmero de caractersticas.                                                                  Heterozigose
    Quando h um gene letal recessivo ligado ao sexo, a mortalidade                              Os genes que compem o
mais baixa em mulheres, s ocorrendo em homozigose. Nos homens                                    par no so idnticos entre
o bito  mais alto, pois ocorre na presena de um s gene letal, em                              si, so hbridos.
virtude da presena de um nico cromossomo X.
    Da mesma forma, se o gene "defeituoso" estiver localizado na por-
o no-homloga do cromossomo X, a anomalia atingir com maior
incidncia indivduos do sexo masculino. As pessoas do sexo femini-
no s iro apresentar a "doena" em homozigose. Em heterozigose se-
ro apenas portadoras.
    Existem ocorrncias em que o gene "defeituoso" se localiza na por-
o no-homloga do cromossomo Y. Esses genes so chamados de
holndricos e se restringem ao sexo masculino, j que s os homens
carregam o cromossomo Y em seu caritipo. Neste caso, falamos em
herana restrita ao sexo. Leia o exemplo na FIGURA 1:



                        FIGURA 1 - Representa a hipertricose, doena que beira a fico, acome-
                        teu Pedro Gonzales. Nascido em Tenerife, nas Ilhas Canrias, em 1556,
                        Pedro foi dado de presente  corte de Henrique II, como se fosse um
                        bichinho de pelcia. Ele teve trs filhos (duas meninas e um menino) e
                        um neto, todos os descendentes masculinos com a mesma doena. Um
                        dos primeiros casos conhecidos de hipertricose universal congnita foi,
                        portanto, o de Pedro Gonzales. Em razo de sua inteligncia e de sua
                        presena marcante, Henrique II fez dele um de seus mais importantes
                        embaixadores. Seus filhos chegaram a ser exibidos durante festas pro-
                        movidas na corte, como exemplos de "como a natureza maligna podia
                        invadir um corpo humano pecador". Fonte: LAVNIA FONTANA DE ZAP-
                        PIS (1552-1614), Gonzles, 1585, pertence ao Castelo de Ambras, ci-
                        dade de Innsbruck, ustria. Tcnica: leo sobre tela.




    Temos, ainda, heranas de caracteres sexuais determinados por ge-
nes no localizados nos cromossomos sexuais. Nesta situao, o car-
ter tem sua manifestao em um dos sexos e no outro, no. Essa mani-
festao acontece em virtude das diferenas anatmicas ou hormonais
existentes entre os sexos masculino e feminino. Denomina-se, ento,
herana limitada ao sexo.




                                                                                                    Queheranaessa? 165
       EnsinoMdio

                              Em outros casos, possivelmente pela influncia dos hormnios se-
                           xuais, a relao dominncia ou recessividade dos alelos  diferente
                           nos machos e nas fmeas;  o que chamamos de herana influencia-
                           da pelo sexo.

                                                   Dominncia  o aspecto em
                                               evidncia. Pode estar em homozi-
                                               gose ou heterozigose.



                                                   Recessividade  o aspec-
                                               to encoberto. S se manifesta em
                                               homozigose.


                              Veja trs exemplos de "herana". Vamos apresentar suas principais
                           caractersticas para que voc possa identificar: "Que herana  essa?..."


                             Cores?noasdiferencio...
                             Essemaltemcura?
                               Percebendo haver pessoas que no conseguem enxergar ou dis-
                           tinguir determinadas cores, em 1917, o professor Dr. Shinobu Ishihara
                           (1879 - 1963), oftalmologista japons da Universidade de Tkio, desen-
                           volveu uma srie de testes para avaliar deficincias na percepo de
                           cores. Estes testes, no conclusivos, consistem em uma srie de pon-
                           tos coloridos formando determinadas letras ou nmeros, devendo ser
                           aplicados em ambientes com iluminao natural.




                                                     Dr. Shinobu Ishihara (1879 - 1963), era um mdico japons, que criou o
                                                     "teste da cor de Ishihara" para detectar deficincia da viso de cores. Shi-
                                                     nobu graduou-se em medicina no ano de 1905, em uma escola militar,
                                                     e ingressou imediatamente como mdico-cirurgio no exrcito. Mais tar-
                                                     de, especializou-se em oftalmologia. Em 1908, retornou  universidade de
                                                     Tokyo onde se dedicou  pesquisa em oftalmologia. Em 1910, passou a
                                                     lecionar na faculdade mdica do exrcito. Conduziu uma pesquisa sobre
                                                     "oftalmologia no campo de batalha" e como selecionar soldados superio-
                                                     res. Em 1912, foi  Alemanha promover estudos sobre oftalmologia e em
                                                     1915, aps a 1 guerra, retornou  Tquio. Fonte: Museu da Cor, The So-
                                                     ciety of Dyers and Colourists, Reino Unido.




166 MecanismosBiolgicos
                                                                                                                          Biologia

   Ento, voc j se perguntou se est tudo legal contigo?
   Pare...Vamos fazer uma experincia com o modelo do teste desen-
volvido pelo Professor Ishihara? Observe com muita ateno e diga
que algarismos voc v.




                 Representao de pranchas de cores da tabela de Ishirara.

    Voc conseguiu enxergar os nmeros? Que algarismos voc dis-
tinguiu? Se conseguir enxergar os algarismos 5, 8 e 74, sua viso 
normal.
    Vamos pensar sobre o que nos faz enxergar determinadas cores e
outras no. Comecemos a raciocinar a partir da natureza da luz.
    A luz  uma onda eletromagntica que possui uma extensa faixa de                                     No vcuo, a velocidade da
comprimento de onda ( ) e freqncia ( ). Cada comprimento de on-                                       luz  de aproximadamente
da diferente  responsvel por uma cor diferente, sendo que quanto                                      300.000 km/s.
menor o comprimento de onda da radiao, maior a sua freqncia.
    A luz branca, que recebemos do Sol ou de uma lmpada comum,
no  pura, ela  policromtica, ou seja,  composta por um conjunto
de cores que correspondem a uma seqncia crescente de oscilao
(freqncia) da radiao luminosa, isto , elas esto colocadas numa
ordem que vai da onda de menor freqncia para uma onda de maior
freqncia. Essas cores monocromticas (cores simples) sofrem des-
vios diferentes, por isso a luz branca, ao interagir com um prisma de
vidro ou simplesmente com gotculas d'gua, produz um feixe colori-
do, que, no caso da gua da chuva, conhecemos como arco-ris.

                                                                              Decomposio da luz
                                                                              branca - A luz bran-
                                                                              ca, quando atravessa
                                                                              um prisma  decom-
                                                                              posta em diferentes
                                                                              cores (vermelho, la-
                                                                              ranja, amarelo, verde,
                                                                              azul e violeta) da fai-
                                                                              xa visvel.




                                                                                                          Queheranaessa? 167
       EnsinoMdio

                                  Os nossos olhos so sensveis a uma determinada faixa de compri-
                              mento de onda situada aproximadamente entre 400 a 800 nm, corres-
                              pondente  luz visvel. A faixa de comprimentos de onda associada a
                              essas cores forma o que chamamos espectro visvel, ou simplesmen-
                              te luz visvel.
                                   preciso que voc compreenda que as cores so produzidas pela
                              interao da luz visvel com os objetos que absorvem uma parte dos
                              comprimentos de onda e refletem outras.
                                  Desta forma, enxergamos as "coisas" porque elas refletem uma par-
                              te da luz que  percebida pelos nossos olhos. Uma gota de sangue 
                              vista por ns como vermelha porque, quando iluminada pela luz bran-
                              ca, reflete a luz vermelha e absorve praticamente todas as outras do
                              espectro visvel.
                                  Se houver uma reflexo proporcional de todas as cores que com-
                              pem o espectro visvel, temos o branco; no caso de uma total absor-
                              o, o preto.

       Um tratamento mais                                          A guia de cabea branca (Haliaeetus leucocephalus)  nativa da Am-
    aprofundado desse te-                                          rica do Norte. Ave de rapina da famlia Accipitridae, geralmente de gran-
    ma aparece no Folhas                                           de porte, carnvora, de grande acuidade visual. No obstante, foi caada
                                                                   quase at  extino. Est atualmente protegida e em recuperao. Es-
    "Natureza da Luz",                                             ta guia tem plumagem castanha, exceto na cabea que  caracteristica-
    que est no Livro Did-                                        mente branca. Fonte: Bald Eagle at Combe Martin Wildlife and Dinosaur
                                                                   Park, situado em North Devon, Inglaterra. www.dinosaur-uk
    tico Pblico de Fsica.
    Consulte-o!
                                  Como temos dito, as cores so produzidas pelos diferentes com-
                              primentos de onda da luz visvel. Mas deve-se ressaltar que na nature-
                              za existem inmeros comprimentos de onda que os nossos olhos no
                              percebem, como, por exemplo: as microondas, as ondas de rdio, os
                              raios-X, os raios ultravioleta ou os raios infravermelhos. Por outro la-
                              do, existem animais que enxergam comprimentos de onda fora dessa
                              faixa. A guia consegue enxergar parte dos raios infravermelhos e as
                              abelhas enxergam os raios ultravioletas.




                               Representao do espectro eletromagntico.




168 MecanismosBiolgicos
                                                                                      Biologia



                 DEBATE

      Agora converse com os seus colegas e descubram as cores que vocs vem numa
   noite escura. Analisem o por qu.

   Percebemos que o mundo que nos cerca  desde a tonalidade
"amarronzada" do solo que pisamos ao azul do firmamento   colori-
do e possui os mais variados tons e cores. Em meio a essas cores, po-
demos destacar a cor-luz, que  a luz que se decompe em cores, e a
cor-pigmento, que  a luz refletida pelo objeto. Tanto a cor-luz quanto
a cor-pigmento so divididas em cores primrias e cores secundrias.


      Para maior compreenso, leia o Folhas "Uma luz na Histria da Arte"
   no Livro Didtico Pblico de Arte.


    Observe:
    Cores primrias so cores puras, sem misturas, a partir das quais se
    obtm as cores secundrias e diversas outras possibilidades de to-
    nalidades.
    Cores-luz (Mescla aditiva):


         Azul   Vermelho Verde
    Cores-pigmento (Mescla subtrativa):


         Ciano     Amarelo     Magenta

    Cores secundrias so formadas pela mistura de duas cores primrias.
    Cores-luz:
           +           =       Amarelo

           +           =       Ciano

           +           =       Magenta

    Cores-pigmento:

           +           =       Vermelho

           +           =        Verde

           +           =        Azul



                                                                            Queheranaessa? 169
        EnsinoMdio

                                       Na arte, muitos artistas se preocupam com a expressividade e o uso
                                   das cores em suas obras. Um exemplo disso so as obras da artista bra-
                                   sileira Tarsila do Amaral (1886  1973), que retratou temas da nossa
                                   cultura "abusando" das cores.


                                                                        Tarsila pintou este quadro no comeo de 1924 e
                                                                        escreveu  sua filha dizendo que estava fazendo
                                                                        uns quadros "bem brasileiros", e a descreveu
                                                                        como "um bicho esquisito, no meio do mato, com
                                                                        um sapo, um tatu, e outro bicho inventado". Este
                                                                        quadro  tambm considerado um prenncio da
                                                                        Antropofagia na obra de Tarsila e foi doado por ela
                                                                        ao Museu de Grenoble na Frana. Fonte: TARSILA
                                                                        DO AMARAL, A Cuca, 1924, Colgio do Museu
                                                                        de Grenoble, Grenoble, Frana. 73 cm x100 cm.
                                                                        Tcnica: leo sobre tela. www.tarsiladoamaral.
                                                                        com.br/obras5.htm




                                       Observe a representao da obra acima, pintada em 1924, dois
                                   anos aps a Semana da Arte Moderna de 1922, um evento onde vrios
                                   artistas expuseram seus trabalhos apresentando ao pblico uma nova
                                   concepo do fazer e compreender a obra de arte brasileira.



                        DEBATE

         Voc concorda que atravs do uso das cores um artista pode expressar uma idia? Por qu?
         As cores que voc identifica nesta obra so as mesmas identificadas por seus colegas? Compare!




                                       Sabe-se que muitos animais vivem num mundo sem cor, por exem-
                                   plo, os mamferos (exceto os primatas) no percebem as cores e vi-
                                   vem num mundo eternamente acinzentado (GRANDES TEMAS DA MEDICINA  OS
                                   OLHOS E OS OUVIDOS. 1986, p. 3).

    Rodopsina                          Este fato acontece porque no processo evolutivo, a rodopsina e os
    Fotopigmento prpura visual
                                   pigmentos azul, verde e vermelho compartilharam um ancestral co-
    (nos bastonetes), que  des-   mum. Um gene ancestral se desenvolveu no gene de bastonete para
    corada pela luz e  necess-   pigmentos e um nico gene para cones de pigmentos.
    ria  viso em luz escassa.        Pesquisas sobre fator evolutivo da viso nos animais apontam que
                                   h aproximadamente 500 milhes de anos, o gene para azul e um ni-
                                   co gene sensvel  ondas verde-vermelho divergiram, dando origem 
                                   viso dicromtica. A viso tricromtica se deu graas  diferenciao,
                                   por duplicao, dos pigmentos vermelho e verde, h cerca de 30 mi-
                                   lhes de anos. Esta viso  compartilhada pelos humanos e macacos
                                   do Velho Mundo.

170 MecanismosBiolgicos
                                                                                                                        Biologia

   A capacidade que temos em perceber a luz est nos cones e basto-
netes. Os bastonetes funcionam principalmente com baixa intensidade
luminosa e so encontrados na periferia da retina. No centro da retina
esto os cones; nele esto os fotorreceptores que contm pigmentos
que absorvem as radiaes luminosas. Os fotorreceptores sensveis 
onda curta localizam-se nos cones para o azul;  onda mdia, nos co-
nes para o verde, e  onda longa, nos cones para o vermelho.




     Organizao da retina, parte do olho dos vertebrados responsvel pela formao da imagem.  como uma
     tela onde se projetam as imagens: retm as imagens e as traduz para o crebro atravs de impulsos el-
     tricos enviados pelo nervo ptico.


    A incapacidade em distinguir ou mesmo enxergar as cores est li-
gada ao mau funcionamento dos cones, na sua converso da luz de
um determinado comprimento de onda em uma sensao de cor sub-
jetiva no crebro. Este mau funcionamento reside nos alelos "defeitu-
osos" existentes nos genes que herdamos dos nossos pais.

    Faa uma viagem nos livros de Gentica Humana ou no site
 www.evoluindo.biociencia.org/visaocores.htm. Clique em "Tpicos
 em Evoluo" e, em seguida, no artigo de Eliane Evanovich, "Evolu-
 o da viso em cores". Voc poder aprofundar seus conhecimen-
 tos sobre o fator evolutivo da viso tricromtica entre os animais.




                       DEBATE

    Partindo do princpio que os mamferos, exceto os primatas, vivem num mundo sem cor ou acin-
 zentado, qual a vantagem evolutiva em enxergar colorido e no em preto e branco ou acinzentado?




                                                                                                              Queheranaessa? 171
        EnsinoMdio

                                       Os indivduos portadores dessa deficincia, ou seja, que no con-
                                   seguem distinguir algumas cores, ou ainda, no as enxergam, so aco-
                                   metidos pelo daltonismo.
     Relembrando o que foi dis-        Esta deficincia gentica est vinculada  poro "no-homloga"
    cutido na pgina 95: "Os ge-   entre os cromossomos X e Y, nos genes relacionados  produo de
    nes que se acham localizados   protenas que expressam a pigmentao da viso do verde e vermelho.
    exclusivamente no cromos-       uma caracterstica hereditria que acomete maior nmero de pessoas
    somo X, na sua poro no-     do sexo masculino (cerca de 8%), do que do sexo feminino (0,5%).
    homloga, determinam a he-         Essa falha em visualizar ou mesmo diferenciar determinadas cores,
    rana ligada ao sexo."
                                   pode estar ligada a duas cores ou a apenas uma. Os indivduos dalt-
                                   nicos podem ser:
                                       Acromticos:  a forma mais rara do daltonismo; os indivduos no
                                   enxergam cor alguma. Vem o mundo em tons de preto e branco.
                                       Dicromticos: indivduos que possuem dois tipos de cones em vez
                                   de trs. So classificados em: protan  distrbio para reconhecer a cor
                                   vermelha; deutan  distrbio em identificar a cor verde, e tritan  dis-
                                   trbio que impede o reconhecimento da cor azul.
                                       Tricromticos anormais: possuem os trs tipos de cones, mas percebem
                                   os tons de cores alterados.  a forma mais abundante de daltonismo.


                        PESQUISA

         Que tal realizar uma pesquisa e descobrir por que essa anomalia recebeu o nome "daltonismo"...
     Para tanto, faa uma busca em livros de Gentica Humana ou no endereo eletrnico www.ufv.br/dbg/
     trab2002/hrsexo/hrs005.htm



     Curiosidade: no caso do          Voltando ao teste da p. 97, observe novamente os algarismos. Voc
    azul, o gene  autossmico     conseguiu identific-los? Descobriu do que se trata? Justifique sua res-
    dominante, com uma freqn-    posta em caso afirmativo ou negativo.
    cia de 1/500 indivduos de
    ambos os sexos.
                                        Sabia que ...
                                        Essa anomalia no traz grandes conseqncias, pois os daltnicos pos-
                                    suem uma viso normal para as demais caractersticas, causando apenas al-
                                    gumas impossibilidades nas atividades profissionais ou cotidianas (piloto de
                                    aeronaves, navios e maquinista); porm, alguns recursos pticos (lentes) tm
                                    sido desenvolvidos para facilitar a identificao das cores pelos daltnicos. As
                                    lentes objetivam filtrar ou absorver determinadas radiaes luminosas, o que
                                    proporciona maior conforto, proteo e melhora a percepo das cores.




172 MecanismosBiolgicos
                                                                                             Biologia

  Eessesangue,deondevem?
    Alm do daltonismo, existem outras heranas que apresentam os
mesmos comportamentos em suas manifestaes. Veja algumas...
    Espantoso, mas existem pessoas que podem morrer com um sim-
ples arranho. Voc sabe por qu?
     que essas pessoas tm dificuldades no processo da coagulao
sangnea, estando constantemente sujeitas  hemorragia. Se numa
pessoa normal o sangue leva de 5 a 15 minutos para coagular, naque-
las pessoas - hemoflicos - a coagulao pode levar de 30 minutos 
vrias horas.
    Existem trs tipos de hemofilia: A, B e C. As do tipo A (hemofi-
lia clssica ou real) e B (doena de Christmas) esto relacionadas ao
cromossomo X, mais precisamente com sua poro no-homloga
ao cromossomo Y. Nesses dois tipos de hemofilia, os problemas he-
morrgicos acontecem porque os indivduos tm carncia na produ-
o de determinados fatores: fator VIII ou globulina anti-hemoflica
para a hemofilia A e fator IX para a hemofilia B, ambos responsveis
pela coagulao.
    Dentre as doenas hereditrias de coagulao, a incidncia da he-
mofilia A corresponde a mais de 80% dos casos e a hemofilia B a cer-
ca de 20%.
    A hemofilia C, com uma ocorrncia menor que 1%,  determina-
da por um gene autossmico incompletamente recessivo, no estando
vinculada ao sexo, explicando a existncia de indivduos com defici-
ncia menor (parcial e sem histria hemorrgica) e outros com defici-
ncia maior.



                PESQUISA

      Busque mais informaes em livros de Biologia Geral, Gentica Humana e no site www2.ufp.pt/
 ~jcabeda/pdf/Sebenta-1996.pdf, o texto "A gentica molecular em hematologia: ferramenta
 auxiliar no diagnstico, avaliao de prognstico e follow-up". Pesquise sobre os componen-
 tes de coagulao sangnea e responda: a diferena genmica entre homens e mulheres  grande. Is-
 to interfere no fator coagulao sangnea? De que modo?


    Hoje, com o avano da medicina, as pessoas hemoflicas podem ser
tratadas com injees de plasma contendo o fator em deficincia extra-
do do sangue de pessoas normais.
    O gene para a hemofilia  muito raro, acometendo 1/10.000 ho-
mens e muito raramente as mulheres 1/100.000.000. Podemos dizer


                                                                               Queheranaessa? 173
        EnsinoMdio

                                       que, em termos percentuais, a ocorrncia da hemofilia no sexo femini-
                                       no  praticamente desprezvel, justificando-se dizer que "no existem
                                       mulheres hemoflicas".

      A hemofilia A  conheci-
    da como hemofilia real pelo
    fato de ter atingido diversos
    membros das famlias reais
    europias. Nesse caso, o ale-
    lo foi transmitido pela rainha
    Vitria, da Inglaterra, a vrios
    de seus descendentes e de-
    les para outras famlias no-
     bres da Europa.




                                        Resumo genealgico de incidncia da hemofilia na realeza europia. Fonte: GNU Free Doc. License, www.wikipedia.org




                                          Adreno...oqu???
                                          Mas,quenomeesquisito...
                                           Para incio de papo, o nome  adrenoleucodistrofia, e no  somen-
                                       te o nome que ela tem em comum com o "bicho-papo". Ela  um ver-
                                       dadeiro "bicho papo".
                                           A adrenoleucodistrofia ou ALD, conhecida popularmente como
                                       Sndrome de Lorenzo,  uma doena tambm relacionada ao cromossomo
                                       X. Felizmente sua ocorrncia  rara com uma incidncia de 1:10.000,
                                       sendo classificada em trs formas de acordo com a idade de seu incio.
                                       Observe a Tabela disponvel no endereo eletrnico www.unifoa.edu.br/
                                       genetica/genetema/ald.htm:




174 MecanismosBiolgicos
                                                                                              Biologia

                          Adrenoleucodistrofia
    Forma       Incio dos     Quadro Clnico Disfuno Disfuno
                Sintomas        Neurolgico    Adrenal   Adrenal
  Neonatal     primeiros me- deteriorao neu-       presente   5 anos
                ses de vida   rolgica, retardo
                                   mental.
 Clssica ou    entre 4 e 10       problemas de      presente   10 anos
   Infantil       anos de       percepo, per-
                   idade           da da mem-
                                 ria, da viso, da
                                  audio, da fa-
                               la, deficincia dos
                                 movimentos de
                                marcha, demn-
                                     cia grave.
    Adulta     entre 15 e 19 dificuldade de de-      presente   dcadas
    (AMN)        anos de       ambulao, in-
                   idade      continncia uri-
                             nria, impotncia,
                             deteriorao neu-
                                   rolgica.

    Assim como o "bicho-papo", ela tem um grande poder de des-            Clulas de Schwann
truio, atacando o sistema nervoso central (SNC), mais precisamente
                                                                           Clulas especiais que envol-
destruindo progressivamente a bainha de mielina. Esta bainha lipdi-       vem a fibra nervosa.
ca, produzida pela clula de Schwann, tem um efeito isolante contri-
buindo para o aumento da velocidade do impulso nervoso. Nos ver-
tebrados a bainha mielnica  encontrada em certos tratos de fibras da
medula espinhal, no crebro e no sistema simptico (sistema nervoso
autnomo).
    As vtimas da adrenoleucodistrofia podem chegar ao estado vegeta-
tivo e, posteriormente,  morte, caso no sejam medicadas a tempo.
    Atualmente, graas ao avano da medicina, faz-se o transplante da
medula ssea, cujos resultados tm sido benficos na estabilizao do
quadro neurolgico, quando realizado na fase inicial da doena. Em-
bora haja tratamentos bastante eficazes, ainda no existe uma terapia
definitiva.
    Alm destas molstias, temos muitos outros casos de herana ligada
ao sexo. Que tal fazer alguns estudos e descobrir estas outras?


    Vamos realizar uma viagem em livros de Biologia e de Gentica Huma-
 na e pesquisar nos temas "Herana ligada ao sexo" ou "Genes localizados
 nos cromossomos sexuais".




                                                                             Queheranaessa? 175
       EnsinoMdio



                     ATIVIDADES

         Com seu professor, organize a turma e assista ao filme "O leo de Lorenzo"
     (1992, EUA, direo George Miller). Ele aborda a histria de um menino que desen-
     volve uma doena rara ligada ao cromossomo X, a adrenoleucodistrofia, e de seus
     pais que, inconformados, iniciam pesquisas sobre a doena e sua cura. Em segui-
     da, discuta sobre a "validade" das pesquisas realizadas pelo pai do menino para ele
     (Lorenzo), aos outros portadores da doena e, para o avano da cincia.


                                 Voc j descobriu que heranas so essas? Creio que sim...
                                 Ento reflita e responda as questes:

                     DEBATE

         Sendo as falhas destas doenas determinadas pela poro no-homloga do cromossomo X e
     Y, voc saberia explicar por que ela acomete mais bebs do sexo masculino?
        As mulheres, normalmente, agem somente como portadoras destas anomalias. Por qu?




                     ATIVIDADES

        Explique o motivo da afirmao: "Bem afortunados ou no, pode ser que a herdamos...",
     quando nos referimos a estas heranas.



                                RefernciasBibliogrficas
                                 GRANDES TEMAS DA MEDICINA. Os olhos e os ouvidos. So Paulo: Nova Cultural,
                                 1986.



                                ObrasConsultadas
                                 BORGES-OSRIO, M. R.; ROBINSON, W. M. Gentica humana. Porto Alegre:
                                 Artmed, 2001.
                                 GRANDES TEMAS DA MEDICINA  O Sangue. So Paulo: Editora Nova Cultural,
                                 1986.
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                                 STORER, T. I. et al. Zoologia geral. So Paulo: Companhia Editora Nacional,
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                                 VOGEL, F.; MOTULSKY, A. G. Gentica humana: problemas e abordagens. Rio
                                 de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

176 MecanismosBiolgicos
                                                                                               Biologia



 DocumentosConsultadosOnlInE
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FLORES, M. R. Adrenoleucodistrofia. Gentica e Biologia molecular, Centro
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OLIVEIRA Jr., A. S. de. Daltonismo. Departamento de Biologia Geral, Universidade
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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Instituto de Fsica Gleb Wataghin.
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Urbanismo. Cores. Disponvel em: <www.arq.ufsc.br/~labcon/arq5661/trabalhos_
2001-2/iluminacao/cores.htm> Acesso em: 02 set. 2005.




                                                                                     Queheranaessa? 177
       EnsinoMdio




178 Biodiversidade
                                                                                                                                                    Biologia




                                                                                                                                    11
                                                     BIOMAS: PARASOS
                                                 NATURAIS OU RECURSOS
                                                         INESgOTVEIS?
                                                                                                                                      Joel Weolovis1
                                                                                                   (E)



                                                                                                                                              (F)
                                                      (D)




                                                                                                                                                               (G)
                                           (C)




                                     (B)                                                                                                                       (H)




                                                       (A)                                                                                          (I)


                                                                                                    (J)

                                                  Biomas brasileiros: (A) Pampa; (B) Pantanal; (C) Pantanal; (D) Amaznia; (E) Cerrado; (F) Manguezal;
                                                  (G) Caatinga; (H) Mata das Araucrias; (I) Mata Atlntica; (J) Pampa. Fonte: INPE  Instituto Nacional
                                                  de Pesquisas Espaciais e MMA  Ministrio do Meio Ambiente.




Colgio Estadual Eron Domingues - Marechal Cndido Rondon - PR
1



                                                                               Biomas:parasosnaturaisourecursosinesgotveis? 179
        EnsinoMdio

                                         O Bioma da Terra constitui a Biosfera onde voc encontrar todas
                                     as formas de vida do nosso planeta. Nela os seres vivos esto distri-
                                     budos em dois grandes agrupamentos, denominados de Bioma con-
                                     tinental ou Continental e Bioma Aqutico. Por Biosfera, voc tambm
                                     pode entender uma camada que abriga vida, assim, na litosfera, na hi-
                                     drosfera e na atmosfera vive o conjunto de todos os seres vivos da fa-
                                     ce da terra.
                                         A Biosfera est formada pelos Biomas Terrestre e Aqutico.
                                         O Bioma Aqutico, por sua vez, pode ser constitudo por gua do-


                                                   Bioma Continental                          EPINOCICLO
                                       BIOSFERA
                                                                    Bioma de gua Salgada     TALASSOCICLO
                                                   Bioma Aqutico
                                                                    Bioma de gua Doce        LIMNOCICLO


                                         O Bioma Continental  formado pelo conjunto de todos os seres que
                                     habitam a camada da Terra conhecida por solo. So exemplos os dife-
                                     rentes tipos de florestas, campos, tundra, taiga, savanas e desertos nos
                                     quais o homem, bem como os demais animais e outras formas de vida,
                                     tambm vivem e utilizam para desempenhar suas funes biolgicas.
     Endmicas so espcies              No Brasil, as reas de preservao conservam a biodiversidade de
    nativas distribudas numa rea   alguns dos nossos Biomas, como por exemplo: Mata Atlntica, Floresta
    geogrfica definida. Ex. Pi-     Amaznica, Campos Sulinos, Caatingas, Zona Costeira e Marinha. Os Bio-
    nheiro do Paran.
                                     mas da Mata Atlntica e da Floresta Amaznica so os mais estudados, po-
     Cosmopolitas so as es-         rm, falta muita informao de qualidade sobre os demais Biomas brasilei-
    pcies encontradas na maio-      ros que comportam muitas espcies endmicas e cosmopolitas.
    ria das regies geogrficas.         Bem, voc est percebendo que o Bioma  a massa de todos os se-
    Ex. pulga do camundongo.         res vivos que habitam o globo (do Grego, bios = vida e oma = massa).
                                     So dois grandes agrupamentos de seres vivos dentro de habitats dife-
                                     rentes que integram toda a biodiversidade terrestre e aqutica.




                         ATIVIDADE

           Que tal voc montar um vocabulrio de termos que necessitam de maiores explicaes para faci-
     litar o seu entendimento sobre o assunto? Pesquise, num dicionrio de Biologia, o que vem a ser: bio-
     ma, biosfera, biociclos, litosfera, hidrosfera, atmosfera, ecossistema, assoreamento, sustentabilidade e
     aqicultura.




180 Biodiversidade
                                                                                                          Biologia

     bom voc saber que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estats-
tica e o Ministrio do Meio Ambiente produziram, em comemorao
ao Dia Nacional da Biodiversidade  22 de maio, um mapa com os Bio-
mas do Brasil.

     Procure saber mais sobre os Biomas brasileiros no site do IBGE - Institu-
 to Brasileiro de Geografia e Estatstica, no endereo www.ibge.gov.br. Se-
 gundo o IBGE, o mapa atualizado  resultado da parceria entre o IBGE e o Mi-
 nistrio do Meio Ambiente (MMA). Apresenta pela primeira vez os seis Biomas
 Continentais brasileiros - Amaznia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlntica, Panta-
 nal e Pampa - e suas reas aproximadas. Procure, tambm, nos endereos
 eletrnicos do MMA  www.mma.gov.br e do IBAMA  www.ibama.gov.br


    Agora que voc j consultou o mapa, identificou que o territrio bra-
sileiro  ocupado por muitos Biomas distintos e diferenciados, ento:



                 PESQUISA

    Quais so os Biomas do nosso pas? Qual a rea aproximada de cada um deles? Que tal voc re-
 presentar, no mapa do Brasil, cada um destes conjuntos com cores diferentes? Realize esta atividade
 em seu caderno.




                       Representao do mapa poltico do Brasil.



                                                                   Biomas:parasosnaturaisourecursosinesgotveis? 181
         EnsinoMdio

                                            Convm destacar que, alm da parte continental, existem os ecos-
                                        sistemas litorneos com caractersticas prprias e com espcies bem
                                        adaptadas s condies ambientais daquele bioma.
                                            Em Geografia, costuma-se dividir o Brasil em regies que servem
                                        para delimitar o espao geogrfico facilitando suas polticas adminis-
    Ecossistema litorneo, recife de    trativas. Muitas so as propostas de diviso e esto baseadas em carac-
    coral. Fonte: MMA  Ministrio do   tersticas como a vegetao, o clima e o relevo. Em 1969, o IBGE fez a
    Meio Ambiente, foto de Leo Fran-
    cini.                               proposta, ainda usada, de regionalizar o pas adotando critrios basea-
                                        dos em elementos naturais, sociais e econmicos resultando nas cinco
                                        macro regies: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
                                            Porm, a diviso em trs complexos regionais  mais usada pois es-
                                        t baseada na natureza, economia e populao, sendo mais abrangen-
                                        te e no obedecendo as fronteiras administrativas. Os trs complexos
                                        regionais so: Nordeste, Amaznia e Centro-Sul.

                        MACRO-REGIES DO BRASIL                                         COMPLEXOS REGIONAIS DO BRASIL




    Representao do mapa do Brasil dividido em cinco macro-regies.    Representao do mapa do Brasil dividido em trs complexos regionais.



                                           O Nordeste tem quatro biomas: Zona da Mata; Agreste; Serto e
                                        Meio-Norte. O cultivo da cana-de-acar ocupou a Zona da Mata e par-
                                        te do Agreste. A criao de animais deu-se de forma mais intensa no
                                        Agreste e no Serto com tcnicas diferenciadas. A ao exploratria hu-
                                        mana dizimou a Floresta, e o solo se encontra desgastado e empobreci-
                                        do. Hoje, foram abertas novas fronteiras agrcolas no Meio-Norte.
    Caatinga  do Tupi-Guarani: caa
    (nata) + tinga (branca) = mata
    branca. Fonte: MMA  Ministrio
    do Meio Ambiente.




182 Biodiversidade
                                                                                                                              Biologia

    A Amaznia  uma extensa regio com sua mata denominada, por
alguns, de "inferno verde", pois impede, de certa forma, a ocupao
humana devido a falta de recursos e a distncia dos grandes centros. A
ao humana aconteceu no ciclo da borracha, e por meio de incurses
e navegaes pelos rios, foram instaladas cidades e povoados em suas
margens. Atualmente, so desenvolvidas atividades econmicas, extra-                                   Amaznia brasileira. Fonte: MMA
tivistas vegetal e mineral. Nos ltimos anos a Amaznia tambm vem                                      Ministrio do Meio Ambiente, fo-
sendo desmatada para criao de gado.                                                                  to de Farol Brasil.

    A regio Centro-Sul teve sua rea de cobertura florestal bastante
modificada pela agricultura, que se intensificou com o ciclo do caf e
com a formao de pastagens para criao de gado. Tambm com o
ciclo do ouro, esta regio teve a Mata intensamente devastada durante
sculos, bem como os recursos hdricos que, por meio da minerao,
deixaram uma triste herana: a contaminao de vegetais, do solo e
da gua por metais pesados. Porm, o desenvolvimento trouxe rique-
za aos povoados que foram promovidos a grandes metrpoles. Por sua
vez, estes abrigaram grandes indstrias que trouxeram com elas todas
                                                                                                       Ao humana para agricultura e
as agresses ambientais da poluio e degradao. A regio foi inten-                                  criao de gado. Fonte: MMA 
samente urbanizada.                                                                                    Ministrio do Meio Ambiente.
    Assim, o homem se relaciona com os biomas aqutico e terrestre
para poder viver, usando os recursos naturais disponveis nesses ecos-
sistemas.




 Parte da Floresta dando lugar  cidade de Curitiba.Fonte: Foto Joel Weolovis, 2005.


   Bom seria se esse relacionamento e a utilizao dos recursos na-
turais fossem feitos dentro de uma viso ecolgica de sustentabilida-
de, isto , usando adequadamente os recursos naturais em quantida-
des compatveis com a capacidade de renovao.




                                                                              Biomas:parasosnaturaisourecursosinesgotveis? 183
        EnsinoMdio



                           DEBATE

         Ser que o homem, parte integrante da Biosfera, tem a preocupao com a sustentabilidade
     dos ecossistemas? O homem seria um "problema" para o desenvolvimento das espcies? Voc
     sente que h necessidade de mudana de hbitos e atitudes nas pessoas? Em relao aos rios e
     lagos, o que deveria mudar?



                                            Interessante voc observar que o bioma aqutico est presente e in-
                                        corporado ao Bioma continental. Exemplificando: um rio que atravessa
                                        uma floresta ou um lago que se encontra dentro de um campo, e as-
                                        sim por diante. Desta forma, as guas dos mares, lagoas, rios, riachos
                                        e vertentes passam a ser verdadeiros mananciais que permitem a pros-
                                        peridade da vida animal e/ou vegetal nestes ambientes, guardando em
                                        seus sistemas formas de vida com caractersticas muito diferenciadas.
                                            No Egito, em pleno deserto, as enchentes do Rio Nilo preparavam
                                        uma extensa rea de terra agricultvel com elevado teor de fertilida-
                                        de. A matria orgnica trazida pelas guas era depositada no solo re-
                                        alizando uma adubao natural muito importante para a produo de
                                        alimentos. Com a inundao, na parte baixa do pas, formava-se o de-
    Rio Nilo, rio africano que desa-    nominado delta do Rio Nilo, onde havia uma abundncia de peixes pa-
    gua no mar Mediterrneo, no Egi-    ra a pesca, e em seus banhados e pntanos uma variedade muito rica
    to. Fonte: GNU Free Doc. License,
    www.wikipedia.org                   de animais para a caa.
                                            Assim sendo, no estudo da Biologia  importante entender que os
                                        Biomas so conjuntos integrados com seres vivos e que h um relacio-
                                        namento no s entre as diferentes espcies, mas uma interao entre
                                        Biomas. Ainda neste entendimento, pense tambm, o Bioma Aqutico
                                        ou biociclo das guas salgada e doce, respectivamente com as denomi-
                                        naes de talassociclo e limnociclo, ambos ocupam uma grande por-
                                        o do globo terrestre e com seres vivendo em diferentes situaes de
                                        luminosidade, temperatura e presso.
                                            A luminosidade pode ser entendida como a quantidade de feixes de
                                        luz que penetra na mata. Quando esta  muito densa, dificulta a entra-
                                        da de luz, o que ocasiona a escurido da floresta. A pouca luz para a
                                        vida vegetal exigiu adaptaes, como  o caso das plantas umbrfilas.
                                            As samambaias que vivem no solo so diferentes das samambaias
                                        epfitas - que vivem nos troncos de rvores - e por isso, exigem mais
                                        luminosidade para se desenvolver. Essa diferena  notada quando se
                                        altera o habitat natural dessa planta. Percebe-se, por exemplo, que a
                                        colorao de suas folhas muda.




184 Biodiversidade
                                                                                                    Biologia

    O desmatamento, ou a abertura de clareiras nas matas, trouxe co-
mo conseqncia a extino de muitas espcies vegetais que no se
adaptaram  intensa luminosidade. Isso influenciou desde a fauna ter-
restre at os peixes que habitam os rios desses Biomas. Algumas es-
pcies no conseguiram sobreviver na intensidade luminosa depois da
remoo das florestas.                                                        Desmatamento na Amaznia. Fon-
    Outro fator que influencia o Bioma  a temperatura. Quando falamos        te: MMA  Ministrio do Meio Am-
                                                                              biente, foto CNTP  Centro Nacio-
em temperatura pensamos em nossas sensaes corporais que chamamos            nal de Desenvolvimento Sustentado
de frio ou quente. No entanto, essas sensaes podem ser enganosas. Por       das populaes tradicionais.
isso, a Fsica define a temperatura como a medida do grau de agitao das
molculas que compem os corpos. Ento, quanto maior a temperatura,
maior a agitao molecular.
    Verificamos que na troposfera, camada da atmosfera em contato
com a superfcie terrestre, a temperatura  mais elevada e vai ficando
cada vez menor com a altitude, caindo de 5 C a 7 C a cada quilme-
tro. Assim, os lugares mais altos apresentam menores temperaturas e
as montanhas tm os picos cobertos de neve. O clima frio, entre ou-
tros fatores, propicia um tipo de vegetao que pode ser rasteira e de
pequeno porte, como por exemplo, as gramneas e os musgos, ou flo-            Floresta de Conferas. Fonte: GNU
restas do tipo Conferas, encontradas no Canad.                              Free Doc. License, www.wikipe-
                                                                              dia.org




                PESQUISA

    Em que as diferentes temperaturas, observadas em nossa geografia global, influenciam na formao
 dos Biomas caractersticos das regies Nordeste, Amaznia e Centro-Sul?



   O Bioma tambm recebe a influncia da presso. Esta  definida
como a relao entre a fora aplicada, perpendicularmente, sobre uma
determinada rea, conforme a frmula:


                                 p = Presso    (N/m2)
                   p= F
                      A          F = Fora      (N) Newton
                                 A = rea       (m2)


   No caso da presso atmosfrica, trata-se do peso do ar sobre os
corpos que esto sobre a superfcie da Terra. Ainda, temos a presso
hidrosttica que  a fora dos lquidos sobre os corpos submetidos a
eles, como por exemplo, os seres aquticos.



                                                   Biomas:parasosnaturaisourecursosinesgotveis? 185
         EnsinoMdio

                                              Convm voc observar que, se na troposfera a temperatura dimi-
                                          nui com a altitude, a presso tambm diminui, o que por sua vez, in-
                                          flui no tipo de Bioma ocupado em cada regio. Assim,  medida que
                                          subimos uma montanha, pode ser percebido que o ar se torna menos
                                          denso e a presso diminui. A menor densidade da atmosfera torna o
                                          clima mais seco e vamos encontrar Biomas diferentes. Isto  denomi-
                                          nado de zonao da vegetao.
                                              Por sua vez, os seres que habitam o Bioma Aqutico sentem a pres-
                                          so do lquido sobre seus corpos de forma diferenciada. Vamos anali-
                                          sar o exemplo dos peixes.
                                              Os nectnicos, que habitam a zona pelgica, apresentam o corpo
                                          comprido e muita agilidade nos movimentos. Devido as suas adapta-
    Os atuns (gnero Thunnus) so         es morfolgicas, conseguem viver melhor em guas abertas, nadan-
    um dos grupos de espcies mais        do o tempo todo.
    importantes do ponto de vista pes-
    queiro. Em 2002, foram captura-           Os bentnicos apresentam o corpo achatado e comprido dorsal-
    das, em todo o mundo, mais de         mente; os movimentos so mais lentos, com a finalidade de reduzir o
    seis milhes de toneladas de atuns
    e "espcies-afins" (de acordo com
                                          gasto de energia, e uma viso reduzida, conforme o gradiente de luz
    as estatsticas da FAO). So tam-     que vai diminuindo da superfcie da gua at grandes profundidades.
    bm muito populares na pes-
    ca desportiva.  muito difcil con-
                                              Igualmente os lquidos que circulam no interior de tubos dos se-
    servar atuns vivos num aqurio,       res vivos, animais ou vegetais, independente do Bioma em que vivem,
    mas o Monterey Bay Aquarium           apresentam um fluxo de presso que  igual  razo entre a fora atu-
    tem alguns exemplares em exibi-
    o. Fonte: NOAA - National Oce-      ante e a sua rea. Por exemplo, a presso arterial sangunea  impor-
    anic & Atmospheric Administra-        tante e auxilia no entendimento sobre o comportamento fisiolgico
    tion, Departamento de Comrcio
    dos EUA.
                                          humano, j que regula todo o metabolismo orgnico com todas as ati-
                                          vidades conhecidas.
                                              Ento, ocupando uma enorme extenso de rea, este bioma de-
                                          sempenha funes especficas dentro da biodiversidade terrestre. As-
                                          sim, o ecossistema formado pelas guas no poderia servir apenas de
                                          depsito para suprimento lquido mineral do homem e demais seres
                                          vivos, mas abriga vida e com certa abundncia. Mesmo existindo or-
                                          ganismos vivos em seu interior, estas guas podem ser paradas (lnti-
                                          cas) ou correntes (lticas), favorecendo ou dificultando o desenvolvi-
                                          mento das espcies.


                            PESQUISA

        Qual a porcentagem de gua no nosso planeta? Qual a porcentagem de gua salgada? E de gua
     doce? Que tal representar estas porcentagens em um grfico legendado em forma de crculo?




186 Biodiversidade
                                                                                                 Biologia

   Para sua melhor compreenso na busca de solues aos desafios
do problema proposto, o bioma aqutico ser dividido em partes. Co-
mo j vimos  divido em limnociclo e talassociclo.


                          Bioma de gua Salgada      TALASSOCICLO
         Bioma Aqutico
                          Bioma de gua Doce         LIMNOCICLO



    Quanto  distribuio dos seres vivos na superfcie da gua voc
vai encontrar as espcies de seres planctnicos que, pela ausncia de
apndices locomotores, ficam flutuando livremente na correnteza. Es-
ses seres so denominados de:
    Fitoplncton - so importantes na produo de alimentos dentro da
    cadeia alimentar e de oxignio atmosfrico (O2), por exemplo algas
    clorfitas; cianofceas e protistas como as diatomceas, as euglen-
    fitas e os dinoflagelados;
    Zooplncton - que so formados pelos microcrustceos; protistas;
    larvas de insetos, esponjas, celenterados, moluscos, equinodermos
    e urocordados; alevinos (larvas de peixes), entre outros.
    Portanto,  necessrio dar muita importncia aos seres planctni-
cos, principalmente por dois fatores: o primeiro, por serem os produ-
tores da cadeia alimentar, tanto para os seres vivos da superfcie da
gua, como para aqueles que se encontram situados logo abaixo; e o
                                                                             Colnia de cianobactrias
segundo, por serem auttrofos fotossintetizadores e estarem expostos
                                                                             Anabaena sperica , "Algas
 intensidade luminosa, produzem um excedente de O2 (oxignio li-            azuis". Fonte: Foto dispon-
vre) que  lanado na atmosfera. Essa produo de oxignio  capaz           vel no site do Dr. Ralf Wag-
                                                                             ner, www.dr-ralf-wagner.de
de garantir a nossa sobrevivncia e a dos demais seres vivos aqui na
Terra. Estes motivos o levaro a entender porque o bioma aqutico 
to importante e deve ocupar parte do seu tempo e de sua preocupa-
o nos estudos.




               PESQUISA

    Qual seria o tamanho dos corpos dos seres vivos que fazem parte do plncton? Por que no afun-
 dam? O que voc poderia apontar como problemas atuais para a sobrevivncia desses organismos?




                                                  Biomas:parasosnaturaisourecursosinesgotveis? 187
        EnsinoMdio




                                         Plantas e Animais aquticos - Fonte: Joel Weolovis, Marechal Cndido Rondon, 2005.


                                            No interior das guas, voc encontrar, deslocando-se voluntaria-
                                        mente, os seres nectnicos representados pelos peixes, mamferos (ce-
                                        tceos), moluscos (lula e polvo), rpteis (tartarugas), crustceos (cama-
                                        ro), entre outros.
                                            Voc sabe que anualmente, desta parte do bioma aqutico, a ati-
                                        vidade pesqueira retira milhares de toneladas de peixes, camaro, la-
                                        gosta, etc, e que tem elevada importncia para o consumo alimentar
                                        humano. Na aqicultura, os audes de gua doce participam com a
                                        produo de: peixes, camares, rs, entre outras espcies.
                                            E ainda, submersos no fundo das guas, locomovendo de uma ou
                                        outra forma ou mesmo fixos, voc encontrar os seres bentnicos, co-
                                        mo por exemplo, os celenterados (anmonas e corais), crustceos (cra-
                                        cas, lagostas, lagostim), espongirios, equinodermos ou moluscos (os-
                                        tras e mariscos).
    Lagosta  o nome genrico dado          Pelos exemplos, voc percebeu que h uma rica biodiversidade
    aos crustceos decpodes mari-      nesse benthos que em grego significa "fundo". No bioma aqutico, os
    nhos da subordem Palinura, ca-
    racterizados por terem as antenas
                                        alimentos precisam ser levados desde a superfcie da gua at o fun-
    do 2 par muito longas e os ur-    do onde vivem os seres bentnicos. Esse transporte de alimentos, den-
    podes em forma de leque.            tro do corpo lquido, obedece aos fenmenos fsicos da densidade e
                                        do empuxo.




                           PESQUISA

        Os rios, lagoas, mares e outros ambientes aquticos tm merecido ateno e cuidados das pessoas.
     Quais os problemas que o crescimento das cidades poderia trazer para a qualidade e a vida na gua?
         O desmatamento, para ocupao pelas lavouras, pode oferecer alguns problemas ao Bioma Aqu-
     tico. Cite alguns.




188 Biodiversidade
                                                                                                  Biologia



                PESQUISA

    Como os alimentos chegam at o fundo se so produzidos em grande parte na superfcie da gua?
    Como os seres bentnicos recebem alimentos?



   Para compreender melhor o conceito de densidade, vamos consi-
derar a relao existente entre a massa de um corpo e o seu volume,
matematicamente representada pela frmula:

                   d= m           d = densidade (g/cm3)
                      V
                                  m = massa      (g)
                                  V = Volume     (cm3)

   Se voc pegar o volume de 1 litro (1.000 cm3) de gua e pesar, ver
que a massa ser de 1 quilograma (1.000 g), portanto 1.000 dividido
por 1.000  igual a 1. Neste exemplo, a densidade  medida em gramas
por cm3, logo, a densidade da gua  1 g/cm3.



                ATIVIDADE

     Tente repetir a experincia do exemplo acima, mas agora com 1 litro de leo e depois com 1 litro de
 areia fina (pois esta ter menos espaos de ar entre as suas partculas ficando mais compactada). Ento
 analise qual a densidade do leo e da areia. O que acontece se voc colocar uma colher de leo e uma
 de areia na gua?



   Com o experimento acima, voc deve ter observado que a densida-
de varia em cada um dos exemplos, sendo uma medida da concentra-
o de massa em certo volume.
   Muito bem, ento a densidade da gua tambm  varivel. A densi-
dade da gua doce  maior que a da gua salgada em decorrncia da
variao na concentrao de molculas nelas dissolvidas.
   Voc tambm pode associar a densidade com decantao, que 
muito usada nos laboratrios de Qumica para fazer a separao de
misturas heterogneas. Para exemplificar, uma gua barrenta, devido
a maior densidade dos slidos suspensos, sedimenta o barro no fun-
do do recipiente.




                                                       Biomas:parasosnaturaisourecursosinesgotveis? 189
        EnsinoMdio

                                            Nessa mesma reflexo, voc deve ter lido nos livros de Fsica que o
                                        filsofo, cientista e matemtico Arquimedes, enquanto se banhava nu-
                                        ma piscina, percebeu que um corpo mergulhado num lquido ficava
                                        "mais pesado" ou "mais leve" devido a uma fora. Essa fora que o l-
                                        quido exerce sobre o corpo hoje  denominada de "empuxo".
                                            Portanto, num corpo que se encontra imerso num lquido, agem
                                        duas foras: a fora peso (P), ocasionada pelo efeito da fora de gravi-
                                        dade que atrai os corpos para o centro da Terra e a fora de empuxo
                                        (E), devido sua interao com a gua.
                                            A densidade da gua tambm pode ser medida em relao ao em-
    Arquimedes (287 a.C. - 212 a.C.)    puxo exercido sobre um volume mergulhado dentro dela. Esta fora
    foi um matemtico e inventor gre-    devido s diferenas das presses hidrostticas que atua no objeto
    go, nascido em Siracusa, na Si-
    clia. Foi o mais importante ma-    mergulhado no lquido.
    temtico da Antigidade. Fonte:         Portanto, no limnociclo, os seres vivos esto ocupando todos os
    DOMENICO FETTI, Archimedes,
    1620, Mantua, Itlia. Pertence ao   espaos da gua e em todas as situaes de profundidade necessitam
    Alte Meister Museum, Dresden,       que os alimentos estejam disponibilizados. Isso  possvel graas a re-
    Saxnia, Alemanha.
                                        lao entre densidade e empuxo, onde um alimento pode estar numa
                                        das trs situaes: flutuao, equilbrio ou afundamento. Em Fsica, so
                                        representados respectivamente como segue:

                                               P<E                       P=E                       P>E




                           ATIVIDADE

         Qual a influncia da densidade sobre os seres aquticos? Explique e exemplifique como a presso
     e o empuxo podem interferir sobre as caractersticas morfolgicas dos seres aquticos. O que aconte-
     ce quando so lanadas substncias com densidade maior e menor que 1 (um) no meio aqutico?



                                           Voc sabia que aqui no Paran temos a maior hidreltrica do mun-
                                        do? Se voc ainda no conhece, procure entrar no endereo eletrni-
                                        co www.itaipu.gov.br para conhecer.
                                           A construo da usina formou um lago com 1.350 km2 e um volume
                                        de 29 bilhes de m3 de gua represada, a qual  renovada em mdia a
                                        cada 32 dias. Sendo a gua a matria prima da usina, a Itaipu mantm
                                        programas de manejo do solo atravs de micro-bacias para evitar o as-
                                        soreamento do lago, bem como, o monitoramento da contaminao da
                                        gua pelos agrotxicos usados na agricultura ribeirinha.
                                           A Companhia Binacional de Itaipu fez um estudo sobre a piscosi-
                                        dade no Rio Paran, com cinco espcies mais comuns na pesca, antes
                                        da construo da barragem e outro depois do represamento das guas,
                                        com os seguintes resultados:

190 Biodiversidade
                                                                                                           Biologia

  ANTES - Rio Paran                   DEPOIS - Lago de Itaipu
1) Cascudo-preto - 22 % 1) Armado - 38 %, cerca de 550 toneladas ano
2) Dourado - 17 %          2) Corvina - 15 %, cerca de 210 toneladas ano
                                                                                  Peixe armado (Pterodoras granulosos).
                                                                                  Uma das principais caractersticas
3) Pacu - 13 %             3) Mapar - 13 % cerca de 180 toneladas ano
                                                                                  desse peixe so os acleos (espi-
4) Ja - 10 %              4) Curimba - 8 % cerca de 105 toneladas ano          nhos em forma de asas de borbo-
                                                                                  leta que possui em cada lado do
5) Pintado - 9 %           5) Barbado - 5 % cerca de 60 toneladas ano           seu corpo). Tem cor amarronzada,
                                                                                  pode alcanar um metro de com-
                                                                                  primento e pesar 8 quilos. Onvo-
                                                                                  ro, alimenta-se de quase tudo o
                                                                                  que encontra, de vegetais a inse-
                                                                                  tos. Fonte: Lago de Itaipu, Foz do
                  PESQUISA                                                        Iguau. www.itaipu.gov.br



    Repensando a questo do limnociclo, a construo da represa  um ga-
 nho ou uma perda ambiental? Forma um novo bioma ou agride o original?


    Toda a riqueza de um Bioma, por si s, j justificaria o estudo pa-
ra assegurar a conservao e o manejo da sua biodiversidade. Por isso,
toda forma de vida possui o seu valor econmico ou ecolgico. Por-
tanto, conservar um bioma  garantir a existncia das diversas espcies
que nele se estabelecem e, conseqentemente, a sua existncia para a
presente e as futuras geraes.

  ObrasConsultadas
   DAJOZ, R. Princpios de ecologia. So Paulo: Artmed, 2000.
   ODUM, E. P. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988.
   POPP, H. J. Geologia geral. Rio de Janeiro: Livros Tcnicos e Cientficos, 1998.
   PRIMACK, R. B.; RODRIGUES, E. Biologia da conservao. Londrina: Planta, 2005.
   RAVEN, P. H. Biologia vegetal. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1992.
   STORER, T. I. et al. Zoologia geral. So Paulo: Biblioteca Universitria, 2002.
   TIPLER, P. A. Fsica moderna. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1981.


  DocumentosConsultadosOnlInE
   IBAMA. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovveis. Unidades de
   conservao. Disponvel em: <www.ibama.gov.br> Acesso em: 26 ago. 2005.
   IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica. Geocincias: recursos naturais. Disponvel em:
   <www.ibge.gov.br> Acesso em: 26 ago. 2005.
   ITAIPU BINACIONAL. Meio ambiente. Disponvel em: <www.itaipu.gov.br> Acesso em: 26 ago.
   2005.
   MMA. Ministrio do meio ambiente. Biodiversidade e florestas. Disponvel em: <www.mma.gov.br>
   Acesso em: 26 ago. 2005.

                                                     Biomas:parasosnaturaisourecursosinesgotveis? 191
       EnsinoMdio




192 Biodiversidade
                                                                                                                                         Biologia




                                                                                                                            12
                                                                             MATA ATLNTICA:
                                                                                 SOCORRO!!!
                                                                               CAD VOC???
                                                                                                                               Joel Weolovis1


                                                                                  arece brincadeira de criana de
                                                                                  "esconde-esconde" ou ainda a
                                                                                 procura de algo escondido.
                                                                                 Bem, voc no vai procurar por a
                                                                         uma mata escondida, no  mesmo? Deve
                                                                          estar imaginando que a questo  muito
                                                                          mais sria do que uma simples brincadei-
                                                                        ra. Se voc pensou assim, acertou.




                                           Representao da cobertura original da Mata Atlntica.     Representao da cobertura atual da Mata Atlntica.


                                                   Fonte: SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem, Curitiba/PR. www.spvs.org.br




Colgio Estadual Eron Domingues - Marechal Cndido Rondon - PR
1



                                                                                             MataAtlntica:socorro!!!Cadvoc??? 193
         EnsinoMdio


                                              O que aconteceu com o bioma Mata Atlntica?
                                              Houve a necessidade disso ter acontecido?
                                              O que fazer para controlar esta situao?
                                              A situao da Mata Atlntica, hoje, poderia ser diferente?


                                             O Bioma "Floresta Atlntica"  composto por um conjunto de for-
                                         maes florestais tipo Ombrfilas: aberta, densa e mista, alm de man-
                                         guezais, restingas, campos de altitudes e brejos que abrigam a maior
                                         diversidade de espcies por hectare entre as florestas tropicais brasilei-
                                         ra. Devido sua grande biodiversidade,  considerado um ecossistema
                                         de enorme importncia para o nosso planeta.


                                              BIODIVERSIDADE pode ser entendida como a grande variedade de
                                          espcies de seres vivos da terra. Portanto biodiversidade  o conjunto de
                                          toda a vida no nosso planeta com todas as espcies de vegetais, animais,
                                          microrganismos, bem como, toda variabilidade gentica dentro das esp-
                                          cies (genes) e toda a diversidade dos ecossistemas, tanto de espcies sil-
                                          vestres como domesticadas pelo homem.


                                            Um patrimnio rico em espcies animais e vegetais sendo que algu-
                                         mas so nicas no mundo, o que contribui para que o Brasil seja consi-
                                         derado titular da maior Biodiversidade do planeta. Essa riqueza de for-
                                         mas de vida fez com que a UNESCO declarasse a Mata Atlntica como
                                         "Reserva da Biodiversidade e Patrimnio da Humanidade".
                                            Em razo disto, em 1999, o dia 27 de maio foi escolhido como o Dia
                                         Nacional da Mata Atlntica por ter sido nesta data, no ano de 1560, que
                                         o Padre Anchieta assinou a carta de So Vicente (atual cidade de So
                                         Paulo). Foi o primeiro documento que tratou da biodiversidade das
                                         matas brasileiras.
    O Mico-leo-dourado
    (Leontopithecus rosalia)  um pri-
    mata encontrado originariamen-
    te na Mata Atlntica, no Sudeste          "...Anchieta trata das coisas peculiares da terra (scribit de rebus terrae
    brasileiro. Encontra-se em estado     peculiaribus), abrangendo situao, estaes do ano, ventos, tempesta-
    de conservao crtico.
    Fonte: IBAMA - Instituto Brasilei-    des, sol, chuva e durao dos dias, o peixe boi, a pesca, a cobra sucuriju-
    ro de Meio Ambiente e dos Re-         ba, lagartos, a capivara (locus, tempora anni, venti, tempestates, sol, pluvia,
    cursos Naturais Renovveis, MMA
    - Ministrio do Meio Ambiente.
                                          et dierum spatia, boves marinus, piscatus, angues "sucuriuba", lacerti, ani-
                                          mal "capivara" dictum) e, mais, ainda: as lontras (lutrae, a Lontra paranensis
                                          Rengger, existente no Brasil Sul), o caranguejo e a cura do cncer (cancri
                                          animalia, et sanatio a cancro morbo), as cobras jararaca, cascavel e outras
                                          (colubres "iararaca", "cascavel", aliique)"... Epistola Rerum Naturalium do ir-
                                          mo Jos de Anchieta (GOMES, 2003).




194 Biodiversidade
                                                                                                                                            Biologia

   O ambiente diversificado da Mata Atlntica favorece a existncia de                                                   ESPCIES ENDMICAS
aproximadamente 2.100 espcies de mamferos, aves, rpteis, anfbios                                                    Espcies encontradas ape-
e peixes. As estimativas apontam que a Mata abriga mais de 10.000 es-                                                   nas numa certa regio.
pcies de plantas sendo que muitas delas so endmicas.
   Uma espcie endmica da Mata Atlntica, presente no Rio Grande
do Sul, Paran e Santa Catarina e nas maiores altitudes dos Estados de                                                    ESPCIE
So Paulo e Minas Gerais,  o pinheiro-do-paran, pinheiro-brasileiro                                                   Grupo de seres vivos gene-
ou Araucaria angustifolia. Esta espcie apresenta uma copa em for-                                                      ticamente semelhantes entre
ma de clice o que caracteriza a paisagem da Mata Atlntica nas Regi-                                                   si e capazes de se reproduzir
                                                                                                                        e dar origem a descenden-
es Sul e Sudeste do Brasil.
                                                                                                                        tes frteis e isolados repro-
                                                                                                                        dutivamente de outros se-
                                                                                                                        res vivos.
                                                                      Um exemplo da influncia
                                                                  desta espcie, foi o nome da-
                                                                  do  cidade de Curitiba. Uma
                                                                  das verses aceita hoje,  a
                                                                  dos ndios tupi-guarani (Tu-
                                                                  pi, J e Guarani) que usaram
                                                                  a expresso cor (pinho)
                                                                  etuba (muito) para identificar
                                                                  a rea onde hoje se encon-
                                                                  tra esta cidade. Outra verso,
 A Araucaria angustifolia ou Pinheiro-do-Paran  a nica es-     tambm em guarani, combina
 pcie do gnero encontrada no Brasil e cuja ocorrncia no-       Kurit (pinheiro) e Yba (gran-
 meou a cidade de Curitiba. Fonte: http://paisagensbrasileiras.
 fateback.com
                                                                  de quantidade).



        QUEBRANDO MITOS
      O principal disseminador de sementes da Araucaria  a gralha-azul, con-
  siderada a ave smbolo do Estado do Paran. Esta ave faz seu ninho no pi-
  nheiro e, ao contrrio do que diz a crena popular, ela no enterra a semen-
  te no solo para no ficar exposta aos seus predadores. Como raramente ela
  come o pinho no local onde o encontra, acaba perdendo algumas semen-
  tes durante o vo, contribuindo com a sua disseminao.



                                              Gralha azul (Cyanocorax caeruleus)  uma ave passeriforme da fa-
                                              mlia dos Corvdeos, com aproximadamente 40 cm de comprimen-
                                              to, de colorao geral azul vivo e preta na cabea, na parte frontal do
                                              pescoo e na superior do peito. No folclore do Estado do Paran atri-
                                              bui-se a formao e manuteno das florestas de Araucria a este
                                              pssaro, como uma misso divina, razo porque as espingardas ex-
                                              plodiriam ou negariam fogo quando para elas apontadas. Talvez por
                                              esta razo a Lei Estadual n. 7957 de 1984 a consagra como "ave
                                              smbolo" do Estado do Paran. Fonte: IPEF  Instituto de Pesquisas e
                                              Estudos Florestais, USP. Universidade de So Paulo.




                                                                                                  MataAtlntica:socorro!!!Cadvoc??? 195
          EnsinoMdio

     Crtico do papel desempe-                 Na poca do descobrimento do Brasil, a Mata Atlntica estendia-se
    nhado pelos bandeirantes,              do Cabo de So Roque, no Rio Grande do Norte at as Serras Herval e
    Joo Capistrano de Abreu               Tapes, no Rio Grande do Sul. A Mata era mais exuberante e com maior
    (1853 - 1927), historiador             nmero de espcies do que a Floresta Amaznica. Ela desenvolveu-
    brasileiro, deu nfase s vio-         se sobre uma extensa cadeia montanhosa, ao longo do litoral brasilei-
    lncias por eles praticadas            ro, onde os ventos que sopram do mar garantem a umidade necess-
    contra as redues jesuti-            ria que resulta em chuvas constantes na regio (NEIMAN, 1989).
    cas e as populaes indge-
                                               Nas lutas entre os ndios e os colonizadores, a condio atmosf-
    nas, episdios que Debret e
                                           rica de muita umidade da mata virgem, impedia o funcionamento das
    Rugendas recriaram em seus
      trabalhos artsticos.
                                           armas de fogo dos europeus, os quais se convertiam em vtimas fceis
                                           para os indgenas, que, com apenas arco e flecha, os "trucidava sem
                                           d nem piedade" (HOLANDA, 2001).
                                               A Mata Atlntica compreende um conjunto de formaes vegetais
                                           presentes em 17 Estados brasileiros, com maior ou menor rea flores-
                                           tal, considerada o segundo ecossistema mais ameaado de extino
                                           do mundo. Isso vem acontecendo desde o sculo XVI, com a coloni-
                                           zao europia que tinha como objetivos apenas a explorao de su-
                                           as riquezas.
                                               Foi nos domnios deste Bioma, originalmente com 1,3 milhes de
                                           quilmetros quadrados, que tambm comeou a histria da formao
                                           do territrio que originou o Brasil. Hoje, aproximadamente 120 mi-
    Pintura de Jean-Baptiste Debret        lhes de habitantes esto distribudos por cidades e povoados presen-
    (1768 - 1848). Fonte: GNU Free         tes nesta rea. Essa ocupao histrica levou ao desmatamento sem
    Doc License, www.wikipedia.org
                                           controle da Mata Atlntica, e teve como conseqncia a fragmentao
                                           dos habitats e a reduo da sua biodiversidade.

                                             Para aprofundar seus conhecimentos sobre a formao do territrio brasilei-
                                            ro, leia o Folhas "O Brasil podia ser diferente?" no Livro Didtico Pblico
                                            de Geografia.


                                              A fragmentao da Mata Atlntica  um dos principais problemas
     Guerrilhas, gravura de Johann Oritz
     Rugendas (1802 - 1858). Fonte:        que afeta e ameaa a preservao das espcies e a sustentabilidade da
     Enciclopdia Ita Cultural de Artes   sua biodiversidade. As principais causas da fragmentao foram o au-
     Visuais, www.itaucultural.org.br
                                           mento do nmero de reas urbanas, agrcolas, mineraes, barragens,
                                           aterros, estradas e outras construes.
     FRAGMENTAO
                                              A Mata Atlntica foi considerada a segunda maior floresta brasileira
     todo processo de origem              estando hoje com cerca de 7% da sua rea primitiva. Em algumas regi-
    antrpica que provoca a divi-          es no h vestgios da Mata, como, por exemplo, no Rio Grande do
    so de reas de matas natu-            Norte. Avalia-se que 80% da Mata remanescente encontram-se em pro-
    rais contnuas em partes me-           priedades particulares e apenas 2% fazem parte das Unidades de Con-
    nores.                                 servao, institudas pela Lei N 9.985 de 18 de Julho de 2000 e regu-
                                           lamentadas pelo Decreto 4.340/2002 (PEIXOTO, 2004).




196 Biodiversidade
                                                                                                   Biologia




 Representao da distribuio original da Mata Atlntica no Brasil.
 Fonte: SOS Mata Atlntica - www.sosmataatlantica.org.br




 Representao da distribuio atual da Mata Atlntica no Brasil.
 Fonte: SOS Mata Atlntica - www.sosmataatlantica.org.br

                                                                       MataAtlntica:socorro!!!Cadvoc??? 197
        EnsinoMdio

                                         Muitas regies da Mata Atlntica esto inalteradas por estarem em
                                      locais de difcil acesso o que vem garantindo o abrigo de animais, a
                                      conteno das encostas, o banco de espcies da exuberante flora, e os
                                      mananciais hdricos que abastecem mais 70% da populao brasileira.


                          ATIVIDADE

        Se a Mata Atlntica ocupou uma rea estimada de 1,3 milhes de km2 e hoje existem apenas 7%
     de sua rea primitiva, ento qual  a sua rea atual?
          Que fatores humanos contribuiram no processo de fragmentao e de reduo da rea primitiva?




                                          Vocjouviufalaremunidadesdeconservao?
                                           Entocontinuealeitura...
                                          As unidades de conservao so reas com recursos ambientais de
                                       caractersticas relevantes e legalmente constitudas pelo Poder Pbli-
                                       co. So duas categorias dependendo do tipo de uso e manejo:
                                          Unidades de Proteo Integral cuja finalidade  proteger a natureza,
                                       podendo ser admitido o uso indireto dos seus recursos naturais.
                                       Compreendem:

                                                      1.   Parque Nacional (exemplo, de Ilha Grande - PR);
                                                      2.   Reserva Biolgica (exemplo, das Araucrias  PR);
                                                      3.   Estao Ecolgica (exemplo, do Taim  RS);
                                                      4.   Monumento Natural (exemplo, das rvores  TO);
                                                      5.   Refgios de Vida Silvestre (exemplo, do Rio Tibagi  PR).
                                                      Unidades de Uso Sustentvel tem a finalidade de equilibrar o
    Parque Nacional de Ilha Grande - PR. Fonte:
    IBAMA - www.ibama.gov.br                       uso direto dos seus recursos com a conservao da natureza.
                                                   Compreendem:
                                                      1. rea de Proteo Ambiental (exemplo, de Guaraqueaba
                                                          PR);
                                                      2. Floresta Nacional (exemplo, de Sarac-Taquera  PA);
                                                      3. Reserva Extrativista (exemplo, Chico Mendes  AC);
                                                      4. Reserva de Fauna (exemplo, das Perobas  PR);
    rea de Proteo Ambiental de Guaraqueaba -      5. rea de Relevante Interesse Ecolgico (exemplo, da
    PR. Fonte: IBAMA - www.ibama.gov.br                  Serra das Abelhas  SC);
                                                      6. Reserva de Desenvolvimento Sustentvel (exemplo, de
                                                         Mamirau  AM);
                                                      7. Reserva Particular do Patrimnio Natural (exemplo, da
                                                         Capetinga  GO).

198 Biodiversidade
                                                                                                                        Biologia


     Para saber mais sobre outros exemplos de Unidades de Conservao,
 incluindo fotos e mapas, visite o site do IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio
 Ambiente e Recursos Naturais Renovveis - www.ibama.gov.br .


    A histria da fitogeografia brasileira teve incio com a classifica-
o de Martius em 1824, que usou o nome da divindade Dryads pa-
ra nomear a flora da Costa Atlntica; em 1926, o gegrafo Gonzaga de
Campos a classificou como Floresta Atlntica e, em 1943, o fitogegra-
fo Lindalvo Bezerra dos Santos usou pela primeira vez o termo "Mata
Atlntica" na classificao, por levar em considerao o carter fision-
mico das formaes vegetais.
    Outros gegrafos e botnicos fizeram a classificao da vegetao bra-
sileira, mas todos empregaram o mesmo nome pelo fato dessa vegetao
ter ocupado a costa brasileira, a qual  banhada pelo Oceano Atlntico.
    Por ser um sistema to diversificado e, ao mesmo tempo to frgil,
 que o Bioma tropical da Mata Atlntica tem merecido cuidado espe-
cial. O desmatamento da Mata, por exemplo, leva a um rpido empo-
brecimento do solo da regio, uma vez que as guas das chuvas trans-                             FIGURA 12 - A Drade ou Drada,
                                                                                                 na mitologia grega, era uma nin-
portam os minerais para os lenis subterrneos e para reas de menor                            fa associada aos carvalhos. Sua
altitude. O solo, geralmente de composio argilosa, sofre rpida ero-                           existncia estava vinculada a de
so ou endurecimento da sua superfcie aps o desmatamento e quei-                               sua rvore, caso esta fosse abati-
                                                                                                 da, a ninfa pereceria. Fonte: EVE-
mada, tornando-se difcil para o cultivo agrcola.                                               LYN DE MORGAN (1850 - 1919),
    Assim como em grande parte do Estado do Paran, a regio de Ti-                              The Dryads, 1895, Pertence ao
                                                                                                 Columbia Museum of Artes, Sou-
bagi, no interior do Estado, era coberta originalmente pela Mata Atln-                          th Caroline, EUA. Aprox. 185 x
tica, mas parte de sua rea foi antropizada com a ocupao por pasta-                            85 cm. Tcnica: leo sobre tela.
                                                                                                 www.columbiamuseum.org
gens e cultivos.
    Observe nas fotos a seguir a ao antrpica no Bioma Mata Atlntica:




                  FIGURA 1 - Ao antrpi-        FIGURA 2 - Resultado da
                  ca na regio de Tibagi/PR.      antropizao na regio de Ti-
                  Desmatamento. Fonte: Fo-        bagi, PR. Desgaste do solo.
                  to de Joel Weolovis, Tiba-     Fonte: Foto de Joel Weolo-
                  gi, Paran, 2005.               vis, Tibagi, Paran, 2005.




                  Figura 3 - Fonte: Ministrio    Figura 4 - Eroso. Fonte: Foto
                  de Meio Ambiente - des-         de Maria Gertrudes Damaceno.
                  matamento na regio de          www.diaadiaeducacao.pr.gov.br
                  Palmas/PR, 2004.


                                                                                   MataAtlntica:socorro!!!Cadvoc??? 199
         EnsinoMdio



                           ATIVIDADE

        Voc pode perceber agresses antrpicas no ecossistema mostrado nas figura 1. 2, 3 e 4 da
     pgina 199. Com base nessas imagens, responda:
          a) Quais as conseqncias possveis vindas dessa ao antrpica?
          b) Por que podemos considerar este solo como sistema tambm frgil?
          c) Liste 3 possveis conseqncias decorrentes dessa ao antrpica.



                                           VocsabiaqueaaoantrpicanaMataAtlnticafez
                                            partedahistriadaocupaodoterritriobrasileiro?
                                             Os acontecimentos histricos ocorridos, desde a colonizao do
                                         Brasil at os dias atuais, ajudam a entender as relaes entre a explora-
                                         o e o ambiente da Mata Atlntica. Portanto, a histria de devastao
                                         da Mata Atlntica confunde-se com a prpria histria do Brasil.
                                             Os portugueses quando chegaram ao Brasil, no sculo XV, tinham
                                         como objetivo explorar as riquezas aqui encontradas. Toda histria flo-
                                         restal, corretamente entendida, em todo mundo,  uma histria de ex-
                                         plorao e destruio (DEAN, 2000).
                                             No sculo XVI, o pau-brasil foi o primeiro recurso natural de valor
                                         que os portugueses retiraram da mata utilizando a mo-de-obra ind-
                                         gena. Era uma atividade primitiva e nmade que se deslocava pela Ma-
                                         ta Atlntica atravs do litoral  medida que a madeira ia se esgotando,
                                         motivo pelo qual no originava ncleos de povoamento significativos.
                                         Havia muito desperdcio do pau-brasil, pois os ndios antecipavam cor-
                                         tes que acabavam se perdendo. Tambm as queimadas e a ocupao
                                         reduziram 6 mil quilmetros quadrados da Mata Atlntica apenas no
                                         primeiro sculo da colonizao (DEAN, 2000).
                                             Mas os portugueses precisavam garantir a posse da terra, pois ti-
                                         nham fracassado na transferncia de riquezas para Portugal. Para redu-
    Pau-brasil (Caesalpinia echinata).   zir custos de colonizao, criaram, em 1534, as Capitanias Hereditrias
    Fonte: MMA - Ministrio do Meio      que eram grandes lotes de terras cobertos pela mata virgem, concedi-
    Ambiente.
                                         das aos donatrios para promover a colonizao e sua explorao.
                                             Em Pernambuco e So Vicente, grandes reas da Mata Atlntica fo-
                                         ram derrubadas para a implantao de povoados e do plantio da cana-
                                         de-acar. Os plantadores de cana-de-acar no achavam a mata in-
                                         teressante. A mata era considerada um obstculo s suas pretenses.
                                         Assim como a cana-de-acar, outras culturas tambm foram introduzi-
                                         das no Brasil, trazidas do Velho Mundo, como por exemplo, a banana.



200 Biodiversidade
                                                                                                                      Biologia

    A Mata Atlntica "vivia" em perigo, pois os colonizadores no le-
vavam em considerao o ambiente que era tido como inspito, e por
isso desenvolviam a prtica da derrubada e da queimada como nica
maneira fcil e barata de avanar aumentando as reas agrcolas.
    Com a invaso dos Holandeses, ainda no sculo XVII, foi dado um
novo incremento  produo do acar com aumento das reas de cul-
tivo da cana e das instalaes dos grandes engenhos que eram as uni-
dades produtoras do acar. Os engenhos necessitavam de muita ma-
deira para sua construo e muita lenha para as fervuras dos caldos da
cana, que tambm eram retiradas da mata.
    No incio do sculo XVII, o relacionamento com a Mata Atlntica ha-
via se transformado porque os primeiros colonizadores no tinham her-
deiros e no havia tantas pessoas para substitu-los. Porm um novo im-
pulso  colonizao, no mesmo sculo, fez
com que novas reas da Mata Atlntica fos-
sem derrubadas para implantao de ncle-
os de povoamento, onde a conquista e a ocu-
pao do interior do Brasil foi resultado de
aes como, por exemplo: expedies mili-
tares; bandeirantes; padres jesutas e criado-
res de gado.
    No sculo XVIII, especialmente em Mi-
nas Gerais e So Paulo, instalaram-se as jazi-
                                                 A primeira batalha dos Guararapes deu-se em 19 de Abril de 1648, opon-
das de ouro que trouxeram os exploradores,         do foras do Brasil contra o exrcito holands que ocupava Pernambuco, no
em grande nmero, para o interior, atravs         Norte do Brasil. Desde 1994, comemora-se nessa data o Dia do Exrcito Brasi-
de expedies pela Mata Atlntica, com his-        leiro. Fonte: VICTOR MEIRELLES DE LIMA (1832 - 1903), Batalha de Guarara-
                                                   pes, 1875/1879, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. 10 x 5 m. Tc-
trias de lutas e destruio. Como conseq-        nica: leo sobre tela. www.mnba.gov.br
ncias, estas atividades interferiram no meio
ambiente causando poluio e contaminao principalmente dos lei-
tos dos rios, com o mercrio e com as lavagens do solo que continha
os minerais valiosos.
    A minerao teve sua decadncia na metade do sculo XVIII quan-
do houve crescimento da agricultura com o ciclo do caf, que passou a
ter valor comercial, o que contribuiu significativamente para mais des-
truio da Mata Atlntica especialmente na regio serrana do Rio de Ja-
neiro e em So Paulo.
    Porm, no sculo XX,  que foi consolidada a ocupao da Mata
Atlntica com o crescimento e a implantao de grandes centros urba-
nos e dos plos industriais. Seguiu-se a abertura de novas reas na flo-
resta para as pastagens e as lavouras, principalmente, de caf e de ca-
na-de-acar no Paran e So Paulo.




                                                                               MataAtlntica:socorro!!!Cadvoc??? 201
         EnsinoMdio

                                             Por isso a Mata Atlntica  o ecossistema brasileiro que tem sofri-
                                         do maior impacto pela ao humana de todos os tempos, uma vez que
                                         mais de 70% da populao brasileira vive hoje na rea original da Ma-
                                         ta, segundo Censo Demogrfico do Instituto Brasileiro de Geografia e
                                         Estatstica de 2000.
                                             Acredita-se que mais de 90% de todas as espcies vivas habitam em
    Exemplo de ao humana vivendo       florestas tropicais e em nenhuma outra conseguiria sobreviver. Este  o
    em rea de Mata Atlntica. Mon-
    te Serrat, Santos, So Paulo. Bra-   motivo pelo qual a maioria dos bilogos acredita que a destruio des-
    sil. Fonte: GNU Free Doc. Licen-     tas matas e a perda irreparvel destes seres vivos representem o maior
    se, www.wikipedia.org - Foto de
                                         dano  natureza (GORE, 1993).
    Paulo Carmona Sanches Neto.




                                                         ATIVIDADE

                                              Analisando os fatos histricos sobre a ocupao do territrio brasilei-
                                          ro desde o incio da colonizao, que propostas voc apresentaria para
    Exemplo de ao humana viven-
    do em rea de Mata Atlntica. La-     resolver a situao de preservao da Mata Atlntica, frente s necessi-
    goa Rodrigo de Freitas, vista da      dades de ocupao do espao geogrfico?
    Vista Chinesa, Rio de Janeiro.
    Brasil. Fonte: GNU Free Doc. Li-
    cense, www.wikipedia.org
                                             Qualquer alterao no Bioma provoca modificaes no ambien-
                                         te como um todo. A destruio de qualquer poro da Mata Atlntica
                                         ocasiona a alterao quanto  disponibilidade de alimentos, de abrigos
                                         e locais de reproduo, dos seus recursos naturais, alm da extino
                                         das espcies animais e microrganismos.
                                             Alm da reduo da biodiversidade, a ao humana realizando der-
                                         rubadas e queimadas indiscriminadas da Mata, podem trazer como
     PROTOCOLO DE KYOTO                  conseqncia, alteraes nas condies climticas e atmosfricas.
     um acordo assinado por                 A Organizao das Naes Unidas  ONU - reconhece as mudanas
    141 Naes que estabele-             climticas como uma preocupao comum da humanidade, no sentido
    ce as primeiras metas de             de proteger o sistema climtico para as geraes presentes e futuras no
    reduo de gases poluentes           acordo denominado Protocolo de Kyoto, assinado no Japo em 1997.
    no planeta que, acredita-se,             A Mata Atlntica, pela grande biodiversidade de espcies em seu
    estejam ligados ao aqueci-           ecossistema caracterstico, tanto recebe quanto exerce influncia sobre
    mento global. Este Proto-            a temperatura, umidade e as chuvas regionais. Esses fatores so objetos
    colo foi baseado nos prin-           de estudos do clima.
    cpios do Tratado da ONU
    sobre Mudanas Climticas,               Sendo assim, esses fatores so importantes para a determinao das
    de 1992 no Rio de Janeiro.           condies climticas da rea geogrfica ocupada pela Mata Atlntica.
    http://www.mct.gov.br/clima/             A regio em questo  uma regio rica em produtos cuja explora-
    quioto/protocol.htm                  o gera recursos econmicos e atraiu a ateno do homem desde o
                                         incio da colonizao. Entretanto, a mesma biodiversidade que atraiu o
                                         homem no incio da colonizao, continua atraindo na atualidade.



202 Biodiversidade
                                                                                                         Biologia

   Assim, a quebra do sensvel equilbrio do bioma tem gerado pre-
ocupaes quanto s alteraes das condies climticas caractersti-
cas do Bioma.



                      ATIVIDADE

     Com o auxlio de mapas (clima, vegetao, precipitao), identifique as condies climticas que fa-
 vorecem a distribuio geogrfica da Mata Atlntica.




                      PESQUISA

 a) Quais os indcios ou sinais de alteraes climticas mais comuns de um ecossistema?
 b) O seu municpio est situado no domnio da Mata Atlntica original ou atual?
 c) Consulte a classificao do clima da Mata no site www.ambientebrasil.com.br (entre em: ambiente
      natural clima) e responda:
    Qual o clima da sua regio, segundo a classificao de Wladimir Kppen e de Arthur Strahler? E
 do nosso Estado?




                                                             Na FIGURA 5, voc pode per-
                                                         ceber a ao humana na Mata
                                                         Atlntica e como cada propriet-
                                                         rio interagiu com o ecossistema
                                                         da Mata de forma diferenciada,
                                                         no  mesmo?

  FIGURA 5 - Ao humana na Mata Atlntica na regio
  de Tibagi/PR. Fonte: Foto de Joel Weolovis, Tibagi,
  Paran, 2005.




                      ATIVIDADE

      a) O que aconteceu com a biodiversidade nas duas reas separadas pela cerca?
      b) Voc tem alguma sugesto para reverter esta situao de destruio da vegetao?




                                                                             MataAtlntica:socorro!!!Cadvoc??? 203
        EnsinoMdio

                                                                    Na FIGURA 6, voc pode observar que a Ma-
                                                                ta Atlntica foi substituda em grande parte pe-
                                                                las lavouras. A Mata remanescente, embora pou-
                                                                ca, pode ser denominada de Mata Ciliar ou ainda
                                                                Mata de Galeria, assim classificada por ser uma
                                                                estreita faixa de mata que ocorre nas margens
                                                                dos rios.
                                                                    O Cdigo Florestal, Lei n 4.777/65, no seu
                                                                artigo segundo, relaciona a largura do rio, lago
                                                                ou nascente com rea de mata a ser preservada
     FIGURA 6 - Substituio da Mata Atlntica pela agricultura em suas margens. Toda nascente ou rio deve ter
     na regio de Mandirituba/PR. Desmatamento. Fonte: foto de as suas margens protegidas, preferencialmente,
     Ezequiel Burkarter.
                                                                pela vegetao nativa

     Floresta                            A Mata Ciliar funciona como
    Vem a ser uma rea com ele-       protetora das nascentes e dos
    vada densidade de rvores. A      crregos, bem como, um filtro
    floresta, quando natural, abri-   que absorve as guas das enxur-
    ga uma grande diversidade         radas vindas das lavouras e estra-
    de animais e vegetais, como       das rurais, evitando a contamina-
    por exemplo, Floresta Ama-        o e o assoreamento dos cursos
    znica.                           de guas.
                                                                              FIGURA 7 - Mata Ciliar nos rios do Paran.
     Mata                                                                     Fonte: www.pr.gov.br/sema/
     uma designao para de-
    terminado bioma que conser-
                                           Programa Mata Ciliar
    va um ou mais ecossistemas
    com caractersticas espec-             O Programa Mata Ciliar teve incio em 2003, com uma meta de plan-
    ficas, como por exemplo, a         tar 90 milhes de rvores para recomposio da vegetao que protege s
    biodiversidade encontrada na       margens dos principais rios, bacias hidrogrficas, mananciais de abasteci-
    Mata Atlntica. Tanto floresta     mento pblico, Unidades de Conservao, reservatrios de usinas hidrel-
    como mata so os ecossiste-        tricas e bacias dos rios do estado que integram os corredores de biodiver-
    mas mais produtivos da terra.      sidade.
                                            O programa Mata Ciliar trabalha em duas vertentes: recompondo a mata
                                       ciliar atravs do plantio de mudas de espcies nativas e disponibilizando re-
                                       cursos atravs do programa Paran Biodiversidade para que pequenos agri-
                                       cultores que possuem criaes faam o isolamento da rea prxima as mar-
                                       gens dos rios.
                                          As cercas servem para evitar que o gado paste nas reas protegidas
                                       tambm financiadas. O Programa prev, ainda, recursos para a instalao
                                       de bombas (elevadores) que iro tirar a gua dos rios para dar de beber os
                                       rebanhos e irrigar as plantaes.
                                           O abandono das reas, deixando que a vegetao se recomponha na-
                                       turalmente  outra forma de recomposio da mata ciliar onde existe vege-
                                       tao nativa que possa servir como banco de sementes.
                                                                                                  Fonte: www.pr.gov.br/sema/


204 Biodiversidade
                                                                                                            Biologia



                  ATIVIDADE

 1. Organize com seu professor e sua turma, grupos para fazer um levantamento dos rios e riachos de
    sua regio e verificar se estes esto protegidos por matas ciliares.
 2. O que poderia ser feito onde no existe esta reserva florestal?
 3. Quais as funes da Mata Ciliar?



    Mesmo inserido no ecossistema como um todo, o homem continua
interferindo e reduzindo a rea da Mata que um dia cobriu 11% do ter-
ritrio brasileiro.

                                                                                       ESPCIES AMEAADAS
        Na atualidade, o reconhecimento da importncia ambiental e econmica
                                                                                       DE EXTINO
  da biodiversidade tem gerado preocupao com o desmatamento e com as
  queimadas. No Brasil, o monitoramento dos focos de incndios e queima-               so aquelas que, pelo nme-
                                                                                       ro de indivduos existentes,
  das  feito desde 1988 pelo Instituto de Pesquisas espaciais  INPE  com
                                                                                       provavelmente tornar-se-o
  melhorias da EMBRAPA  Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecurias,
                                                                                       extintas, caso algum fator cr-
  utilizando-se o satlite noturno NOAA. Os resultados podem ser consulta-
                                                                                       tico seja modificado em seu
  dos pelo site http://www.cnpm.embrapa.br/projetos/qmd/                               ambiente.


    A estimativa dos cientistas  que hoje a Mata Atlntica abrigue,
                                                                                        ESPCIES EM EXTINO
aproximadamente, 170 espcies das 200 espcies efetivamente amea-
                                                                                       Existem to poucos indivduos
adas de extino no Brasil.
                                                                                       que estes tendem a desapa-
    Toda esta riqueza biolgica vem sendo constantemente ameaada                      recer, caso no sejam criadas
e destruda.                                                                           condies especiais para ga-
    O que poderamos fazer para reverter o problema da devastao                      rantir sua sobrevivncia.
da Mata Atlntica? Existe possibilidade de repor a vegetao nas ter-
ras sem matas?
                                                                                       ESPCIES EXTINTAS
    Evidente que "sim".  uma prtica denominada de reflorestamento                    No existem mais indivduos
que consiste na semeadura ou no plantio de mudas de rvores, nati-                     vivos. Em alguns casos h re-
vas ou exticas, em reas que foram desmatadas. Mas o reflorestamen-                   gistro fssil.
to  uma alternativa de reposio e no uma soluo para o problema
como um todo.
                                                                                        ESPCIES EXTICAS
    Observe na FIGURA 8, uma rea da Mata
                                                                                       So espcies introduzidas em
Atlntica que foi reflorestada com uma varie-
                                                                                       um novo ecossistema.
dade de Pinus, introduzida no Brasil na poca
de 1950. Esta espcie de vegetal  considerada
extica, pois no pertence  flora brasileira, mas                                     ESPCIES NATIVAS
pelo seu rpido crescimento, pode ser uma al-  FIGURA 8 - Reflorestamento              So espcies originrias de
ternativa para explorao da madeira.              com pinus (Pinus sp). Atividade     um ecossistema.
                                                          econmica. Fonte: www.seg-
                                                          menta.cnpm.embrapa.br

                                                                     MataAtlntica:socorro!!!Cadvoc??? 205
       EnsinoMdio

                                      Tambm o Eucalipto, que foi introduzido no Brasil em 1904,  uti-
                                  lizado nos reflorestamentos para produo de lenha e carvo. Estas es-
                                  pcies exticas apresentam restries ao desenvolvimento da biodiver-
                                  sidade, porque poucas espcies animais sobrevivem nestas florestas
                                  artificiais e nem mesmo outro vegetal consegue um desenvolvimento
    Reflorestamento de eucalipto satisfatrio, devido ao esgotamento da gua e dos nutrientes do solo.
    (Eucalyptus sp) em escala in-     Essas duas espcies de rvores no so uma soluo definitiva para
    dustrial na rea de Proteo
                                  a substituio da floresta e a recomposio da sua biodiversidade, mas
    Ambiental de Sousas e Joa-
    quim Egdio, Campinas, So pode ser o caminho para ocupao do solo e para a produo de ma-
    Paulo. Atividade econmi- deira e lenha, o que evitaria o corte de rvores nativas da Mata Atln-
    ca. Fonte: www.apacampinas. tica, para a mesma finalidade.
    cnpm.embrapa.br
                                      As tentativas de reflorestamento com mudas de rvores nativas foram
                                  as que produziram os melhores resultados, inclusive na recuperao do
                                  ecossistema da Mata Atlntica.
                                                                   Precisamos dos recursos do meio ambien-
        SUGESTO DE LEITURA ...                                te para sobreviver, mas com a conscincia de
        Faa uma viagem pelo livro "Os Sertes" de             sustentabilidade e da fragilidade do sistema
   Euclides da Cunha. Este livro, considerado uma              da Mata Atlntica, para, assim, garantir uma
   das obras-primas da literatura brasileira, descreve         vida melhor tambm s geraes futuras.
   as batalhas entre os homens liderados por Anto-
                                                                   Reflorestar  uma necessidade ecolgica e
   nio Conselheiro, e o exrcito brasileiro, de acordo
                                                               tambm econmica, pois precisamos da ma-
   com a viso de Euclides da Cunha. Com seu apu-
                                                               deira, lenha e carvo. O pinus e o eucalipto
   rado estilo jornalstico-pico, traa um retrato dos
                                                               fornecem estes recursos com certa rapidez.
   elementos que compem a guerra de Canudos: a
                                                               No entanto, eles esgotam o solo deixando-
   Terra, o Homem e a Guerra. Euclides da Cunha foi
                                                               o seco e empobrecido. Esse tipo de reflores-
   o nico jornalista que atentou para a valentia dos ja-
                                                               tamento no deve ser uma regra, mas uma
   gunos. Voc poder acessar este e outros livros
                                                               questo de sustentabilidade que pode redu-
   pelos sites:
                                                               zir muito a explorao predatria da Mata
        www.bibvirt.futuro.usp.br/textos/autor.html
                                                               Atlntica, preservando e mantendo a biodi-
        www.diaadiaeducacao.pr.gov.br
                                                               versidade do que ainda nos resta ou teremos
                                                               que perguntar: "cad voc" Mata Atlntica???




                                 RefernciasBibliogrficas
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                                  GORE, A. A terra em balano: ecologia e o esprito humano. So Paulo:
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                                  HOLANDA, S. B. Caminhos e fronteiras. So Paulo: Companhia das
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                                  NEIMAN, Z. Era verde? Ecossistemas brasileiros ameaados. So Paulo:
                                  Atual, 1989.



206 Biodiversidade
                                                                                                   Biologia

 ObrasConsultadas
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 DocumentosConsultadosOnlInE
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                                                                 MataAtlntica:socorro!!!Cadvoc??? 207
       EnsinoMdio




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                                                                                                                         13
                                     OS PROBLEMAS AMBIENTAIS
                                          SO DESENCADEADOS
                                         PELA AO hUMANA NA
                                              NATUREzA OU SO
                                               CASTIgO DIVINO?
                                                                                                                            Joel Weolovis1




                                                        Enchente na cidade de Itabuna, 1967. Fonte: CEDOC/Universidade Estadual de Santa Cruz -
                                                        Itabuna, BA.




Colgio Estadual Eron Domingues - Marechal Cndido Rondon - PR
1



             Osproblemasambientaissodesencadeadospelaaohumanananaturezaoucastigodivino? 209
       EnsinoMdio

                               Voc sabe que, para andar,  preciso coordenar msculos e manter
                           o equilbrio, mas basta uma pisada numa casca de banana e o nosso
                           equilbrio "vai por terra", no  mesmo?
                               Andar direito, ter cuidado com as coisas, ser organizado, no ofen-
                           der as pessoas, ser atencioso e estudioso, vo exigir de voc muito
                           equilbrio.
                               At existe uma norma para isso, denominada de "Princpio do Equi-
                           lbrio" que afirma: "onde existir partes dependentes de um todo  pre-
                           ciso dar ateno e cuidado especial a cada parte, sob pena de que o
                           todo ou as partes no atendidas, sofra ou tenha problemas com isso".
                               Assim, por exemplo, se voc tem 12 disciplinas e no estudar igual-
                           mente todas, isso vai lhe trazer dificuldade ou desequilbrio em todo o
                           curso que voc est fazendo.
                               O equilbrio  um princpio muito importante em tudo o que faze-
                           mos e por isso tambm  destaque nos estudos da Qumica e Fsica,
                           como por exemplo: equilbrio dinmico, equilbrio esttico ou equil-
                           brio qumico. Em Biologia tambm  um princpio de grande valia no
                           equilbrio alimentar, energtico, ambiental, entre outros.
                               O equilbrio ambiental destinado  tutela do meio ambiente, est
                           presente na Constituio Federal de 1988, no caput do artigo 225. Ele
                           determina que "todos os indivduos tm direito a um meio ambiente
                           ecologicamente equilibrado", direito fundamental que est muito liga-
                           do ao princpio da dignidade da pessoa humana.
                               O homem necessita de condies naturais especiais para sobrevi-
                           ver, as quais, uma vez desequilibradas ou alteradas, podem promover
                           novas adaptaes evolutivas ao novo momento, ou estaremos destina-
                           dos  extino atravs do mecanismo da seleo natural.
                               Mas voc sabe que o ser humano pode alterar as condies do meio
                           em que vive, pois dispe de mais recursos que os outros seres vivos. Po-
                           rm, mudanas repentinas e agresses violentas ao meio ambiente co-
                           mo um todo, podem levar a um "desequilbrio ambiental" insustentvel
                           at para ns, e a vida no planeta pode ficar comprometida.



                     ATIVIDADE

        Por que o ser humano tem mais recursos que outros animais? Os outros animais causam alguma
     agresso ao meio ambiente? Cite mudanas que o homem pode provocar no meio ambiente.




210 Biodiversidade
                                                                                                       Biologia

    Quando interferimos no meio ambiente de forma agressiva como,
por exemplo, desmatando, queimando ou poluindo, ocorrem modifi-
caes que denominamos de desequilbrio ambiental. O desequilbrio
pode levar os seres vivos a buscarem novas adaptaes naturais para
recuperar o equilbrio. Alguns seres conseguem com maior facilidade.
    Um exemplo claro disso  dado pelo professor Evanguedes Kala-             Aranha marrom, Loxosceles sp.
                                                                              Fonte: Centro de Sade Ambien-
pothakis, Professor da Universidade Federal de Minas Gerais, para ex-         tal, Secretaria de Estado da Sa-
plicar que o desequilbrio fora uma mudana de hbito, afirmando:            de do Paran.
"Quando se destri uma caverna para a retirada de calcrio, por exem-
plo, os animais que ali habitam saem em busca de outros ambientes.
Nem todos so bem-sucedidos como a aranha marrom, que passou a
habitar residncias" (KALAPOTHAKIS, 2005).
    O freqente aparecimento de serpentes jararacuu e cascavel em
regies urbanas do Estado do Rio de Janeiro constitui outro exemplo.



                PESQUISA
                                                                              Jararacuu (Bothrops jararacussu).
                                                                               uma das maiores cobras do g-
                                                                              nero Bothrops. As fmeas so
      Pesquise com seus colegas se h alguma espcie animal ou vege-          maiores que os machos. Tambm 
 tal que virou "praga" na sua regio, e quais os motivos que levaram a es-    diferente na colorao, ele cinza, e
                                                                              ela amarelada. So muito temidas
 ta ocorrncia?
                                                                              pela quantidade de veneno que po-
                                                                              dem injetar. Localizar uma jararacu-
                                                                              u no meio da floresta no  fcil.
                                                                              Como passa o dia enrodilhada se
                                                                              aquecendo, se mistura muito bem
    O desenvolvimento humano trouxe, como conseqncias, o cres-              com o ambiente e mesmo para
cimento mundial da populao com necessidade de reas cada vez                olhos treinados, quase que sempre,
maiores para fixar moradia ou aumentar a produo de alimentos.               passa despercebida.  muito brava
                                                                              e perigosa. Fonte: Projeto jararaca,
    Assim, o desmatamento, um dos fatores que provoca o desequil-            http://eco.ib.usp.br
brio ambiental, foi necessrio, uma vez que o homem precisou de re-
as para plantar e colher os alimentos de sua preferncia, alm de im-
plantar os povoados e cidades. Tambm utilizou a madeira e a lenha
para as necessidades de trabalho, construes de casas e mveis, pre-
paro dos alimentos, entre outros. Ocorreu desta forma, a transforma-
o de campos ou de florestas em centros urbanos, processo denomi-
nado de urbanizao.
    A urbanizao  um fenmeno presente em todo o mundo e o seu
                                                                              Cascavel (Crotalus durissus) A cas-
crescimento  cada vez maior. O homem tambm migra do meio ru-                cavel  identificada pelo chocalho
ral para viver na cidade onde espera novas oportunidades de trabalho          caracterstico em sua cauda. O tra-
e de uma vida melhor.                                                         tamento consiste na aplicao do
                                                                              soro anti-crotlico ou do soro an-
                                                                              ti-ofdico polivalente. Fonte: Insti-
                                                                              tuto Butantan, www.butantan.gov.
                                                                              br/museu/




         Osproblemasambientaissodesencadeadospelaaohumanananaturezaoucastigodivino? 211
         EnsinoMdio

                                                                                         O resultado do deslocamento de pessoas
                                                                                      proporciona um aumento quantitativo da po-
                                                                                      pulao urbana. Por exemplo: em 1940 a po-
                                                                                      pulao urbana representava 31,2% do total
                                                                                      da populao brasileira, que era de 41 milhes
                                                                                      de pessoas.
                                                                                         A taxa de variao da populao urba-
                                                                                      na brasileira expressa o ritmo de crescimento
                                                                                      dessa populao. Assim, por exemplo, entre
                                                                                      os anos de 1940 e 1950 a populao urbana
                                                                                      brasileira teve uma variao mdia de 4,9% no
    Favela na Regio Metropolitana de Curitiba. Foto: Icone Audiovisual.              seu crescimento.


                                               Observe, pelos grficos, o percentual de crescimento urbano e a
                                            taxa de variao da populao urbana brasileira:

            Porcentagem de Crescimento Urbano Brasileiro
                            1940-2000                                                         Taxa de Variao da Populao Urbana Brasileira


                               1940                                                     14
                             41 milhes              1960
                               31,2%               71 milhes                           12                      11,2 11,7
                                                     44,7%                                                                  10,7 10,7
        2000
                                                                                        10                                                1940 1950
     170 milhes
                                                                                                         8,6                              1950 1960
       81,2%
                                                                    1980                  8                                               1960 1970
                                                                 119 milhes
                                                                                          6                                               1970 1980
                                                                   67,6%                         4,9
                                                                                                                                          1980 1990
                                                                                          4                                               1990 2000

                                    1990                                                  2
                                 147 milhes
                                                                                          0
                                   75,6%

    Fontes: IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica; MRE - Ministrio das Relaes Exteriores.




                              ATIVIDADE

           a) Qual era a populao rural e urbana brasileira no ltimo censo de 2000?
           b) Em que poca houve a acelerao do processo de urbanizao no Brasil?
           c) Qual seria a sua estimativa de populao e de urbanizao para o ano de 2010?
           d) Pesquise os motivos da reduo das taxas de urbanizao  partir de 1980.




212 Biodiversidade
                                                                                                           Biologia

    As aglomeraes humanas em centros urbanos produzem outro Efluentes domsticos
componente poluidor. So os efluentes lquidos produzidos nas resi- So lquidos restantes
dncias, tambm conhecidos por esgoto, e que normalmente so lan- da atividade domsti-
ados nas guas dos rios que cortam ou margeiam a maioria dos mu- ca carregados de po-
nicpios brasileiros, sem qualquer tratamento.                                   luentes orgnicos bio-
    Estes efluentes so considerados substncias altamente poluentes degradveis, nutrientes
pelos testes de comparao a que foram submetidos e pelas altas do- e bactrias aps o uso
sagens de microrganismos patognicos. Essa carga de poluentes que o da gua na cozinha,
                                                                                 banheiro e lavanderia.
rio recebe pode ser medida pela DBO que quer dizer Demanda Bio-
lgica de Oxignio. Esta medida sugere o valor da poluio produzida
pela matria orgnica oxidvel biologicamente e corresponde  quanti-
dade de oxignio que  consumida pelos microrganismos do esgoto.
    Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental de So Paulo - CETESB, DBO  normalmente
considerada como a quantidade de oxignio consumido
durante um determinado perodo de tempo, numa tempe-
ratura de incubao especfica.
    Exemplificando, se num rio o oxignio  consumido
num perodo de 5 dias numa temperatura de incubao
de 20 C, ento se diz que a DBO dessa gua  5. As-
sim, quanto mais oxignio for consumido na depurao
de uma certa quantidade de poluente num rio, maior a
                                                            Esgotos domsticos, lixo e animal morto jogado nas guas
sua DBO.                                                     do rio Ponta Grossa na regio do Futurama, na Cidade de
    guas com teores elevados de poluentes apresentam        Curitiba Paran. Fonte: SILVANA PEREIRA GES, 2004.
                                                             www.diaadiaeducacao.pr.gov.br
aumento da atividade microbiana pela abundncia de ma-
tria orgnica e, como conseqncia, reduz o oxignio dissolvido. As-
sim, durante a atividade microbiana em esgoto so eliminadas grandes
quantidades de toxinas que so misturadas ao ar atmosfrico produzin-
do os odores desagradveis que percebemos.



                   PESQUISA

    Procure saber qual o destino do esgoto da sua casa e da sua escola. Como  feito o tratamento do
 esgoto domstico e industrial em sua cidade?


   A urbanizao e a ocupao do solo, para fins de cultivo ou cria-
o, trouxe como conseqncias o desmatamento, a extino de algu-
mas espcies; outras foram domesticadas e criadas em grandes escalas
e outras, devido ao desequilbrio ambiental e na ausncia de inimigos
naturais, se transformaram em pragas.




           Osproblemasambientaissodesencadeadospelaaohumanananaturezaoucastigodivino? 213
         EnsinoMdio

                                             Normalmente, quando os recursos naturais como gua e o solo so
                                         inadequadamente utilizados, ocasionam a contaminao e a poluio
                                         no permitindo  natureza recompor rapidamente uma nova situao
                                         de equilbrio.
                                             Hoje temos um maior conhecimento sobre a importncia das flores-
                                         tas e as suas funes no equilbrio da biosfera como, por exemplo, re-
    Soim-de-coleira (Saguinus bicolor)   gular os padres climticos do globo terrestre, conservar a rica biodi-
     um sagi encontrado origina-
    riamente na Amaznia brasileira,     versidade, reter a gua no solo por mais tempo, entre outras. Por isso,
    mais especificamente na cidade       uma vez destruda, no permite a recuperao imediata da sua riqueza
    de Manaus e seus arredores. Com
    a expanso da cidade de Ma-
                                         biolgica devido s alteraes no equilbrio dinmico do sistema eco-
    naus e o conseqente desma-          lgico, interferindo no potencial bitico das diversas populaes da re-
    tamento, a pergunta : encon-        gio atingida.
    tra-se ameaado de extino ou
    j est extinto? Fonte: Prefeitu-        Verifique nas FIGURAS 1 e 2, uma situao na qual um sistema po-
    ra Municipal de Manaus, Amazo-       de perder a condio de equilbrio pela ao humana.
    nas. www.manaus.am.gov.br




                                             FIGURA 1                                                 FIGURA 2
                                            Situaes de equilbrio e desequilbrio Ambiental. Fonte: Fotos de Joel Weolovis, Ponta Grossa, Paran, 2005.
    A Ipecacuanha ( Psychotria
    ipecacuanha)  uma planta da fa-
    mlia Rubiaceae, muito comum no          Reconhecer o valor dos recursos naturais contidos numa flores-
    Brasil. As suas raizes contm um     ta como uma riqueza essencial  vida  extremamente importante. Es-
    poderoso antiemtico (inibidor do
    reflexo do vmito) tambm deno-      tima-se que o Brasil possua 25% de todo patrimnio da diversidade
    minado Ipecacuanha. Foi introdu-     biolgica do mundo. Estes recursos naturais podem ser explorados
    zida na Europa em 1672 por Le-       buscando-se um equilbrio sustentvel, ou seja, utiliz-los de forma
    gros, um viajante na Amrica do
    Sul. Foi usada no tratamento da      compatvel com a capacidade de renovao procurando atender a pre-
    disenteria e vendida pelo mdico     sente e tambm as futuras geraes.
    francs Helvetius sob licena de
    Luis XIV. Hoje em dia os frma-          Ao desmatar uma rea de floresta, inmeras espcies podem ser ex-
    cos purificados, cefalena e eme-    tintas mesmo antes de terem seus princpios ativos estudados e conhe-
    tina, ainda so usados como an-
    tiemticos. Fonte: GNU Free Doc.     cidos. Plantas como o curare, inhame selvagem, ipecacuanha e pervin-
    License, www.wikipedia.org           ca de Madagascar, cujo valor teraputico tem sido pesquisado, podem
                                         ser uma alternativa no tratamento do cncer, leucemia e problemas
                                         cardacos, entre outros.
                                             Mesmo vivendo em aglomerados urbanos, muitas pessoas tm de-
                                         senvolvido o interesse pela preservao e pelo cultivo de espcies de
                                         plantas medicinais. Voc cultiva plantas medicinais em casa ou na sua
                                         escola?




214 Biodiversidade
                                                                                                                       Biologia



                         PESQUISA

     Faa uma lista de plantas nativas e introduzidas na sua regio, indicando o seu valor teraputico de
  acordo com o conhecimento popular.



    Geralmente depois da derrubada da mata, vem o impacto ambien-
tal causado pelas queimadas que aumentam a quantidade de poluen-
tes atmosfricos, alm de reduzir a gua que alimenta os mananciais,
podendo ocasionar tambm, a desertificao do solo e comprometer a
qualidade de vida das populaes envolvidas no ecossistema.




 Queimada na Amaznia, vista do solo e imagem area. Fonte: III Conferncia Cientfica do LBA - Experimento de Gran-
 de Escala da Biosfera-Atmosfera na Amaznia, www.lbaconferencia.org/port/press_images.htm


    No ritmo que este processo vem acontecendo, estima-se que 22%
das espcies vegetais estejam em perigo de extino em todo mundo,
pois a maioria das reas de florestas  destruda para dar lugar a uma
agricultura predatria, onde o solo  exaurido, ou seja, utilizado at o
esgotamento dos seus nutrientes com prticas agrcolas decadentes e
sem reposio de nutrientes. As estatsticas da Organizao das Naes
Unidas  ONU apontam que 34% das terras emersas, ou seja, 49.384.500
km2 esto desertificadas ou em processo de desertificao.
    As tcnicas agrcolas de plantio em curvas de nvel, araes trans-
versais  declividade do terreno, manuteno dos restos de colhei-
tas na lavoura, adubao, calagem para correo da acidez ou ainda
o plantio direto sem revolvimento da terra, so algumas prticas que
mantm o equilbrio do solo podendo evitar a eroso, o assoreamento
dos rios e a desertificao.




              Osproblemasambientaissodesencadeadospelaaohumanananaturezaoucastigodivino? 215
       EnsinoMdio




                                   (A) Prtica de conservao do solo por meio de curvas de nvel. (B) Solo com eroso.
                                   Fonte: www.diaadiaeducacao.pr.gov.br




                     PESQUISA

        Na sua regio ocorrem queimadas? Quais so os tipos de queimadas? Existem seres vivos (animal
     ou vegetal) extintos ou em extino?



                                                                Os centros urbanos, atravs das indstrias, re-
                                                            sidncias e veculos automotores, produzem gran-
                                                            des quantidades de gases poluentes que so lana-
                                                            dos na atmosfera.
                                                                Ento, a poluio atmosfrica pode ser entendi-
                                                            da como a presena de qualquer elemento estranho
                                                             composio do ar. So considerados poluentes do
                                                            ar: o monxido de carbono, quantidades elevadas
                                                            de dixido de carbono, gases de enxofre, xido de
                              Poluio lanada no ar pe-
                              las refinarias. Fonte: www.   nitrognio, alm dos diversos tipos de poeiras.
                              diaadiaeducacao.pr.gov.br




                     ATIVIDADE

        a) Quais so os componentes do ar atmosfrico?
        b) O vapor de gua  um componente do ar atmosfrico?
        c) Um gs poluente pode colaborar no equilbrio ambiental? Explique a resposta




216 Biodiversidade
                                                                                                                             Biologia

    Agora voc j tem certo conhecimento que os desmatamentos e as
queimadas no processo de ocupao urbana e no desenvolvimento de
reas cultivadas e de criaes, so tambm consideradas causas de al-
guns desequilbrios ambientais provocando, por exemplo, a extino
de espcies vegetais e a poluio do ar.
    No entanto, estas no so as nicas causas de desequilbrios. A at-
mosfera, alm de receber os gases poluentes das queimadas de matas
e dos resduos agrcolas, tambm recebe os gases da queima dos com-
bustveis fsseis.
    Vrios poluentes gasosos acumulados na atmosfera so os respon-
sveis pela formao do fenmeno qumico conhecido por chuva ci-
da. Com a combusto, especialmente do carvo e dos combustveis de-
rivados de petrleo,  produzido o dixido de nitrognio (NO2).




   Esquema de formao da chuva cida. O dixido de enxofre e os xidos ntricos so poluentes do ar. Quando
   eles se misturam com a umidade na atmosfera para formar os cidos, a chuva cida acontece.


   No interior dos motores, a combusto, as altas temperaturas e pres-
so favorecem a reao entre o O2 e o N2, que so gases presentes na
atmosfera formando o xido ntrico (NO). O xido ntrico (NO), por
sua vez, reage com o O2 atmosfrico originado o dixido de nitrog-
nio (NO2).
   Esse dixido de nitrognio (NO2) dimeriza em (N2O4), e por ser so-                                          Dimerizar
lvel em gua, produz cido ntrico (HNO3) e o cido nitroso (HNO2)                                             dobrar o nmero de
que se combina com o hidrognio presente na atmosfera sob a forma                                              tomos de cada com-
de vapor de gua formando a chuva cida.                                                                       ponente molecular




            Osproblemasambientaissodesencadeadospelaaohumanananaturezaoucastigodivino? 217
       EnsinoMdio

                                Observe a representao do processo nas equaes qumicas abaixo:
                                                           N2 + O2 2 NO
                                                         2 NO + O2 2 NO2
                                                            2 NO2 N2O4
                                                     N2O4 + H2O HNO3 + HNO2
                                No entanto, existe um outro gs que colabora na formao da chu-
                            va cida e tambm ocorre durante a queima dos derivados de petr-
                            leo e que libera para a atmosfera o gs dixido de enxofre (SO2) que 
                            facilmente oxidado originando o trixido de enxofre (SO3). Estes xi-
                            dos reagem tanto com hidrxidos quanto com perxidos (H2O2) e so
                            muito solveis em gua, produzindo o cido sulfuroso (H2SO3) e o ci-
                            do sulfrico (H2SO4), que se misturam com o vapor de gua forman-
                            do a chuva cida.
                                Voc pode observar melhor nas equaes qumicas a seguir:
                                                      SO2 + H2O2 SO3 + H2O
                                                        SO2 + H2O H2SO3
                                                        SO3 + H2O H2SO4
                                E assim, os dois cidos podem ter origens qumicas diferentes, mas
                            so disponibilizados e adicionados s chuvas que cairo cidas nos
                            mais diversos ambientes, promovendo desequilbrio e degradao dos
                            ecossistemas.
                                Os prejuzos ambientais causados pela chuva cida so grandes,
                            especialmente para a sade humana, pois reage liberando metais pe-
                            sados do solo. Estes so transportados at os rios que abastecem os
                            grandes centros urbanos e tambm atingem as cadeias alimentares,
                            destroem florestas e causam a corroso de prdios, monumentos his-
                            tricos, pontes, represas, turbinas, provoca a acidificao de pequenos
                            lagos impedindo o desenvolvimento da vida aqutica, e no solo agr-
                            cola dificultam o crescimento das plantas.



                     ATIVIDADES

        a) Quais so os gases produzidos na queima dos combustveis fsseis?
        b) Os gases da queima dos combustveis fsseis compem o ar atmosfrico?
        c) Como podem ser classificados os gases poluentes?
        d) Organize uma lista de combustveis fsseis que voc conhece.




218 Biodiversidade
                                                                                                Biologia

    Um outro exemplo de desequilbrio ambiental, provocado pela
ao antrpica, tem como causa a produo de lcool a partir da ca-
na-de-acar.
    Voc sabia que para cada litro de lcool produzido nas destilarias           Para saber mais sobre
tambm so fabricados mais de 12 litros de efluentes?  um resduo or-          as bactrias leia o Fo-
gnico altamente poluente denominado de vinhoto. Incrvel, pois no             lhas "Bactrias: um
 o lcool que contribui para reduzir os poluentes do ar atmosfrico?           universo microsc-
    Quando o vinhoto  lanado num rio, causa desequilbrio no ecos-            pio" neste Livro Didti-
sistema pois ele provoca o aumento exagerado da matria orgnica                co Pblico de Biologia.
na gua. Com isso, a populao de bactrias se eleva muito e passa a
consumir mais o oxignio dissolvido na gua, e a falta deste oxignio,
conseqentemente, acaba matando os peixes.
    Atualmente, so utilizados apenas 5% do vinhoto como adubo. Uma
maior reduo do despejo dessa matria orgnica poluente faria com que
o oxignio fosse reposto na gua trazendo de volta o equilbrio ao rio.
    Novas tecnologias so desenvolvidas para minimizar as agresses
causadas ao meio ambiente. A produo do lcool  um bom exemplo
disso, pois  um combustvel fabricado em grande escala, menos po-
luente que a gasolina, e  um recurso renovvel.
    Com isso, estamos reduzindo a poluio atmosfrica com o dixi-
do de carbono, mas produzindo o vinhoto, que  um resduo industrial
poluente. A relao entre equilbrio e desequilbrio estar sempre pre-
sente em todo questionamento ambiental trazendo dvidas e inquieta-
es, porm a tomada de deciso deve sempre privilegiar aquela que
venha causar o menor impacto ambiental possvel.



                PESQUISA

    Para responder s questes propostas abaixo, pesquise em textos, livros, revistas ou sites indica-
 dos pelo seu professor.
     Em termos da poluio atmosfrica, qual a vantagem do uso do lcool em relao aos combust-
 veis fsseis?
    Quais so os pontos positivos e negativos da produo de lcool combustvel?




                DEBATE

    Voc entendeu que o vinhoto  matria orgnica. Debata com seus colegas sobre o que aconte-
 ce com a populao de bactrias e de peixes quando se reduz a descarga de vinhoto no rio.




         Osproblemasambientaissodesencadeadospelaaohumanananaturezaoucastigodivino? 219
       EnsinoMdio



                                 Saiba voc que dos trs maiores pases em desenvolvimento (Bra-
                            sil, China e ndia), o Brasil  o que apresenta maiores chances de obe-
                            decer ao Protocolo de Kioto, pois  o nico pas do mundo que mo-
                            vimenta parte de sua frota de veculos com lcool, e onde a gasolina
                            tambm recebe a mistura de 18 a 24% desse combustvel.
                                 Com isso, reduzimos muito a produo do dixido de carbono, que
                             altamente prejudicial quando em excesso na atmosfera, e um dos gases
                            responsveis pelo efeito estufa, outra forma de desequilbrio ambiental.




                             Esquema do efeito estufa. O esquema acima  ilustrativo e no obedece propores reais.

     RAIO INFRAVERMELHO         O efeito estufa  um fenmeno fsico que acontece porque a ener-
     um tipo de onda re-   gia solar chega at a Terra pelos raios incidentes, uma parte deles 
    lacionada  radiao    absorvida sob forma de calor e outra parte  refletida promovendo o
    trmica emitida pe-     aquecimento da atmosfera.
    los corpos devido a
                                Os raios infravermelhos da luz solar atravessam o ar, um meio
    sua temperatura. Esse
                            transparente, gastando o mnimo de energia. O aquecimento ocorre
    raio tem comprimento
    de onda na ordem de     porque esses raios, ao encontrarem um meio opaco, como por exem-
    grandeza entre 10-3 m   plo, a superfcie da terra, so absorvidos e, conseqentemente, trans-
     a 10-6 m.              formam a energia radiante em energia trmica.




220 Biodiversidade
                                                                                 Biologia



     interessante no confundir aquecimento global com o efeito es-
tufa. Embora estes termos estejam interligados, no so equivalentes.
O efeito estufa  um processo fsico pelo qual a presena dos gases at-
mosfricos mantm a temperatura da terra em maior equilbrio do que
teria, caso estivessem ausentes. Os principais gases atmosfricos co-
nhecidos como gases do efeito estufa so: dixido de carbono (CO2),
metano (CH4), xido nitroso (NO2) e oznio (O3).
    O problema causador do desequilbrio  que alguns gases produ-
zidos pelas queimadas ou pelos motores a combusto, ao se acumula-
rem em grandes quantidades na atmosfera, acentuariam o efeito estufa
e, como conseqncia, causariam o fenmeno do aquecimento global
que  considerado como responsvel pelas alteraes climticas obser-
vadas atualmente em todo mundo.
    Esse desequilbrio vem acontecendo pelo processo acelerado da
urbanizao e industrializao com as queimadas em florestas, de car-
vo e de combustveis. Se essa produo de gases do efeito estufa au-
mentar muito, a temperatura global tambm tender a aumentar.
    De todos os desequilbrios provocados pelo homem, o efeito estu-
fa  o que mais causa pnico nas pessoas pelas previses catastrficas
que so feitas como: o aquecimento global, o derretimento das geleiras
polares, a elevao do nvel dos mares, inundaes das cidades litor-
neas, os ciclones, os furaces, as tempestades, o ressecamento do solo,
entre outros. E para este fenmeno no h refgio seguro, no h es-
colha de classe social ou situao econmica, pois  um problema de
todos e cada habitante deste planeta deve ter conscincia disso.
    Nunca a espcie humana interferiu tanto na natureza como no l-
timo sculo. Como conseqncia, muitas so as alteraes que pode-
mos determinar nos ecossistemas da litosfera, hidrosfera e atmosfera
como, por exemplo: poluies, chuvas cidas ou efeito estufa. Os pro-
blemas ambientais, com os conseqentes desequilbrios, so frutos da
ao humana no meio ambiente e nada tem a ver com a obra da ira
ou do castigo divino.
    Tudo isso nos remete a pensar cada vez mais no nosso papel como
parte integrante da natureza e que toda e qualquer ao por ns de-
sencadeada no meio ambiente tem uma resposta que, na maioria das
vezes, no  aquela que desejvamos.




         Osproblemasambientaissodesencadeadospelaaohumanananaturezaoucastigodivino? 221
       EnsinoMdio

                      ObrasConsultadas
                      BAIRD, C. Qumica ambiental. Porto Alegre: Boockman, 2002.
                      BRASIL. Constituio da Repblica Federativa do Brasil. Braslia,
                      1988.
                      DAJOZ, R. Princpios de ecologia. So Paulo: Artmed, 2000.
                      HALLIDAY, D. et al. Fundamentos de fsica 4: tica e fsica moderna. Rio
                      de janeiro: Livros Tcnicos e Cientficos, 1996.
                      ODUM, E. P. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988.
                      ODUM, E. P. Fundamentos de ecologia. Lisboa: Fundao Calouste
                      Gulbenkian Berna, 2004.


                      DocumentosConsultadosOnlInE
                      BORRERO, M. A. V. UNICAMP avalia desempenho ambiental de
                      usinas de lcool. EMBRAPA. Monitoramento por satlite. Disponvel em:
                      <www.cnpm.embrapa.br/reporte/i_el2000_1.html> Acesso em: 09 nov.
                      2005.
                      ESCOBAR, H. Extino ameaa 22% das espcies de plantas  ou mais.
                      Jornal o Estado on-line, 31 out. 2002. Disponvel em: <www.estadao.
                      com.br/ciencia/noticias/2002/out/31/229.htm> Acesso em: 23 set. 2005.
                      GANDRA, A. Desmatamento e queimadas so os tpicos negativos do Brasil
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                      MINISTRIO DA AGRICULTURA, PECURIA E ABASTECIMENTO. Embrapa
                      e Ministrio da Cincia e Tecnologia coordenam estudo indito
                      sobre emisso de gases de efeito estufa no Brasil. Informativo n.
                      19, ano V, jul./ago./set., 1997. Disponvel em: <www.cnpma.embrapa.br/
                      informativo/mostra_informativo.php3?id=70> Acesso em: 29 set. 2005.




222 Biodiversidade
                                                                        Biologia



      ANOTAES




Osproblemasambientaissodesencadeadospelaaohumanananaturezaoucastigodivino? 223
       EnsinoMdio




                       ImplicaesdosAvanosBiolgicosno
            I          FenmenoVIDA
                          Voc ir conhecer, com este Contedo Estruturante, um pouco mais
                     a respeito das implicaes da Engenharia Gentica sobre a VIDA, con-

            n        siderando-se que, com os avanos da biologia molecular, h a possibi-
                     lidade de manipular o material gentico dos seres vivos.
                          Neste contexto, podero ser estudados: os avanos da gentica mo-
                     lecular, as biotecnologias aplicadas, e os aspectos bioticos sobre a fer-

            t        tilizao in vitro, clulas-tronco, aborto, clonagem, eutansia, transg-
                     nicos, entre outros.
                          A Cincia e a Tecnologia desenvolvem conhecimentos produzidos
                     pelos seres humanos e interferem no contexto de vida da humanida-

            r        de. No se pode impedir o desenvolvimento destas reas, mas, como
                     cidado, devemos conhecer os avanos das Cincias e ter o direito de
                     receber esclarecimentos sobre como estes novos conhecimentos iro
                     afetar nossa vida.


            o             Biotecnologia  a aplicao dos processos tecnolgicos sobre os
                     processos biolgicos que envolvem um conjunto de tcnicas de ma-
                     nipulao dos seres vivos, ou parte destes, para fins econmicos. Es-
                     se conceito inclui tambm tcnicas de manipulao direta do DNA de


            d        qualquer organismo vivo, alterando suas caractersticas ou introduzin-
                     do novas. O termo biotecnologia  recente, mas sua aplicao  anti-
                     ga.
                          Com o postulado do bilogo americano James D. Watson (1928- )


            u        e do fsico britnico Francis Crick (1916 - 2004) sobre a estrutura do
                     DNA, em 1953, e os trabalhos de seqenciamento de nucleotdeos pe-
                     lo bilogo britnico Frederick Sanger (1918 - ), em 1977, deu-se incio
                     a era da genmica.


                         Vrios experimentos relacionados  gentica tm sido desenvol-
                     vidos, envolvendo outros campos da Biologia. Pesquisas sobre me-
                     lhoramento vegetal e animal e a identificao de paternidade, j so
                     uma realidade, e muitas doenas tambm j podem ser prevenidas


            
                     e/ou curadas.
                          Portanto, a biotecnologia preocupa-se com a aplicao dos avan-
                     os cientficos e tecnolgicos resultantes de pesquisas em cincias
                     biolgicas, utilizando-se organismos vivos, ou suas clulas e mol-


            o
                     culas, para industrializao de produtos comercializveis, como por
                     exemplo, vacinas, alimentos transgnicos, insulina transgnica, diag-




224 Introduo
                                                                               Biologia




nose e cura de doenas fatais, produo de novos medicamentos, re-
duo do custo de medicamentos de grande uso, produo de teci-
dos e rgos para transplantes, entre outros.
    Mas esses avanos cientfico e tecnolgico, principalmente na
rea de alimentos, ainda esto gerando muitas discusses por par-
te de cientistas, governos e de toda a sociedade. Ainda no se sabe
                                                                           B
os efeitos que toda essa interferncia pode causar no processo natu-
ral da vida.
    Quando tomamos conhecimento de uma notcia sobre o uso de no-
vas tecnologias, como, por exemplo, a clonagem, ficamos preocupados
                                                                           I
e nos perguntamos: o que e como isso vai interferir na nossa vida?
    At mesmo entre os cientistas existem muitas dvidas sobre co-
mo os novos conhecimentos sero utilizados. Portanto  necessrio
que eles desenvolvam seu trabalho com responsabilidade, justia, bom
                                                                           O
                                                                           L
senso, respeito a si mesmo e aos outros, e que atendam aos interesses
da populao. Enfim, que sejam ticos.
    Cabe  Cincia comprovar, por meio do desenvolvimento de vrias
pesquisas e tcnicas, o sucesso ou fracasso das biotecnologias adotadas.
    Aps 50 anos da descoberta do DNA, vrias pesquisas que podem
ser teis  humanidade esto em andamento.
    Agora que voc j percebeu a importncia da biotecnologia e das
                                                                           O
implicaes dos avanos biolgicos no fenmeno vida, vamos ampliar
nossos conhecimentos estudando os Folhas:
    "Clulas-tronco: a realidade de muitos sonhos ou a frustrao da
    humanidade?"
                                                                           G
    "Clonagem: receita pronta para planejar novas geraes ou para
    produzir seres inimaginveis?"
    "Vacinas: como estaria a humanidade sem esse auxlio para a defe-
    sa de nosso organismo?"
                                                                           I
                                                                           A
    "O alimento que voc consome diariamente  transgnico?"
    Leia com ateno, discuta com seu professor e seus colegas e, am-
plie seus conhecimentos consultando outras referncias. Estes assuntos
so desafiadores e nos propiciam refletir sobre questes que envolvem
a sobrevivncia das espcies no planeta.
    Bom estudo!




                                                                                          225
       EnsinoMdio




226 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                              Biologia




                                                                                                     14
                                                          CLULAS-TRONCO:
                                                            A REALIDADE DE
                                                         MUITOS SONhOS OU
                                                          A FRUSTRAO DA
                                                              hUMANIDADE?
                                                                                        Marilene Mieko Yamamoto Pires1

                                                                  expectativa de vida  composta pelo n-
                                                                  mero de anos a serem vividos por uma
                                                                 pessoa. Para voc ter uma idia, em 1910,
                                                                   a expectativa de vida de um homem bra-
                                                                   sileiro era de 33,4 anos, e em 2003 j
                                                    subia para os 69 anos. Apesar desse aumento, o IBGE
                                                 alerta para o fato de que esse indicador poderia ter um
                                                 crescimento mais expressivo no fosse o nmero de mor-
                                                 tes prematuras de jovens por violncia, principalmente
                                                 do sexo masculino.
                                                     Isso pode ser notado na diferena das taxas de expecta-
                                                 tiva de vida entre os sexos. Os homens que nasceram em
                                                 2003 tm uma expectativa de vida mdia de 67,6 anos. As
                                                    mulheres nascidas no mesmo ano devem viver, em m-
                                                        dia, 75,2 anos. (United Nations Development Programme, 2005)

                                                                        Por que as mulheres vivem mais?
                                                                         uma questo fisiolgica ou sociolgica?
Colgio Estadual Silvio Vidal - Paranava - PR
1




                                             Clulas-tronco:arealidadedemuitossonhosouafrustraodahumanidade? 227
        EnsinoMdio

                                         Sobre os dados da tabela abaixo, note que, comparando a ex-
                                      pectativa de vida do Japo, da Sucia, de Hong Kong e da Islndia, a
                                      do Brasil ainda  baixa. Quais so as razes que fazem do Brasil um
                                      pas com ndice to baixo de expectativa de vida? Isso significa que to-
                                      dos os brasileiros tm a mesma expectativa de vida?

                                                                    Expectativa de Vida  Ano 2000
                                             Posio                              Pas       Expectativa de Vida (anos)
                                                   1                              Japo                    81
                                                   2                           Sucia                     79,7
                                                   3              Hong Kong (China RAE)                   79,5
                                                   4                           Islndia                   79,2
                                                 103                              Brasil                  67,7
                                                 173                       Serra Leoa                     38,9
                                       Fonte: www.undp.org/hard/indicators.html



                          PESQUISA

         Com o auxlio de um Atlas Geogrfico ou um Globo Terrestre ou ainda acessando o endereo ele-
     trnico www.googleearth.com:
     a) Localize os pases que aparecem na tabela acima.
     b) Pesquise como vive a populao desses pases e verifique os seus hbitos alimentares. O que eles
        comem com maior freqncia?
     c) A localizao geogrfica desses pases interfere nos seus hbitos alimentares? E na qualidade de vi-
        da? Como?




                         ATIVIDADE

                    Esperana de vida ao nascer,
        Ano
                         por anos de idade
                                                                     Entreviste pessoas que viveram nos anos que apare-
        1920                          42                         cem na tabela ao lado. Pergunte a elas como era o sistema
        1940                          42                         de sade na sua juventude, o saneamento bsico, a educa-
        1950                          46                         o, a segurana e como eles se curavam das doenas.
        1960                          52                              Os ltimos levantamentos do IBGE mostram que o Bra-
        1970                          54                         sil s deve alcanar o patamar de 80 anos de esperana
        1980                          54                         de vida por volta de 2040. Por que somente em 2040?
        1990                          60                              Quais so os indicadores usados para calcular a expec-
        2000                          68                         tativa de vida? E voc? Qual  a sua expectativa de vida?
        2003                          69
      Fonte: IBGE. Vamos Compreender o Brasil 2002 e Brasil em Nmeros 2004.



228 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                             Biologia


                                     A senhora Maria Olivia da Silva, residente no municpio de Astorga, Estado do
                                  Paran, no distrito de Iara, foi entrevistada pela professora Ceclia Vechiatto.
                                      Durante a entrevista, o neto da senhora Maria contou que ela teria nascido em
                                  Varsvia, na Polnia. Entretanto, em seus documentos consta que ela nasceu
                                  em Itapetininga, Estado de So Paulo, no dia 28 de fevereiro de 1880.
                                      A "vzinha", como gosta de ser chamada, de aparncia frgil, continua assis-
                                  tindo as transformaes sociais, polticas, econmicas, cientficas, tecnolgicas
                                  entre tantas outras.
  Maria Olvia da Silva. Fonte:       Teve oportunidade que poucos tiveram. Viveu no contexto histrico da
  Ceclia Helena Vechiatto dos    libertao dos escravos, da Proclamao da Repblica e do primeiro astronauta
  Santos. Astorga, PR, 2006.
                                  brasileiro.
    A mulher de hbitos simples, prova viva de nossa histria, talvez no tenha a noo da importncia
 de seu exemplo para todos ns.
      Voc gostaria de poder viver tanto quanto D. Maria?
      Que condies so necessrias para que todos possam ter a expectativa de vida aumentada?


    Como vimos, a expectativa de vida tem sido alterada ao longo dos
anos graas ao progresso das pesquisas na rea biomdica. Hoje, a me-
dicina est muito avanada e vislumbramos uma grande esperana pa-
ra a maioria das doenas que antigamente eram incurveis. Diferentes
rgos do corpo humano j podem ser transplantados permitindo as-
sim, prolongar a vida do homem.

     Nem todo transplante  possvel, como no caso do tecido nervoso e
 do sistema nervoso central que ainda  uma utopia para a cincia. No ca-
 so especfico do sistema nervoso central, obviamente no pode haver doa-
 dor. Por qu? O que voc imagina sobre o transplante do Sistema Nervoso
 Central? O Sistema Nervoso pode ser doado ou no?




                        DEBATE

    Mas, se um dia o transplante do Sistema Nervoso Central for possvel, levaria vantagem quem
 doa ou quem recebe o crebro? O que voc acha?



    Na tcnica do transplante  necessrio que haja doadores, mas infeliz-
 mente as pessoas ainda so muito resistentes a doar seus rgos. Voc 
 doador? Quantos doadores h em sua famlia? A cultura de clulas a partir
 de clulas-tronco exige a presena de doadores?


                                      Clulas-tronco:arealidadedemuitossonhosouafrustraodahumanidade? 229
         EnsinoMdio

                                           Oquesoclulas-tronco?
                                             Clulas-tronco so clulas que tm o potencial de formar diferen-
                                         tes tecidos. Os estudos com as clulas-tronco comearam no incio do
                                         sculo XX. Os pioneiros foram os alemes Hans Spemann (1869-1941)
                                         e Jacques Loeb (1859-1924), a partir de experimentos com clulas de
                                         embries de anfbios. Eles observaram que, quando as duas primeiras
                                         clulas de um embrio so separadas, cada uma  capaz de gerar um
                                         girino normal, e que, mesmo aps as quatro primeiras divises celula-
    Clulas tronco medulares cultiva-
    das em meio de cultura estimula-     res, o ncleo dessas clulas embrionrias ainda pode transmitir todas
    das para se diferenciar em Macr-    as informaes necessrias  formao de girinos completos, se trans-
    fago. Visualizao por microscopia
    ptica, colorao Giemsa, tama-      plantado para uma clula da qual o ncleo tenha sido retirado.
    nho aproximado 50 micrmetros.
    Fonte: foto de Mariana M. Pie-
    monte tirada no Centro de Mi-
    croscopia Eletrnica da Universi-
    dade Federal do Paran, cedida
    pelo prof Dr Fabio Rueda Faucz,
    da PUC/PR.




                                                            Representao do mecanismo de formao de um anfbio.



     Sabia que a ovelha Dolly
                                               O nascimento da ovelha Dolly (1996), primeiro mamfero clonado a par-
    deu o ponta-p inicial pa-
                                          tir do ncleo de uma clula adulta diferenciada (clula epitelial de glndula
    ra os estudos sobre clulas-
                                          mamria) mostrou que o ncleo de uma clula totalmente diferenciada  ca-
    tronco?
                                          paz de gerar um indivduo adulto, se transplantado para um vulo sem n-
                                          cleo. Sobre a CLONAGEM, procure no Livro Didtico Pblico de Biologia, o
                                          Folhas Clonagem: receita pronta para planejar novas geraes ou
                                          para produzir seres inimaginveis?


                                            Existem dois tipos de clulas-tronco:
                                            A) Clulas-tronco embrionrias (totipotentes ou pluripotentes):
                                            Derivadas do embrio, so totipotentes ou pluripotentes, depen-
                                         dendo da fase embrionria em que se encontram.
                                            Quando formam qualquer tecido do corpo so denominadas toti-
                                         potentes. So pluripotentes quando no tem potencial para formar um
                                         organismo completo.

230 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                          Biologia

    Os cientistas utilizam as clulas-tronco embrionrias que se desen-
volvem de vulos fertilizados in vitro e so doados para a pesquisa
com o consentimento dos doadores. O vulo fertilizado, com cerca de
5 dias de idade, assemelha-se a uma bola oca de clulas chamada blas-
tocisto. Observe a FIGURA 1.
    As clulas-tronco so colhidas logo aps a fecundao, quando o
embrio no passa de um amontoado de 100 a 200 clulas indiferen-
ciadas entre si, envoltas por um conjunto de clulas que formaro os
anexos embrionrios.
    Vale lembrar que s a partir de uma semana de vida, mais ou menos,
 que essas clulas embrionrias comeam a diferenciar-se para dar ori-
gem s clulas que formaro a pele, os ossos, as cartilagens, o sangue,
os msculos, as clulas do tecido nervoso e os demais tecidos, enfim,
originam s cerca de 75 trilhes de clulas, e em torno de 200 tipos ce-
lulares diferentes, que formam o ser humano.

                                                                                        Para saber mais sobre a
                                                                                       embriologia, leia o Folhas
                                                                                       Embries: a fantstica
                                                                                       obra em construo! Co-
                                                                                       mo acontece este pro-
                                                                                       cesso?, neste Livro Didtico
                                                                                       Pblico.




            FIGURA 1  Esquema das fases de desenvolvimento embrionrio de mamfero.

    B) Clulas-tronco adultas (pluripotentes e multipotentes):
    So clulas que permanecem sendo tronco. Podem ser encontradas
na medula ssea, no fgado, na crnea, no sangue, no cordo umbili-
cal, nos msculos esquelticos, entre outros rgos.
     com esse material que os cientistas realizam a maioria de suas ex-
perincias.
    Nas terapias experimentais, quando elas so injetadas numa certa
parte do corpo, o que se espera  que o comando gentico seja aciona-
do pelas protenas especficas do rgo para o qual foram enviadas.




                                 Clulas-tronco:arealidadedemuitossonhosouafrustraodahumanidade? 231
         EnsinoMdio

      Alois Alzheimer (14 de            Quaissoasvantagensdesemanipularas
    junho de 1864 -- 19 de de-
    zembro de 1915) foi um neu-         clulas-tronco?
    rologista alemo conhecido,
    sobretudo por ter sido o pri-         O uso das clulas-tronco em diferentes anomalias tem crescido mui-
    meiro autor a reconhecer a        to, tornando essa pesquisa um importante avano da medicina no tra-
    doena neurodegenerativa          tamento de doenas at hoje incurveis, como cncer, leses na colu-
    que hoje tem o seu nome (do-      na (problemas de paralisia), danos cerebrais (traumas e doenas como
    ena de Alzheimer ou mal de       os males de Alzheimer e de Parkinson), tratamentos para doenas neu-
    Alzheimer). Alzheimer traba-      rodegenerativas, danos no corao entre outras.
    lhou tambm com Emil Kra-
                                          At trs anos atrs, acreditava-se que clulas do corao seriam in-
    epelin, autor da primeira clas-
                                      capazes de se regenerar. Hoje sabemos que no momento de um infar-
    sificao moderna dos vrios
    tipos de doenas psicticas.      to, clulas-tronco se dirigem at o msculo cardaco com o objetivo
         Fonte: www.wikipedia.org
                                      de regenerar a regio lesionada. Mas o nmero de clulas  pequeno
                                      em relao a rea lesionada que possui vascularizao comprometida,
                                      por isso no conseguem regener-la. Se as clulas-tronco conseguis-
                                      sem chegar a todas as regies lesionadas, o corao seria capaz de se
                                      regenerar por si s, da mesma forma que a pele quando sofre um le-
                                      ve machucado. Deste modo, as pesquisas tm sido desenvolvidas pro-
                                      curando conhecer a ao e aumentar o nmero de clulas-tronco en-
                                      volvidas na regenerao da rea lesionada. Esse processo  conhecido
                                      como terapia gnica.


                           DEBATE

        Agora voc j conhece os dois tipos de clulas-tronco. Tente pensar qual  o tipo mais utilizado
     para os transplantes e discuta sobre o por qu.



                                        Clulas-troncosaudveisprolongariamavida?
                                          Alguns pesquisadores acreditam que manter saudveis as clulas-
                                      tronco do organismo  o segredo da longevidade.
                                          Se as pessoas envelhecem  porque, com o tempo, as clulas-tron-
                                      co perdem a capacidade de repor outras clulas que so vitais para
    Charles Dennis Buchinsky.
    conhecido como Charles Bron-      que os rgos se mantenham jovens e saudveis, seria possvel ento,
    son (1921 - 2003 ) era um ator    retardar o envelhecimento com a substituio dessas clulas por meio
    americano. Bronson morreu de      de transplantes ou outras tcnicas.
    pneumonia e sofria da doena de
    Alzheimer. Fonte: GNU Free Doc.       A polmica surge quando se trata da retirada de clulas-tronco de
    License, www.wikipedia.org
                                      embries no utilizados para iniciar gravidez, que uma vez congela-
                                      dos, sero posteriormente descartados uma vez que h necessidade
                                      de destru-los. Alguns acham que o extermnio desses embries  to
                                      criminoso quanto o aborto, uma vez que acaba com uma forma de vi-
                                      da. E voc? Concorda com as pesquisas com as clulas-tronco? Por
                                      qu?

232 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                      Biologia

    Vale lembrar que, a maioria das pesquisas com clulas-tronco no
utiliza clulas-tronco embrionrias.
    Uma maneira de utilizar as clulas-tronco sem causar tanto impacto
tico seria o uso de sangue do cordo umbilical que poder ser con-
gelado e as clulas-tronco serem usadas, pelo menos, 15 anos aps a
coleta, embora alguns estudos considerem a possibilidade de estoca-              Engenharia Gentica. Fonte:
gem por at 50 anos. Alm dessa vantagem, nesse tipo de transplan-               www.diaadiaeducacao.pr.gov.br

te no h risco de rejeio, uma vez que as clulas provm do pr-
prio paciente.

     Fique sabendo...
   O 1 transplante de medula ssea com clulas do cordo
 umbilical no Brasil
     O Brasil realizou no dia 08/10/2004, numa menina de 9 anos portado-
 ra de leucemia linfide aguda, o primeiro transplante de medula ssea com
 cordo umbilical coletado, congelado e disponibilizado no pas. O procedi-
 mento foi realizado em Ja, no interior paulista. O Ministrio da Sade tam-
 bm j anunciou a implantao, no pas, da rede BrasilCord, um banco de
 sangue pblico de cordes umbilicais.
     Voc tem conhecimento de Banco desse tipo em sua cidade?



     PENSE NISSO ...
     Quando voc decidir ter um filho, se por acaso quiser guardar o sangue
 do cordo umbilical do seu beb, voc j pode faz-lo. Se um dia houver
 necessidade, esse material estar  disposio de imediato. No se esque-
 a das possibilidades de tratamento que as clulas-tronco esto abrindo pa-
 ra o futuro da medicina.


   Voc est interessado no armazenamento do cordo umbilical? En-
to corra, pesquise, voc encontrar vrios laboratrios que j realizam
essa tcnica. Se o seu beb j est com o nascimento agendado, corra
mais ainda, porque voc tem um prazo de 48 horas entre a coleta e o
processamento do material no laboratrio.
   A coleta pode ser feita em qualquer parte do Brasil e as clulas-
tronco do seu beb podero ser utilizadas para tratar outros membros
da sua famlia, desde que haja uma autorizao judicial.


  Aticaeousodasclulas-tronco
    A tica ilumina a conscincia humana, pois ajuda a dirigir as aes
dos homens tanto em nvel individual quanto social. Ela  um produto
histrico-cultural que define o que  bom ou ruim, o que  certo ou er-
rado, o que  permitido ou proibido para cada cultura ou sociedade.

                            Clulas-tronco:arealidadedemuitossonhosouafrustraodahumanidade? 233
       EnsinoMdio


                               A tica  a teoria ou cincia do comportamento moral dos homens em
                           sociedade. Ou seja,  a cincia de uma forma especfica do comportamen-
                           to humano (...) A tica  a cincia da moral, isto , de uma esfera do com-
                           portamento humano (VZQUEZ, 2004, p.23).

                              Poderamos falar de uma moral cientfica? Poderia existir uma moral
                          compatvel com os conhecimentos cientficos?
                              A chamada "quarta revoluo", promovida pelos conhecimentos
                          produzidos pela Engenharia Gentica, est levando o homem a
                          compreender o mundo de maneira diferente e exigindo postura
                          tica em relao aos conhecimentos e procedimentos cientficos. O
                          sistema de Nicolau Coprnico afirmando que a Terra no era o centro
                          do Universo, foi a primeira revoluo. A segunda revoluo foi a da
                          Seleo Natural, de Charles Darwin, que tirou o homem da esfera divina
                          e o colocou ao lado dos animais. A terceira revoluo foi a de Sigmund
                          Freud que mudou a maneira de pensar da humanidade.


                                          Alm de ser o centro, a Terra era plana?




                                                                             A noo de uma Terra plana se re-
                                    Andreas Cellarius, Harmonia Ma-
                                                                             fere  idia de que a face habitada
                                    crocosmica, Amsterdam, 1660,
                                                                             da Terra  plana, ao invs de curva-
                                    Mundani Ptolemaici dos systema-
                                                                             da ou esfrica. Fonte: Esta rplica
                                    tis de Scenographia [material car-
                                                                             pertence ao Parque Newton Freire
                                    tographic]. Fonte: Coleo de Rex
                                                                             Maya (Parque da Cincia), em Qua-
                                    Nan Kivell.
                                                                             tro Barras, Paran.




                                     Andreas Cellarius, Harmonia Ma-        Andreas Cellarius, Harmonia Macro-
                                     crocosmica, Amsterdam, 1660. As        cosmica, 1708. Universo heliocn-
                                     fases da Lua explicadas de acordo      trico. Fonte: GNU Free Doc. License,
                                     com a sua posio em relao ao        www.wikipedia.org
                                     Sol e a Terra. Fonte: GNU Free Doc.
                                     License, www.wikipedia.org

                               O Heliocentrismo  a teoria cientfica que afirma ser o Sol o centro do
                           sistema solar. Esta teoria foi proposta pela primeira vez pelo astrnomo gre-

234 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                           Biologia


 go Aristarco de Samos, mas s com Nicolau Coprnico, e em especial com
 Galileu Galilei,  que se tornou mais sustentada. Alguns autores medievais
 j especulavam que a Terra era redonda, mas aceitavam o Geocentrismo
 como fora estruturado por Aristteles e Ptolomeu. Esse sistema cosmol-
 gico ensinava que a Terra estava parada no centro do Universo e os outros
 corpos orbitavam em crculos concntricos ao seu redor. Na poca, a Igre-
 ja Catlica aceitava amplamente esse modelo, apesar de a esfericidade da
 Terra estar em aparente contradio com interpretaes literais de algumas
 passagens bblicas. Essa viso geocntrica tradicional foi abalada por Co-
 prnico que, em 1514, comeou a divulgar um modelo matemtico em que
 a Terra e os outros corpos celestes giravam ao redor do Sol. Essa era uma
 teoria de tal forma revolucionria que Coprnico escreveu no seu DE REVO-
 LUTIONIBUS: "quando dediquei algum tempo  idia, o meu receio de ser
 desprezado pela sua novidade e o aparente contra-senso, quase me fez
 largar a obra feita".
                                                                Fonte: www.wikipedia.org


   A quarta revoluo, a revoluo de Ian Wilmut (produziu o pri-
meiro clone de um mamfero adulto do mundo), mostra  humanida-
de que podemos ter cpias idnticas de ns mesmos, portanto, somos
nicos.


                                             O grupo liderado por Ian Wilmut, o cien-
                                        tista escocs que se tornou famoso por essa
                                        experincia, afirma que praticamente todos
                                        os animais que foram clonados nos ltimos
                                        anos a partir de clulas no embrionrias es-
                                        to com problemas. Entre os diferentes de-
  Pesquisador.                          feitos observados nos pouqussimos animais
   Fonte: www.diaadiaeducacao.pr.gov.br
                                        que nasceram vivos aps inmeras tentati-
 vas, observa-se: telmeros encurtados; placentas anormais; gigantismo
 em ovelhas e gado; defeitos cardacos em porcos; problemas pulmona-
 res em vacas, ovelhas e porcos; problemas imunolgicos; falha na pro-
 duo de leuccitos; defeitos musculares em carneiros. De acordo com
 Hochedlinger e Jaenisch, os avanos recentes em clonagem reprodutiva
 permitem quatro concluses importantes:
 1. a maioria dos clones morre no incio da gestao;
 2. os animais clonados tm defeitos e anormalidades semelhantes, inde-
    pendentemente da clula doadora ou da espcie;
 3. essas anormalidades provavelmente ocorrem por falhas na reprograma-
    o do genoma;
 4. a eficincia da clonagem depende do estgio de diferenciao da clula
    doadora. De fato, a clonagem reprodutiva a partir de clulas embrion-
    rias tem mostrado uma eficincia de 10 a 20 vezes maior provavelmen-

                               Clulas-tronco:arealidadedemuitossonhosouafrustraodahumanidade? 235
       EnsinoMdio


                              te porque os genes, que so fundamentais no incio da embriognese,
                              esto ainda ativos no genoma da clula doadora.
                                 interessante que dentre todos os mamferos que j foram clonados, a
                           eficincia  um pouco maior em bezerros (cerca de 10% a 15%). Por outro
                           lado, um fato intrigante  que ainda no se tem notcias de macaco ou ca-
                           chorro que tenha sido clonado. Talvez seja por isto que a cientista inglesa Ann
                           McLaren afirme que as falhas na reprogramao do ncleo somtico podem
                           se constituir em uma barreira intransponvel para a clonagem humana.
                                Mesmo assim, pessoas como o mdico italiano Antinori, ou a seita dos
                           raelianos, defendem a clonagem humana, um procedimento que tem sido
                           proibido em todos os pases. De fato, um documento assinado pelas aca-
                           demias de cincias de 63 pases, inclusive o Brasil, em 2003, pedem o ba-
                           nimento da clonagem reprodutiva humana. O fato  que a simples possi-
                           bilidade de clonar humanos tem suscitado discusses ticas em todos os
                           segmentos da sociedade, tais como:
                              Por que clonar?
                              Quem deveria ser clonado?
                              Quem iria decidir?
                              Quem ser o pai ou a me do clone?
                              O que fazer com os clones que nascerem defeituosos?
                              Na realidade o maior problema tico atual  o enorme risco biolgico
                           associado  clonagem reprodutiva. No meu entender, seria a mesma coisa
                           que discutir os prs e os contras em relao  liberao de uma medicao
                           nova, cujos efeitos so devastadores e ainda totalmente incontrolveis.
                               Apesar de todos esses argumentos contra a clonagem humana repro-
                           dutiva, experincias com animais clonados tm nos ensinado muito acerca
                           do funcionamento celular. Por outro lado, a tecnologia de transferncia de
                           ncleo para fins teraputicos, a chamada clonagem teraputica, poder ser
                           extremamente til para a obteno de clulas-tronco.
                                                     ZATZ, Mayana. Clonagem e clulas-tronco. Revista Cincia e Cultura,
                                                                                Jul/Set. 2004, vol.56, n.3, p.23-27.



                                No so os problemas ligados  tcnica que alimentam mais a dis-
                           cusso tica. A possibilidade de influir sobre o carter dos indivduos e os
                           desvios eugnicos que podem emanar dele, ou a querela entre um direito
                            sade e um direito a um patrimnio gentico no modificado, so pon-
                           tos importantes que nos parecem baseados em uma questo fundamen-
                           tal: ser que temos o direito de manipular o genoma humano? O homem
                           pode se tornar objeto de sua tcnica, se programar, assumir a sua prpria
                           evoluo? (CANTO-SPERBER, 2003, p.691)




236 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                           Biologia



              ATIVIDADE

   Diante desta discusso desenvolva um texto respondendo as seguintes questes:
   a) Quais seriam as conseqncias das experincias relativas s pesquisas com clulas-tronco?
   b) Essas experincias so ticas?
   c) As clulas-tronco so a realidade de muitos sonhos, ou ser a frustrao da humanidade?




              DEBATE

    Agora, junto com seu professor, organize dois grupos: favorveis ao uso de clulas-tronco em-
brionrias, e desfavorveis ao uso. Cada grupo ter que pesquisar e trazer o maior nmero de ar-
gumentos para a sua defesa. Agende um dia para o debate e discuta sobre o assunto.
    Aps o debate elabore uma coletnea com os textos que vocs pesquisaram sobre clulas-
tronco e exponha no mural do Colgio.




 RefernciasBibliogrficas
 CANTO-SPERBER, M. (Org). Dicionrio de tica e filosofia moral. So
 Leopoldo: Unisinos, 2003.
 VZQUEZ, A.S. tica. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 2004.


 ObrasConsultadas
 CARVALHO, A. C. C. de. Clula-tronco  promessa para medicina do futuro.
 Revista Cincia Hoje, Rio de Janeiro, v. 29, n. 172, jun. 2001.
 FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionrio da lngua portuguesa. Rio de
 Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
 REVISTA SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL. So Paulo: Ediouro/Segmento,
 ano 4, n. 39, ago. 2005.
 REVISTA VEJA. So Paulo: Abril, ed. 1920, n. 35, 31 ago. 2005.
 WEISS, R. O poder de dividir. Revista National Geographic. So Paulo,
 jul. 2005.




                          Clulas-tronco:arealidadedemuitossonhosouafrustraodahumanidade? 237
       EnsinoMdio

                            DocumentosConsultadosOnlInE
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                             <www.anvisa.gov.br> Acesso em: 20 ago. 2005.
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                             Pr-Vida e Pr-Famlia. Disponvel em: <http://providafamilia.org/bioetica_
                             reproducao.htm> Acesso em: 20 ago. 2005.
                             GOOGLE EARTH. Explore, Search and Discover. Disponvel em: <www.
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                             MATHERS, C. D. A aplicao do novo indicador de expectativa de
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                             RODRIGUES, O. M. A polmica do uso de clulas-tronco. Portal do
                             Esprito. Disponvel em: <www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/ciencia/
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                             em: <www.scielo.br> Acesso em: 15 ago. 2005.




238 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                               Biologia



ANOTAES




     Clulas-tronco:arealidadedemuitossonhosouafrustraodahumanidade? 239
       EnsinoMdio




240 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                 Biologia




                                                                                       15
                                                    CLONAgEM: RECEITA
                                                 PRONTA PARA PLANEjAR
                                                   NOVAS gERAES OU
                                                  PARA PRODUzIR SERES
                                                        INIMAgINVEIS?
                                                                           Marilene Mieko Yamamoto Pires1


                                                               ilho de peixe, peixinho ". Voc
                                                               concorda com essa afirmao? 
                                                            claro que filho de peixe, peixinho !
                                                            Mas, ele  um clone?

                                                       E voc,  um clone de seu pai? De sua
                                                       me?




Colgio Estadual Silvio Vidal - Paranava - PR
1



                     Clonagem:receitaprontaparaplanejarnovasgeraesouparaproduzirseresinimaginveis? 241
        EnsinoMdio

                                          Durante a fecundao voc recebeu metade do nmero de cromos-
                                       somos (23) do seu pai e a outra metade da sua me (23) e surgiu vo-
                                       c com 46 cromossomos.




                            Representao do sistema reprodutor feminino.
                                                                                                 Representao do sistema reprodutor masculino.


                                           Por isso, no somos clones de nossos pais, podemos ser apenas "pare-
                                       cidos".
                                           Clone significa "ramo" (do grego kln) e esse termo  utilizado tan-
                                       to para clulas como para organismos, e clonagem  o desenvolvimento
                                       de uma cpia geneticamente idntica de um indivduo.
     Voc sabia que quan-                  Voc j observou como se planta mandioca? Para plantar mandio-
    do voc pega um broti-             ca, os agricultores usam ramas (haste) de mandioca retiradas de um
    nho de qualquer planta
                                       p da colheita anterior. Estes originaro uma planta que ser um clone
    e replanta, voc est fa-
                                       da planta fornecedora do ramo.
    zendo uma clonagem?
    E quando fazemos mu-                   Voc j ouviu falar em enxerto de planta?
    das, estamos produ-
    zindo clones?




       Hastes de mandioca: verde,
       madura e muito madura.

                                                   Melhoramento Vegetal  So cacaueiros clonados. Aps seleo artificial, as mudas so ob-
                                                   tidas pelo mtodo de enraizamento de estacas em ambientes apropriados. Primeiramente em
                                                   casas de estaquiamento onde as estacas (garfos) sero colocadas em tubetes com substra-
                                                   to e hormnios apropriados. Em seguida sero transferidos para casas de vegetao/aclima-
                                                   tao permanecendo, entre 50 a 60 dias, sob nebulizao intermitente de gua e luminosi-
                                                   dade reduzida at o enraizamento das estacas. Fonte: Gentica Bsica, Universidade Federal
                                                   de Viosa, MG.


242 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                           Biologia

   O enxerto  uma forma de clonagem induzida em vegetais, onde
so implantados brotos de plantas selecionadas em caules de outros
vegetais.


             Exemplos de plantas que se reproduzem por propagao vegetativa


                                     Propgulo vegetativo
        Nome comum                                                    Produto de interesse
                                       Tipos de enxertia

           Abacateiro                   Estacas, Garfagem                     Frutos

             Batata                        Tubrculos                       Tubrculos

             Citros                         Borbulhas                         Frutos

            Macieira                    Garfagem, Estacas                     Frutos

          Morangueiro                       Estoles                          Frutos

             Videira                    Garfagem, Estacas                     Frutos




                PESQUISA

    Pesquise sobre a tcnica que se utiliza em cada tipo de enxertia e depois, em grupo e com o
 auxlio do professor, procurem fazer algumas enxertias. Um tipo de enxertia muito interessante 
 o da enxertia em ctricos, como por exemplo, a enxertia entre a laranja ou tangerina com o limo
 cravo (Citrus limonia).



    A enxertia  muito usada em culturas comerciais com o objetivo de
aumentar a produtividade, melhorar a qualidade e uniformizar a co-
lheita, portanto as culturas que so manipuladas dessa maneira forne-
cem mais alimento para a populao.
    E voc? Sabe diferenciar a clonagem natural da induzida?
    Quando a natureza por si s faz cpias de si, a clonagem  dita natu-
ral, ocorre sem a interferncia do homem, como acontece com os seres
originados a partir de reproduo assexuada sem a participao de ga-
metas, como nas bactrias, a maioria dos protozorios, algumas levedu-
ras, alguns vegetais, estrela-do-mar, certos moluscos e crustceos.




            Clonagem:receitaprontaparaplanejarnovasgeraesouparaproduzirseresinimaginveis? 243
        EnsinoMdio

                                            Os gmeos univitelinos (idnticos) tambm so clones naturais.
                                            Voc sabe a diferena entre gmeos idnticos e no idnticos?
                                            Ento, observe a FIGURA 1:




                                         FIGURA 1 - Esquema do mecanismo de formao de gmeos.



                                           Um clone no ter a mesma personalidade e habilidade do indiv-
                                        duo original. Um clone do Beethoven, por exemplo, poderia no sa-
                                        ber compor msica, isso significa que tudo aquilo que aprendemos,
                                        no pode ser repassado para o clone.
                                           Apesar de alguns estudos recentes indicarem que as caractersticas
                                        dos seres vivos, inclusive as caractersticas psicolgicas humanas pos-
                                        sam ser influenciadas pelos genes, no dispomos ainda de dados so-
                                        bre essa influncia.


    LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770             Todocloneigual?
    - 1827) foi um compositor erudi-
    to alemo do perodo de transi-
    o entre o Classicismo e o pe-
                                             Depende. Se no houver mutao, os indivduos resultantes da clo-
    rodo Romntico.  considerado o    nagem tero o mesmo gentipo, mas, durante a reproduo assexua-
    maior e mais influente composi-     da pode ocorrer alguma alterao do material gentico (gentipo), ge-
    tor do sculo XIX. Suas 32 Sona-
    tas para Piano so consideradas o   rando um ser com patrimnio gentico diferenciado.
    Novo Testamento da Msica, sen-          A clonagem induzida artificialmente  uma tcnica da engenharia
    do o Cravo Bem-Temperado, de
    Johann Sebastian Bach, o Antigo     gentica utilizada em vegetais e animais, em laboratrio, de forma ar-
    Testamento. Fonte: JOSEPH KARL      tificial, baseada em um nico patrimnio gentico.
    STIELER, Beethoven, 1820.
                                             A partir de uma clula-me, ocorre a produo de uma ou mais c-
                                        lulas que so os clones. Os indivduos resultantes desse processo tero
                                        as mesmas caractersticas genticas do indivduo "doador", desde que
                                        no ocorra a mutao.
                                             Quais vantagens voc v na clonagem? Voc quer ser clonado?
                                             No adianta voc ser clonado pensando em ficar numa boa, fazen-

244 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                              Biologia

do somente o que gosta e deixar as coisas ruins para o seu clone, por-
que quando o seu clone tiver a sua idade, voc ter o dobro da ida-
de dele.
   Pense: se voc tem 16 anos, e produzir um clone hoje, somente da-
qui a 16 anos o seu clone ter a sua idade e poder sofrer envelheci-
mento precoce pela utilizao de clulas no embrionrias na clona-
gem.
   Mesmo assim, voc quer ser clonado? Para qu?

  Comoseproduzumcloneanimal?
    Nos animais, a clonagem  feita a partir das clulas germinativas ou
reprodutivas, chamadas de gametas (vulos e espermatozides) e as
somticas, que so todas as outras.
    Cada animal doa uma clula: um cede o ncleo (DNA) de uma c-
lula somtica que  inserido na clula germinativa do outro animal,
que est sem o seu DNA. Na clonagem, o DNA precisa ser retirado de
uma clula somtica, que possui todas as informaes genticas do
animal a ser clonado.
                                                                           Que tal assistir a um filme?
                                                                           Sugerimos: "Eu, minha mu-
                                                                           lher e minhas cpias", 1996,
                                                                           do diretor Harold Ramis.




         Esquema da tcnica de clonagem.




                  DEBATE

    Aps assistir ao filme, discuta com os seus colegas os assuntos abordados no mesmo, que te-
 nham relao com o contedo desenvolvido neste Folhas.




             Clonagem:receitaprontaparaplanejarnovasgeraesouparaproduzirseresinimaginveis? 245
       EnsinoMdio

                                      AovelhaDollyfoioprimeiromamferoclonado
                                        Em 1996 a clonagem foi desenvolvida pelos cientistas da equipe do
                                    Instituto Roslin, na Esccia, liderada por Ian Wilmut, e o anncio ofi-
                                    cial foi feito em 1997 com a apresentao da ovelha Dolly, o primeiro
                                    clone de um mamfero adulto do mundo.
                                        Para a criao da Dolly, eles utilizaram as clulas da glndula ma-
                                    mria de um animal adulto de seis anos de idade, coletaram os ovci-
        Ovelha Dolly, ao lado
        de seu filhote Bonnie.      tos (clulas que do origem ao vulo) de uma ovelha adulta, retiraram
        Fonte: divulgao Cien-     seu ncleo e o substituram pelo ncleo da clula mamria que possui
        tfica, Escola de Comuni-
        cao e Artes, Universi-
                                    toda a informao gentica da ovelha original.
        dade de So Paulo.              Utilizando impulsos eltricos, a clula foi reativada e comeou a
                                    se dividir at formar um embrio, que foi implantado no tero de
                                    uma fmea.
                                        Aparentemente o processo de clonagem parece ser simples, mas fo-
                                    ram realizadas vrias tentativas e muitas deram errado.


                                         Olha o empenho...
                                         At chegar ao nascimento da Dolly, os cientistas fundiram 834 ncleos.
                                     Em todas as fases do processo houve perdas enormes. Das 156 clulas
                                     implantadas, apenas 21 se desenvolveram. S oito ovelhas nasceram. Des-
                                     tas, apenas uma era resultado da clula adulta.



                                      Quemvocachaquesoospaisbiolgicos
                                      deumclone?
                                       Os cientistas no divulgaram a clonagem de um mamfero que te-
                                    nha tido sucesso total. Isso  bom ou  ruim?


                                          "A ovelha Dolly foi sacrificada com seis anos de idade em, 14 de feve-
                                     reiro de 2003, depois de uma vida marcada por envelhecimento precoce e
                                     vrias doenas. Com cinco anos e meio, a ovelha comeou a sofrer de artri-
                                     te. Em seus ltimos dias, Dolly estava com uma doena degenerativa incu-
                                     rvel nos pulmes. Tanto a artrite quanto o problema pulmonar so caracte-
                                     rsticos de ovelhas mais velhas, com aproximadamente 12 anos.
                                                               Fonte: www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2003/fev/15/79.htm




246 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                                        Biologia

   Tiposdeclonagemanimal
     Clonagem reprodutiva: cria bebs que sejam cpias de uma determi-
     nada pessoa.
     Clonagem teraputica: realiza a multiplicao de clulas de uma pes-
     soa para usar no desenvolvimento de tecidos e rgos. Tem fins te-
     raputicos e a esperana  acabar com as filas de transplantes.




 Representao do processo de clonagem teraputica. A partir de uma clula somtica do paciente,  gerado um em-
 brio clonado que, dissociado, dar origem a CTs embrionrias geneticamente idnticas ao paciente. Essas CTs embrio-
 nrias podem ser diferenciadas em tecidos especficos de acordo com a doena do paciente.



   Aquestoticadaclonagem
    Falar de tica na Cincia  promover a busca de uma sociedade
mais justa, em que a dignidade de todos e de cada um possa ser res-
peitada. As pesquisas com clonagem tambm devem ser realizadas no
intuito de buscar essa dignidade humana.


      "(...) O paleobilogo Richard Lewontin faz uma reflexo sobre Cincia e a tica da clo-
  nagem, dizendo que o pblico em geral no conhece a falcia fundamental da doutrina de
  que os genes "fazem" o organismo e tende naturalmente a crer que os genes idnticos pro-
  duzem pessoas idnticas. A maioria das pessoas confunde o estado gentico de um or-
  ganismo com a totalidade das caractersticas biolgicas, psicolgicas e culturais de um ser
  humano (...) os gmeos idnticos so muito mais semelhantes entre si, do ponto de vista
  gentico, do que um organismo clonado  semelhante ao doador de seus genes; e mesmo
  assim suas personalidades e histrias de vida so em geral bastante diferentes, apesar dos
  esforos de muitos pais para reforar as semelhanas entre os gmeos, vestindo-os com
  as mesmas roupas, dando-lhes a mesma educao, etc." (CAPRA, 2002, p.190-191).



                    Clonagem:receitaprontaparaplanejarnovasgeraesouparaproduzirseresinimaginveis? 247
        EnsinoMdio

                                        Isso significa que as pessoas no so idnticas s pelo fato de se-
                                     rem formadas de genes idnticos, de terem sido clonadas. Cada pes-
                                     soa possui a sua histria de vida.



                         DEBATE

          Analisem, em grupo, as seguintes questes:
          Quais so os problemas ticos da clonagem?
         Quais so as principais razes que esto por trs das pesquisas envolvendo a manipulao ge-
     ntica? Existem apenas interesses comerciais?
          O uso de animais para esse tipo de pesquisa  tico? E com os seres humanos?
          Quais seriam os embries humanos que estariam prontos para serem sacrificados?
          Voc doaria um embrio originrio de suas clulas para a realizao de pesquisas genticas?



                                        No atual estgio dos nossos conhecimentos, qualquer tentativa de
                                     clonar um ser humano  uma questo polmica. Com efeito, at mes-
                                     mo no caso dos experimentos de clonagem com animais, a comuni-
                                     dade cientfica tem o dever de estabelecer diretrizes ticas rigorosas e
                                     de permitir que suas pesquisas sejam livremente conhecidas e julga-
                                     das pelo pblico.
                                          Nesse sentido, a mdia traz com freqncia reportagens sensacio-
                                     nalistas como esta divulgada na Internet pelo Jornal Estado de So
                                     Paulo, no site www.estadao.com.br.

     SNUPPY  uma referncia              Cientistas criam Snuppy, o primeiro co clonado do mundo
    a Seoul National University e
    "puppy", que significa filhote         Paris - Cientistas sul-coreanos anunciaram a clonagem bem-sucedida
    de cachorro em ingls.            de um cachorro. Os pesquisadores utilizaram a mesma tcnica que permi-
                                      tiu a clonagem da ovelha Dolly para criar um clone a partir de um galgo afe-
                                      go de trs anos. O clone, que nasceu no ltimo dia 24 de abril, ganhou o
                                      nome de Snuppy da Universidade Nacional de Seul, informou a revista cien-
                                      tfica britnica Nature.
                                         Snuppy, com plo preto, castanho e branco,  geneticamente idntico
                                      ao pai, de acordo com testes de DNA. Este cachorro entra agora no grupo
                                      dos animais clonados, formado por ovelhas, camundongos, vacas, gansos,
                                      porcos, coelhos, gatos, mulas, cavalos, ratos e um boi selvagem indiano.
                                          Dolly, que nasceu na Esccia em julho de 1996, foi o primeiro mamfero a
                                      ser criado a partir de uma clula de animal adulto. A tcnica, chamada de trans-




248 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                      Biologia


  ferncia somtica do ncleo da clula, consiste em remover o ncleo de um
  vulo e substitu-lo pelo ncleo da clula adulta do animal que ser clonado.
      O embrio assim produzido  introduzido num recipiente com um pre-
  parado qumico, e recebe uma carga eltrica para estimular sua diviso. Ele
  continua a crescer num prato, embebido em nutrientes qumicos, at se tor-
  nar um conjunto de clulas grande o suficiente para ser implantado no te-
  ro da me de aluguel.
      Para os cientistas, os cachorros esto entre os animais mais difceis de
  clonar, por causa da dificuldade de adquirir vulos maduros. Ao contrrio
  de outras espcies de mamferos, os cachorros ovulam quando seus vu-
  los ainda so imaturos. Os vulos imaturos entram num duto especial, onde
  amadurecem por dois ou trs dias.
      A taxa de sucesso da clonagem ainda  muito baixa. Um total de 1.095
  embries foram transferidos para 123 recipientes. Apenas trs resultaram
  em gestaes, e apenas duas das trs gestaes foram bem-sucedidas. O
  outro filhote - chamado de NT-2, um nome menos gracioso do que Snuppy
  - morreu de pneumonia depois de 22 dias.
                       Fonte: http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2005/ago/03/131.htm



     Com base nessa reportagem, podemos ver como est sendo veicu-
lado na mdia a questo da clonagem.
     At que ponto essas informaes da mdia contribuem para
o entendimento da populao sobre o assunto ou simplesmente
gera uma polmica e certo receio sobre a clonagem.
      interessante tambm, analisarmos o uso da Cincia como um
meio de manipular no somente os genes humanos, mas tambm a
utilizao das idias evolucionistas dos sculos XVIII e XIX que le-
gitimaram prticas preconceituosas contra povos considerados dife-
rentes e inferiores quando comparados  viso do povo europeu.  Olhar e selecionar...
                                                                     Fonte: www.diadiaeducacao.pr.gov.br
     Vamos entender melhor esse tipo de preconceito.




                  DEBATE

    Se voc tivesse o poder de deciso sobre o uso da clonagem humana, qual grupo tnico
 escolheria?
    Ser que a sociedade atual tem condies, pelo grau de informaes que recebe, de decidir
 sobre esta questo?




              Clonagem:receitaprontaparaplanejarnovasgeraesouparaproduzirseresinimaginveis? 249
       EnsinoMdio

                                 Vejamos ento o que dizem os cientistas:

                                    Dr. Mayana Zatz, geneticista do Centro de Estudos do Genoma Hu-
                                mano da USP, afirma que a morte precoce do primeiro mamfero clonado do
                                mundo mostra que a clonagem reprodutiva  perigosa. "Esse  o maior re-
                                cado da Dolly"; explica que a taxa de sucesso durante o processo de clona-
                                gem  de apenas 1%. Alm disso, "todos os clones produzidos apresentam
                                algum problema". Dolly foi feita com material gentico (cromossomos) de
                                um animal adulto com seis anos, injetado num vulo do qual se retirou o n-
                                cleo. Esses cromossomos j foram marcados pelo animal original e podem
                                deixar de funcionar, o que faz surgirem malformaes imprevisveis. Apesar
                                dos problemas ela considera a experincia um sucesso que mostrou que 
                                possvel se produzir tecidos a partir de clulas-tronco.
                                                                             Fonte: FOLHA ONLINE, www.folha.com.br


                                    Dr. Lygia da Veiga Pereira, biloga e professora do Instituto de Bio-
                                cincias da USP, defende apenas a clonagem teraputica, que  a aplica-
                                o do conhecimento da tcnica para curar e tratar doenas sem gerar um
                                beb. Ela acredita que todas as clulas do nosso corpo tm informaes
                                para fazer um ser vivo.
                                                         Fonte: ESCOLA VESPER, www.escolavesper.com.br/clonagem.htm




                     DEBATE

        Aps a leitura das opinies dos cientistas, d a sua opinio: em quais pontos voc concorda
     ou discorda? Por qu?




                     ATIVIDADE

        Tente descobrir o por qu ...
         Caso um beb clonado sobreviva, ele ter a marca da maioria dos animais clonados: um "umbigo"
     resultante de um cordo umbilical maior que o normal que, inexplicavelmente, se desenvolve na gesta-
     o dos clones.
        Por que ser?




250 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                         Biologia



                PESQUISA                                                              Voc j ouviu falar no m-
                                                                                     dico italiano Severino Antino-
                                                                                     ri que disse ter clonado uma
   Pesquise sobre a linha da evoluo histrica da clonagem, em li-                  pessoa? Voc acredita que
                                                                                     ele ter sucesso em sua ten-
vros, textos, revistas ou sites indicados pelo professor.
                                                                                     tativa de clonar um ser huma-
                                                                                     no? Os cientistas tm condi-
                                                                                     es de comear j esse tipo
                                                                                     de pesquisa?
                DEBATE

    E ento, o que voc acha, a clonagem  uma receita pronta pa-                     Voc sabia que em 1993,
ra planejar novas geraes ou para produzir seres inimaginveis?                     foram clonados embries hu-
   E no Brasil, ser que a populao ter acesso a esse avano                       manos, mas que foram des-
tecnolgico?                                                                         trudos por apresentarem de-
                                                                                      feitos genticos?



   Sugesto de Outro Filme:
                              Que tal assistir ao filme "A Ilha" (The Island), dirigido por Michael Bay.
                          Sinopse: Lincoln Six-Echo (EWAN MCGREGOR)  um morador de um
                          mundo utpico, em meados do sculo 21. Assim como todos os habi-
                          tantes deste ambiente cuidadosamente controlado, Lincoln sonha em ser
                          escolhido para ir para "A Ilha"  dita o nico lugar descontaminado no pla-
neta. Mas Lincoln logo descobre que tudo sobre sua existncia  uma mentira. Ele e todos os outros
habitantes do complexo so na verdade clones cujo nico propsito  fornecer "partes sobressalen-
tes" para seus humanos originais. Percebendo que  uma questo de tempo antes que seja "usado",
Lincoln faz uma fuga ousada com uma linda colega chamada Jordan Two-Delta (Scarlett Johansson).
Perseguidos sem trgua pelas foras da sinistra instituio que uma vez os abrigou, Lincoln e Jordan
entram em uma corrida por suas vidas e para literalmente conhecer seus criadores.
                                                                                  Fonte: www.2001video.com.br




            Clonagem:receitaprontaparaplanejarnovasgeraesouparaproduzirseresinimaginveis? 251
       EnsinoMdio

                            RefernciasBibliogrficas
                            CAPRA, F. As conexes ocultas: cincia para uma vida sustentvel. So
                            Paulo: Cultrix, 2002.


                            ObrasConsultadas
                            GARCIA, S. M. L. et al. Embriologia. Porto Alegre: Artes Mdicas, 1991.
                            PEREIRA, L. da V. Clonagem, fatos e mitos. So Paulo: Moderna, 2002.
                            SANCHES, M. A. Biotica: cincia e transcendncia. So Paulo: Loyola,
                            2004.


                            DocumentosConsultadosOnlInE
                            A ILHA (The island). Direo de Michael Bay. Informaes gerais. Disponvel
                            em: <www.2001video.com.br> Acesso em: 20 set. 2005.
                            JORNAL ESTADO DE SO PAULO. Cientistas criam Snuppy, o primeiro
                            co clonado do mundo. Disponvel em: <www.estadao.com.br/ciencia/
                            noticias/2005/ago/03/131.htm> Acesso em: 19 set. 2005.
                            REVISTA BIOTECNOLOGIA, CINCIA E DESENVOLVIMENTO. Disponvel em:
                            <www.biotecnologia.com.br> Acesso em: 20 ago. 2005.
                            UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Ncleo Interdisciplinar
                            de Biotica. Disponvel em: <www.bioetica.ufrgs.br> Acesso em: 20 ago.
                            2005.




252 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                         Biologia



   ANOTAES




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       EnsinoMdio




254 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
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                                                                                             16
                                       VACINAS: COMO ESTARIA
                                     A hUMANIDADE SEM ESSE
                                        AUxLIO PARA A DEFESA
                                       DE NOSSO ORgANISMO?
                                                                                 Marilene Mieko Yamamoto Pires1

                                                               populao mundial era de 1,65 bilhes de
                                                              habitantes em 1900, hoje somos mais de 6
                                                              bilhes, esse aumento populacional e a vida
                                                                moderna esto influenciando a propagao
                                                                das doenas e contribuindo tambm para o
                                                   desequilbrio ecolgico do nosso planeta.
                                                     O desmatamento, a invaso das florestas, o aqueci-
                                                 mento global e a poluio, so alguns dos fatores que
                                                 propiciam o aparecimento de doenas, uma vez que o
                                                 agente patognico perde o seu habitat natural e comea
                                                 a invadir outros ambientes e chega at o homem, acaban-
                                                 do com a sua sade.
                                                     Quando o homem destri uma floresta natural, os ani-
                                                 mais silvestres como o tatu, gamb, capivara e outros,
                                                 perdem a sua moradia e no tendo onde morar invadem
                                                 as regies cada vez mais prximas do homem.
                                                     Esses animais, normalmente, so hospedeiros naturais
                                                   de muitos microrganismos e so imunes a eles. Quan-
                                                      do esses animais entram em contato com o homem
                                                         acabam transmitindo esses microorganismos cau-
                                                             sadores de doenas at ento desconhecidas.
                                                                Da a importncia de se preservar o meio
                                                                   ambiente para preservar a nossa sade.
Colgio Estadual Silvio Vidal - Paranava - PR
1



                        Vacinas:comoestariaahumanidadesemessesguerreirosemdefesadenossoorganismo? 255
        EnsinoMdio



                                           Mas o que  ter sade?
                                           A definio de sade proposta pela OMS (Organizao Mundial de
                                        Sade) h mais de 50 anos: "(...) sade  no s a ausncia de doena,
    Bandeira da Organizao Mundial     mas um estado de completo bem-estar fsico, mental e social."  com o
    da Sade. A Organizao Mundial     acrscimo, em 1987, de uma quarta dimenso, o bem-estar espiritual.
    da Sade (OMS)  uma agncia
    especializada em sade, fundada        Bem-estar fsico  estar com todos os rgos do corpo em perfeito
    em 7 de abril de 1948 e subor-      funcionamento. Bem-estar mental e espiritual  estar com a mente e o
    dinada  Organizao das Naes     esprito sos e sem nenhuma perturbao psicolgica. Bem-estar social
    Unidas. Sua sede  em Genebra,
    na Sua. A OMS tem suas origens     estar em harmonia com a sociedade.
    nas guerras do fim do sculo XIX
    (Mxico, Crimia). Aps a Primei-
                                           Portanto, no  to fcil ser considerada uma pessoa saudvel. Por-
    ra Guerra Mundial, a SDN (Socie-    que no adianta voc estar sem dor, sem coceira, todo corado, com di-
    dade das Naes) criou seu comi-    nheiro no bolso, se voc no est satisfeito com a vida que leva...
    t de higiene, que foi o embrio
    da OMS. Fonte: GNU Free Doc. Li-
    cense, www.wikipedia.org




                           DEBATE

        Discuta com os seus colegas e verifique se o status econmico, o sexo e a etnia influenciam a
     sade das pessoas.
          Analisando a definio de sade proposta pela OMS e a sua condio de vida, voc tem sade?




                           ATIVIDADE

          Faa uma lista de 10 atitudes bsicas que voc precisa adotar para ter sade.



                                           Para ser saudvel fisicamente, precisamos ter um sistema imunol-
                                        gico em perfeito funcionamento.
                                           Voc sabe o que  sistema imunolgico?
                                           O sistema imunolgico tem como funo destruir os agentes pato-
                                        gnicos via ao dos anticorpos.
                                           Os anticorpos so molculas proticas responsveis pela elimina-
                                        o das substncias estranhas ao organismo (antgenos). Os anticor-
                                        pos esto presentes em todos os vertebrados na poro do sangue
                                        chamada plasma.
                                           A produo dos anticorpos inicia-se aps o nascimento e mantm-
                                        se ao longo da vida, toda vez que uma substncia estranha penetra em
                                        nosso organismo.

256 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                                   Biologia

    Os anticorpos se unem  superfcie desses corpos estranhos (bac-
trias, vrus ou toxinas), eliminando-os por inativao direta, permitin-
do que outras clulas sanguneas os englobem e os destruam (fagoci-
tose).
    Voc sabia que a alergia  uma doena em que ocorre uma hiper-
sensibilidade  determinadas substncias incuas para a maioria dos in-
                                                                                             Neutrfilos rodeados de hem-
divduos. Os alrgicos reagem exacerbadamente a determinadas subs-                           cias. Os neutrfilos, juntamente
tncias potencialmente alrgicas e geram anticorpos contra uma ou                            com os macrfagos, so clulas
vrias substncias inofensivas, desencadeando uma reao alrgica.                           fagocitrias que tm a capacida-
                                                                                             de de estender pores celulares
    E as doenas? Como podem ser prevenidas?                                                 (pseudpodes) de forma direcio-
                                                                                             nada, englobando uma partcula
    Existem vrias maneiras de cuidar da nossa sade, uma delas  a                          ou microrganismo estranho. Este
vacina.                                                                                      microrganismo  contido num va-
                                                                                             colo, o fagossoma, que depois 
    As vacinas (do latim vaccinia = vaca) so substncias que, ao se-                        fundido com lisossomas, vacolos
rem introduzidas no organismo de um animal, do origem a uma                                 ricos em enzimas e cidos, que
                                                  reao do sistema imunolgico seme-        digerem a partcula ou organismo.
                                                                                             Neutrfilo  o mais abundante dos
                                                  lhante  que ocorreria no caso de uma      fagcitos e  sempre o primei-
                                                  infeco por um determinado agen-          ro a chegar ao local da invaso.
                                                                                             Ele fagocita e mata as bactrias.
                                                  te patognico, tornando o organismo        Fonte: GNU Free Doc. License,
                                                  imune a esse agente (e  doena por        www.wikipedia.org
                                                  ele provocada).
                                                      As vacinas so obtidas a partir de
                                                  agentes infecciosos das prprias do-
                                                  enas que se deseja evitar. So, geral-
                                                  mente, produzidas a partir de agentes
                                                  patognicos (vrus ou bactrias) enfra-
 Vacina oral anti-poliomielite (Vacina Sabin) ad- quecidos, que no possuem a agressivi-
   ministrada em criana, em Bangladesh. sia.
   Fonte: United States Agency for International, dade natural e, portanto, so incapazes
   www.wikipedia.org                              de produzir a doena.
    Ao penetrarem no organismo, as vacinas vo estimular o sistema
de defesa (sistema imunolgico) a produzir os anticorpos. Quando o
agente infeccioso entrar em contato com um indivduo vacinado, as
clulas de defesa se reproduzem mais rapidamente, evitando assim,
que o agente patognico desenvolva a doena.

      Voc sabia? Edward Jenner (1749 - 1823), criador da primeira vaci-
  na contra a varola, em 1796, ficou com a fama mundial como o inventor
  da vacina, mas h evidncias de que muito antes disto, os chineses j te-
  riam criado um mtodo de imunizao. Eles trituravam cascas de feridas
  produzidas pela varola, onde o vrus estava presente, porm morto, e so-
  pravam o p por meio de um cano de bambu nas narinas das crianas. O
  sistema imunolgico delas produzia uma reao para o vrus morto e, quan-                  Edward Jenner. Fonte: Image
  do expostas ao vrus vivo, o organismo j sabia como reagir, livrando-os da                courtesy of Rare Books and Spe-
                                                                                             cial Collections, Thomas Cooper
  doena.                                                                                    Library, University of South Ca-
                                                                                             rolina, USA - enviada por Jeffrey
                                                                                             Makala, Assistant Librarian.



                 Vacinas:comoestariaahumanidadesemessesguerreirosemdefesadenossoorganismo? 257
       EnsinoMdio

                                  Jenner observou que as vacas tinham, nas tetas, feridas iguais s
                              provocadas pela varola humana, porm mais leves, e as mulheres que
                              ordenhavam essas vacas infectadas, quando eram expostas ao vrus
                              humano, adoeciam de maneira mais branda.
                                  Ele recolheu o lquido que saa das feridas das vacas e passou em
                              cima de arranhes no brao de um garoto. O menino teve um pouco
                              de febre, algumas leses leves e teve uma recuperao rpida.
                                  A partir da, o cientista pegou o lquido da ferida de outro pacien-
                              te com varola e novamente exps o garoto ao material. Semanas de-
                              pois, ao entrar em contato com o vrus da varola, o garoto no adoe-
                              ceu. Estava descoberta assim a propriedade de imunizao.
                                  Juntamente com os antibiticos, a vacina foi a conquista mdica
                              que mais salvou vidas e que aumentou a longevidade mdia humana
                              em algumas dcadas, ao prevenir que as pessoas fossem afetadas por
                              doenas que devastaram a humanidade, como a varola (a primeira do-
                              ena natural extinta pela mo do homem), a febre amarela, a febre ti-
                              fide, a poliomielite, o ttano, a raiva, e muitas outras.


                                Comofoioinciodaprevenodasdoenasatravs
                                 dasvacinasnoBrasil?
                                 No Brasil do sculo XIX, duas doenas tiravam o sono das autori-
                              dades e a vida da populao: a febre amarela e a varola.
     Endmico
                                A                                    B                                 C
    So doenas que ocor-
    rem numa determinada
    populao, em determi-
    nada regio, atingindo
    um nmero relativamen-
    te baixo e constante de       FIGURAs A e B - Fmea adulta do Aedes aegypti. As caractersticas     FIGURA C - Estgio de larva
                                  incluem um corpo esguio e pernas longas. As fmeas alimentam-se       (esq.) e pupa (dir.) do mosqui-
    indivduos.                   de sangue antes de pr os ovos. O tamanho varia, mas  raramente      to Aedes aegypti.
                                  maior que 15 mm. O peso dos mosquitos  apenas de 2 a 2.5 mili-
    Epidmico                     gramas. Eles conseguem voar de 1.5 a 2.5 km/h.
    So doenas cujo au-         Esta espcie de mosquito  transmissora da Febre Amarela e da Dengue.
    mento do nmero de                                                       Fonte: United States Agency for International, www.wikipedia.org
    casos numa determi-
    nada populao, ocorre         A febre amarela, transmitida pela picada do mosquito Aedes
    de forma sbita.          aegypti, chegou ao Brasil no sculo XVII em navios que vinham da
                              frica. Os primeiros casos datam de 1685, no Recife, Pernambuco, e
                              de 1692, na cidade de Salvador, Bahia.
                                   Em 1849 e 1850, um surto epidmico obrigou o Imprio a tomar
                              providncias. Por meio de um decreto, tentou-se limpar as cidades pu-
                              rificando o ar. Mas, mesmo assim, a febre amarela continuou a atacar.
                              No se imaginava que a causa da doena era um mosquito. Depois de
                              1850, ela tornou-se endmica no Rio de Janeiro.

258 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                                     Biologia



                         PESQUISA

     Procure a Secretaria de Sade da sua cidade e faa uma pesquisa sobre as principais doenas en-
  dmicas e epidmicas da sua regio.



    A soluo para a febre amarela surgiu apenas no final do sculo
XIX. Acreditava-se que o clima, o solo e os ares poderiam ser prop-
cios ao seu surgimento, por isso as autoridades sanitrias tentavam lim-
par o ar.
    Em 1881 o cubano Carlos Juan Finlay elucidou os mecanismos de
transmisso da Febre Amarela ao propor que era feita por meio da pi-
cada do mosquito Aedes aegypti.
    Quando Oswaldo Cruz iniciou sua luta para acabar com a febre
amarela, na cidade do Rio de Janeiro, recebeu amplo apoio do presi-
dente Rodrigues Alves, que havia perdido um dos filhos por causa des-
sa doena.                                                                                    Oswaldo Cruz (So Lus do Parai-
                                                                                              tinga, 5 de agosto de 1872 -- Pe-
    Para combater a doena e o mosquito, Oswaldo Cruz dividiu a ci-                           trpolis, 11 de fevereiro de 1917)
dade em distritos e organizou as chamadas "brigadas matamosqui-                              foi um cientista, mdico, bacterio-
                                                                                              logista, epidemiologista e sanita-
tos". A imposio de normas de higiene e a vigilncia sobre a cidade e                        rista brasileiro. Foi o fundador do
os hbitos da populao foram a marca de sua campanha. Na soluo                             Instituto Oswaldo Cruz. Fonte: BA-
do problema da febre amarela, Oswaldo Cruz teve sucesso.                                      TISTA DA COSTA, leo sobre tela,
                                                                                              www.projetomemoria.art.br

                                                     Depois, precisou enfrentar a varola,
                                                 uma das doenas mais antigas de que
                                                 se tem notcia. Causada por um vrus, o
                                                 Orthopoxvirus variolae, que tirou muitas
                                                 vidas ao longo da histria.
                                                     Os principais sintomas da varola so
                                                 a presena de pstulas, manchas e cica-
 Campanha contra a febre amarela. Uma das
 primeiras tarefas de Oswaldo Cruz como Di-      trizes. Se a pessoa no morrer em virtu-
 retor-Geral de Sade Pblica, cargo equiva-     de das altas febres, dores e fadiga, pode
 lente a Ministro da Sade. A febre amarela      ficar cega e com profundas cicatrizes pe-
 angariara para o Rio a reputao de tmu-
 lo dos estrangeiros e que matou de 1897 a       lo corpo, especialmente no rosto.
 1906, quatro mil imigrantes. Foto mostrando
                                                     Comum na Europa, a varola chegou
 os APARELHOS CLAYTON, utilizados na pro-
 filaxia da febre amarela, (1905?), Fonte: Mu-   ao Brasil junto com os colonizadores e
 seu (Virtual) da Vida, Exposio da Dengue,     os navios que vinham da frica. As pri-
 da Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz.
                                                 meiras referncias da doena datam de        Charge representa Oswaldo Cruz
                                                 1563, por ocasio de uma epidemia que        atrs do Castelo de Manguinhos,
                                                                                              combatendo a febre amarela e a
                                                 ocorreu na cidade de Salvador e seus ar-     peste bubnica. Fonte: Projeto Me-
                                                 redores.                                     mria, www.projetomemoria.art.br




                       Vacinas:comoestariaahumanidadesemessesguerreirosemdefesadenossoorganismo? 259
         EnsinoMdio

                                              Jorge Amado, no romance: "Capites da Areia", relata sobre a vida
                                           dos meninos abandonados nas ruas de Salvador:
                                                 "(...) Omolu espalhara a bexiga na cidade. Era uma vingana contra a cida-
                                                 de dos ricos. Mas os ricos tinham a vacina, que sabia Omolu de vacinas? Era
                                                 uma pobre deusa das florestas da frica. Uma deusa dos negros pobres. Que
                                                 podia saber de vacinas? Ento a bexiga desceu e assolou o povo de Omolu.
                                                 Tudo que Omolu pde fazer foi transformar a bexiga de negra em alastrim,
                                                 bexiga branca e tola. Assim mesmo morrera pobre. Mas Omolu dizia que no
                                                 fora o alastrim que matara. Fora o lazareto. Omolu s queria com o alastrim
    Caricatura de Jorge Amado, feita
                                                 marcar seus filhinhos negros. O lazareto  que os matava. Mas as macumbas
    por Andr Koehne. Jorge Ama-
    do (10 de agosto de 1912 - 6                 pediam que ela levasse a bexiga da cidade, levasse para os ricos latifundi-
    de agosto de 2001)  um dos                  rios do serto. Eles tinham dinheiro, lguas e lguas de terra, mas no sabiam
    mais famosos e traduzidos es-                tampouco da vacina. O Omolu diz que vai pro serto (...)" (AMADO, 2002).
    critores brasileiros, sendo atual-
    mente superado em nmero de               Que tal ler em Sagarana, uma coletnea de contos de Joo Guima-
    vendas apenas por Paulo Coe-           res Rosa, a estria de "Sarapalha" onde o autor mostra um mundo em
    lho. Em 1994, viu sua obra ser
    reconhecida com o Prmio Ca-
                                           runas causadas pela maleita?
    mes, o nobel da lngua portu-               "(...) Ela veio de longe (...) matando muita gente (...) os primeiros para o ce-
    guesa. Fonte: GNU Free Doc. Li-              mitrio, os outros por a afora, por este mundo de Deus(...)" (ROSA, 2001).
    cense, www.wikipedia.org

                                                   "Vivo no infinito; o momento no conta. Vou lhe revelar um
                                                   segredo: creio j ter vivido uma vez. Nesta vida tambm
                                                   fui brasileiro e me chamava Joo Guimares Rosa."




    Joo Guimares Rosa (Cordisbur-                         ATIVIDADE
    go, MG, 27 de junho de 1908 -
    Rio de Janeiro, RJ, 19 de novem-
    bro de 1967), mdico, escritor             Aps a leitura desses trechos literrios, responda:
    modernista e diplomata brasileiro.
    Autor de contos e livros marcados       a) Levando-se em considerao o contexto da poca, qual a relao entre
    pela presena do serto como               o texto desses autores com vacinas?
    palco das aes. Sua obra ficou
    marcada pela linguagem inovado-         b) Qual a diferena entre o texto da biologia e os textos de Jorge Amado e
    ra, utilizando elementos de lingua-
                                               Guimares Rosa?
    gem popular e regional, com for-
    tes traos de narrativa falada. Tudo    c) Os dois autores dos textos literrios acima citados enfocam o mesmo
    isso, unindo  sua erudio, per-
    mitiu a criao de inmeros vo-
                                               assunto, isto , falam sobre doenas. Com qual inteno esses autores
    cbulos a partir de arcasmos e            relatam esses trechos?
    palavras populares, invenes se-
    mnticas e sintticas. Fonte: Fun-
    dao Padre Anchieta, TV Cultura.
                                            Sugestes de leitura: leia tambm "Gabriela Cravo e Canela" e "Terra do
                                            Sem Fim", de Jorge Amado. Acesse o site www.diaadiaeducacao.pr.gov.br
                                            e verifique outras obras disponveis na Biblioteca do Ensino Mdio.




260 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                                              Biologia



                 DEBATE

     Agora vamos cantar e analisar a msica
     "O Pulso", dos Tits?

                   O pulso ainda pulsa
                   O pulso ainda pulsa
          Peste bubnica, cncer, pneumonia
          Raiva, rubola, tuberculose, anemia
         Rancor, cisticircose, caxumba, difteria
           Encefalite, faringite, gripe, leucemia
                                                                             CD Acstico, 1997.
               O pulso ainda pulsa (pulsa)                                   www.titas.net
               O pulso ainda pulsa (pulsa)
        Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia
         Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia
       lcera, trombose, coqueluche, hipocondria
            Sfilis, cimes, asma, cleptomania
                E o corpo ainda  pouco
                E o corpo ainda  pouco
                                                                     Grupo Tits  uma banda rock brasileira formada em So Paulo na
        Reumatismo, raquitismo, cistite, disritinia                  dcada de 1980, e foi uma das mais influentes no Brasil, ao lado
                                                                     de Legio Urbana, Os Paralamas do Sucesso e Baro Vermelho.
          Hrnia, pediculose, ttano, hipocrisia
                                                                     Entre suas msicas mais famosas esto: Sonfera Ilha, Flores e Co-
     Brucelose, febre tifide, arteriosclerose, miopia               mida. Fonte: www.titas.net

      Catapora, culpa, crie, cimba, lepra, afasia
                                                                     Em grupo, vamos discutir sobre a letra des-
                   O pulso ainda pulsa
                                                                 sa msica. Relacione as doenas transmiss-
                 O corpo ainda  pouco                           veis citadas. Dessa relao, quais so as que
                       Ainda pulsa                               j possuem vacinas?



  AvarolanoBrasil                            FIGURA 11 - Campanha
                                              de Erradicao da Varola,
                                              1968. Campanha de vaci-
                                              nao, Dr. Walter Leser
    Assim como na Europa, a varola           (1909-2004). O Dr. Walter
fez muitas vtimas no Brasil. Durante         Leser, nos ltimos anos,
                                              atuou como Professor Titular
o Perodo Colonial, a doena ataca-           de Medicina Preventiva da
va vilas e alastrava-se pelas fazendas.       Escola Paulista de Medici-
Contando apenas com curandeiros e             na, (aposentado), So Paulo.
                                              A erradicao da varola no
pouqussimos cirurgies-barbeiros, o          Brasil tem sido objeto de inmeros trabalhos nas reas da sade e da histria, referentes s
que restava  populao era rezar e           campanhas de Oswaldo Cruz no incio do sculo. No entanto, so muito poucos os trabalhos
                                              que abordam o processo de erradicao desta doena na dcada de 60 quando, como par-
isolar os doentes.                            te de uma Campanha de nvel mundial, a varola foi finalmente erradicada. A organizao des-
                                              ta atividade gerou todo um Sistema de Vigilncia Epidemiolgica e se tornou um modelo pa-
                                              ra futuras campanhas de controle e erradicao de outras doenas infecciosas. Fonte: Museu
                                              Iconogrfico de Sade Pblica de So Paulo, www.misp.pucsp.br

               Vacinas:comoestariaahumanidadesemessesguerreirosemdefesadenossoorganismo? 261
       EnsinoMdio

                                  As epidemias eram muito comuns no Rio de Janeiro do final do s-
                               culo XIX e incio do sculo XX.
          "As pssimas condies de vida dos trabalhadores urbanos, em fins do sculo XIX e incio do scu-
     lo XX, refletiam diretamente suas condies de trabalho. Mal remunerados e sem garantias legais con-
     tra a excessiva explorao praticada pelos patres, os trabalhadores ficavam  merc da represso po-
     licial todas as vezes que buscavam contestar esta situao.
         Sob uma orientao ideolgica socialista e se contrapondo, segundo eles, ao "despotismo da jovem
     Repblica brasileira", os trabalhadores se reuniram em congressos, em 1892, no Rio de Janeiro, e em So
     Paulo, em 1894. A realizao desses congressos se deu em plena vigncia do Cdigo Penal de 1890,
     que "(...) dedicava dois de seus artigos ao caso dos trabalhadores que, de qualquer forma aliciassem gre-
     ves ou reivindicaes salariais; ambos eram taxativos e o segundo prescrevia priso celular, visando aque-
     les que causassem ou provocassem "cesso ou suspenso de servio ou salrio" (AQUINO; [et alii], 1984).

                                   Para solucionar o problema, o governo imps inmeras regras au-
                               toritrias como a obrigatoriedade da vacinao contra a varola, dando
                               incio  revolta da vacina no dia 14 de novembro de 1904 onde lojas
                               foram saqueadas e quebradas durante duas semanas. Numa verdadei-
                               ra guerra civil, todos lutavam contra um inimigo chamado vacinao
                               contra a varola.

        A notcia a seguir reproduzida foi publicada no Jornal do Commercio de 15/11/1904:
                                                   "Cheio de apreenses e receios despontou o dia de ontem.
                                             (...) As arandelas do gs, tombadas, atravessavam-se nas ruas;
                                             os combustores da iluminao, partidos, com os postes verga-
                                             dos, estavam imprestveis; os vidros fragmentados brilhavam
                                             na calada; paraleleppedos revolvidos, que serviam de proj-
                                             teis para essas depredaes, coalhavam a via pbilca.. em to-
                                             dos os pontos, destroos de bondes quebrados e incendiados,
                                             portas arrancadas, colches, latas, montes de pedras, mostra-
                                             vam os vestgios das barricadas feitas pela multido agitada. (...)
                                             Muito cedo tiveram incio os tumultos e as depredaes (...)"
         "Comearam como na vspera: apedrejamentos aos combustores restantes da iluminao pblica,
     hostilizao a qualquer faco da fora policial e ataques aos bondes, que eram virados, quebrados e
     incendiados. (..) Pela rua Senhor dos Passos, s 7 horas, numeroso grupo de mais de quinhentas pes-
     soas desceu em direo  praa da Repblica, prorrompendo em gritos hostis  polcia e  vacina obri-
     gatria e assaltando os bondes que, nessa ocasio, ainda chegavam quele ponto. Os veculos de ns
     113, 27, 55, 105, 87, 104, 38, 41, 85, 56, 31, 13, 129, 101, 130, 95 e 140 foram virados, sendo al-
     guns incendiados. (...) Foi grande o tiroteio que se travou, caindo logo ao cho, feridas e ensangen-
     tadas, diversas pessoas. (...)"
         "Estavam formadas em toda a rua do Regente, estreita e cheia de casas velhas, grandes e fortes
     barricadas feitas de montes de pedras, sacos de areia, tbuas de portas arrancadas, colches, bon-
     des virados, latas, fios de arame, postes e pedaos de madeira arrancados s casas e s obras da
     Avenida Passos, ali perto. (...) Um robusto homem de cor, que vestia cala e camisa pretas, achava-
     se no alto, numa pequena janela, atirando. Ali o alcanou uma bala de carabina que lhe varou o crnio,
     prostrando-o instantaneamente morto. (...)"


262 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                               Biologia


      "Duas outras vtimas tombaram mortas nesse embate: um infeliz menino de 12 anos de idade, de no-
 me Eustachio Maria, que era aprendiz da colchoaria da rua Senhor dos Passos, n 262, chegou  jane-
 la na ocasio do conflito e logo foi morto por um tiro que lhe varou a cartida. (...) Outro morto, um ho-
 mem de cor branca, de bigodes curtos, que vestia camisa de l, cala de algodo azul e palet preto,
  (...) desconhecido. A bala que o matou penetrou-lhe no meio da testa. (...)  noitinha, vrios ataques 
 propriedade particular foram levados a efeito. s 6 e meia, numeroso grupo atacou a fbrica de velas da
 Companhia Luz Stearica, em S. Cristvo, destruindo vidraas, e praticando graves depredaes. (...)
 Tambm atacaram o Moinho Inglez, na Gamboa, quebrando vidros (...) e praticando enormes danos".
                                                                     Fonte: www.novomilenio.inf.br/santos/bondeg.htm


    Essa revolta demonstrou que no deve apenas haver imposio de
leis, mas, sim, uma sensibilizao sobre a importncia da preveno e
dos cuidados com a sade.
    O Brasil, hoje, mostra que est no caminho certo com propagan-
das, debates e campanhas explicativas. Um exemplo disso  a campa-
nha de vacinao contra a poliomielite.



                 ATIVIDADE
                                                                                       Boneco smbolo da campanha
     Agora, com a ajuda de seu professor de biologia que tal assistir ao fil-          de vacinao contra a poliomieli-
                                                                                       te. O Paran est completando 16
 me: "Sonhos Tropicais" (Brasil, 2002, Pandora Filmes  direo de Andr               anos sem registro de qualquer ca-
 Sturm). O filme relata a vida de Oswaldo Cruz onde ele pesquisa a cura de             so de poliomielite (paralisia infan-
                                                                                       til). A ltima manifestao da do-
 doenas como a peste bubnica e a febre amarela.. Com o pas em co-
                                                                                       ena ocorreu no dia 22 de agosto
 lapso financeiro, o Presidente Rodrigues Alves decide implantar um progra-            de 1986, em Campo Largo, Re-
 ma de saneamento e urbanizao no Rio de Janeiro. Temerosos com a va-                 gio Metropolitana de Curitiba.
                                                                                       Fonte: www.saude.pr.gov.br
 cina, a populao se revolta contra tal medida desencadeando a Revolta
 da Vacina.
                                                                                        CURIOSIDADES
    Aps a projeo do filme responda:
                                                                                       A varola foi a primeira doen-
 1) Quais foram os motivos que levaram o Presidente Rodrigues Alves, em               a contagiosa a ser erradica-
     1903, implantar um programa de saneamento e urbanizao no Rio de                 da por meio da vacinao.
     Janeiro, capital do pas na poca?                                                O presidente Rodrigues Alves,
 2) O filme relata a decadncia financeira do Rio de Janeiro que foi motiva-          que lutou contra as epidemias,
     da pela diminuio da exportao. Por que os pases importadores se               foi vtima da gripe espanhola.
     recusavam a aceitar os produtos brasileiros?                                      Como a aplicao da vacina
 3) Quais foram os episdios mais marcantes da "Revolta da Vacina"?                   era feita nos braos ou nas
                                                                                       coxas, a maioria das pessoas
                                                                                       era contra a vacina por acre-
     Voc sabia? A Companhia Britnica Xenova est desenvolvendo uma                   ditarem que ela era imoral.
 vacina que deixa o organismo pronto para criar anticorpos que isolam a ni-
 cotina ou a cocana no sangue do usurio, impedindo a substncia de viajar
 at o crebro. Em tese, tambm poderia ser dado a crianas para preveni-
 las contra o uso dessas drogas no futuro.



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       EnsinoMdio


                               Muitas doenas podero ser dizimadas com o uso de vacina
                                                                          (...) A vacina gnica ou vacina de DNA, ain-
                                                                      da em fase de experimento e padronizao,
                                                                      pode se tornar a maior promessa de comba-
                                                                      te a doenas infecciosas para as quais at ho-
                                                                      je no existe preveno segura, como herpes,
                                                                      AIDS, malria, tuberculose, hepatite, esquis-
                                                                      tossomose, dengue, entre outras. Para a pro-
                                                                      duo da vacina gnica, os cientistas retiram
                                                                      do agente causador da doena, que pode ser
                                                                      um vrus, bactria, fungo ou parasita, um pe-
                            Fonte: Figura cedida por Drogaria Catari- dao da molcula de DNA, onde fica seu c-
                            nense, www.drogariascatarinense.com.br digo gentico.

                               Quando inoculado nos animais ou em humanos, esse pedao de DNA
                           que codifica uma protena imunognica, ou um fator de virulncia, tem a po-
                           tencialidade de induzir o sistema imunolgico a produzir anticorpos ou esti-
                           mular a imunidade mediada por clulas, principalmente linfcitos T auxiliares
                           ou citotxicos (uma das principais clulas de defesa de nosso organismo),
                           protegendo contra a infeco causada pelo agente patognico de onde se
                           originou o DNA.
                              O mtodo  considerado mais eficaz e seguro do que o de determina-
                           das vacinas convencionais, que inoculam vrus ou bactrias vivas e atenua-
                           das na pessoa para obrigar o sistema imunolgico a produzir anticorpos ou
                           imunidade celular.
                               Essas vacinas de organismos vivos e atenuados, embora funcionem
                           muito bem, oferecem uma certa margem de risco de que a pessoa acabe
                           contaminada pela doena que se pretende prevenir. Com a vacina de DNA
                           isso no acontece.
                               Atualmente, o isolamento de genes ou DNAs  uma tcnica dominada
                           pela cincia devido ao grande desenvolvimento da biologia molecular nos l-
                           timos anos. Os genes, freqentemente relacionados com a virulncia ou pa-
                           togenia dos agentes infecciosos, so ligados a outros fragmentos de DNA,
                           denominados plasmdeos, por tcnicas de engenharia gentica. Esse plas-
                           mdeo recombinante carrega a mensagem da vacina como se fosse um CD
                           contendo um arquivo de computador: quando aplicadas em animais, as
                           clulas do sistema imunolgico conseguem reconhecer aquela mensagem
                           transmitida pelo plasmdeo como se fosse um computador lendo o CD, de-
                           sencadeando a ativao da resposta imunitria.
                               As vacinas de DNA, alm da imunidade humoral e celular especfica,
                           oferecem vantagens adicionais em relao s vacinas clssicas: "A vacina-
                           o, enquanto medida de sade pblica, requer a induo de imunidade
                           duradoura. A maioria das vacinas usadas em programas de vacinao in-
                           fantil requer a administrao de sucessivas doses de reforo com revacina-
                           es peridicas. Com a vacina gnica esse problema seria resolvido uma


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                                                                                                            Biologia


  vez que a imunidade adquirida persiste por longo perodo de tempo devido
   constante produo do antgeno dentro da clula hospedeira e  capaci-
  dade destas de estimularem linfcitos de memria imunolgica".
      Em termos econmicos, tcnicos e logsticos, as vacinas de DNA ofe-
  recem uma srie de vantagens quando comparadas com as vacinas cls-
  sicas, especialmente se considerarmos a sua utilizao nas condies ofe-
  recidas pelos pases em desenvolvimento.
      O custo de produo das vacinas gnicas em larga escala  significa-
  tivamente menor do que o custo de produo das vacinas recombinantes,
  peptdeos sintticos e outras. O controle de qualidade  mais fcil, e a co-
  mercializao no necessita de uma rede de refrigerao, pois estas vaci-
  nas so estveis  temperatura ambiente.
      Estes fatores facilitam o transporte, a distribuio e o estabelecimen-
  to de amplos programas de imunizaes em regies de difcil acesso. As
  tcnicas de biologia molecular permitem que se faam modificaes na se-
  qncias gnicas ou de DNA no sentido de melhorar a resposta imunol-
  gica.
     Estas manipulaes genticas podem dar subsdios para um melhor
  entendimento das relaes entre estrutura e funo dos antgenos frente 
  resposta imune desenvolvida.
      A vacina de DNA (ou vacina gnica) pode ser aplicada por via intramus-
  cular e a imunidade que confere persiste por longo perodo de tempo, gra-
  as  constante produo do antgeno dentro das clulas dos indivduos
  vacinados. Esse fato dispensa revacinaes(...).
                                                           Fonte: SILVA (1997, p. 32-34).


    Muitas outras instituies tambm vm pesquisando novas vacinas,
como a Rede Genoma de Minas Gerais, da qual participam sete insti-
tuies mineiras de pesquisa. Esta Rede fez o seqen-
ciamento do genoma de todas as fases de desenvolvi-
mento do Schistosoma mansoni, parasita responsvel
pela esquitossomose. Esse foi o ponto de partida so-
bre a viabilidade da produo de uma vacina contra a
doena. O desenvolvimento de vacina contra a esqui-
tossomose sempre foi uma tarefa difcil devido, prin-
cipalmente, ao ciclo de vida do parasita, que  muito
complexo.
    A biotecnologia, que traz perspectivas na bus-  O Schistosoma mansoni Na foto, o  a fmea e o , o ma-
ca de vacinas, pode levar tambm  eliminao do        cho. Brasileiros decifram DNA do verme da `barriga d'gua' e
Trypanossoma cruzi em pessoas j infectadas.  tam-     novos estudos apontam caminhos para a criao de drogas e
                                                        vacinas contra esquistossomose. Mapas do DNA ativo do pa-
bm vista como uma alternativa no tratamento de dis-    rasita abrem caminhos para a criao de vacinas. No futuro
trbios cardacos de pacientes com a doena de Cha-     prximo, a integrao das anlises em larga escala permitiro
gas, transmitida pelas fezes que o barbeiro deposita ao entender melhor o parasita e elaborar novas estratgias para
                                                        um tratamento mais eficiente. Fonte: www.fiocruz.br
picar uma pessoa para sugar seu sangue.


                 Vacinas:comoestariaahumanidadesemessesguerreirosemdefesadenossoorganismo? 265
        EnsinoMdio

                                           Voc sabia que quando o seu sistema imunolgico conhece o ant-
                                       geno de uma determinada doena, voc est imune a essa doena? An-
                                       tes de existirem as vacinas, a nica maneira de se tornar imune a uma
                                       doena era adoecendo e, com sorte, sobrevivendo a ela. Isso  chama-
                                       do "imunidade naturalmente adquirida".
                                           As vacinas fornecem "imunidade artificialmente adquirida", so uma
                                       forma mais fcil e menos arriscada de aumentar a imunidade. As vaci-
                                       nas esto entre os poucos medicamentos capazes de prevenir a ocor-
                                       rncia de uma doena, em vez de cur-la depois que ocorre.
    Campanha de vacinao, Secre-
                                           As vacinas no apenas protegem voc, mas tambm protegem as
    taria de Estado da Sade, Gover-   pessoas  sua volta. Com o seu sistema imune ativado pela vacina,ao
    no do Estado do Paran. Fonte:     entrar em contato com o microorganismo causador, voc fica contagia-
    www.saude.pr.gov.br.
                                       do por um curto perodo de tempo, ou mesmo aborta a infeco, im-
                                       pedindo, portanto, a transmisso da doena.
                                           Da mesma forma, quando outras pessoas esto vacinadas, a chan-
                                       ce de lhe transmitirem uma doena  menor. Portanto, as vacinas pro-
                                       tegem no apenas uma pessoa, mas toda a comunidade. Quando uma
                                       certa proporo de pessoas est vacinada contra uma doena, todo o
                                       grupo se torna mais protegido, mesmo quem no tomou a vacina. Es-
                                       sa "cobertura vacinal" confere a "imunidade comunitria". Da a impor-
                                       tncia de voc participar das campanhas de vacinao.
                                           Vacinas: como estaria a humanidade sem esse auxlio para a defe-
                                       sa de nosso organismo?
                                           Aps este estudo, voc j pode responder como estaria a humani-
                                       dade sem o auxlio das vacinas para a defesa de nosso organismo?




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 RefernciasBibliogrficas
 AQUINO, V. F. et al. Sociedade brasileira: uma histria atravs dos
 movimentos sociais  da crise do escravismo ao apogeu do neoliberalismo.
 Rio de Janeiro: Record, 2000.


 ObrasConsultadas
 KUPSTAS, M. (Org). Sade em debate. So Paulo: Moderna, 1997.
 PIRES, W. R. Qualidade de vida. Campinas: Cartgraf, 1996.
 VICTORA, G, V. et al. Epidemiologia da desigualdade. So Paulo:
 Hucitec, 1989.
 WALLACE, B. Biologia social: a humanidade, suas necessidades,
 ambiente, ecologia. Rio de Janeiro: LTC, 1978.


 DocumentosConsultadosOnlInE
 MENDES, C. P. Bondes contra a vacina. Jornal do Commercio, 15 nov.
 1904. Disponvel em: <www.novomilenio.inf.br/santos/bondeg.htm>
 Acesso em: 20 fev. 2006.
 SILVA, C. L. Vacinas gnicas: o impacto sobre o controle das doenas
 infecciosas. Revista Biotecnologia, Cincia e Desenvolvimento,
 ano 1, n. 3, nov./dez. 1997. Disponvel em: <www.biotecnologia.com.br/
 edicoes/ed03.asp> Acesso em 20 fev. 2006.




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       EnsinoMdio




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                                    O ALIMENTO QUE VOC
                                 CONSOME DIARIAMENTE 
                                          TRANSgNICO?                                            Danislei Bertoni1,




                                                             Ser que estou
                                                          consumindo alimentos
                                                          transgnico e no sei?




Colgio Estadual Desembargador Guilherme de Albuquerque
1

Maranho - Curitiba - PR



                                                                Oalimentoquevocconsomediariamentetransgnico? 269
        EnsinoMdio

                                   Recentemente, temos visto reportagens sobre alimentos transgni-
                                cos sendo exibidas em jornais, revistas e na televiso. Como saber,
                                por exemplo, se o leo de soja industrializado, ou a carne vendida no
                                aougue, ou mesmo frutas e verduras so ou no alimentos transgni-
                                cos? Ser que estou consumindo alimento transgnico?



                        ATIVIDADE

        Procure recortar em jornais, folhetos, revistas e outras fontes, ilustraes de alimentos industrializa-
     dos ou in natura, de origem animal ou vegetal. Separe essas ilustraes em grupos seguindo critrios
     que voc mesmo pode estabelecer. Em seguida, monte um cartaz colando essas ilustraes conforme
     os grupos que voc criou e exponha-o para seus colegas em sala.


                                    Para aquecer nossa reflexo em torno do que se tem divulgado so-
                                bre os alimentos transgnicos, comeamos por traar o que a cincia
                                historicamente tem pesquisado e pode contribuir com as discusses
                                que envolvem questes polmicas sobre esses alimentos. Comeamos
                                por traar um pouco da histria dos alimentos na vida diria do ser hu-
                                mano. Como no podemos tratar de todos os alimentos, escolhemos
                                inicialmente a alface, de nome cientfico Lactuca sativa.
                                    A alface, dentre tantos alimentos que hoje compem o quadro de
    Fonte: Petrobras.
    www2.petrobras.com.br       produtos consumidos pelo ser humano, foi aos poucos sendo modifi-
                                cada e incorporada na alimentao diria. Essa hortalia  utilizada co-
                                mo alimento pelo ser humano desde que foi encontrada e cultivada h
                                aproximadamente 4500 a.C. Desde ento passou por intenso proces-
                                so de melhoramento gentico at chegar s variedades consumidas por
                                ns atualmente, conhecidas por crespa, lisa, americana, mimosa, ro-
                                mana, entre outras.

                                    Podemos considerar que esse melhoramento pelo qual a alface tem passa-
                                do todos esses anos a caracteriza como alimento transgnico? Como saber?

                                    O melhoramento gentico  uma tcnica utilizada com o objetivo
                                de selecionar os melhores indivduos para serem matrizes de reprodu-
     Fentipo
                                o para as geraes seguintes. Des-
    Caracterstica ou con-
                                sa forma, observam-se algumas carac-
    junto de caractersticas
                                tersticas chamadas fenotpicas que so
    (fsicas, fisiolgicas ou
    comportamentais) de         determinantes no momento da sele-
    um ser vivo em face de      o.
    sua constituio genti-        Essas caractersticas representam o
    ca (gentipo) e com in-     resultado da interao entre a compo-
    fluncias do ambiente.      sio gentica do indivduo e as influ-  Variedades de milho (Zea mays) com cores variadas.
                                                                                   Fonte:GNU Free Doc. Licence, www.en.wikipedia.org

270 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                 Biologia

ncias naturais (ao acaso), nem sempre sendo expressas rigidamente.              Gentipo
Como exemplo, temos uma variedade do milho (Zea mays) que pos-                  Conjunto de genes ou
sui o gentipo definindo a caracterstica cor vermelha dos gros, mas esta      constituio gentica
se expressa somente na espiga devido  exposio  luz e a composi-             de um indivduo.
o qumica do solo. Muitas vezes as modificaes so provocadas pe-
la ao humana.



                ATIVIDADE

     Sabe-se que o fentipo representa as caractersticas do indivduo e so determinadas pelo genti-
 po em interao com o ambiente. Poderamos afirmar o inverso, que o gentipo  determinado pelo fe-
 ntipo em interao com o ambiente? Justifique sua resposta.

    O que prende a ateno no momento da seleo das plantas pa-
                                                                                 Intemprie
ra o melhoramento gentico so as caractersticas que geralmente res-
                                                                                Variao das condi-
pondem s necessidades humanas para alimentao. No caso da alfa-
                                                                                es atmosfricas, co-
ce, destacamos o tamanho e cor das folhas, o tamanho da "cabea de              mo temperatura, chu-
alface", a resistncia s doenas, pragas e intempries, e at mesmo o          vas, ventos, umidade,
sabor, todos considerados fatores importantes na seleo de indivdu-           entre outras.
os com qualidade
    Os alimentos de origem vegetal e animal, de forma geral, passaram
a ser melhor estudados quanto s propriedades bioqumicas, fisiolgi-
cas e medicinais a partir do sculo XIX.



                ATIVIDADE

    Com os estudos sobre os alimentos de origem vegetal e animal, realizados a partir do sculo XIX,
 voc j analisou por que os alimentos so importantes para o ser humano? O que esses alimentos tm
 que o nosso organismo precisa?


   A alface, por exemplo, passou a ser considerada imprescindvel                 Para saber mais so-
 nossa sade por possuir um conjunto de substncias qumicas, co-              bre a constituio dos
mo gua (96% da biomassa do vegetal), sais minerais e vitaminas. Essas          seres vivos, leia o Fo-
substncias so importantes e essenciais para o bom funcionamento               lhas Clula: unidade de
do nosso organismo. Lembramos que existem outras, como as prote-               construo dos seres vi-
nas, os carboidratos e os lipdios que tambm compem o vegetal. Tais           vos, no Livro Didtico
substncias so encontradas em praticamente todos os seres vivos, em            Pblico de Biologia.
concentraes variadas entre um e outro. Nesse estudo, vamos conhe-
cer um pouco mais sobre a gua, os sais minerais e as vitaminas.




                                              Oalimentoquevocconsomediariamentetransgnico? 271
        EnsinoMdio

   Ligaes de hidrognio          A gua  uma substncia qumica formada por hidrognio e oxig-
  Interao molecular entre    nio (H2O), unidos por ligao covalente. Possui uma geometria molecu-
  tomos de hidrognio li-     lar angular e polaridade, que associadas com ligaes de hidrognio, fa-
  gados a tomos eletrone-     zem dela uma substncia especial. Essas ligaes conferem  gua a
  gativos como nitrognio,     propriedade de permanecer lquida  temperatura ambiente e possuir
  oxignio e flor.            alto ponto de ebulio. A propriedade de polaridade confere  gua
                               uma grande capacidade de dissoluo de compostos inicos e subs-
                               tncias polares, tanto que  conhecida como solvente universal. Esta
                               propriedade d-se devido a existncia de um ngulo de 104,5 entre
                               as ligaes de O-H.
   Glicdio                        Nos seres fotossintetizantes, a gua (H2O) tem papel fundamental
  Tambm conhecido co-         na reao qumica com o gs carbnico (CO2), sob a ao da luz, re-
  mo "acar", carboidra-      sultando no glicdio 3-fosfato gliceraldedo (PGAL), um monossacar-
  to ou hidrato de carbono.    deo que possui trs tomos de carbono na molcula (C3H6O3). Na se-
   uma molcula orgnica      qncia do complexo mecanismo de fotossntese, teremos a formao
  constituda por tomos de    da glicose (C6H12O6), outro monossacardeo que, em sucessivas trans-
  carbono, hidrognio e oxi-   formaes, ir formar dissacardeos (a sacarose, por exemplo) e polis-
  gnio.                       sacardeos (o amido e a celulose, por exemplo).


                                                6CO2(g) + 6H2O(l) + C6H12O6(aq) + 6O2(g)
                                               Representao da reao qumica simplificada que ocorre durante o pro-
                                               cesso de fotossntese.


                                     PARA SABER MAIS !!!
                                      "Estudos com traadores radioativos tm sido de grande importncia
                                 para se conhecer mecanismos metablicos nos organismos vivos. O cien-
                                 tista americano Melvin Calvin usou o CO2 marcado com carbono 14 (emis-
                                 sor ) na determinao do mecanismo de fotossntese pelo qual as plantas
                                 convertem dixido de carbono e gua a glicose e oxignio."
                                                                                                   Fonte: RUSSEL, (2006, p. 1261).




                                                                                    Os sais minerais, considerados
                                                                                nutrientes inorgnicos, so com-
                                                                                postos formados por ons (Ca2+, K+,
                                                                                     e outros) e possuem funo de
                                                                                participar da estrutura de um orga-
                                                                                nismo e regular o seu metabolismo.
                                                                                Nos seres humanos, os ons de cl-
     A hemoglobina, protena constituinte dos glbulos vermelhos                cio (Ca2+), por exemplo, so absor-
    do sangue, possui ctions de ferro (Fe2+) na sua estrutura mole-            vidos no intestino com o auxlio da
    cular, importante para o transporte de oxignio (O2).
                                                                                vitamina D e, dentre suas funes,
                                                                                intervm na contrao muscular, na

272 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                                                    Biologia

transmisso nervosa, na coagulao do sangue, na respirao celular e                                                Para saber mais sobre
na formao/manuteno dos ossos e dentes. Os ctions potssio (K+)                                                 elementos qumicos pre-
so essenciais na transmisso do impulso nervoso. Os fosfatos (     ) tm                                           sentes no organismo hu-
relevante papel na formao do DNA e do RNA, bem como da mol-                                                      mano, leia o Folhas A fr-
cula de ATP (adenosina trifosfato) responsvel por armazenar e trans-                                               mula do corpo humano,
ferir energia nas clulas.                                                                                          no Livro Didtico Pblico
                                                                                                                    de Qumica.
    As vitaminas so substncias orgnicas necessrias em diversas ativi-
dades do nosso organismo, tendo a funo de "auxlio" para "acelerar"
outras reaes bioqumicas. No entanto, as vitaminas no so sintetiza-
das nas nossas clulas, sendo obtidas por meio dos alimentos, ou su-
primentos alimentares (complexos vitamnicos) e medicamentos, am-
bos sob orientao mdica.
    A alface tambm apresenta algumas vitaminas, dentre elas a vitami-
na B1 (tiamina  C12H17N4OS), com papel fundamental na transformao
dos alimentos em energia e no transporte de ons atravs da membrana
plasmtica dos neurnios e das clulas dos msculos; vitamina B2 (ribo-
flavina - C17H20N4O6), que  essencial  respirao celular por estar en-
volvida no transporte de eltrons e atuar na oxidao de cidos graxos
no fgado; e vitamina A, com funes diversas no organismo humano,
sendo uma delas a de atuar no mecanismo responsvel pela viso.
    A vitamina A no  encontrada nos alimentos na sua forma ativa,
nem mesmo pode ser sintetizada no nosso organismo. Na alface a en-
contramos na forma de pr-vitamina A, o beta-caroteno, um hidrocar-
boneto que pode ser convertido, no processo de digesto, para o l-
cool retinol (C20H30O) e que sofre processo de oxidao, originando o
aldedo retinal (C20H28O) na forma de cis-retinal, pelo fenmeno de
isomeria.                                                                                                            Para saber mais so-
                                                                                                                    bre o fenmeno de iso-
    Nas clulas fotorreceptoras que formam a retina do olho huma-
                                                                                                                    meria, leia o Folhas "A
no, sob a ao da luz, a substncia cis-retinal se transforma em trans-
                                                                                                                    qumica na farmcia:
retinal (FIGURA 1). Essa transformao provoca nas clulas nervosas                                                 remdio uma droga le-
uma resposta, que  conduzida pelo nervo ptico como impulso pa-                                                    gal", no Livro Didtico
ra o centro da viso, no crebro, que o interpreta e nos permite ver os                                             Pblico de Qumica.
objetos nas posies em que realmente se encontram.

  cis-retinal                                                     trans-retinal

               C14H21
                                           C4H5O                 C14H21
                                                                                              H
                            C        C                    Luz
                                                                               C       C
                      H                    H
                                                                         H                    C4H5O
 FIGURA 1 - Representao do mecanismo de isomerizao da substncia cis-retinal, sob a ao da luz, se transfor-
 mando em trans-retinal.




                                                                     Oalimentoquevocconsomediariamentetransgnico? 273
       EnsinoMdio



                     ATIVIDADE

        Em 1828, o qumico Jacob Berzelius escreveu que existem razes para supor que, nos animais e
     nas plantas, ocorrem milhares de processos catalticos. Ele atribua ao "poder cataltico" dos tecidos dos
     organismos vivos a capacidade de sintetizar os mais variados tipos de compostos qumicos. Em rela-
     o a esse "poder cataltico", podemos afirmar que Berzelius se referia s vitaminas? Justifique sua res-
     posta.




                     PESQUISA

          A aplicao das tcnicas de melhoramento gentico tem contribudo substancialmente para que
     pesquisadores brasileiros desenvolvam alimentos de origem vegetal com mais qualidade. Pesquisado-
     res como o geneticista Warwick Estevam Kerr (1922 -) e sua equipe que, desde a dcada de 1980, se-
     lecionaram variedades de alface e aps vrios cruzamentos obtiveram uma variedade com surpreen-
     dente aumento do teor de pr-vitamina A em suas folhas. Pesquise um pouco mais sobre esse trabalho
     e as contribuies dessas pesquisas cientficas para a sociedade. Uma das leituras que voc pode re-
     alizar est disponvel no endereo eletrnico www.universia.com.br/html/materia/materia_dhii.html.

                                   Com os conhecimentos apresentados e discutidos at o momento,
                               retorne aos grupos de alimentos da primeira atividade deste Folhas e
                               investigue a possibilidade de saber se os alimentos que consumimos
                               diariamente so transgnicos ou no, ou se so resultados de anos de
                               melhoramento gentico clssico.



                     PESQUISA

         A nova variedade de alface, com a condio de sintetizar uma quantidade alta de pr-vitamina A, no
     seria uma nova espcie de alface? Ou continua sendo a espcie Lactuca sativa? O que caracteriza uma
     espcie sob o ponto de vista da gentica: a existncia da mesma seqncia de genes ou das mesmas
     caractersticas externas, como quantidade e formato das folhas, cor e o tipo das folhas, dentre outras ca-
     ractersticas fenotpicas? Pesquise em materiais didticos de biologia e na internet, e, na seqncia, dis-
     cuta com seus colegas.

                                   bom lembrar que as atividades desenvolvidas com a tcnica de
                               melhoramento gentico comearam a ser desenvolvidas muito tempo
                               antes de Mendel propor as leis da hereditariedade. Estas leis foram, e
                               ainda so, usadas para explicar como ocorre a transmisso de genes
                               para determinao de caractersticas prprias de um ser vivo de uma
                               gerao a outra.

274 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                                                           Biologia


                          Norte do Estado quer ser plo de ma
          So Sebastio da Amoreira /PR - O Norte do Paran pode se tornar uma
     regio plo na produo de mas da variedade EVA. Na semana passa-
     da, So Sebastio da Amoreira sediou a 1 Ma Tecfest (...). A ma EVA,
     como destaca o agrnomo lcio Flix Rampazzo, da Emater,  uma cultivar
     [variedade] precoce e entra no mercado exatamente no perodo de maior
     demanda de frutas, promovida pelas festas de final de ano. ``A Eva garante
     mas frescas na mesa do consumidor, quando o mercado s dispe de
     frutas colhidas no incio do ano e conservadas em cmaras frias'', destaca.
     A variedade foi desenvolvida em pesquisas de melhoramento gentico do
     Instituto Agronmico do Paran  Iapar.

      Fonte: texto adaptado do artigo "Norte do Estado quer ser plo de ma", publicado na Folha de Londrina, 18/
      dez/2006  Disponvel em http://www.paginarural.com.br , Acesso em 21/dez/2007.



       Os resultados dessas atividades so considerados eficientes, uma
   vez que contribuem para a gerao de espcies com mais caracters-
   ticas qualitativas, propiciam melhores condies de cultivo e, conse-
   qentemente, melhoram as condies ambientais, de sade e econmi-
   cas. Dentre diversas atividades realizadas com essas tcnicas, tomamos
   como exemplo os trabalhos de melhoramento gentico da ma (Ma-
   lus domestica), realizado pelo IAPAR  Instituto Agronmico do Para-
   n - desde 1970, resultando na produo de uma variedade de ma,
   a EVA.
       As pesquisas conduzidas pelo engenheiro agrnomo Roberto Haua-
   gge e sua equipe, duraram mais de 10 anos at que as primeiras mu-
   das fossem plantadas na regio de Palmeira (PR). O melhoramento ge-
   ntico para a criao da variedade EVA procurou recombinar genes da
   variedade de ma ANNA, de origem israelense, com a variedade GA-
   LA, desenvolvida na Nova Zelndia nos anos de 1920 e trazida para                                                  Variedade de ma EVA criada pe-
   o Brasil cinqenta anos depois. Alm da tolerncia a ambientes mais                                                lo IAPAR. Fonte: Federao da
                                                                                                                      Agricultura do Estado do Paran,
   quentes, essa variedade necessita de menos tempo em temperatura                                                    www.faep.com.br
   mais baixa que a temperatura ambiente para que haja quebra natural
   de dormncia e conseqente processo de florao, polinizao e for-
   mao do fruto.


                    PESQUISA

   No caso da macieira, por que  necessrio um perodo de temperatura mais baixa que a temperatura
ambiente para que ocorra a quebra de dormncia e conseqente processo de reproduo at a forma-
o dos frutos? Pesquise nos livros de biologia e na internet, a relao existente entre a temperatura e o
mecanismo de reproduo desse vegetal? Justifique sua resposta.



                                                                        Oalimentoquevocconsomediariamentetransgnico? 275
       EnsinoMdio

                                 Este exemplo da ma EVA, bem como novas pesquisas envolven-
                            do o melhoramento gentico da ma tm favorecido a criao de
                            variedades em condies de superao da sensibilidade apresentada
                            frente s intempries ocorridas no Brasil.
                                 De forma geral, o que tem ocorrido no mbito da pesquisa cien-
                            tfica sobre melhoramento gentico vegetal refere-se  integrao das
                            tcnicas clssicas com os avanos da biotecnologia. Os conhecimentos
                            mais especializados, principalmente no aspecto molecular da clula e
                            do material gentico, contriburam de forma significativa para que o
                            melhoramento gentico convencional sofresse interferncias.



                     DEBATE

        Conhecer a "gentica" de cada espcie  importante para qu?


                                Embora o termo biotecnologia tenha sido utilizado pela primeira vez
                            somente no incio do sculo XX, as intervenes com o uso de tcni-
                            cas tm ocorrido desde a Antiguidade, com registros que marcam o
                            uso da tcnica de fermentao na Macednia, 6000 a.C. Segundo a re-
                            portagem "Biotecnologia: entre a ousadia e a prudncia", publicada na
                            Revista Globo Rural, edio 197 de maro de 2002, biotecnologia "sig-
                            nifica toda aplicao tecnolgica que utilize sistemas biolgicos e orga-
                            nismos vivos ou seus derivados para modificao ou criao de produ-
                            tos e processos, seja na rea da agropecuria, da sade ou no campo
                            industrial". Com a utilizao dessa tecnologia, deve existir a gerao
                            de produtos comercializveis.


                     ATIVIDADE

        O melhoramento gentico clssico pode ser considerado um tipo de biotecnologia? Justifique.


                                A busca por variedades importantes para a alimentao, para a me-
                            dicina e que tambm sejam economicamente viveis, precisa estar em
                            consonncia com o que se deseja, considerando que o tipo de melho-
                            ramento a ser realizado depende da espcie e do resultado esperado.
                            O melhoramento gentico  a seleo artificial realizada pelo ser hu-
                            mano imitando o que acontece com a seleo natural, porm intensi-
                            ficada por interesses, principalmente econmicos. Assim, as alteraes
                            no patrimnio gentico de determinada espcie e a maneira com que ocorrem
                            tais alteraes so decorrentes de diversos interesses, como se pode verificar
                            na histria de toda a cincia.

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                                                                                                                   Biologia



                    DEBATE

       Os avanos da biotecnologia esto lado a lado com o crescimento das bioindstrias, empresas do
  ramo industrial que visam  explorao das tcnicas envolvendo seres vivos com fins alimentares, far-
  macuticos, medicinais, dentre outros. A indstria farmacutica, por exemplo, visa a produo de ani-
  mais conhecidos como biorreatores. Estes so animais, j domesticados pelo ser humano, que podem
  ser utilizados para a produo de protenas recombinantes humanas de grande interesse biolgico e co-
  mercial, como enzimas, hormnios, vitaminas, fatores biolgicos de crescimento e outros. Assim, utili-
  zando-se de vacas ou cabras, a protena de interesse seria sintetizada por esses animais e expressa no
  leite, tornando sua produo mais barata e eficiente. Uma dessas protenas seria a lactoalbumina. Ago-
  ra  com voc e com seus colegas: pesquise sobre este contedo e discuta os prs e os contras des-
  sa prtica. Tambm pesquise, se  possvel a produo de biorreatores com vegetais.


     Que os fenmenos da natureza sempre fo-
ram objetos de interesses para o ser humano,
no podemos negar. Explicaes para os fe-
nmenos naturais, como a diversidade de es-
pcies e a origem dessa diversidade, tm sido
propostas como modelos cientficos por natura-
listas e pensadores desde a Antiguidade grega.
     Charles Darwin (1809  1882) e outros na-
turalistas contriburam com explicaes pa-
ra esses fenmenos. O modelo explicativo da
seleo natural, sintetizado por ele no sculo
XIX, prope que os indivduos melhor adapta-
dos ao ambiente so "selecionados" por terem
mais chances de sobreviver graas s caracte-
rsticas que apresentam e, assim, deixar des-  Diversidade de espcies. Fonte: http://orgs.unca.edu/tulula/biodiversity.html
cendentes.
     Foram anos de pesquisas, contribuies e incorporaes de no-
vas idias que se associaram s explicaes sobre seleo natural, pa-
ra explicar como as caractersticas dos indivduos ou da populao se
mantinham nas geraes seguintes. Dois tpicos se evidenciaram nas
pesquisas: a herana, para as discusses voltadas s causas das seme-
lhanas entre os indivduos; e a variao, para as discusses voltadas
s causas das diferenas entre os indivduos. Para explic-los, conside-
ram-se dois fatores extremamente importantes: a mutao e a recombi-
nao ocorridas nos genes.
     A mutao refere-se  alterao que pode ocorrer na seqncia
do DNA, seja em um ou em vrios genes, originando outras seqn-
cias genticas que podem produzir novas caractersticas nos indivduos
descendentes. Vale ressaltar que nem sempre as mutaes sero favo-


                                                        Oalimentoquevocconsomediariamentetransgnico? 277
       EnsinoMdio

                                rveis ou desfavorveis sob nosso ponto de vista, mas sim em relao
                                ao ambiente, uma vez que esses indivduos com novas caractersticas
                                estaro sujeitos ao mecanismo de seleo natural.
                                    O surgimento de caractersticas diferenciadas em uma mesma esp-
                                cie acontece porque durante o processo de reproduo ocorre recom-
                                binao entre os genes, oriundos de indivduos diferentes, possibilitan-
                                do diversificar as caractersticas nos novos descendentes. Vejamos em
                                nossa espcie: uns com cabelos lisos e outros encaracolados, uns com
                                olhos escuros e outros com olhos claros, uns so destros e outros ca-
                                nhotos, e assim por diante, isto porque, ao cruzarem-se, os seres vivos
                                no tendem a expressar na gerao seguinte uma nica caracterstica.
                                Dependendo do ser vivo em questo, milhes de caractersticas se re-
                                combinam e se organizam nas geraes seguintes.


                      DEBATE

        Por que o entendimento sobre a recombinao entre os genes pode contribuir com a soluo do
     nosso problema envolvendo os alimentos transgnicos?


     Linhagem pura                  Para melhor entendimento sobre o alimento transgnico, precisa-
    Termo usado com o
                                mos conhecer mais sobre a recombinao gentica. Para tal,  funda-
    sentido que hoje da-        mental voltarmos s contribuies de Gregor Mendel (1822  1884),
    mos ao indivduo homo-      geneticista da metade do sculo XIX, apresentadas  sociedade cient-
    zigoto.                     fica daquela poca como resultados de anos de pesquisas. Muitos de
    * Para saber, por exem-     seus trabalhos foram realizados com reproduo de ervilhas (Pisum sa-
    plo, se as plantas de er-   tivum). Suas pesquisas permitiram observar que as caractersticas de
    vilhas com sementes         cada variedade, ao serem recombinadas, se expressavam ou no nas
    verdes eram de "linha-      plantas de ervilhas descendentes, sempre correspondendo a uma rela-
    gem pura", Mendel re-       o matemtica.
    alizava autofecundao          Os trabalhos experimentais realizados por Mendel contriburam pa-
    em sucessivos cruza-        ra o entendimento sobre os mecanismos genticos fundamentais, mes-
    mentos para observar,       mo no sendo assim denominados por no se conhecerem tais me-
    nas geraes seguin-
                                canismos. Mendel concentrou esforos em poucos caracteres de cada
    tes, se os descenden-
                                vez e sugeriu haver "fatores" como causas para as caractersticas dos
    tes eram somente ver-
    des,     com      grande
                                indivduos.
    probabilidade de serem          Dentre as caractersticas estudadas por Mendel em seus experimen-
    de linhagem pura.           tos, vamos tomar como exemplo somente a caracterstica cor das ervi-
                                lhas. Ao provocar o cruzamento entre "linhagens puras", obtinham-se
                                plantas iguais a si mesmas aps a autofecundao. Ao cruzar diferentes
                                "linhagens puras", plantas de ervilhas que produziam vagens (frutos)
                                somente com sementes amarelas e plantas de ervilhas somente com se-
                                mentes verdes, observou que na primeira gerao (F1) as plantas des-
                                cendentes produziam ervilhas somente amarelas.


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                                                                                                 Biologia

    Como poderia uma planta hbrida, ou seja, que apresentava dois fatores        Hbrido
diferentes (um para cor amarela e outro para cor verde), produzir sementes       Termo usado com o
de ervilhas somente com uma cor, a amarela?                                      sentido que hoje da-
                                                                                 mos ao indivduo hete-
   A realizao de autofecundao entre os descendentes da gerao               rozigoto.
F1, isto , entre os hbridos, permitiu observar que a descendncia da
segunda gerao (F2) era constituda de plantas que produziam se-
mentes de ervilha tanto amarelas quanto verdes, porm, sempre seguin-
do uma proporo que ficou conhecida como 3:1.                                     A proporo 3:1 era
   O que isso significa em termos de caractersticas? Significa que di-          aproximada permitindo
vidindo o conjunto das plantas de ervilhas descendentes da gerao               concluir que nas plan-
                                                                                 tas hbridas (heterozi-
F2 em quatro partes, trs partes apresentavam ervilhas amarelas e uma
                                                                                 gotas) da gerao F2, o
parte apresentava ervilhas verdes.
                                                                                 fator que correspondia
                                                                                  caracterstica verde
    A tarefa de Mendel no foi fcil! Como explicar que a caracterstica verde
                                                                                 para a semente ficava
para a semente da ervilha praticamente desapareceu na gerao F1 e reapare-
                                                                                 encoberto, em "reces-
ceu na gerao F2, e mais, na quantidade equivalente a 25%?
                                                                                 so", reaparecendo so-
    Para o entendimento do que ocorreu nas geraes F1 e F2 de cru-              mente no cruzamento
zamentos entre ervilhas, recorremos ao auxlio das noes de proba-              entre eles. Numa con-
bilidade. Falar em probabilidade  o mesmo que falar em chances de               tagem de 8023 plan-
ocorrer um determinado evento.                                                   tas, Mendel percebeu o
    A probabilidade  uma teoria matemtica e, assim como outras te-             aparecimento de 6022
orias, mantm um conjunto de regras, as quais configuram a repre-                plantas com sementes
                                                                                 amarelas, com propor-
sentao dos eventos. Regra geral, a probabilidade representa um n-
                                                                                 o de 3,01:1.
mero real (positivo), que se associa a um evento aleatrio, portanto,
um evento que pode ser representado por um nmero real entre zero
(sem possibilidade de ocorrer) e um (com total possibilidade de ocor-
rer), usado para explicar a freqncia relativa da sua ocorrncia numa
longa sucesso de eventos.
                                                                                  Para saber mais so-
    Como conceito matemtico, a probabilidade  dada pelo quociente              bre probabilidade, leia
entre o nmero de casos favorveis, no caso de um dos experimentos de            o Folhas Sonho asse-
Mendel foram 6022 plantas de ervilhas com semente amarela, e o n-               gurado?, no Livro Di-
mero de casos possveis de um evento, referente ao espao amostral que           dtico Pblico de Mate-
Mendel analisou, neste caso foram 8023 plantas ao todo. O clculo da              mtica.
probabilidade abaixo representa um dos resultados obtidos por Men-
del na gerao F2, ou seja, aproximadamente 75% de plantas de ervi-
lhas com sementes amarelas.

                  P(amarelas) = 6022 = 0,7506 = 75%
                                8023


   Explicando melhor: se considerarmos somente a caracterstica cor
das ervilhas, quando essas plantas hbridas, resultantes da gerao F1,
produzirem seus gametas (vulos e gros de plen), os fatores (hoje
definidos como genes) para a caracterstica cor da semente, segregam-


                                               Oalimentoquevocconsomediariamentetransgnico? 279
          EnsinoMdio

                                       se. Cerca da metade dos gametas (50%) receber o gene para a semen-
     1 Lei de Mendel 
                                       te amarela (representado a partir desse momento pela letra V, maiscula,
         segregao
                                       por relacionar-se ao "fator dominante") e a outra metade, o gene para a
"Ele afirmava essencialmente
                                       semente verde (representado a partir desse momento pela letra v, minscu-
que os padres hereditrios
so determinados por fato-
                                       la, por relacionar-se ao "fator recessivo").
res [genes] que ocorrem em                 Neste caso, no cruzamento entre os hbridos (Vv), quatro tipos de
pares em um indivduo, mas             fecundao podero ocorrer com quatro resultados possveis no mes-
que segregam um do ou-                 mo evento. Matematicamente, esses resultados compreendem o espa-
tro na formao das clulas            o amostral e voc pode acompanhar a seguir essas situaes poss-
sexuais (gametas) de modo              veis:
que qualquer gameta recebe
um ou outro gene pareado."
 Fonte: BARNS, G. E.; BUTTINO, P. J.     1 situao - vulo portador do gene (V) for
 (1991, p. 7)                            fecundado por plen portador do gene (V):

                                                                                        P(vulos x plen) = 1 x 1 = 1 = 0,25 = 25%
                                         as sementes da gerao F2 sero amarelas
                                         (VV), com probabilidade de 25% de plantas
                                         com sementes amarelas homozigotas (so-
                                                                                                            2 2 4
                                         mente genes para sementes amarelas).




                                         2 situao - vulo portador do gene (V) for
                                         fecundado por plen portador do gene (v):
                                         as sementes da gerao F2 sero amarelas
                                         (Vv), com probabilidade de 25% de plan-        P(vulos x plen) = 1 x 1 = 1 = 0,25 = 25%
                                         tas com sementes amarelas heterozigotas                            2 2 4
                                         (genes dominantes para sementes amarelas
                                         com genes recessivos para verdes).




                                         3 situao - vulo portador do gene (v) for
                                         fecundado por plen portador do gene (V):
                                         as sementes da gerao F2 sero amarelas
                                         (vV), com probabilidade de 25% de plan-        P(vulos x plen) = 1 x 1 = 1 = 0,25 = 25%
                                         tas com sementes amarelas heterozigotas                            2 2 4
                                         (genes dominantes para sementes amarelas
                                         com genes recessivos para verdes).




                                         4 situao - vulo portador do gene (v) for
                                         fecundado por plen portador do gene (v):
                                         as sementes da gerao F2 sero verdes
                                         (vv), com probabilidade de 25% de plantas      P(vulos x plen) = 1 x 1 = 1 = 0,25 = 25%
                                         com sementes amarelas homozigotas (so-                             2 2 4
                                         mente genes para sementes verdes).




280 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                       Biologia

   Considerando que cada uma das situaes tem a mesma chance de
ocorrer em um evento aleatrio, a proporo que se espera nesse tipo
de cruzamento entre plantas hbridas  de trs plantas com produo
de sementes amarelas ( 3 ) para cada uma das plantas com capacida-
                       4
de de produzir sementes verdes ( 1 ). Veja a representao da gerao
F2 na FIGURA 2.                  4
                                                                                     V               v
   Observe que tanto na horizontal quanto na vertical, a
                                                                                     1               1
representao pode ser para o vulo ou para o gro de                                2               2
plen. A proporo para cada um desses gametas ser de
                                                                                    VV               Vv
50% (ou 0,5 = 1 ), afinal eles so resultantes de indiv-
               2                                               V       1
duos heterozigotos, hbridos, oriundos da gerao F1. Os               2
descendentes desse cruzamento, expressos nas quatro si-
                                                                                     Vv              vv
tuaes descritas anteriormente, tm a mesma chance de                 1
                           1                                    v
ocorrerem (25% = 0,25 =       para cada resultado). Como               2
                           4
so quatro possibilidades de resultados, somam a totalida-
                                                                               3             :1
de de 100% (25% x 4) ou probabilidade com freqncia 1
                                                              FIGURA 2  Representao dos resultados da gerao F2.
(0,25 x 4 ou 1 + 1 + 1 + 1 = 1 + 1 + 1 + 1 = 4 = 1 ).
             4 4 4 4               4         4
   Os clculos abaixo representam os resultados obtidos no conjunto
de todos os resultados possveis, ou seja, no conjunto das situaes re-
presentadas na FIGURA 2.


       P(amarelas) = 3 = 0,75 = 75%    P(verdes) = 1 = 0,25 = 25%
                     4                             4

    Quando consideramos apenas uma caracterstica, como a cor das
sementes de ervilha, as explicaes parecem no serem muito compli-
cadas, porm, na maioria das prticas de melhoramento gentico cls-
sico, muitos genes so transferidos para as novas variedades. Isto por-
que num cruzamento entre variedades no se tem como saber que
caractersticas se apresentaro na gerao seguinte. So muitas as pos-
sibilidades de formao de clulas germinativas, propiciando muitas
possibilidades de cruzamentos. Quanto maior o espao amostral, ou
seja, quanto maior o conjunto de resultados possveis, menor a proba-
bilidade do evento pretendido acontecer.
    Perceba no prprio exemplo dos trabalhos de Mendel. Estamos
analisando somente uma das sete caractersticas observada nos cruza-
mentos, sem levar em considerao as demais. Sendo assim, quando
juntamos essas e muitas outras caractersticas para serem analisadas,
podemos fazer inmeras recombinaes.


                                            Oalimentoquevocconsomediariamentetransgnico? 281
       EnsinoMdio

                                    Acompanhe no quadro abaixo, as sete principais caractersticas que
                                 Mendel pde observar e acompanhar nas geraes de ervilhas. Veja
                                 quantas possibilidades poderiam ser acumuladas em uma nica planta
                                 de ervilha, a partir de combinaes dessas diferentes caractersticas.

                semente                   flor               vagem (fruto)                                   caule
       textura       cotildone           cor           forma                  cor            posio - flor            altura




         lisa         amarelo           branca         inflada             amarela                  axial                 alta




       rugosa          verde            violeta     comprimida               verde               terminal                 an

          1                  2             3                4                    5                     6                    7
                                                        Fonte: adaptado de http://en.wikipedia.org/wiki/Experiments_on_Plant_Hybridiza-

                                     Neste caso, em que so observadas mais de uma caracterstica, con-
                                 sideramos que cada uma delas tem possibilidade de ocorrer em even-
                                 tos independentes. Essas caractersticas se expressam de forma que
                                 no interferem umas com as outras. Portanto, so muitas as combina-
                                 es que podem resultar nas geraes seguintes.
                                     Diante das possibilidades que podem ocorrer a partir das "inme-
                                 ras" recombinaes entre os genes, precisa-se muito tempo de tentati-
                                 vas e sucessivas combinaes entre os indivduos para se obter a va-
                                 riedade pretendida.
                                     Quanto tempo levaria, em cruzamentos, para se chegar a uma espcie com
                                 as seguintes caractersticas: planta alta, com flor violeta, vagem amarela, se-
                                 mentes verdes e ainda, rugosas?


                                                  DEBATE
     Para saber mais
    sobre o biotica, leia            A natureza no cria ou mesmo seleciona seres vivos como os transgnicos.
    o Folhas Biotica, no        Estes so considerados "inveno" humana e criados a partir da manipulao
    Livro Didtico Pblico       gentica. Partindo desse pressuposto, temos o direito de alterar o curso natu-
    de Filosofia.                ral da evoluo dos seres vivos?  preciso estabelecer limites para as pesqui-
                                 sas voltadas aos alimentos transgnicos?

282 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                            Biologia

     Alm de cruzar diferentes variedades e conduzir o processo por
longo tempo, pesquisadores tm buscado outras formas de acelerar o
processo de melhoramento gentico clssico. Em uma das formas, o
procedimento ocorre da seguinte maneira: primeiro, identifica-se em
uma determinada espcie, um gene especfico para determinada carac-
terstica; em seguida, h o isolamento e a insero do mesmo em outra
espcie. Esse gene  selecionado a partir do interesse em uma caracte-
rstica considerada importante para ser includa nessa outra espcie.
     A espcie que passou a receber o novo gene  conhecida como or-
ganismo geneticamente modificado (OGM), ou, mais divulgado, trans-
gnica, pois ao seu patrimnio gentico foi acrescido um gene carac-
terstico de outra espcie. Conforme a Lei n. 11.105/05, organismos
geneticamente modificados so aqueles cujo material gentico, seja
DNA ou RNA, tenha sido modificado por qualquer tcnica de produ-
o e manipulao desse material.

     Para saber mais !!!
     A lei n 11105/05 estabelece normas de segurana e mecanismos de
 fiscalizao de atividades que envolvam organismos geneticamente modifi-
 cados (OGM) e seus derivados. Para conhecer na ntegra essa lei acesse o
 endereo eletrnico da Casa Civil, da Presidncia da Repblica, disponvel
 em www.planalto.gov.br/CCIVIL/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11105.htm




                DEBATE

     Se considerar que transgnico  todo o organismo que recebe um novo gene, portanto um OGM,
 pode-se afirmar que todo organismo transgnico  geneticamente modificado, mas todo organismo ge-
 neticamente modificado pode ser considerado um transgnico?



    Um exemplo de transgnico bastante conhecido  a soja transgni-
ca Roundup Read (RR), patenteada pela empresa Monsanto, lder mun-
dial na produo do herbicida glifosato. Essa soja recebeu genes que
conferem tolerncia a esse herbicida, um tipo de agrotxico utilizado
para matar "ervas invasoras". O processo acontece quando a variedade
transgnica recebe gene da bactria Agrobacterium tumefacicus que
habita naturalmente o solo. Tal bactria  resistente ao glifosato por
conseguir sintetizar uma enzima denominada EPSPS, entretanto outras
bactrias, como as que participam do ciclo do nitrognio e so impor-
tantes para as plantas leguminosas, no resistem. Este gene, incorpora-
do ao material gentico da soja permite que a mesma sintetize a enzi-
ma que assegura,  planta, sobrevivncia aps aplicao do glifosato.



                                              Oalimentoquevocconsomediariamentetransgnico? 283
        EnsinoMdio

     Para saber mais so-                 O glifosato (C3H8NO5P)  um organofosforado, definido como deri-
    bre agrotxicos, leia o          vado do cido ortofosfrico (H3PO4) ou cido pirofosfrico (H4P2O7) e,
    Folhas Voc toma vene-           quando aplicado,  absorvido pelas folhas e pelas partes novas do ve-
    no?, no Livro Didtico           getal. Tem a funo de inibir o mecanismo enzimtico responsvel pe-
    Pblico de Geografia.            la produo de aminocidos e, conseqentemente, produo de pro-
                                     tenas, de forma semelhante ao que acontece com os antibiticos. As
                                     "ervas daninhas" morrem lentamente devido ao transporte do glifosa-
                                     to para todas as suas partes.
                                         Para que o gene recombinado ao material gentico da soja tenha
      Para saber mais so-
    bre bactrias e vrus,
                                     atividade constante, foi inserido outro gene, retirado do vrus do mo-
    leia os Folhas Bactrias:        saico da couve-flor, com o objetivo de "promover" tal atividade bio-
    um universo microscpi-          qumica. Da flor petnia (Petunia hybrida) foi retirado outro gene, o
    co e Vrus: fludo vene-         CTP4, que contribui na cpia da seqncia gentica e na sntese da en-
    noso, no Livro Didtico          zima necessria para conferir a tolerncia ao herbicida. Com o objeti-
     Pblico de Biologia.            vo de demarcar o final do "pacote gentico" a ser recombinado com o
                                     material gentico da soja, adicionou-se outro gene retirado da bactria
                                     Agrobacterium tumefasciens. Acompanhe a representao a seguir.

                                              transportador sinal de terminao


                                                               Gene de tolerncia a herbicida                                     Seqncia de
    DNA SOJA               Promotor E355          CTP4                                                        NOS 3
                                                               EPSPS CP4                                                         genes autorizada


                                                  inserto       aprovado

                                                                E35S - gene de vrus
                                                                CTP4 - gene da petnia
                                                                EPSPSCP4 - gene de bactria
                                                                NOS3 - gene de bactria

                                      Representao da seqncia gentica aprovada para ser inserida na soja. Fonte: Cartilha "Transgnicos: a verdade por
                                      trs dos mitos". Disponvel em http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/cartilha.pdf. Acesso em: 21 dez. 2007.


                                         Apesar da ampla divulgao em torno da soja transgnica, este no
                                     foi o primeiro alimento geneticamente modificado a ser desenvolvi-
                                     do por tcnicas de manipulao gentica. Considera-se a insulina sin-
                                     ttica como sendo o primeiro produto, resultado da manipulao ge-
                                     ntica, industrializado e comercializado nos EUA no incio da dcada
                                     de 1980. O primeiro transgnico de origem vegetal, tambm origin-
    FIGURA 3  Tomate longa vida.
    Fonte: http://www.onmeda.de/     rio nos EUA, foi uma variedade de tomate (Solanun lycopersicum) co-
    ernaehrung/lebensmittel_heute/   nhecida comercialmente como "tomate longa vida" ou Flavr-Savr. Ve-
    gruene_gentechnologie/flavr_     ja a FIGURA 3.
    savr_tomate.html



284 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                    Biologia

    A empresa que o "inventou" utilizou-se de tcnicas que permitiram              Pectina
adicionar ao material gentico do tomate gene que interfere na pro-               Composto formado por
duo da enzima poligalacturonase. Esta enzima tem a funo de atu-               polissacardeos, larga-
ar diretamente na pectina presente nas paredes celulares das clulas do           mente encontrado na
tomate provocando "amolecimento" durante o processo de amadure-                   parede celular dos ve-
cimento do fruto.                                                                 getais.
    Preocupaes com esta variedade transgnica de tomate se suce-
deram principalmente por causa da segurana alimentar. Pesquisas co-
mearam a ser realizadas e divulgadas com relao aos efeitos colate-
rais, por apresentar alta concentrao de glicoalcalides. Esse tomate
transgnico foi utilizado em experimentos com ratos em laboratrio
que mostraram efeitos negativos, como leses no estmago, devido s
toxinas vegetais em alta concentrao. Estes e outros resultados no
foram publicados na poca, somente algum tempo depois.
    Falta de responsabilidade da empresa ou do governo estadunidense? Co-
mo ficam as questes ticas?


                PESQUISA

     Pesquise sobre a Conferncia Internacional de Asilomar, Califrnia, EUA, ocorrida em 1975 e relate
 as principais idias discutidas quanto ao uso da biotecnologia.

    Embora a comunidade cientfica tenha se mostrado               A ANVISA  Agncia Nacional de Vigiln-
preocupada com possveis efeitos negativos  sade, o            cia Sanitria   responsvel por promover
governo dos EUA decidiu pela produo em larga esca-             a proteo da sade da populao por in-
la dos alimentos geneticamente modificados no incio dos         termdio do controle sanitrio da produ-
anos de 1990. Fato interessante  que o prprio gover-           o e da comercializao de produtos e
no estadunidense acenava com garantias s empresas de            servios submetidos  vigilncia sanitria,
                                                                 inclusive dos ambientes, dos processos,
biotecnologia, de que os supermercados em breve esta-
                                                                 dos insumos e das tecnologias a eles re-
riam vendendo alimentos geneticamente modificados. A
                                                                 lacionados. Alm disso, a Agncia exerce
FDA - Food and Drug Administration -, agncia de sa-
                                                                 o controle de portos, aeroportos e frontei-
de dos EUA com funo semelhante a ANVISA no Brasil,             ras e a interlocuo junto ao Ministrio das
aprovou sem ressalvas, a expanso generalizada do to-            Relaes Exteriores e instituies estran-
mate e de outros alimentos geneticamente modificados.            geiras para tratar de assuntos internacio-
Em 1993, a FDA tomou a deciso de orientar a sociedade           nais na rea de vigilncia sanitria. Fonte:
a respeito da segurana dos alimentos transgnicos.              http://www.anvisa.gov.br/



                DEBATE

     Discuta com seus colegas quais teriam sido os possveis motivos que levaram a FDA a aprovar o to-
 mate transgnico, uma vez que no se tinham pesquisas cientficas alertando sobre os riscos, benef-
 cios e/ou ameaas.


                                               Oalimentoquevocconsomediariamentetransgnico? 285
        EnsinoMdio

                                    Os tomates transgnicos, ao serem comercializados, foram identifi-
                                cados como geneticamente modificados (FIGURA 4). Importante, sim,
                                no entanto, o que significa isso para o consumidor, uma vez que no
                                se tinham muitas pesquisas divulgadas sobre os transgnicos?
                                    E para voc, a identificao como alimento transgnico na embalagem  o
                                suficiente?



                      ATIVIDADE

           Os alimentos que voc classificou na primeira pesquisa deste Folhas poderiam ser reclassificados
     utilizando os critrios de alimento transgnico e no transgnico? Como voc faria?




    Smbolo definido pe-
  lo Ministrio da Justia,
  de acordo com o Decreto
                                 FIGURA 4  Imagem da embalagem de produto industrializado a partir de tomate transgnico. Fonte: http://bulletin.
  n. 4680/03, podendo ser       sciencebusiness.net/ebulletins/images/1503/LabNotes/GM%20tomato.jpg
  impresso em preto com
  fundo transparente pa-
                                    Diante da insegurana estabelecida em relao  transgenia, a rotu-
  ra embalagens no colo-
                                lagem  necessria, embora no substitua as questes polmicas ainda
  ridas. Esse smbolo preci-
  sa ser usado em conjunto
                                no respondidas, uma vez que rotular no  sinnimo de que alimen-
  com uma expresso que         tos transgnicos esto garantidos e seguros para serem consumidos.
  informe a origem transg-
  nica do alimento, seja ele         Acesse o endereo eletrnico www.greenpeace.org.br e veja a relao
  processado ou in natura.        de alimentos que so comercializados e fabricados a partir de matria-pri-
  Como exemplos de ex-            ma geneticamente modificada; veja tambm a relao dos alimentos decla-
  presses, temos "produto        rados "livre de transgnicos".
  produzido a partir de soja
  transgnica" e "frango ali-
  mentado com rao con-            As opinies sobre o uso de alimentos transgnicos so divergen-
  tendo ingrediente de ori-     tes e devemos acompanh-las uma vez que os benefcios e malefcios
  gem transgnica".             desses alimentos ainda carecem de estudos cientficos para que pos-




286 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                              Biologia

samos ter maior segurana quanto ao consumo. Esses estudos devem
ser mantidos e incentivados a fim de que resultados precisos e confi-
veis sejam divulgados.
    A Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecurias, estatal
subordinada ao Ministrio da Agricultura, tem participado das pesqui-
sas com alimentos transgnicos para o desenvolvimento de variedades
transgnicas, como feijo, soja, batata, banana, cacau, caf, arroz, mi-
lho e mamo. O desenvolvimento do mamo papaia transgnico, por
exemplo, ocorreu a partir da recombinao gnica de dois genes para
resistir ao vrus da mancha anelar.


      Mamo geneticamente modificado
     Talvez um dos mais sucedidos seja o caso do mamo papaia resisten-
 te ao vrus da mancha anelar. O mamo transgnico  utilizado desde 1998
 no estado do Hava, EUA, e foi responsvel pela recuperao da atividade
 agrcola e comercial envolvida na produo de papaia.
      O vrus da mancha anelar  um exterminador. As plantas infectadas com
 o vrus no se recuperam, convertendo-se em reservatrios do vrus, o qual
  rapidamente transmitido por insetos. Quando as plantas so infectadas
 ainda jovens simplesmente morrem sem produzir frutos. J as plantas mais
 velhas produzem frutos pequenos e sem valor comercial. No existe a ocor-
 rncia natural de genes de resistncia ao vrus. Alm disso,  impossvel o
 plantio de novas rvores em reas afetadas pela doena.
     Recentemente a Embrapa desenvolveu uma variedade transgnica re-
 sistente ao vrus.
  Fonte: adaptado do artigo "Mamo geneticamente modificado", publicado no jornal O Estado de So Pau-
  lo de 03/11/2004  disponvel em http://www.criareplantar.com.br/biotecnologia/ler/?idArtigo=2410 , aces-
  so em: 21 dez. 2007.




     No Brasil, a ANBio - Associao Nacional de Biossegurana, uma
das instituies que tem a responsabilidade pela expanso do conhe-
cimento e da anlise da segurana biolgica e que objetiva, com seus
trabalhos, a divulgao do conhecimento relativo a biossegurana, jus-
tifica que os benefcios do uso de organismos geneticamente modifica-
dos, tanto ao ambiente quanto  sociedade em geral, so perceptveis,
pois h reduo na quantidade de agroqumicos aplicados nas produ-
es agrcolas.
     Seria mesmo? Por exemplo, quais os objetivos da produo de soja trans-
gnica?




                                                                  Oalimentoquevocconsomediariamentetransgnico? 287
       EnsinoMdio



                     DEBATE

         Quando a CTNBio autorizou a soja transgnica, a ANVISA coincidentemente alterou os limites de re-
     sduos de agrotxicos que podem ser identificados em um alimento, aumentando em cinqenta vezes.
     Discuta com seus colegas e com o professor, quais teriam sido as razes que levaram a ANVISA a reali-
     zar essa alterao.


                                   A CTNBio - Comisso Tcnica Nacional de Biossegurana -  uma ins-
                               tncia colegiada multidisciplinar, criada com a finalidade de prestar apoio tc-
                               nico consultivo e de assessoramento ao Governo Federal na formulao,
                               atualizao e implementao da Poltica Nacional de Biossegurana relativa
                               a OGM, bem como no estabelecimento de normas tcnicas de segurana e
                               pareceres tcnicos conclusivos referentes  proteo da sade humana, dos
                               organismos vivos e do meio ambiente, para atividades que envolvam a cons-
                               truo, experimentao, cultivo, manipulao, transporte, comercializao,
                               consumo, armazenamento, liberao e descarte de OGM e derivados.
                                                                                              Fonte: http://www.ctnbio.gov.br/

                                 Os que defendem os alimentos transgnicos, principalmente cien-
                             tistas e jornalistas, afirmam que estes no causam danos  sade e ao
                             ambiente, no entanto no comprovam sua segurana. Outros so mais
                             prudentes e exigem mais pesquisas cientficas, pois existem indcios
                             e resultados isolados de que os alimentos transgnicos interferem na
                             sade e no ambiente. Mas,  bom lembrar que para a cincia, no es-
                             tar provado no significa que no exista.
                                 Ao refletirmos sobre quais seriam os objetivos da produo da soja
                             RR, perguntamos: seriam para a melhoria da qualidade nutricional ou
                             por interesses econmicos? Quais as implicaes para a sade huma-
                             na? E para o ambiente?
                                 A soja RR e o herbicida glifosato so produtos patenteados pela
                             mesma empresa. O patenteamento de material gentico  um proble-
                             ma tico e srio! Dizer que um produto  patenteado significa que a
                             empresa detm os direitos de pesquisa e comercializao dos produ-
                             tos produzidos por ela. Quem tiver interesse em utiliz-lo, no caso dos
                             agricultores, em plantar a semente geneticamente modificada, ter que
                             pagar royalty (uma espcie de taxa) ao proprietrio.




                                                        Fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/09/264312.shtml

288 ImplicaesdosAvanosBiolgicosnoFenmenoVIDA
                                                                                                                 Biologia



                DEBATE

 1. Se a patente refere-se ao direito intelectual, como na situao "inventei uma mquina e detenho o
    direito sobre minha inveno", a empresa deveria ter o direito sobre a tcnica. Porm, por ser uma
    tcnica aplicada em seres vivos, como fica tal questo?
 2. O genoma de qualquer ser vivo pode ser explorado economicamente por empresas?  uma ativida-
    de legal?  uma atividade tica? A quem pertence o patrimnio gentico: ao prprio ser vivo do qual
    o genoma pertence, ou ao ser humano que interfere nesse genoma e apropria-se dele?
 3. A semente da soja transgnica pode ser considerada "propriedade" ou "inveno" da empresa? O
    direito de propriedade diz respeito s tcnicas utilizadas ou  semente transgnica em si?


   Muitas vezes, as fontes de divulgao das informaes sobre trans-
gnicos, preferem passar a impresso de que a cincia  "incrvel", sem
se preocupar com o que realmente  conhecido cientificamente em re-
lao aos riscos e/ou benefcios desses alimentos transgnicos.
   Podemos considerar muitas concluses como precipitadas e sensa-
cionalistas, mas o fato  que, sabendo ou no, concordando ou no,
provavelmente estamos consumindo alimentos geneticamente modifi-
cados. Basta observar que muitos alimentos que consumimos hoje no
existiam na natureza, pois foram transformados por tcnicas clssicas
de melhoramento gentico, como irradiao, mutao, aplicaes qu-
micas, ou mesmo por aplicaes de tcnicas modernas de manipula-
o gentica.
   Voc conhece a nectarina (Psunus prsica), o mamo papaia (Carica
papaya) e o kiwi (Actinidia deliciosa)? Sabe de onde vieram?



                PESQUISA

    Fico ou realidade? Pesquise para saber ...
     A soja transgnica, entre outros alimentos e produtos
 transgnicos,  uma realidade dos nossos dias, mas ...
 1. Porcos transgnicos verdes que brilham no escuro ...
 2. Peixe transgnico com vacina contra a hepatite B ...
 3. Ovelhas transgnicas que produzem leite contendo fator        Nectarina. Fonte: Instituto Agronmico, Secretaria de Agri-
    9, utilizado como medicamento contra a hemofilia ...          cultura e Abastecimento do Estado de So Paulo, http://
                                                                  www.iac.sp.gov.br/Centros/Fruticultura/FRUTIFERAS/Nec-
    Procure nos livros de biologia e na internet para saber se    tarina.htm
    esses transgnicos so fico ou realidade.




                                                Oalimentoquevocconsomediariamentetransgnico? 289
       EnsinoMdio

                              Diante da imensa quantidade de informaes disponveis sobre os
                          transgnicos, trilhamos somente uma pequena parte dessa histria. E
                          voc no pode ficar por aqui! O objetivo  a reflexo em torno dos ali-
                          mentos transgnicos, indo alm da exposio das opinies que osci-
                          lam entre o "favorvel" e o "contrrio", com a apresentao de alguns
                          conhecimentos cientficos para voc comear a tirar suas prprias con-
                          cluses!
                              E a, o alimento que voc consome diariamente  transgnico?
                              Ser que estamos consumindo alimentos transgnicos e no sabe-
                          mos?


                            RefernciasBibliogrficas
                             BURNS, G. W.; BOTTINO, P. J. Gentica. Rio de Janeiro: Guanabara
                             Koogan: 1991.
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                            ObrasConsultadas
                             ALTIERI, M. A. Biotecnologia agrcola: mitos, riscos ambientais e
                             alternativas. Porto Alegre/RS: EMATER-RS, 2002.
                             CAVALLI, S. B. S. B. Segurana alimentar: a abordagem dos alimentos
                             transgnicos. Revista de Nutrio, v.14, p. 41-46, 2001.
                             GARCIA, E. S., CHAVES, C. I. Gentica molecular: avanos e problemas.
                             Caderno Sade Pblica, Rio de Janeiro, v.12, n.1, 103-109, jan-mar.
                             1996.
                             LEITE, M. Biotecnologia e transgnicos: os genes da discrdia  alimentos
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                            DocumentosConsultadosOnlInE
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